Resenhas 26nov • 2018

Heroínaspor Laura Conrado, Pam Gonçalves e Ray Tavares

O livro no Skoob e no Goodreads.

Gênero do Livro: Contos
Editora: Galera Record
Ano de Publicação: 2018
Número de Páginas: 256
Código ISBN: 9788501114433

Obs: Este livro foi cedido em parceria com a editora para resenha.

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Sinopse: Não faltam heróis. Dos clássicos às histórias contemporâneas os meninos e homens estão por todo lugar. Empunhando espadas, usando varinhas mágicas, atirando flechas ou duelando com sabres de luz. Mas os tempos mudam e já está mais do que na hora de as histórias mudarem também. Com discussões feministas cada vez mais empoderadas e potentes, meninas e mulheres exigem e precisam de algo que sempre foi entregue aos meninos de bandeja: se enxergar naquilo que consomem. Este é o livro de um tempo novo, um tempo que exige que as mulheres ocupem todos os espaços, incluindo a literatura. Laura Conrado imaginou as Três mosqueteiras como veterinárias de uma ONG, que de repente contam com a ajuda de uma estudante que não hesita em levantar seu escudo para defender os animais. A Távola Redonda de Pam Gonçalves é liderada por Marina, que diante do sumiço do dinheiro que os alunos de sua escola pública arrecadaram para a formatura, desembainha a espada e reúne um grupo de meninas para garantirem a festa que planejaram. E Roberta é a Robin Hood de Ray Tavares. Indignada com a situação da comunidade em que vive, a garota usa sua habilidade como hacker para corrigir algumas injustiças. Este é um livro no qual as meninas salvam o dia. No qual elas são o que são todos os dias na vida real: heroínas. Finalmente.

Heroínas é uma coletânea de contos lançada em 2018 pela Galera Record. Os contos presentes em Heroínas trazem uma releitura de clássicos da literatura. Os Três Mosqueteiros, Rei Authur e Robin Hood são apresentados em uma nova roupagem, o detalhe mais importante, com mulheres protagonistas. Cada autora deixa o seu toque pessoal nessa coletânea repleta de amor, sororidade e Girl Power.

O primeiro conto é assinado por Laura Conrado. Nele vemos a luta de Daniela para salvar a ONG de proteção aos animais, Mosqueteiros. Athos, Porthos e Aramis se transformam em Aline, Agnes e Poli, três formandas em Medicina Veterinária que trabalham na ONG. Daniela admira as companheiras e não mede esforços na hora de salvar o lugar que mais sonha em fazer parte. Dani tem os mesmos problemas que as jovens da sua idade: preocupa-se com o ENEM, não sabe como agir próxima do crush, possui suas inseguranças.

“Se tem uma coisa que a convivência com vocês me ensinou, é isso: ser amiga de uma mulher é apoiar em todas as situações, não só quando é fácil ou quando convém – disse Poli. – É romper com o mito de competição feminina, é acabar com as inseguranças e com os estereótipos… Eu aprendi a escutar e a valorizar a fala da outra, ainda que, às vês, seja uma fala diferente da minha; a voz de toda mulher deve ser respeitada. Sororidade é isso, né? É a gente se reconhecer uma na outra.”

O que faz a diferença em sua vida é a presença da mãe e das mosqueteiras. As mulheres mais velhas ajudam Dani a lidar com seus medos e aflições, sem em nenhum momento minimizar ou subestimar a menina. Na hora de partir para a luta ela sabe que pode contar com o apoio e a amizade de várias mulheres, uma grande lição.

No segundo conto, da autoria de Pam Gonçalves, a távola redonda de Rei Arthur vira uma mesa de comissão de formatura. A diretora da escola pede à Mariana que cuide dos preparativos da festa de formatura do terceiro ano, depois que a empresa responsável pelo evento foge com o dinheiro dos alunos.

Mariana estuda em uma escola pública, eles não têm muita verba e tudo piora depois do roubo, para lidar com a organização de uma festa em apenas oito semanas, Mariana conta com a ajuda de seus nobres cavaleiros: Poliana, Diana, Flávia, Sofia e Ludmila. O conto de Pam lida muito bem com assuntos complicados como relacionamento abusivo e descoberta da sexualidade. Foi o conto em que mais torci pelo romance, palmas para a autora que conseguiu desenvolver o plot tão bem em poucas páginas.

“O silêncio ainda perdurou algum tempo até que as posturas relaxaram, e as garotas voltaram a se sentar sem dizer uma palavra. Uma lei não dita tinha ficado bem clara para todas aquelas mulheres. Só poderiam confiar nelas mesmas.”

O último, e não menos importante conto, foi escrito por Ray Tavares. Robin Hood é o disfarce de Roberta Horácio, uma cracker procurada pela polícia que rouba dos corruptos para das aos pobres. Robin, a proscrita é o conto mais político da antologia. A autora aproveita muito da realidade brasileira e, com algumas adaptações, conta a história de uma menina pobre que deseja fazer de sua comunidade, Selva de Pedra, um lugar melhor.

Roberta é excelente com computadores, ela aproveita de suas habilidades para se tornar uma cracker e invadir os computadores de políticos, empresários e pastores corruptos que enriquecem às custas da população carente. O maior inimigo da nossa Robin é Marcelo Felizzi, pastor da igreja da comunidade e… pai do seu maior amor. Para despistar a polícia e ajudar nos roubos ela conta com a ajuda de Tucano, Pequeno e Willa. O conto é muito divertido, a comédia é uma das grandes qualidades de Ray.

