Resenhas 01nov • 2018

Minha Versão de Vocêpor Christina Lauren

O livro no Skoob e no Goodreads.

Título Original: Autoboyography
Gênero do Livro: Romance, Young Adult
Editora: Hoo
Ano de Publicação: 2017
Número de Páginas: 320
Código ISBN: 9788593911057

Obs: Este livro foi cedido em parceria com a editora para resenha.

Comprar: SubmarinoLivraria CulturaLivraria SaraivaAmazonBook Depository (inglês)

Sinopse: Há três anos a família de Tanner Scott se mudou da Califórnia para Utah, fazendo com que sua bissexualidade voltasse para o armário. Agora, com apenas mais um semestre até o fim das aulas no colegial e seu tão sonhado futuro em uma universidade longe da família, ele só deseja que o tempo passe mais depressa. Quando Autumn, sua melhor amiga, se inscreve na aula de escrita e o desafia a participar, Tanner não consegue recusar o convite, afinal de contas, quatro meses é tempo mais do que suficiente para escrever um livro, certo? O garoto está mais certo do que imagina, pois leva apenas um segundo para que ele note Sebastian Brother, o prodígio mórmon que, nas aulas de escrita do ano anterior, escreveu e publicou o próprio livro, e agora orienta a turma. Se quatro meses é muito tempo, um mês pode não ser. E é exatamente esse tempo que leva para Tanner se apaixonar por Sebastian.

Minha Versão de Você, romance descrito como uma história “incrível e divertida” na contracapa, é de autoria de Christina Lauren e publicado aqui no Brasil pela Hoo Editora. É um livro de temática LGBTQ, um romance que, à primeira vista, já nos prepara para uma leitura voraz, daquelas onde não soltamos até a última página. Foi lançado em 2017 e fez aparição na famosa lista do New York Times.

Segundo a contracapa do livro, fãs de Fangirl (Rainbow Rowell) e Simon vs. A Agenda Homo Sapiens (Becky Albertalli) estão destinados a apreciar a leitura. Bem, dos dois livros mencionados, apenas li Fangirl e foi apaixonante, o que significa que comecei a leitura com expectativas altas de me apaixonar pela história – novamente – “incrível e divertida”. A capa do livro é simples, mas aquele céu estrelado e colorido tem seu charme. Para quem gosta de livros com folhas amareladas, já pode pegar esse para ler.

“Sou apenas um garoto bissexual, meio-judeu, que está apaixonado por um garoto mórmon. Para mim, o futuro não é tão claro.”

Munida das minhas expectativas e de coração aberto, fui ler a tradução (feita por Mauricio Tamboni) de Autoboyography, me perguntando quais outras possibilidades para a tradução do título poderiam haver. E aí eu já comecei ainda mais receptiva por ler uma citação de Lin-Manuel Miranda e ser super fã de seus trabalhos e dele como ser humano. Se a Christina Lauren tava me conquistando? Estava, sim!

O enredo da história é realmente bem tocante, se é que a palavra usada possa ser essa. O tom de romance funciona, mesmo com todas as situações-problema existentes que incluem o Tanner lidar com sua bissexualidade em meio a várias questões e estar em uma cidade hétero de carteirinha e mórmon, sua família que dá suporte até demais, protege demais – e diversos obstáculos para que ele levasse sua vida tranquila ali, naquela cidade. Além disso, tem suas outras questões em relação à sexualidade que são bem tratadas no livro, para juntarmos ao fato de que sua melhor amiga não conhece seu segredo e de que sua paixão é heterossexual, mórmon e perfeitinha.

Esses fatores em relação ao enredo contribuíram para que eu tivesse diversas sensações durante a leitura e na maior parte do tempo eu queria abraçar meus personagens favoritos, o que equivale a praticamente todos, e guardá-los em um potinho. Fui conquistada! O Tanner, tão aberto em relação ao que sentia, e o Sebastian, hétero mórmon perfeito que descobre repentinamente que não é hétero e leva um baque por isso por precisar confrontar coisas demais em pouco tempo? Sem esquecer da Autumn, a melhor amiga do Tanner, que acolheu o Sebastian, e de quem eu fiquei com um pouco de dó porque o Tanner sentia que precisava esconder quem realmente era. Como não querer abraçar todos?

