Resenhas 19jan • 2019

O Gosto da Tentaçãopor Elizabeth Hoyt

O livro no Skoob e no Goodreads.

Título Original: To Taste Temptation
Gênero do Livro: Romance de Época, Regencia, Romance Histórico,
Editora: Record
Ano de Publicação: 2018
1º livro da série A Lenda dos Quatro Soldados
Número de Páginas: 378
Código ISBN: 9788501113788

Obs: Este livro foi cedido em parceria com a editora para resenha.

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Sinopse: Lady Emeline Gordon é um exemplo de sofisticação entre a elite da sociedade londrina, uma mulher sempre elegante e extremamente educada. Por isso, ela é a dama perfeita para acompanhar Rebecca, a irmã mais nova de um bem-sucedido homem de negócios de Boston e ex-soldado das colônias. Samuel Hartley pode até ser um homem bem-afortunado, mas seus modos são tão selvagens quanto os confins das colônias onde foi criado. Afinal, quem usaria mocassins em um baile de gala? Sua arrogância e seu desprezo pelo decoro deixam Emeline furiosa, ainda que, no fundo, ela ache aquela ousadia atraente. No entanto, apesar da aparência rebelde, o ex-soldado é assombrado por uma tragédia: o massacre do 28º regimento, no qual centenas de seus companheiros morreram ― inclusive o irmão de Emeline, Reynaud. E é por esse motivo que Samuel está em Londres: para obter respostas, e não para se apaixonar. Mas isso não significa, porém, que seja fácil para ele controlar o próprio coração. Para Emeline, se afastar daquele homem também não é uma tarefa fácil, principalmente quando descobre que ele está tentando desvendar o mistério por trás da morte de seu irmão. À medida que os dois passam cada vez mais tempo juntos, se render àquela paixão se torna impossível. Mas Emeline não pode se comprometer com o forasteiro... por vários motivos. Só que algumas coisas estão além do controle de uma dama...

Sabe aquela autora que nem sempre consegue te agradar mas, mesmo assim, você continua colocando os livros dela na estante na esperança de que ela te conquiste de uma vez? É exatamente o que acontece comigo quando se trata de Hoyt. São poucos os livros dela que realmente conseguiram me agradar, mas eu não consigo resistir a um lançamento. Infelizmente, O Gosto da Tentação não chegou nem perto de ser o que eu estava esperando, embora eu tenha me esforçado muito para gostar desse livro.

O Gosto da Tentação me ganhou na sinopse mas, começou a me perder na narrativa cansativa. Um capítulo desse livro pareciam três anos de leitura e por mais que a escrita de Hoyt não seja ruim, o fato da história não parecer andar e os conflitos entre os protagonistas parecerem muito forçados não me ajudou nem um pouco a me conectar com o enredo e, menos ainda, com os personagens do livro.

“Ele mantinha os braços cruzados, um ombro escorado na parede, e parecia estar interessado no que via. Como se as pessoas ali fossem as exóticas, não ele.”

Eu acho que de tudo, os diálogos foram a pior parte do livro pra mim. Todas as conversas entre os protagonistas do livro me pareciam forçadas e engessadas. Por mais que a autora tentasse colocar um toque de humor no que estava sendo dito, os diálogos não ajudavam a levar o enredo a lugar algum e, quando o romance começou a se desenvolver entre eles, ficou muito difícil de comprar essa história de amor.

Emeline é uma protagonista chata. Eu sei que é um tanto quanto pesado colocar dessa forma em uma resenha, mas diferente do que diz a sinopse, ela não é uma dama refinada da sociedade que preza pelos bons costumes. Na verdade, ela tem uma personalidade bastante azeda, que ofende as pessoas a sua volta de forma velada e sempre tem uma crítica na ponta da língua. Ao invés de se mostrar uma dama graciosa, ela apenas comprova ainda mais a minha teoria de que na verdade ela é uma velha rabugenta de 90 anos.

Samuel, por outro lado, foi um personagem um pouco mais fácil de engolir. Ele não foi um herói que chegou perto de roubar o meu coração, mas ganhou a minha admiração ao encontrar formas de lidar com o temperamento de Emeline e sempre questioná-la a respeito de certas atitudes que, eu confesso, não faziam o menor sentido dentro de um enredo de época. Infelizmente, eu acho que Samuel ficou devendo – e muito – aquele ar de sedução que toda a leitura de romance de época busca.

“Sem dúvida era uma mulher bonita. Tinha cabelos e olhos escuros, e lábios fartos e vermelhos. Mas sua beleza era complicada. Muitos homens poderiam se sentir desencorajados pela inteligência naqueles olhos escuros e pelo modo desconfiados com que retorcia aqueles lábios vermelhos.”

Honestamente? Única personagem que eu gostei nesse livro inteiro foi a Rebecca. Eu realmente não sei porque Hoyt não fez dela a protagonista do livro inteiro e deixou os protagonistas de lado. Eu gosto da personalidade doce da Rebecca e de como ela não é o tipo de garota disposta a tudo para entrar na sociedade. Aliás, a cena em que ela fala que não precisa de muitos vestidos me ganhou num piscar de olhos. Muito fada sensata essa menina.

Considerando que os personagens foram um desastre pra mim, não chega a ser nenhuma surpresa eu dizer que o romance teve menos química do que progressiva sem formol, não é? Desde o momento que eles se conhecem até o momento em que o romance realmente acontece, eu não senti um pingo de verdade do relacionamento dos dois. Acho até que a “compatibilidade” deles foi uma forçada de barra tremenda que a autora precisou dar para conseguir chegar ao final desse livro, viu?

