Resenhas 30dez • 2018

Mulheres que correm com os lobospor Carissa Pinkola Estés

O livro no Skoob e no Goodreads.

Título Original: Women Who Run With the Wolves: Myths and Stories of the Wild Woman Archetype
Gênero do Livro: Psicologia
Editora: Rocco
Ano de Publicação: 1994
Número de Páginas: 627
Código ISBN: 9788532504449

Obs: Este livro foi cedido em parceria com a editora para resenha.

Comprar: Amazon

Sinopse: Sensações de vazio, fadiga, medo, depressão, fragilidade, bloqueio e falta de criatividade são sintomas cada vez mais freqüentes entre as mulheres modernas, assoberbadas com o acúmulo de funções na família e na vida profissional. Esse problema, no entanto, não é recente, acredita a psicóloga junguiana Clarissa Pinkola Estés. Ele veio junto com o desenvolvimento de uma cultura que transformou a mulher numa espécie de animal doméstico. Através da interpretação de 19 lendas e histórias antigas, entre elas as de Barba-Azul, Patinho Feio, Sapatinhos Vermelhos e La Llorona, a autora identifica o arquétipo da Mulher Selvagem ou a essência da alma feminina, sua psique instintiva mais profunda. E propõe o resgate desse passado longínquo, como forma de atingir a verdadeira libertação. Técnicas da psicologia junguiana e algumas formas de expressão artísticas ligadas ao corpo podem ajudar na tarefa, mas a compreensão da natureza dessa mulher selvagem, com todas as características de uma loba, é uma prática para ser exercida ao longo de toda a vida.

Quando a Rocco resolveu fazer uma nova edição de Mulheres Que Correm Com os Lobos eu fiquei eufórica, queria ler esse livro há bastante tempo e não o encontrava em lugar algum. Neste livro, Clarissa Pinkola Estés propõe utilizar os contos de fadas e mitos para desvendar a figura da Mulher Selvagem, um espectro de nossa personalidade, destruído e mascarado ao longo do tempo pela sociedade patriarcal. Para a autora, os problemas enfrentados pela mulher moderna são decorrentes da transformação da Mulher Selvagem em uma criatura domesticada.

Durante o passar do tempo, a Mulher Selvagem que existe em nós foi saqueada. Seus refúgios internos foram destruídos e seus ciclos naturais transformados de forma artificial para agradar os outros. Clarissa utiliza de sua formação como psicanalista junguiana para desvendar o que existe por detrás de nossa mente, e o que nos faz ter tanto receio e medo de se libertar. Para fazer essa varredura no self feminino, a autora utiliza-se de diversas histórias conhecidas, como Barba-Azul ou Os Sapatinhos Vermelhos, vários contos e histórias populares, passadas de maneira tradicional e que vivem em nosso subconsciente até hoje.

“Quando as mulheres abrem as portas das suas próprias vidas e examinam o massacre nesses cantos remotos, na maior parte das vezes elas descobrem que estiveram permitindo o assassinato de seus sonhos, objetivos e esperanças mais crucias. ”

O que ela busca nessas histórias universais são os Arquétipos. Jung criou esse termo algum tempo atrás, para ele, os arquétipos seriam um conjunto de imagens primordiais que se encontram armazenadas em nosso imaginário, são eles que dão sentido as histórias, formando uma espécie de conhecimento inconsciente e universal.  As histórias possuem um fundo, uma mensagem. Quando ouvimos a história de Barba-Azul, um homem cruel que matava suas esposas, recebemos uma mensagem clara: cuidado.

Claro que existe muito mais coisa escondida por detrás das lições de moral das histórias infantis. A função de Clarissa é justamente nos levar para o mundo por debaixo dos panos, e nos mostrar mais do que nossos olhos conseguem ver. A autora não é só uma renomada psicanalista, é também uma incrível escritora e ativista, e utiliza de seus vários talentos para nos levar nessa aventura pelo inconsciente.

Não demorei muitas páginas para entender o quanto esse livro é importante. Ao final da leitura, sinto-me na obrigação de espalhá-lo por todos os cantos do mundo. É de suma importância para nós mulheres lermos livros deste tipo. Passamos a vida inteira escondendo nossos receios, nossos traumas e desejos, em grande parte porque sentimos medo e culpa. Temos medo de ser julgadas. Sabemos que não importa o que aconteça, sempre existirá alguém para colocar a culpa em nós. É comum para as mulheres desmerecer o seu trabalho criativo, ou então relegar seus sonhos e desejos para o segundo plano. Tem sempre algo ou alguém mais importante. Seus pais, seu namorado, o marido, o chefe, os filhos. As mulheres se sobrecarregam de trabalho, de funções e de obrigações, elas cuidam do lar e da alma das pessoas ao seu redor, se esgotam tanto que no fim do dia não sobra nada.