“Tenho o pensamento melodramático de que isso é o que é sentir o coração partido. Não existe um estilhaçar; só existe uma fissura lenta e dolorosa que se espalha bem no meio.”

Em relação aos personagens, como eu disse, são construídos de forma interessante, evoluindo ao longo do livro. Pude perceber, claramente, quando cada personagem evoluiu de alguma forma e isso foi graças à sensibilidade, à constância da autora na construção dos mesmos. Todos evoluíram de modo visível. De brinde, a família do Tanner foi a coisa mais linda, com seu suporte, apesar das questões internas – e que, devo observar, foram bem colocadas! A forma como a mãe do Tanner lida com religião, uma questão forte na cidade e, pessoalmente, para ela, é bem complicada, mas bem desenvolvida.

Se tem uma estratégia muito interessante que, não sei se determinados autores percebem, é que capítulos curtos costumam passar a sensação de imediatismo, de urgência para a história. Ocasionalmente me pego lendo até tarde ou em situações impróprias, com a desculpa de que “só mais um capítulo” ou de que “falta só mais uma página para acabar”, situação gerada pelos capítulos curtos e que me faz emendar um no outro, até perder de vista. Esse é o caso de Minha Versão de Você: capítulos curtos, história agradável de ler, a leitura flui e você não percebe os capítulos passando por conta da vontade de devorar, de seguir adiante e saber o que acontece no próximo capítulo.

“Não gosta de ser melodramático, mas a dor é melhor do que a culpa; é melhor do que o medo; é melhor do que o arrependimento; é melhor do que a solidão. “

É uma leitura que faz você pensar em mil coisas, refletir sobre amor, sobre a vida em si e sobre o papel da religião nas coisas; acredito que seja legal fazer essa leitura com o senso crítico ligado. Eu posso dizer que as letrinhas todas nas páginas de Minha Versão de Você formam a palavra “amor”, porque olha, foi só isso o que pude sentir. Foi sublime. Tanto o tema, quanto o enredo e os personagens contribuíram, em conjunto com a escrita da Christina Lauren.

Vale mencionar o posicionamento da Hoo editora, de respeitar e dar voz às histórias, sem limitar as pessoas à sua orientação sexual, dentre outros objetivos. A temática do livro, inclusive, é importante. E saber trabalhar em cima dela foi um ponto positivo pra autora, apesar de eu muito querer saber a opinião do público LGBTQ que leu e, por conta disso, ter ficado pelo Goodreads em busca desse retorno, pra saber se funcionou pra eles ou não (e descobrir coisas interessantíssimas, positivas e negativas). Se ela realmente foi sensível e sensata, ou não. E um dos meus medos ao escrever essa resenha foi de não estar sendo. Mas, e aí, já leu Minha Versão de Você? Vamos conversar sobre?

Rafaela Rodrigues ver todos os artigos
Estudante de Letras Port/Inglês/Literaturas, viciada em livros, textos e séries. Português ou inglês? Ah, tá muito ocupada com um desses hobbies pra poder decidir. É prima (bem) distante da Beyoncé e um dia vai ser dona de uma editora e lançar todas as continuações dos livros que gosta, mas que nem os próprios autores quiseram escrever.

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10 Comentários

  • Aline M. Oliveira
    09 nov 2018

    Olá! Ainda não conhecia sobre esse livro e achei uma graça! gostei demais desse ar de romance e descoberta, e pra mim, não chego nem a perceber o fato da sexualidade do protagonista.. Claro que é importante e necessário ter essa representatividade pra muitas pessoas, acho que é uma maneira de quem não conhece ou entende perceber um pouco mais sobre, e é tão bonito quanto qualquer outro tipo de romance.. Gostei muito também de como a diferença é bem colocada até como na mudança dele para uma cidade religiosa e bem careta. Obrigada pela dica!

    Bjoxx

  • Maira Schein
    09 nov 2018

    Primeiro de tudo, que capa lindinha! E amei o título original! Ainda não conhecia esse livro mas a história me parece muito interessante por tratar de sexualidade e religião de forma conjunta, e pelo que senti dessa resenha, a autora parece que tratou desses temas “polêmicos” de forma bem leve. Fiquei com muita vontade de ler!

