Resenhas 05jul • 2019

A Menina que Libertou o Pássaropor B. Sousa

O livro no Skoob e no Goodreads.

Gênero do Livro: Fábula
Editora: Pandorga
Ano de Publicação: 2019
Número de Páginas: 160
Código ISBN: 9788584424078

Obs: Este livro foi cedido pela editora em parceria para resenha.

Comprar: Amazon

Sinopse: De tantas cores que a luz reflexiva podia produzir, por que escolhestes o preto para me definir?” Esse é o constante questionamento do pequeno pássaro a respeito das suas cores pretas. Complexado com a sua aparência, ele é hostilizado pelos pássaros coloridos. Mas é graças a um presente do acaso, que uma criança humana entra em sua vida e passa a enxergá-lo com a beleza que o resto do mundo reluta a ver. Em busca de uma resposta pela sua própria existência, o pássaro preto e a menina criam uma amizade digna de um livro. Mas será que esse laço será forte o bastante para enfrentar todos os obstáculos? E será que é mesmo preciso uma árdua busca pelo significado de nossas vidas?

Não existe outra forma de começar essa resenha se não dizendo que A Menina que Libertou o Pássaro foi completamente diferente do que eu estava esperando, ao mesmo tempo que eu não tenho certeza do que eu estava esperando. Emocionante e profundo, este livro é uma jornada emocional intensa e honesta, onde exploramos nossas fraquezas através dos olhos de um pássaro preto que se torna melhor amigo de uma menina.

Quando Sousa prometeu que esse livro seria emocionante, ela não estava exagerando. Embora a narrativa traga alguns pontos um pouco cansativos e trabalhe com diálogos formais demais, a conexão emocional que a autora cria entre o leitor e os seus personagens é inegável. É impossível que você não se identifique com as dores do pássaro ou os anseios da menina.

“Eu tentava vê-la melhor por trás dos troncos ou atrás de outros animais gordos, mas conforme eu mexia meu pequeno corpo, as folhas acabavam fazendo um barulho denunciativo (…)”

Em A Menina que Libertou o Pássaro, Sousa nos da a oportunidade de encarar situações que marcam as pessoas de uma forma muito profunda, mas do ponto de vista de um pássaro que passou a vida inteira acreditando que não havia um lugar no mundo para ele. E quem nunca se sentiu assim, não é mesmo? Apesar de alguns pontos do enredo eu sentir que a história está sendo um tanto óbvia, a mensagem por trás da fábula é um tapa na cara de quem lê.

A Menina que Libertou o Pássaro fala muito sobre a questão do bullying e como essas famosas “brincadeiras” podem afetar o emocional de uma pessoa, ou no caso do livro, um pássaro. Acho que o que mais me tocou nessa leitura foi o fato de que, por mais que o pássaro tivesse uma “família”, ele era sempre tratado de maneira diferente, excluído, proibido de comer com eles e lembrado a todo o momento o quanto ele devia aos pássaros coloridos.

Essas pequenas atitudes acumuladas ao longo dos anos de vida do pássaro preto, criam uma fragilidade emocional que eu acredito que ele não tenha se dado conta até acontecimentos posteriores do livro. Mesmo quando ele constrói uma boa amizade com a menina e eles tem uma identificação emocional muito forte, o pássaro tem dificuldades para aceitar aquele carinho e a sua confiança na nova amiga é facilmente abalada.

“Aquelas palavras pareciam acariciar o meu coração tão maltratado. Tão repentinas, mas tão acolhedoras. Eram palavras certas que chegaram sem bater, mas que jamais poderia recusar que elas entrassem.”

Um ponto que me surpreendeu, e não necessariamente foi algo negativo, é que eu acreditava que o livro entregaria um equilíbrio entre a menina e o pássaro, mas a verdade é que o enredo foca muito mais nas questões emocionais do pássaro do que nas experiências vividas pela menina – que ela conta ao longo das suas conversas com o pássaro preto. Confesso que fiquei com o desejo de uma narrativa em primeira pessoa dividia entre o pássaro e a menina.

