Resenhas 30maio • 2018

Nas Montanhas do Marrocospor Luisa Bérard

O livro no Skoob e no Goodreads.

Gênero do Livro: Ficção, Literatura Brasileira, Romance
Editora: Publicação Independente
Ano de Publicação: 2017
Número de Páginas: 564
Código ISBN: 9788592155711

Obs: Este livro foi cedido em parceria com o autor para resenha.

Comprar: Amazon

Sinopse: Inicialmente ambientado na Inglaterra, nos idos de 1847, conta a história da bela e impetuosa lady Katherine Hartington, a filha mais nova do conde de Northwick. A narrativa construída em torno da jovem protagonista apresenta as relações familiares e a suntuosidade da época vitoriana, descrevendo o estilo de vida da aristocracia inglesa e os obstáculos sociais impostos às mulheres, impedidas de aspirar a algo além de um promissor casamento. Nesse universo sobressai a figura da poderosa duquesa de Melbourne, que não se amolda a esse papel socialmente pré-estabelecido e transmite à sobrinha seus conhecimentos sobre o instigante mundo dos negócios, potencializando o seu natural desejo de liberdade. Mas um revés do destino fez com que Katherine aportasse em Tânger em um contexto completamente inesperado. De uma hora para outra, a inglesa se vê obrigada a viver no Marrocos e conhece sua apaixonante cultura e paisagens montanhosas e desérticas. Nesta exótica jornada, ela se depara com o mais importante: o amor. Entre tentativas de retorno à Inglaterra e o fascínio pelas areias do Saara, majestosas cordilheiras marroquinas e um desafio amoroso que a seduzem para ficar, Katherine se defrontará com novas e impensáveis realidades, sem suspeitar das guinadas que o futuro ainda lhe reservaria. Nas montanhas do Marrocos é um romance escrito no melhor estilo de obras do gênero, aclamadas pelos públicos nacional e internacional. Com criatividade e originalidade, Luisa Bérard reuniu, na dose certa de grandes best-sellers, personagens memoráveis, sedução, paixão, conflitos e intrigas, demonstrando com sua ágil narrativa e criteriosa pesquisa histórica o quanto pode ser ilusória e vazia a liberdade sem amor.

Quando Nas Montanhas do Marrocos chegou nas minhas mãos, eu estava muito animada para começar a leitura. Primeiro, é um romance de época e não tem como eu deixar passar um livro do gênero. Segundo, é um livro nacional com uma proposta interessante, completamente diferente de todos os outros livros que eu já tinha lido: um convite a uma viagem ao Marrocos. Não tem como negar uma leitura assim, tem? E com essa capa de tirar o fôlego, eu comecei a leitura com as expectativas lá em cima, mas apesar da escrita de Bérard não decepcionar, o enredo de Nas Montanhas do Marrocos acabou sendo um pouco demais em vários aspectos.

Antes de tudo, vocês precisam saber que eu não tenho do que reclamar da escrita da autora. Apesar do tom coloquial da narrativa, a escrita da Luisa é muito gostosa e você consegue fazer uma imersão muito legal dentro do enredo. O meu problema começou no desenvolvimento da história que, demora pelo menos 230 páginas para realmente começar. Nos primeiros capítulos, nós ficamos presos a vida da protagonista, perambulando pela Inglaterra, por mais tempo do que o necessário para que pudéssemos conhecer sua personalidade. Eu realmente senti dificuldades para continuar a leitura, mas estava tão animada com o livro que insisti mais um pouco, até que finalmente chegamos ao Marrocos.

“Eu relutei teimosamente em me casar, mas por ironia do destino acabei me casando duas vezes com o mesmo homem, porque, nos dois mundos dos quais faço parte, eu somente sou feliz vivendo ao seu lado.”

O livro tem muitos capítulos que eu considerei irrelevantes para o resultado da história. Como eu disse, temos uma introdução muito longa da protagonista e, durante sua aventura no Marrocos, temos capítulos intermináveis com foco em personagens secundários que eu não achei que acrescentaram tanto assim a proposta do enredo. Essas idas e vindas do enredo prejudicaram um pouco a minha leitura porque me passou a sensação de que a história não estava andando, por mais que eu soubesse que estava avançando. Sabe aquela sensação de “nossa, ainda estou na página 310”, foi mais ou menos isso.

