Resenhas 27nov • 2018

Natureza Reveladapor Karina Pinheiro e Jorge Gomes

O livro no Skoob e no Goodreads.

Gênero do Livro: Ficção, Romance
Editora: 2018
Ano de Publicação: 2018
1º livro da série Natureza Revelada
Número de Páginas: 124
Código ISBN: 9788592797485

Obs: Este livro foi cedido em parceria com o autor para resenha.

Comprar: Amazon

Sinopse: "Natureza Revelada" é uma obra de fantasia, misturando aventura e ensinamentos da natureza. O livro conta a história de um casal urbano, moderno e estressado, que realiza uma viagem mágica para uma outra realidade: uma aldeia na Grécia Antiga. O casal se envolve com guerreiras amazonas, centauros, inimigos selvagens e uma Sacerdotisa, que vai tentar mostrar a Marcos e Jéssica como os valores pessoais e o relacionamento entre eles e a natureza podem ser diferentes. Os personagens mudam ao longo da história e se dividem entre as facilidades e confortos da vida moderna e os valores e a intensidade da vida em um ambiente de mitologia. Na viagem a uma realidade alternativa, vão conhecer um mundo totalmente diferente de São Paulo do século XXI, entender a sabedoria da natureza e descobrir coisas sobre si mesmos e sua relação.

Se vocês acompanharam o blog durante este mês, provavelmente deram uma olhada na minha publicação sobre Natureza Revelada, certo? Confesso que, quando o livro veio parar nas minhas mãos, eu realmente estava curiosa para saber como essa história conseguiria se desenvolver. Viagem no tempo com o adicional de uma critica social me parecia algo que poderia dar muito certo ou muito errado. No caso de Natureza Revelada, a segunda opção acabou se provando mais forte.

A ideia por trás do enredo não é ruim, se você for parar para pensar. O problema é que a narrativa do livro matou completamente todo o potencial do enredo começando pela estrutura escolhida. Eu amo as narrativas em terceira pessoa, mas se o autor não vai se aprofundar nos personagens ou ambientar o livro de forma que o leitor consiga imergir no enredo, não tem muito sentido para mim utilizá-la.

“Sua esposa, Jéssica, tinha uma rotina bem menos estressante. Como era blogueira famosa, com quinhentos mil seguidores pelas redes sociais, ela trabalhava em casa, passando quase a metade do dia experimentando roupas e acessórios, para tirar fotos e postar em seus sites.”

Mas este nem é o meu ponto principal quando se trata da narrativa, mas sim o fato de que os autores pulam de uma cena para a outra no meio dos parágrafos. Em uma linha você vê o nosso casal principal discutindo sobre fazer ou não uma viagem e, na linha seguinte, eles estão no salão de embarque do aeroporto e você nem tem ideia de como esse corte de cenas aconteceu.

Os diálogos também não ajudam muito a nossa causa em Natureza Revelada. Com a narrativa sendo corrida e pulando fases durante as 124 páginas do livro, confesso que não fiquei muito surpresa quando os diálogos se mostraram mecânicos e previsíveis. Além de não revelar nada sobre os nossos protagonistas, a maior parte dos diálogos pareciam forçar o leitor a ver uma coisa que não foi realmente mostrada pelos autores durante a narrativa.

Neste ponto, a única coisa que realmente poderia salvar Natureza Revelada para mim eram os personagens, mas infelizmente analisar Jéssica e Marcos só me fez perceber mais uma coisa que me incomodou nessa leitura. Primeiro, os protagonistas não tem nenhuma química. Se não fosse o narrador para me lembrar de que eles eram casados, eu jamais poderia ter concluído isso por conta própria. E segundo, embora a proposta do livro seja uma “jornada” dos personagens, você passa o enredo inteiro sem realmente conhecê-los.

“ – Você ainda não me convenceu.

– Se você não levantar dessa cama agora, eu vou cortar o seu cartão de crédito.”

A Jéssica foi a personagem que mais me incomodou, muito mais que Marcos, e eu queria falar um pouco dela. Os autores colocam a personagem em uma posição de futilidade por ela ser blogueira de moda e gostar de conforto e fazer compras – como se isso fosse algum tipo de crime. Enquanto isso, seu marido Marcos é descrito como tendo uma rotina intensa de trabalho entre as suas mil reuniões e as suas trezentas secretárias. Entendem o problema aqui?

Eu sei que a ideia de Natureza Revelada era propor um crescimento para ambos os personagens, mas a questão é que eu realmente não vi um problema – pelo menos não quando se trata da Jéssica. Porque ela precisava entender que ela era uma mulher forte? Ela construiu uma carreira para ela na internet, ela era blogueira, famosa e administrava o seu próprio trabalho. Era mais do que óbvio que ela não precisava do Marcos para nada, então porque ela precisava parar no meio de uma aldeia Amazona para entender o seu valor?

E aí entra o ponto que mais me incomodou em Natureza Revelada: os próprios autores do livro não enxergavam a Jéssica como uma mulher forte justamente por ela ser quem ela era no começo do livro. Enquanto isso, o Marcos não passava pelas mesmas provações. Aliás, ele é um personagem tão mediano no livro que os desafios que ele precisa enfrentar para “evoluir” dentro do enredo são tão vazios e sem sentido que eu fico me perguntando se não foram colocados no enredo apenas para tapar buraco na história.

