06jun • 2020

História de um Grande Amorpor Julia Quinn

O livro no Skoob e no Goodreads.

Título Original: The Secret Diaries Of Miss Miranda Cheever
Gênero do Livro: Romance, Romance Histórico, Regência
Editora: Arqueiro
Ano de Publicação: 2020
1º livro da série Bevelstoke
Número de Páginas: 288
Código ISBN: 9788530601089

Comprar: Amazon

Sinopse: Aos 10 anos, Miranda Cheever já dava sinais claros de que não seria nenhuma bela dama. E já nessa idade, aprendeu a aceitar o destino de solteirona que a sociedade lhe reservava.Até que, numa tarde qualquer, Nigel Bevelstoke, o belo e atraente visconde de Turner, beijou solenemente sua mãozinha e lhe prometeu que, quando ela crescesse, seria tão bonita quanto já era inteligente. Nesse momento, Miranda não só se apaixonou, como teve certeza de que amaria aquele homem para sempre.Os anos que se seguiram foram implacáveis com Nigel e generosos com Miranda. Ela se tornou a mulher linda e interessante que o visconde previu naquela tarde memorável, enquanto ele virou um homem solitário e amargo, como consequência de um acontecimento devastador.Mas Miranda nunca esqueceu a verdade que anotou em seu diário tantos anos antes. E agora ela fará de tudo para salvar Nigel da pessoa que ele se tornou e impedir que seu grande amor lhe escape por entre os dedos.

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Quando a gente gosta muito de um autor, sempre tem aquele livro que você mal pode esperar para a editora publicar no Brasil, não é mesmo? Bem, História de um Grande Amor ou The Secret Diaries Of Miss Miranda Cheever era esse meu livro da Julia Quinn.

A questão é que eu não espero maravilhas de um primeiro livro de uma série de época, honestamente. Eu costumo dizer que o primeiro livro é uma grande introdução aos dramas dos próximos livros e que é a partir do segundo que os enredos começam a ficar mais complexos e elaborados. Na trilogia Bevelstoke não é diferente, mas ouso dizer que essa leitura conseguiu me conquistar.

Meu maior problema com os livros da Julia Quinn é a falta de preocupação que autora tem em “fazer sentido” nas histórias que ela constrói. Personagens somem e desaparecem ao longo dos livros dela, personagens que, por motivos óbvios, deveriam ser muito mais presentes do que realmente são.

“Talvez o senhor devesse escrever um livro (…) Mil e uma maneiras de insultar uma jovem dama. Arrisco dizer que, até agora, o senhor já tenha umas cinquenta.”

Em História de um Grande Amor não é diferente, mas o que mais me incomodou na narrativa foi a persistência em um mesmo discurso, sem reviravoltas ou aquele plot twist que faz com que o leitor se sinta preso na história. O enredo todo gira em torno do fato de Miranda Cheever ser apaixonada por Turner e embora sua personalidade seja excelente (vou falar disso mais a frente) a protagonista é sugada pelo romance.

Para minha sorte Julia Quinn sabe como escrever bons diálogos.

Para mim, os diálogos salvaram toda a leitura de História de um Grande Amor. Foi graças aos diálogos que a história conseguiu andar e eu pude conhecer mais da personalidade da Miranda e me apaixonar pela Olivia – sua melhor amiga e protagonista do próximo livro da série.

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Miranda é uma excelente protagonista, mas acho que o fato da sua história girar em torno da sua paixão por Turner tora difícil de outros leitores gostarem dela. Seu temperamento teimoso a torna interessante, ela não aceita não com facilidade e questiona as regras da sociedade da época como outras heroínas que amamos.

O problema é que tudo isso cai por terra quando Turner entra em cena. Infelizmente o fato de ela ser apaixonada por ele desde criança faz com que a história seja um pouco cansativa. Embora eu goste dos protagonistas como um casal, o romance rouba a cena e deixa pouco espaço para que os personagens se desenvolvam individualmente ao longo da história.

Turner não foi um herói que me conquistou, honestamente. O lado obscuro que ele traz para a história não é tão convincente quanto eu acho que a Julia Quinn gostaria.

“O amor era para os idiotas. Os tolos. E ela era a maior tola de todos.”