E não é como se eu não tivesse me esforçado para gostar dos dois como casal, porque eu me esforcei. Mas é difícil comprar um romance quando a personagem mal conheceu a outra pessoa e já está destilando ódio e irritação para quem quiser. Fora que as brincadeiras de observá-lo o tempo todo e questionar coisas que não tem cabimento só tornam todo o desenvolvimento do romance ainda mais patético aos meus olhos, entendem?

Quando eu penso em O Gosto da Tentação, eu me pergunto se toda vez que eu começar uma trilogia nova da Elizabeth Hoyt, eu vou ter esse problema com o primeiro livro. Eu tinha expectativas de que dar uma nova chance para a autora faria com que eu me apaixonasse pela sua escrita, mas continuamos na estaca zero. Eu realmente espero que os próximos livros de A Lenda dos Quatro Soldados sejam bem mais divertidos de ler do que este primeiro.

Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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10 Comentários

  • Lara Caroline
    31 jan 2019

    Não tenho muita vontade de ler romances de época ultimamente depois de uma certa decepcionada que eu dei com a Julia Quinn. Achei a premissa legal, mas fiquei com o pé atrás depois da sua resenha hahaha
    Beijos

  • Nil Macedo
    26 jan 2019

    Sinceramente, eu nem me lembro de já ter lido alguma coisa dessa autora.
    E fiquei meio desanimada com esse livro, principalmente sabendo que ele é o primeiro de uma trilogia. Romances de época podem realmente ser muito chato, principalmente quando o enredo não flui e o romance parece ser forçado.
    A capa é linda mas o conteúdo me pareceu bem fraco.

  • Aline Bechi
    26 jan 2019

    Olá, tudo bom?
    Acho essa capa incrível!
    Quando não gostamos dos personagens é bem difícil se conectar na trama, vemos defeito em tudo, principalmente em romances que a química de um casal é indispensável e se você não os suporta nunca verá coisas positivas neles juntos.
    Eu nunca li nada da autora, mas quando ler espero ter uma experiencia positiva e torço para que suas novas chance com a autora de certo haha

    Beijos.

  • Elidiane Lima
    25 jan 2019

    Oi, Débora!
    Da Elizabeth Hoyt não li nenhum livro mas tenho curiosidade em conhecer sua escrita, contudo não pretendo ler O gosto da tentação, não gosto de personagens como a Emeline, chata, que ofende as pessoas e destilha ódio gratuitamente, pena que Samuel não compensou toda essa negatividade da Emeline… Abraços!

  • Luana Martins
    23 jan 2019

    Oi, Débora
    Ainda não conheço a escrita da autora, mas dos livros que li as resenhas a maioria não gosta tanto assim dos livros.
    Mas a capa é lindíssima, tenho curiosidade para ler algum livro dela, mas ao mesmo tempo fico com um pé atrás. Não descarto a possibilidade de ler algo da autora.
    Beijos

  • Alison de Jesus
    22 jan 2019

    Olá Débora!
    É uma pena que uma obra lindíssima como essa peque no conteúdo, não é mesmo? Fiquei com a impressão de que Hoyt não soube juntar todos os elementos para fazer a história acontecer, de modo que tudo passa uma sensação de superficialidade. Além disso, essa passividade de acontecimentos que em grande parte figuram as páginas corroboram para que o leitor alimente a conclusão de que a autora simplesmente não sabe o que está fazendo.
    Beijos.

  • Maira Schein
    22 jan 2019

    Nunca li nada da autora então não posso opinar, mas queria dizer que achei essa capa linda demais! Acho que compraria o livro só por causa disso hahha é uma pena que o desenvolvimento do livro não te pareceu muito bom. Acho que a pior coisa de um livro é quando os personagens são chatos. Pra mim não tem o que salvar se isso acontece.

  • Jora
    21 jan 2019

    Até hoje só li O príncipe corvo dessa autora. A leitura não me prendeu tanto quanto a capa linda e a sinopse prometiam, tanto que estou adiando a leitura dos livros restantes. É tão bom quando a gente encontra um livro com personagens que nos prendem não só pelo enredo, mas também pela personalidade que os autores dão a eles, pelo visto Hoyt ainda está pensando para conseguir isso. Mas não vou desistir de ler pelo menos a primeira série dela, ainda acho que ela é promissora.

  • Angela Cunha
    21 jan 2019

    Vou confessar que não conheço as letras da autora, mas já li muitas resenhas dos livros dela, principalmente a saga dos Príncipes(que morro de vontade ler)
    Quando este livro foi lançado recentemente, o que chama atenção a primeira olhada é a capa! Lindíssima!
    Mas lendo a resenha eu não senti aquela vontade de conhecer, até por trazer um enredo bem arrastado e um não aprofundamento nos personagens.
    Talvez mais para frente, dê uma chance!
    Beijo

  • Ycaro Santana
    21 jan 2019

    Eu não sou um dos maiores fãs de romance de época, acho que já comentei aqui algumas vezes que um dos que me interessa são os da Lisa Kleypas. Esse, em especial, não me agradou mesmo, o esnobe da protagonista, o alto elitismo – embora sei que seja padrão pra época – e a disputa de personalidades não me convenceu.

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