Eu não posso opinar muito bem sobre o contexto histórico do livro, porque o que eu sei da época vitoriana é o que eu pesquisei na internet e assisti em séries, mas eu tenho quase certeza de que Katherine não seria tão bem recebida assim numa terra estranha, como ela foi recebida pelo povo de Fahid. Ela é tão bem tratada e cuidada que eu consegui até mesmo me esquecer de que estava naquela situação na condição de escrava e não de amante, como é colocado no livro. Além disso, tem alguns pontos sobre os costumes que me deixaram muito confusa, principalmente porque as pessoas se referiam a protagonista como “milady”, sendo que naquela situação a nobreza dela nem deveria mais ser importante.

O romance foi um ponto do livro que eu gostei e, ao mesmo tempo, não foi o que eu estava esperando. O relacionamento de Katherine com o Fahid não fez muito sentido para mim. Primeiro, ela queria ir embora e o fato de ela ter se envolvido com o seu “captor” já foi muito estranho, mas fácil de relevar por se tratar de um romance. Logo no segundo momento que tem juntos, Fahid já se demonstra completamente apaixonado por Katherine, mas a relação deles não é muito bem trabalhada já que o tempo que passam juntos ao longo do enredo é curto demais para que seja construído um romance que me convença.

“O mais angustiante é se sentir diferente num meio absurdamente tradicional. Fugir do protótipo que escolheram sem consultá-la transforma as corriqueiras questões do dia a dia em obstáculos difíceis de serem contornados.”

Apesar disso, eu tenho que admitir que a química entre o casal não deixa a desejar. As cenas “quentes” entre os dois são de fazer as areias do Marrocos parecerem mornas, e não podemos reclamar disso, não é mesmo? Eu só não gostei muito do fato de que o Fahid sempre me pareceu muito mais preocupado com o próprio prazer do que o da Katherine. Isso ficou ainda mais forte em uma cena em que ela está dormindo e acorda com o príncipe em cima dela, a acariciando antes mesmo de ela lhe dar consentimento. E eu sei que são coisas da época, mas existe uma coisa chamada “licença poética”, onde esse tipo de contexto pode ser perdoado por não ser utilizado no livro.

Os personagens secundários do livro também deixam muito a desejar. Por mais que eu consiga entender a ideia por trás da trama, todas as artimanhas para separar o Fahid da Katherine não se encaixaram muito bem para mim. Era como se tudo estivesse girando em torno de uma birra de criança ou algo assim. E eu sei que essa coisa de casamentos arranjados por política não era uma coisa exclusiva da cultura árabe, mas ainda assim, tudo me pareceu um tanto exagerado, principalmente a maneira como as coisas desenrolaram. Amira, a noiva prometida de Fahid, tem uma cena tão “wtf”, que eu perdi um pouco do tesão pelo livro, honestamente.

“Amo-o desmedidamente. Minha vida ganhou um sentido único desde que o conheci. Se não fosse por essa sua atitude, nunca teria descoberto o amor. Nem eu seria feliz como sou hoje, vivendo ao seu lado.”

O ponto que realmente me pegou foram os diálogos, que são o ponto de qualquer romance de época que mais me conquista. No caso de Nas Montanhas do Marrocos, eu senti que faltaram diálogos mais profundos, que realmente revelassem os personagens e os deixassem ter uma voz própria. Eu não sei se foi o tom coloquial da narrativa ou a forma como a autora resolveu retratar seus personagens, mas muitos dos diálogos eram complicados, cheios de palavras polidas demais para expressar sentimentos como raiva e frustração. Eu acho que o que era dito e o que queria ser dito não estavam bem alinhados nos diálogos.

