Resenhas 11abr • 2019

Nada Fácilpor Radhika Sanghani

O livro no Skoob e no Goodreads.

Título Original: Not That Easy
Gênero do Livro: New Adult, Chick-Lit, Contemporâneo
Editora: Rocco
Ano de Publicação: 2019
2º livro da série Virgem
Número de Páginas: 336
Código ISBN: 788595170544

Obs: Este livro foi cedido pela editora em parceria para resenha.

Comprar: Amazon

Sinopse: ELLIE KOLSTAKIS, GREGA, 22 ANOS, tem dívidas, um estágio não remunerado em uma revista online e divide um apartamento com 3 colegas que a deixaram num quarto individual para combinar bem com seu status: solteira. Desde que perdeu sua carteirinha de virgem, aos 21 anos, Ellie pensou que teria uma vida sexual intensa, invejável. Porém, suas inseguranças não desapareceram da noite para o dia, os homens não vivem batendo à sua porta e ela continua sexualmente distante de suas amigas. Mas Ellie está determinada a acumular experiência e explorar sua sexualidade. Percebe que a vida de solteira pode não ser nada fácil, mas quer ampliar seu histórico de relacionamentos. Ela não quer apenas um namorado – ela quer vários! E se sua vida sexual for excitante o suficiente, sua editora poderá explorar suas atividades amorosas em uma nova coluna. Em sua obstinada e autoimposta missão, ela publica anúncios em sites de relacionamento e mergulha de cabeça em aplicativos como OKCupid e Tinder. Mas as decepções se sucedem e Ellie constata que namorar em Londres não é simples assim e que, mais do que sexo casual, ela gostaria de transar com alguém de quem gostasse. Em uma narrativa leve e divertida, Radhika Sanghani cria novas e hilárias situações para a jovem Ellie Kolstakis, a anti-heroína de Virgem, seu livro de estreia. Permeado de diálogos ágeis e situações ao mesmo tempo sexy e hilárias, Nada Fácil consegue abordar os velhos e novos tabus em torno da satisfação amorosa e sexual

Sempre que a Ellie se envolve em uma nova confusão eu fico me perguntando se a minha vida aos 22 anos era tão agitada assim. Nesta hilária continuação de Virgem, a nossa protagonista está explorando sua sexualidade através de encontros casuais e perfis em sites de relacionamento e assim como toda garota que acabou de descobrir o sexo, ela tem muitas dúvidas, muitas aventuras e muitas situações constrangedoras para contar.

Sanghani tem um jeito único de dar vida a sua protagonista. Uma das coisas que eu mais gosto é a autora não medo de abordar assuntos como masturbação e relacionamentos complicados e que faz isso de uma maneira tão leve e descontraída que é praticamente impossível você não se envolver com o enredo. É muito gostoso você ler um livro que trata a sexualidade feminina de um jeito tão normal e divertido ao mesmo tempo.

“- Ellie. Nada disso merece que você perca sua noite de sábado. Os caras não se importam com pelos pubianos nem com cheiros… eles simplesmente tem sorte quando conseguem chegar lá embaixo.”

Nessa continuação, Ellie já não é mais uma garota virgem como no primeiro livro, mas o caminho pela estrada do sexo ainda é longo e, incentivada pelas suas amigas, ela acaba encontrando nos sites de relacionamento uma maneira mais simples de conhecer caras dispostos a um relacionamento casual. O problema é que a Ellie não é exatamente uma pessoa simples (se você leu o primeiro livro, vai entender o que eu estou falando) e a sua mania de acabar obcecada pelas coisas acaba por colocar a nossa protagonista nas situações mais inusitadas.

Acredito que Ellie tenha amadurecido muito mais nesse livro do que no anterior. A insegurança por causa da sua aparência e falta de experiência continua sendo um constante na vida dela, mas pelo menos conseguimos trabalhar sua personalidade egoísta de uma forma um pouco mais positiva desta vez. Eu realmente estava começando a ficar preocupada que ela fosse focar todas as suas energias nos seus encontros casuais e esquecer completamente dos seres humanos que ela chama de amigos.

Preciso confessar também que eu achei a protagonista um tanto quanto chata nesse livro. Eu consigo entender que ela tem 22 anos e que acabou de descobrir toda uma vida sexual e que ela quer, desesperadamente, ter histórias para contar, mas o fato de ela não respeitar o seu próprio tempo e ignorar completamente o que acontece a sua volta me deixou irritada várias vezes. Na verdade, os motivos pelos quais ela fugia de alguns caras eram, em sua maioria, muito superficiais.

“- Ellie? – A porta abriu-se e Ollie surgiu na minha frente. Eu estava de pernas abertas na cara dele. Larguei o vibrador, que pulou de dentro de mim zumbindo e caiu sobre a coberta.”

O ponto positivo desse livro é que, por conta dessas suas atitudes imaturas e aleatórias, Ellie é obrigada a encarar grandes mudanças na sua vida de frente. O fato da sua coluna não ser mais anônima e todo mundo acompanhar a sua vida amorosa de perto, como se fosse uma novela. E claro, vindo de uma família tradicional, isso não foi muito bem aceito pelos pais dela e nem pelos caras sobre quem ela estava escrevendo. Eu achei muito engraçado como o ego masculino foi sensivelmente bem retratado nesse livro (risos).