“Pode-se dar o nome que se quiser, mas ter uma vida secreta porque a vida real não tem espaço suficiente para vicejar é prejudicial à vitalidade da mulher. Mulheres famintas e em cativeiro escondem todo o tipo de coisa: música e livros proibidos, amizades, sensações sexuais, sentimentos religiosos. Elas escondem pensamentos furtivos, sonhos de revolução. ”

Um dos arquétipos nocivos ligados a mulher é o da cuidadora. É a mulher que cuida e cura o outro. Claro que não precisamos ir muito longe para concluir que uma mulher extremamente focada em todos, menos nela mesma, acabará servindo de capacho, poderá cair num relacionamento abusivo e terminar tão ferida que nada mais irá florescer em seu coração. Mesmo que uma mulher venha de um lar feliz e fecundo, a Mulher Selvagem que existe nela irá sofrer, isso por conta de nossa sociedade ainda ser extremamente conservadora e misógina. Para as desfavorecidas, a vida desde o berço é uma batalha. Mulheres pobres e negras sofrem ainda mais.

Lendo as mais de 500 páginas que compõem Mulheres Que Correm Com os Lobos é impossível não se identificar em algum momento. Nessa aventura pela mente feminina encontramos também nossas amigas, mães e avós. São histórias de feridas compartilhadas por milhares de mulheres ao redor do mundo. Clarissa nos mostra uma saída, uma forma de curar nossos corações feridos e nos fortalecer. Os capítulos ao longo do livro tratam de milhares de assuntos. Falam sobre perdão, amor, autoconhecimento, sexualidade, criatividade e muito mais. Para cada proposta existem as histórias que servirão de pano de fundo. A autora nos apresenta um conto e a partir dele destrincha o tema que deseja tratar.

É uma leitura extensa, que exige a entrega do leitor, por isso é um livro para ser lido com calma, refletindo sobre cada tema e realizando todas as atividades e meditações propostas. Mesmo demandando tanto, o livro não deixa de ser instigante e divertido. Às vezes pode ser doloroso, mas qualquer jornada de descobrimento e amor próprio é assim. Leitura recomendadíssima para todas nós, para que possamos crescer e florescer juntas!

Beatriz Kollenz ver todos os artigos
Queria ser mesmo uma garota mágica, infelizmente não deu nessa vida. Amo borboletas, mangas shoujo, desenhos animados e livros. Quando não estou voando nas nuvens costumo tocar piano, assistir um dorama ou sentar ao ar livre. Apesar de ser leonina sou muito tímida, a vida é assim, repleta de contradições.

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8 Comentários

  • Kleyse Oliveira
    01 jan 2019

    Noosa. Eu não conhecia esse livro, mas já quero comprar para ler, pela sua resenha parece ser uma história muito boa.
    Já vou colocar na minha wishlist desse ano.

  • Luana Martins
    31 dez 2018

    Oi, Beatriz
    Nossa linda umas resenhas desse livro, mas a sua me ajudou a compreender mais sobre o proposito do livro.
    Não tenho dúvidas que é uma leitura de grande importância para todos principalmente para as mulheres.
    Quero ter oportunidade de ler, está edição esta lindíssima.
    Beijos

  • Pamela Liulivro fantástico!N
    31 dez 2018

    Oi Bia.
    Que livro fantástico. Acho que todas as mulheres precisam ler esse livro para desmitificar alguns conceitos e obrigações que nos foram passados ao longo do tempo.
    A edição está lindíssima.
    Já vai para alista de desejados.
    Beijos

  • Pamela Liulivro fantástico!
    31 dez 2018

    Oi Bia.
    Que

  • Nil Macedo
    31 dez 2018

    Sabia que esse título não me era estranho, vi que ele foi publicado originalmente em 1994, mas eu realmente não sabia do que se tratava.
    Confesso que esse não é um livro que esteja dentro do estilo que costumo ler. Mas me chamou a atenção essa análise entre a mulher selvagem e os mitos e contos de fadas. É sempre bom ter um outro ponto de vista.
    Quero ler mesmo sabendo que estarei fora da minha zona de conforto.

  • Angela Cunha
    31 dez 2018

    Primeira resenha que leio deste livro, que já estava meio que namoro há um tempinho. Acredito que ser mulher é algo que vai muito além do que se pode entender e adorei esta forma com que a autora nos colocou diante da imensidão do universo.
    Talvez em muitos momentos, mantemos este lado de lobas meio que escondidos em nós e ao mesmo tempo, colocamos para fora, acredito eu, principalmente na hora de defender nossas crias..rs
    Por isso, fiquei fascinada com tudo que li acima e com certeza, já quero demais poder ter e ler este livro!!!
    Beijo

  • Aline Bechi
    31 dez 2018

    Olá, tudo bom?
    Uau, esse livro parece ser mais um daqueles “obrigatórios”. Confesso que com o título achei se tratar de alguma fantasia, porém fiquei feliz em saber que na verdade é um livro que traz um tema muito importante na sociedade (também achei interessante o fato de ter sido escrito por uma profissional).
    E essa nova edição está linda, adorei a capa!

    Beijos

  • sarah castro
    30 dez 2018

    Eu nunca tinha ouvido falar sobre esse livro, mas só de saber que ele é a interpretação de lendas e histórias antigas já deu uma certa curiosidade. Principalmente por falar sobre o lado da mulher, pois em tudo que envolve o “antigo” as mulheres são vistas como as moças da casa e lar, protetoras e que servem e tudo mais. Definitivamente entrou para a lista de leituras para 2019

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