O único ponto que realmente me tirou da imersão emocional do livro foram os diálogos e a construção da narrativa. Embora a escrita da autora tenha um potencial inegável, para algumas pessoas, a formalidade da escrita pode deixar a profundidade do enredo um pouco rasa. Mesmo os diálogos da menina com o pássaro tinham uma formalidade que, em alguns pontos do livro, impede de que o leitor perceba que existe uma amizade sendo construída.

A Menina que Libertou o Pássaro foi uma leitura com a qual eu me identifiquei do começo ao fim e acho que esse era o grande objetivo da autora. Se você consegue fazer o seu leitor conversar com o seu livro, gritando para o seu personagem não fazer determinada coisa porque você sabe que não vai dar certo, então com certeza você está entregando um bom livro. E A Menina que Libertou o Pássaro fez exatamente isso comigo, do começo ao fim.

Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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7 Comentários

  • Gêmea má
    29 jul 2019

    Sinceramente a escrita prollixa não me incomoda nem um pouco e a história é até bonitinha, mas sabe quando você lê uma resenha e parece que tem algo faltando ao livro? Eu não sei nem explicar bem o que é. Talvez seja a humanização dos animais, com o bullying e a história do coração maltratado ou algo assim. Não curti.

  • Nathalia Silva
    28 jul 2019

    Sei que essa coisa mais formal da escrita é uma coisa que pode incomodar os leitores no dia de hoje, especialmente aos mais jovens. Mais sabe, tava pensando, será que ela não foi fundamental para a história, mais precisamente para a profundidade dela? Estamos tão acostumados com uma leitura menos formal que esquecemos que, às vezes, é preciso ter essa narrativa mais formal para a historia ganhar uma nova tonalidade.
    Enfim, levando mais a questão do enredo, o mais interessante é ver que a autora levou mais pras questões/narrativas do pássaro, acho que isso permite que a gente olhe a história de uma maneira diferente e associe o mesmo com coisas bem diferentes na nossa realidade.
    Nunca tinha visto falarem nesse livro e certeza que está na minha lista de prováveis leituras pois parece ser uma leitura emocionante, tocante e muito boa.

    Bjus.

  • Elizete Silva
    22 jul 2019

    Olá! È muito bom quando um livro consegue nos surpreender desta maneira, e ser completamente diferente daquilo que imaginávamos, ainda mais abordando um tema tão sensível, mas infelizmente tão atual, acho que o fato de termos muito mais da perspectiva do pássaro do que da menina, é uma maneira de nos fazer refletir sobre nossas ações,principalmente aquelas que achamos que não trarão grandes consequências, mas que muitas vezes, são as que mais afetam o outro.

  • Jabes Guedes
    05 jul 2019

    Muito boa sua resenha, assuntos como esse abordado mexem um tanto com algumas pessoas, me identifiquei muito com o pássaro e como ele se sente em relação a família. Já quero demais viver essa experiência de ler esse livro!!

  • Gisele Thais Costa
    05 jul 2019

    Eu simplesmente amei essa história, livros que retratam assuntos reais como bullying mexem comigo. Já quero esse livro!

  • Angela Cunha
    05 jul 2019

    Puxa, que resenha ímpar! Aliás, acho que este deve ter sido um livro ímpar. Desde título, capa e enredo.
    Agora resenha!
    Quem nunca se sentiu como o pássaro nesta história? Muitas vezes, vamos perdendo as cores aos poucos, seja pelo famoso e maledito bullyng, mas também as vezes, por apenas não fazermos parte do sistema.
    Aquele querer se encaixar em algo que não nos pertence.
    Puxa, um monte de questionamentos. Por isso com certeza, se tiver oportunidade, quero muito conferir este livro sim!!!
    Me lembrei de Pássaro Azul do velho doido..rs
    Beijo

  • Tereza Cristina Machado
    05 jul 2019

    Desde que você falou dele mês passado eu fiquei interessada nele, achei o título lindo e acho o assunto super reflexivo, o quanto a gente carrega de tudo que acontece no decorrer das nossas vidas… já está na minha listinha,com certeza quero ler 😉

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