“ – Eu lembro que você tinha nojo de comer frutas com a mão.”

Jéssica riu de si mesma, com a recordação do velho.

– Como você me aguentava? Eu vivi muito tempo sem noção de nada. Como eu pude viver assim por tanto tempo?”

Natureza Revelada não entregou nada do que a sinopse prometia, pelo menos não pra mim. Eu esperava uma crítica à tecnologia, mas essa crítica não existe. O que existe é um enredo criticando uma mulher porque ela gosta de postar coisas na internet e fazer compras e que, para o azar dela, é casado com um marido babaca que ameaça cortar o cartão de crédito dela para ela ir numa viagem que ela não quer. Tipo… porque né? Graças à Deus que divórcio é sempre uma excelente opção nesses casos.

Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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9 Comentários

  • Pamela Liu
    30 nov 2018

    Oi Débora.
    Poooxa, que pena que a história não te surpreendeu de forma positiva.
    A capa é lindíssima e o enredo tinha um potencial enorme.
    Mas, você tem razão quando a narrativa em terceira pessoa. Eu gosto, mas não é uma boa forma para se aprofundar no personagem.
    Parece que a autora não foi muito feliz na transição entre as passagens entre os acontecimentos. Uma pena.
    Mas a capa é linda.
    Beijos

  • Luana Martins
    29 nov 2018

    Oi, Débora
    Conheci o livro pelo blog, mas uma pena com uma capa tão linda e um enredo decepcionante.
    Pela sinopse tinha tudo para ser um livro maravilhoso e não foi o que aconteceu.
    Como na capa diz que é livro 1 pode ser que o segundo seja melhor.
    Beijos

  • Alice Pereira
    29 nov 2018

    Conheci o livro literalmente hoje, aqui no Blog, e confesso que estava empolgada pelos mesmos motivos que você.
    Estou decepcionada, mas, sendo sincera, não esperava que todas as pontas fossem atadas em tão poucas páginas. É o primeiro livro de uma série, certo? Me faz pensar que todo o desenvolvimento estará no segundo, mas não creio ainda ter ânimo para ler. Detesto narrativas falhas em detalhar, torna todo livro um robô programado para contar uma história não ser ela, e a forma recortada drasticamente como as coisas aparentemente se desenrolam me desanima.
    Que pena, em primeira vista me pareceu um livro que teria bastante potencial.

  • Maira Schein
    29 nov 2018

    Que pena que essa premissa tão interessante foi desperdiçada assim. Pela tua resenha, acho que posso dizer que ficaria muito irritada lendo esse livro. O que eu mais valorizo em uma história são os personagens e gosto deles muito bem construídos, é claro, então acho que essa questão seria o grande problema pra mim.

  • Aline M. Oliveira
    29 nov 2018

    Menina, que isso! Eu li as suas considerações sobre o livro antes e também fiquei esperando algo muito maior do que parece ser esse livro! Parece que os autores só agruparam um monte de escritos e só! Bom, pode ser bem idiota da minha parte, mas meu medo de nacionais vem disso, autores que cagam uma história. Obrigada pela dica, vou passar bem longe!

    Bjoxx

  • Kleyse Oliveira
    28 nov 2018

    Noosa. Em choque com essa resenha, nem sei mais se vou adquirir para ler.
    Pois se tem uma coisa que faz eu abandonar a leitura e a escrita ser arrastada.

  • Patrini Viero
    28 nov 2018

    Eu gosto muito das tuas resenhas principalmente porque elas realmente falam sobre a tua opinião lendo o livro, independente de ela ser positiva ou negativa, e isso dá muita credibilidade ao blog.
    Com relação ao livro, não sei se entendi direito o enredo. Acho as temáticas da viagem no tempo, da crítica à tecnologia, muito interessantes e atuais, mas esqueci completamente desses detalhes positivos ao perceber a forma como o livro coloca a figura feminina tão abaixo da masculina, sem nenhum motivo ou fundamentação para isso. Fico muito chateada quando percebo esse tipo de posicionamento em uma história, isso coloca abaixo tudo que a gente vem lutando pra construir no que concerne às relações de gênero. Pra mim, esse livro perdeu minha atenção já nesse ponto.

  • Vitória Pantielly
    28 nov 2018

    Oi Débora,
    Como algumas propostas nos enganam… Quando li seu post, o que mais me agradou foi a crítica em relação as redes, mas na verdade, pelos seus comentários, o enredo é completamente machista, e quando nem os personagens salvam… Bem, o livro não irá decolar!
    Eu gostei tanto da proposta, os autores tinham tantos elementos bacana para trabalhar, e se perderam.
    Não pretendo mais ler, infelizmente.
    Beijos

  • Angela Cunha
    28 nov 2018

    Desculpa o que vou escrever…mas: Que meleca…rs
    Acompanhei o aguardo deste livro, que realmente tinha tudo para ser além de boa crítica social, também trazer um enredo meio inovador, ainda mais neste tempo de tecnologia.
    Saber usar esta viagem para se mudar ou transformar algumas coisas. E pelo que li acima, o roteiro foi desperdiçado com uma gastadeira e viciada em internet e um bobinho que aceita tudo e ainda se acha o bonzão.
    Ah….que desperdício!!!
    Não digo que não lerei, mas…só se o livro cair nas minhas mãos mesmo!
    Beijo

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