Apesar de todas essas questões, eu devo lembrar a vocês que, Nas Montanhas do Marrocos é o primeiro livro de Luisa Bérard e, para uma primeira publicação, eu acho que ela entregou até que bem o enredo. Eu gostei de fugir um pouco da ambientação da Inglaterra e, querendo ou não, o livro foge bastante de todos os clichês dos romances de época que estamos acostumados. Uma pena mesmo ele ser 200 páginas mais longo que o necessário e ter certos pontos que me incomodaram muito enquanto leitora. Ainda assim, caso a autora venha lançar outros romances, eu quero lê-los sem pensar duas vezes para ver o quanto a sua escrita evoluiu.

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Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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7 Comentários

  • Jade Sibalde
    31 maio 2018

    Vi esse livro em diversos vídeos de recebido no booktube mas não me conquistou, A ideia do Marrocos é cativante, principalmente por ser um ambiente de uma cultura tão rica, porém a primeira coisa que lembro de pensar ao ver o livro foi “nossa, precisava ser tão grande?”.

  • Kleyse Oliveira
    31 maio 2018

    Oi Débora!
    Como uma fã de romance, esse livro já está nos meus desejados ainda mais sendo nacional. Gostei da premissa e tenho certeza que irei amar só de ler sua resenha e também adorei a capa, já sei que esse romance me trará vários suspiros. Rsrsrsrs
    Beijos e bom feriado.

  • Bruna Lago
    30 maio 2018

    Oii 🙂
    Se tem lady, duques e Inglaterra, já chama minha atenção, hahaha.
    Adorei a sinopse de primeira e fiquei extremamente curiosa pela história e ainda mais pela resenha dele!! Porém, no decorrer da resenha fiquei um pouco decepcionada, e agora minha animação não está nas nuvens :/
    Pelo que percebi a leitura é um pouco lenta ne? Fico um pouco chateada quando isso acontece, não entendo porque enrolar o leitor e não focar logo no mais importante.
    E vou te falar, uma das piores coisas em um livro é o romance ser rápido demais, estou lendo um livro que é assim, como do nada as pessoas já se amam??? Gosto de livros que contam a história devagar, imersam a gente nessa atmosfera de romance e faz a gente se ligar ao casal … mas não, tem uns que do nada, olhou, amou, aff!!
    Muito obrigada pela resenha, foi maravilhosa 🙂

  • Micheli Pegoraro
    30 maio 2018

    Oi Débora,
    O que mais chamou a minha atenção nesse livro é fato de boa parte da história ser ambientada em Marrocos, mas uma pena que leva tempo para isso acontecer.
    Amo romance de época, mas confesso que não sei se apostaria nessa leitura. São muitos fatores que me deixaram desanimada em ler. O desenvolvimento da história é lento, tornando a leitura cansativa na primeira parte do livro, o que dificulta o envolvimento. Há muitas falhas no enredo, pontos confusos, e principalmente, um romance que não convence.
    Vou ficar na expectativa do próximo livro da autora.
    Beijos

  • Theresa Cavalcanti
    30 maio 2018

    Oi Débora,
    Eu estava louca para ler esse livro, vi umas pessoas falando super bem dele, ai fiquei bem empolgada, mas agora perdi a empolgação :/ Você falando que tem partes bem desnecessárias só me fez ficar com preguiça.

  • Elizete Silva
    30 maio 2018

    Olá! Também sou apaixonada pelo gênero romance de época, por isso não tem como deixar passar uma leitura dessas. Apesar das observações o livro despertou meu interesse, afinal o que será reservado para essa jovem a frente do seu tempo em um país com uma cultura tão diferente?! Uma pena a autora de se estendido na história (menos é mais).

  • Lili Aragão
    30 maio 2018

    Acho a capa desse livro maravilhosa e como eu sou louca por capas assim que a vi fiquei interessada e tem o bônus de ser de um gênero que gosto muito de ler, mas confesso que alguma coisa tem me segurado, contudo quero sim conhecer a escrita da autora e irei fazê-lo. Ainda assim a narração extensa em alguns aspectos me preocupa um pouco e os pontos que você citou são importantes, mas como você disse também é o primeiro livro da autora e acho que vale a pena a experiência mais a frente. A resenha tá ótima 😉

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