Acho que nesse segundo livro, Sanghani resolveu confrontar muito mais a importância que a Ellie dá para a sua sexualidade do que a sexualidade em si. É interessante ver como a protagonista se sente pressionada quando o assunto é sexo e, como ela constantemente se compara com as pessoas a sua volta tentando atingir padrões e objetivos que ela criou na própria cabeça. A parte mais interessante disso tudo é que Ellie é apenas um reflexo da insegurança que todas as mulheres tem pelo menos uma vez na vida.

Os caras que ela conhece ao longo do livro também são um ponto interessante de se observar. Nós temos diferentes figuras masculinas, com diferentes gostos, o que quebra um pouco essa ideia de que homens querem sempre a mesma coisa. Também é legal ver como a protagonista lida com essas diferenças, principalmente com aquelas que a tiram da zona de conforto. Além disso, o livro mostra bastante que é muito difícil navegar nessa vida de relacionamento, já que ninguém é igual e cada um reage de um jeito.

Nada Fácil faz jus ao seu nome, porque a busca de Ellie pelo tão sonhado orgasmo é uma das coisas mais engraçadas do livro. Eu achei muito legal a forma como Sanghani abordou o assunto em meio aos acontecimentos do enredo, sem tabular ou mistificar o assunto, mas colocando ele da maneira como ele é, difícil, quase impossível. Ver a Ellie navegar por isso meio que tira um pouco dessa pressão que existe em cima da mulher em relação ao sexo.

O mais novo livro de Sanghani é uma leitura maravilhosa e divertida. Eu me diverti bastante lendo virgem e me identifiquei muito mais com a protagonista em Nada Fácil. É muito bom quando você encontra uma personagem que não está tendo o melhor sexo da vida dela na primeira vez, como acontece nos romances de época. E é bom ter um romance que não é exatamente um romance, mas que aborda relacionamentos da maneira complexa que eles realmente são. Mal posso esperar pelo próximo livro!

Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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8 Comentários

  • Patrini Viero
    01 maio 2019

    Eu ainda não conhecia a autora ou os livros, mas achei a proposta maravilhosamente hilariante. Com certeza é um livro que, além de arrancar muitas gargalhadas do leitor, traz também cenas com as quais é possível se identificar bastante. Acho muito maneiro também a forma como a autora decidiu trabalhar temas ainda tão tabus na sociedade: sem rodeios, naturalmente, como devia ser. Desmistificar a vida sexual da mulher e do ser humano como um todo é um dos pontos mais positivos que eu encontrei na história e é também a característica que torna o livro tão verídico e fascinante ao mesmo tempo. Com certeza é uma leitura leve e divertida que vou amar fazer!

  • Luana Martins
    29 abr 2019

    Oi, Débora
    Ainda não conheço a escrita da autora.
    Mas lendo sua resenha mesmo que a autora aborde um assunto tabu, ela ainda acrescenta um humor que faz com que você se sinta a vontade para ler o livro. Fiquei um pouco incomodada com essa obsessão que a personagem tem para ter o tão sonhado orgasmo.
    A capa é linda.
    Beijos

  • sarah castro
    26 abr 2019

    É engraçado como o enredo do segundo me deu um pouco de vontade de começar a ler, ainda não sei haha. O ponto forte é tratar sexo como algo natural, o que raramente vemos pois é ou algo extremamente grandioso de primeira ou algo do tipo, não chegando nem perto do famoso “gente como a gente”. Talvez eu de uma chance a leitura futuramente.

  • Aline Bechi
    26 abr 2019

    Olá, tudo bom?
    Eu gostei da ideia do livro e de ele explorar a descoberta sexual da personagem. Eu fiquei bastante interessada no livro, mas eu ainda não li o primeiro. Com toda certeza vou anotar a dica!

    Beijos.

  • Fabiana Scola
    19 abr 2019

    Vou ser honesta, mas tirando a parte cômica ou divertida que certamente essa história tem. Talvez por eu ter passado a horas dessa fase, achei fútil demais os “dramas” criados pela protagonista, mas ok, tem muitos que vão gostar e se identificar, mas por mim, passo. Gosto de livros que debatem qualquer tabu, mas nesse caso me pareceu superficial demais.

  • Tereza Cristina Machado
    12 abr 2019

    Não tenho a série mais li sua resenha do outro livro e querendo ou não sei um tiquinho da história rs! Acho legal acompanhar o crescimento de uma personagem e num assunto que é muitas vezes um tabu então é melhor ainda… pelo que vi aí essa descoberta da sexualidade dela é uma comédia pq as descrições de cena aí deixou isso claro … gostaria de ler se tiver a oportunidade.

  • Elizete Silva
    12 abr 2019

    Olá! Ainda não conhecia o livro anterior, mas fiquei feliz em saber que os livros trazem um enredo bem diferente em relação aos que eu já li, o que já é um grande atrativo para querer o quanto antes iniciar a leitura. Destaque para capa que está muito bonita e chamou minha atenção, até mesmo antes de saber sobre o que se tratava a história.

  • Angela Cunha
    12 abr 2019

    Apesar de não ter lido o primeiro nome e ter pego já um segundo livro bem começado.rs , gostei muito de tudo que li acima, com exceção do lance de usar o sexo com este desespero todo.
    Sei lá, sexo por sexo? Apenas para se ter um currículo bem feito?
    Não gostei disso não. Talvez se a autora tivesse explorado as confusões e a sexualidade em si, o livro teria ficado um tanto quanto ao nível do primeiro(que recordo a resenha)
    Tá, idade, desespero..tudo combina,hormônios!
    Mas..rs
    Mesmo assim, quero começar esta saga!
    Beijo

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