Viúvo de um casamento ruim. Este é todo o motivo da personalidade fria e distante do nosso herói que, por algum motivo, resolve pegar a nossa heroína “para cristo” despejando nela toda sua ira e arrependimento. Não sei se foi culpa de Quinn por não ter escolhido dar mais profundidade ao personagem, mas lendo (e relendo para esta resenha) eu confesso que esperava mais do personagem.

Sei que pode não parecer, mas eu gostei do romance.

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Miranda desafia Turner do começo ao fim do livro, o que é interessante porque o obriga a crescer e a ver as coisas de uma maneira diferente. A forma como o romance entre eles acontece me envolveu e me fez querer entender até onde esse envolvimento poderia ir.

Mas foi só isso, infelizmente.

O que mais me incomoda em História de um Grande Amor é que, embora seja um livro muito divertido e gostoso de ler, peca na falta de profundidade emocional dos personagens. Eu consigo rir e me emocionar com o romance, mas não consigo dizer muito dos personagens individualmente.

História de um Grande Amor é uma leitura agradável, eu garanto. Se você gosta de romances de época, não consigo ver um motivo para que você não goste desse livro fora o fato de tudo ser centrado na paixão da Miranda. Agora, se você quer começar no gênero, eu tenho uma lista de outras leituras que podem ser bem mais interessantes, ok?

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11 Comentários

  • […] foram as pequenas coisas que, no final, significaram tudo. As diferenças de personalidade, as manias parecidas e a vontade […]

  • GISLAINE LOPES
    junho 22, 2020

    Oi Débora,
    Adoro as livros da Julia Quinn, apesar de só ter tido contato com sua escrita através da série Os Bridgertons. A primeira coisa que me chamou atenção nesse sua nova série foram as capas, não vou negar. Achei lindo o trabalho gráfico da editora. Sabe que eu tenho o mesmo pensamento que você a respeito do primeiro livro de uma série? E não só de romances de época, em qualquer gênero literário. Nunca espero muito, apenas uma introdução. Eu gosto da ideia do amor que vem desde cedo, mas acho um pouco arriscado em alguns romances, pois muitas vezes o autor não explora outros elementos da história e o que era para ser algo bonito de acompanhar fica maçante e, muitas vezes, um pouco obsessivo por parte do personagem principal. Mas Miranda parece conquistar o leitor, pois a paixão que sente por Turner vem acompanhada de uma personalidade marcante. Só é uma pena ver uma obra com tanto a oferecer não ser melhor explorada e aprofundada.

  • Aline Teixeira
    junho 21, 2020

    Olá Débora!
    Estou encantada com as capas dos livros dessa trilogia, são lindas demais! Eu gosto muito dos livros da Julia Quinn, ela é minha autora de romances de época favorita. Miranda parece uma mocinha bem obstinada, já a personalidade de Nigel me pareceu muito sombria pro meu gosto. Ah, os diálogos da autora são demais mesmo, eu adoro as alfinetadas. Romances que são cultivados desde a infância costumam ser bem intensos, mal posso esperar para conferir essa história.
    Beijos

  • […] exemplo, no primeiro livro conhecemos um pouco sobre os pais da Olivia e seu irmão gêmeo, Winston. No segundo livro, no […]

  • Elizete Silva
    junho 09, 2020

    Olá! Esse livro me surpreendeu (negativamente), vamos aos pontos: as capas dessa trilogia são maravilhosas (com certeza!), a Miranda é uma personagem linda (simmm), daquelas que você quer adotar e colocar em potinho para poder cuidar, mas que em razão desse amor pelo Tuner acaba se perdendo um pouco, e por falar no diabo… meu Goku, eu não consegui perdoar ele nem com aquele final, seu comportamento foi abominável, e o que ele passou no primeiro casamento não justifica seus atos, o que posso acrescentar é que os próximos livros são bem melhores e que o terceiro é meu favorito!

  • Amanda Almeida
    junho 07, 2020

    Julia Quinn é tudo! Que capa mais linda e os elementos das fotos ornando também, como sempre. É bem isso mesmo sobre os primeiros livros. Eu gosto bastante da escrita da Júlia, como ela geralmente desenvolve os personagens (não me recordo dessa situação de personagens sumirem que você comentou), apesar de haver muitos clichês e a gente já saber o que esperar. Os primeiros romances de época que eu li foram dela, então sou suspeita a falar hahah só teve um dos livros da série Bridgertons que me arrastei na leitura, fiquei me perguntando se o mesmo vai acontecer quando eu ler esse.