Todos os contos se encaixam como um quebra cabeça. Cada autora soube usar sua voz para trazer essas histórias para os dias de hoje. Palmas para a editora que se propôs a organizar uma coletânea super empoderadora, gostaria de ter lido livros assim quando era adolescente. Ver mulheres salvando o dia diz muito sobre representatividade. O livro também me deixou querendo ler mais da Laura e da Pam, não conhecia o trabalho delas e gostei muito do que vi. Leitura mega recomendada, ainda mais para quem está no fim da adolescência, tendo que lidar com as loucuras de se tornar um adulto e decidir o futuro em tão pouco tempo.

Beatriz Kollenz ver todos os artigos
Queria ser mesmo uma garota mágica, infelizmente não deu nessa vida. Amo borboletas, mangas shoujo, desenhos animados e livros. Quando não estou voando nas nuvens costumo tocar piano, assistir um dorama ou sentar ao ar livre. Apesar de ser leonina sou muito tímida, a vida é assim, repleta de contradições.

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10 Comentários

  • Pamela Liu
    30 nov 2018

    Oi Beatriz.
    Quero muito ler esse livro.
    Adoro releituras e estou tentando ler mais nacionais. Então esse livro parece perfeito para isso.
    Gosto quando histórias independentes cruzam em algum ponto da história. Melhor ainda quando isso é bem feito.
    Super ansiosa para conhecer a escrita dessas autoras.
    Além disso, a capa é lindíssima.
    Beijos

  • Luana Martins
    29 nov 2018

    Oi, Beatriz
    Li algumas resenhas desse livro e gostei muito dos contos.
    Adorei essa ideia de releituras com mulheres sendo as protagonistas.
    Gostei dos três contos, mas me identifiquei com da Laura Conrado com a ONG de proteção para os animais.
    Beijos

  • Alice Pereira
    29 nov 2018

    Gosto de ver o quanto livros com representatividade estão ganhando espaço ultimamente. E me orgulha ver que nacionais estão deixando sua marca nisso.
    É uma ideia muito bacana. A escolha das leituras casou perfeitamente com o que as autoras quiseram passar. Mulheres salvam o dia frequentemente e não havia maneira melhor de lembrar isso.

  • Maira Schein
    29 nov 2018

    Já tinha visto coisas sobre esse livro mas ainda não tinha lido a sinopse e nem resenhas. Me interessei muitíssimo pelas histórias e quero muito ler o livro. É muito bom ver livros como esse enaltecendo as mulheres e mostrando todo o nosso empoderamento, e também queria ter lido algo assim quando era mais nova.

  • Aline M. Oliveira
    29 nov 2018

    Olá! A ideia é bacana e imagino que tenha sido uma leitura muito boa. Colocar mulheres em releituras de histórias protagonizadas por homens me deixa bem curiosa além de ser uma oportunidade de conhecer a escrita das autoras que ainda não li. O)brigada pela dica!

    Bjoxx

  • Patrini Viero
    28 nov 2018

    Desde que eu li sobre o lançamento desse livro tive certeza de que ele seria um arraso. Porque nós, mulheres, arrasamos mesmo rs
    Mas falando sério agora, acho muito importante um tema como o empoderamento e a representatividade feminina em âmbitos masculinos nos dias de hoje e em todos que ainda virão. Esses contos dão a visão da mulher como protagonista não apenas dessas histórias, mas de suas próprias escolhas, colocam a figura feminina em destaque, fazendo a gente finalmente entender que somos tão capazes quanto qualquer outro ser humano de tomar as rédeas das mais variadas situações.

  • Vitória Pantielly
    27 nov 2018

    Oi Beatriz,
    Não imagina como estou desejando loucamente esse livro ..
    O fato de ter heroínas mulheres surpreende sim, mas, vamos combinar que é natural não é? Afinal, mulheres lutam todos os dias, e são mais do que heroínas!!
    Voltando aos contos, amei a forma que as autoras trataram suas protagonistas e os temas trabalhados, confesso que o que mais gostei foi o da Pam, imagina que será divertido!!
    Fiquei curiosa sobre o último, todos falam dele com muita empolgação.
    Bem, só digo que quero muito ler!!!!
    Beijos

  • Kleyse Oliveira
    27 nov 2018

    Eu tenho esse livro e já li ele, amei amei demais os três contos. Dei 5☆ pois eu já conhecia a escrita da Pam e da Ray.
    Pretendo ler outras histórias da Ray e também quero conhecer os livros da Laura.

  • Ludyanne Carvalho
    27 nov 2018

    Esse livro é muito gostosinho!
    Eu gosto de contos, gosto de releituras, então foi uma combinação perfeita!
    Até gostaria que tivesse um segundo volume.
    Foi muito bonito ver as mulheres salvando um pedaço de seus mundos.

    Beijos

  • Angela Cunha
    27 nov 2018

    Desde que vi este recém lançamento, adorei saber do que se tratava. Além de amar contos particularmente, gostei de ler sobre esta versão feminina de grandes clássicos. Enxergar por outros ângulos é fundamental, ainda mais nestes tempos de revolução da mulherada!!!
    Com certeza, quero muito conhecer o trabalho das autoras e essa nova carinha aos clássicos!
    Beijo

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