  • Pamela Liu
    06 nov 2018

    Oi Rafa.
    Eu adoro ler livros de temática LGBTQ.
    Sempre trazem a tona uma discussão bem-vinda sobre como os personagens encaram as situações do dia-a-dia e acho importante que mais pessoas leiam sobre essa temática para tentar enxergar a orientação sexual algo intrínseco da pessoal, e não uma escolha.
    Já quero acompanhar a jornada de Tanner, Sebastian e Autum. Parecem ótimos personagens lidando com questões bem importantes para eles.
    A capa é realmente lindíssima.
    Beijos

  • Vitória Pantielly
    05 nov 2018

    Oi Rafa,
    Mesmo tendo a minha religião eu não sou de curtir livros que tratam do tema, e sei que é algo bem presente nesse, mesmo que esse envolva um pouco disso eu gostei, principalmente da relação do protagonista com os pais e como o apoiam. Claro que quero saber como vai desenrolar o romance, e como nunca li nenhum livro que falasse de bissexualidade me interessei!
    Beijos

  • Kleyse Oliveira
    02 nov 2018

    Oi Rafa.
    Eu sou apaixonada pela capa desse livro, eh não tenho ele mais quero comprar ou ganhar assim que der pois vai ser minha primeira experiência lendo um livro lgbtq.

  • Alice Pereira
    02 nov 2018

    Sua resenha ficou muito bem montada, parece que estou folheando o livro.

    A edição aparentemente está uma gracinha. Adorei esses detalhes e, sim, me conquista com suas folhas amareladas. Confesso que já havia me apaixonado pela capa há um tempo e planejo lê-lo assim que tiver a oportunidade.

    O meu caso foi o inverso do seu, não li Fangirl, mas sim Simon vs A Agenda Homo Sapiens (Com Amor, Simon) e indico muito. Os personagens são tão guardavéis em potinhos rs

    Minha Versão de Você me parece um LGBT bem diferente dos habituais. A complicação de um amor entre pessoas que vivem dentro de mundos totalmente diferentes. Não tinha prestado atenção no selo da editora, não a conhecia, mas amei que ela deu espaço para a temática, ainda mais por a autora ter sido responsável na hora de maneja-lo.

  • Angela Cunha
    02 nov 2018

    Vou confessar que não conheço o trabalho da Editora e nem sabia da existência deste livro. Mas acho tão bacana que mais e mais livros com este tema ainda considerado tabu, venham à tona.
    É preciso que abramos a mente e deixemos que o amor nos preencha, pois pelo que li acima, o livro trata não só o amor LGBT, mas também traz o amor da família, que eu acho maravilhoso quando um autor ou autora abordam!
    Vai para a lista de desejados com certeza.
    Beijo

  • Luana Martins
    02 nov 2018

    Oi, Rafaela
    Ainda não li o livro, adorei a capa com o céu bem colorido.
    Gostei muito da sua resenha, não li nenhum livro LGBTQ ainda, quero em breve.
    Capítulos curtos me faz devorar o livro em poucas horas ou dias, estou muito curiosa para ler porque a autora abordou bissexualidade, religião, uma família que apoia o filho por sua escolha.
    Beijos

  • Ludyanne Carvalho
    01 nov 2018

    Aah, encantada com sua resenha!
    É a segunda que leio sobre esse livro, e já posso dizer que quero ler.
    Não li Fangirl, mas amei Simon x A agenda homo sapiens (super recomendo).
    Parece uma história muito linda, capítulos curtos é um ponto positivo e gosto quando há uma evolução das personagens.

    Beijos

  • sarah castro
    01 nov 2018

    Uma amiga minha tinha indicado e ele estava na minha lista de compras. Nem sabia dessa informação da contracapa pois tanto Simon como Fangirl são favoritos na minha estante, comprei ele em ebook e não tem “esse detalhe” né, porém e estou bem ansiosa para ler, depois da resenha estou mais. Só terminar o (glorioso/bendito) último período que me entregarei as leituras e voltar a ser feliz sem leitura de livros técnicos!

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