    Beijos,
    Amanda Almeida

  • Michelle Lins de Lemos
    junho 07, 2020

    Sou suspeita pra falar pois sou fã da Julia.
    Tô com História de Um Grande Amor aqui pra ler e tô com altas expectativas.
    Alguns mocinhos da JQ tem atitudes questionáveis mesmo. Mas mesmo assim curto muito.

  • Angela Cunha Gabriel
    junho 07, 2020

    Sou doida para começar essa nova trilogia da autora, mas ainda não tive oportunidade. Aliás, estou ficando devedora em ler romances de época. Ando numa vibe de livros pesados que até me assusto,mas…rs
    Pelo que pude perceber acima, esse primeiro livro da trilogia é bom, sem ser totalmente bom, pela falta de aprofundamento nos sentimentos e oh, num romance de época, isso é fundamental.
    Senti também que não está tão repleto de diálogos bem humorados, marca registrada da autora.
    Mesmo assim, ainda quero ler para ter uma opinião sim!!!
    beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

  • ingriD Figueiredo
    junho 07, 2020

    Nao sei vc mas eu acho MUITO estranho quando a protagonista (criança) se apaixona por um cara mais velho, e ele fica acompanhando o crescimento da garota até ela virar uma mulher e o cara começa a se interessar… bem, no quesito físico rs.

    Não lembro o nome de um livro mas a história é bem similar, a criança mostra gostar do rapaz e ele a trata como se fosse uma irmã até que… passa a ver com outros olhos quando atinge a maioridade (ah! lembro que o cara era de uma banda de rock)

    Tambem tenho percebido nos últimos livros da Julia Quinn um leve… hum… descida em suas histórias, ficam algumas coisas faltando no livro, ou simplesmente dá uma explicação qualquer e é isso mesmo (A Dama mais Apaixonada me fez ficar um pouco decepcionada com o enredo mas sigamos em frente)

    E olha, tenho que discordar de vc, espero muito de um primeiro livro de romance de época (o que dizer de Desejo à meia-noite, O Duque e eu, Ligeiramente casados, Cilada para um marquês, Romance com o Duque etc?) é o primeiro que vai dizer para que o livro veio, se os personagens valem a pena conhece-los….

  • Thaís Cristina Marcelino
    junho 06, 2020

    Adorei essa resenha, muito bom você ter colado seus pontos positivos e negativos, pois vi muitas pessoas falando só bem desse livro e tu foi super sincera, adorei isso. Só li um livro da autora que foi Uma dama fora dos padrões e gostei muito, mas concordo com o que você diz. Ela escreve um bom romance, mas na maior parte das vezes fica só nisso, no romance e os protagonistas não recebem a devida atenção. O livro que li dela possuiu uma narrativa gostosa e fluida, li rápido e o casal foi fofo. Que bom que você gostou, mas esperava mais neh?! Quero conhecer mais livros da autora pois acho que ela é uma ótima escritora, mas como tu disse, peça em algumas coisas

  • Alison Teixeira
    junho 06, 2020

    Olá Débora!
    Confesso que o gênero não é dos meus preferidos, talvez pela exaustiva fórmula que os autores insistem em usar para construir o romance entre os dois protagonistas. É uma receita de bolo, olha só:
    1- Protagonista feminina à frente do seu tempo, insegura ou que precisa casar
    2- Protagonista masculino escroto ou libertino por conta de um passado “sombrio”
    3- Diálogos engraçados
    4- Intrigas da corte/realeza
    Junte todos esses elementos e pronto! Define-se 99% dos romances de época. E além de não inovar nesta sua nova série, Quinn decepciona bastante por não dar embasamento suficiente para que o leitor entenda os surtos de Turner, que não tem moral nenhuma para destratar Miranda. Esta, por sua vez, se destaca por se destemida e não abaixar a cabeça, mas só de saber que vai passar pano para Turner…
    A gente desanima, né?
    Mas como dito, o livro não deixa de ser divertido, sem contar que a escrita de Julia Quinn é viciante, logo a leitura rende bastante. Só espero que os livros seguintes sejam compensadores.
    Beijos.