Resenhas 02ago • 2016

O Ar Que Ele Respirapor Brittainy C. Cherry

O livro no Skoob e no Goodreads.

Editora: Record
Ano de Publicação: 2016
1º livro da série Elements
Número de Páginas: 308
Código ISBN: 9788501075666

Obs: Este livro foi cedido em parceria com a editora para resenha.

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Sinopse: Como superar a dor de uma perda irreparável? Elizabeth está tentando seguir em frente. Depois da morte do marido e de ter passado um ano na casa da mãe, ela decide voltar a seu antigo lar e enfrentar as lembranças de seu casamento feliz com Steven. Porém, ao retornar à pequena Meadows Creek, ela se depara com um novo vizinho, Tristan Cole. Grosseiro, solitário, o olhar sempre agressivo e triste, ele parece fugir do passado. Mas Elizabeth logo descobre que, por trás do ser intratável, há um homem devastado pela morte das pessoas que mais amava. Elizabeth tenta se aproximar dele, mas Tristan tenta de todas as formas impedir que ela entre em sua vida. Em seu coração despedaçado parece não haver espaço para um novo começo. Ou talvez sim.

Eu sou completamente apaixonada por Brittainy C. Cherry desde que Sr. Daniels foi lançado no Brasil. A escrita dessa autora é tão apaixonante que, mesmo um ano depois de ter lido seu último romance, eu continuo completamente ligada aos personagens. Por isso, quando a Record anunciou que ia lançar o primeiro livro da série Elements, O Ar Que Ele Respira, eu entrei num looping de ansiedade para conhecer os novos personagens dessa autora e o que ela estava planejando trazer para os seus leitores dessa vez. Infelizmente, quando você gosta muito de um autor, ocasionalmente você acaba se decepcionando um pouco com a leitura e, bom, O Ar Que Ele Respira acabou não sendo tudo o que eu esperava.

O Ar Que Ele Respira conta a história de Elizabeth, uma mulher que perdera o marido há pouco tempo e está tentando, finalmente, seguir em frente com a sua vida. Depois de passar um ano morando com a mãe, Elizabeth decide que é hora de voltar para seu antigo lar e enfrentar as lembranças junto com sua filha Emma. Porém, ao retornar à cidade de Meadows Creek ela conhece Tristan Cole, um homem frio e distante, que não é considerado uma boa pessoa pela maioria dos moradores da pequena cidade. Por trás do ar grosseiro e solitário de Tristan, Elizabeth logo descobre que existe um homem sofrendo tanto quanto ela. E é nesse sentimento que os dois acabam se aproximando, mesmo quando todo mundo a estava aconselhando a ficar longe dele. Em meio a dor e a solidão, ambos encontram um no outro, uma forma de superar suas perdas, mas seria isso o suficiente? Seria possível que dessa amizade pudesse surgir um novo começo?

Ar Que Ele Respira

O enredo do livro, em geral, não é ruim. Brittainy escolheu criar dois personagens muito intensos e emocionalmente desequilibrados que são fáceis de se identificar por conta de toda a dor que carregam em si. Porém, analisando o enredo por partes e a forma como ele desenvolve, achei que a autora colocou muita coisa dentro da história, o que deixou a leitura cansativa e repetitiva a começar pela narrativa em primeira pessoa. Todo mundo sabe que eu gosto de narrativas em primeira pessoa, principalmente quando é dividida entre os dois personagens principais. O problema em O Ar Que Ele Respira é que a gente pula de um personagem depressivo para outro o tempo todo, e não temos tempo de respirar, deixando a narrativa pesada e muito cansativa.

Eu amo a escrita da Brittainy, honestamente, mas nesse romance eu acho que ela se dedicou demais a construir a tristeza dos personagens e muito pouco em destacas as partes boas de cada um. A todo o tempo no enredo eu estava envolvida com o sofrimento de ambos, e isso começou a me fazer mal em certo ponto da leitura. Eu não me sentia confortável lendo o livro porque sabia que estava entrando em uma grande bola de tristeza que não parecia ter uma saída de emergência em lugar algum. Apesar dos personagens serem interessantes, até mesmo o envolvimento deles me deixou enjoada, porque eu sabia que eles não estavam prontos para aquilo e mesmo assim estavam se forçando porque, na cabeça deles, de alguma forma parecia correto.

Ar Que Ele Respira

Particularmente, eu não gostei do romance. Tirando o sofrimento dos personagens, não conseguia encontrar nada neles que me convencesse de que aquele relacionamento poderia desenvolver em algo mais. E mesmo assim, aconteceu, e de uma forma completamente forçada e despreparada eu diria. Sabe quando você tem um amigo com quem sempre fica, mas não é nada sério e de repente ele começa a sair com outra pessoa e você fica com ciúme e de repente vocês acham que seria certo tentarem mesmo quando ambos sabem que não tem nada ali? É basicamente isso, mas com plus da autora poder criar um amor incondicional que, na realidade, não existe.

O Ar Que Ele Respira tem seus lados positivos, obviamente. Apesar de eu não achar que os personagens funcionam juntos, separados eles são maravilhosos. Gosto de como Elizabeth é uma mulher independente e como ela faz de tudo para seguir criando sua filha Emma sem a figura paterna. Requer muito esforço para ser mãe solteira nesse mundo, e eu acho que ela faz um trabalho incrível construindo um relacionamento de confiança com a Emma e sempre a incentivando a ser o que quiser – e isso é muito importante, certo?

Ar Que Ele Respira

Gosto de como o livro trabalha a questão da perda, mas do que como trabalha a questão da superação. É interessante ver como os personagens tentam mostrar que estão bem, mesmo estando destruídos por dentro. Foi interessante ver o outro lado da moeda, poder ver como o sofrimento dos personagens realmente afetava suas vidas, como por exemplo Tristan, que era visto como um grosseiro, mas na verdade ele só tinha essa reação para que ninguém se aproximasse dele e visse como ele realmente se sentia. E nós realmente não fazemos isso quando sofremos? Afastamos as pessoas e fingimos que está tudo bem?

Por fim, eu realmente esperava mais dessa leitura, principalmente porque eu tinha altas expectativas com essa autora em particular. Quando eu li a sinopse do livro eu achei que estava caminhando para mais uma leitura de tirar o fôlego, mas a verdade é que O Ar Que Ele Respira foi mais uma leitura para um momento de distração. Eu realmente espero que os próximos livros dessa série sejam menos dramáticos, ou pelo menos um pouco mais divertidos. Brittainy tem um talento incrível para criar histórias e personagens e eu realmente espero que ela me surpreenda nas suas próximas publicações.

beda-2016

Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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9 Comentários

  • […] perguntando onde está a autora maravilhosa que escreveu Sr. Daniels e ganhou o meu coração. Com um enredo clichê até a última página e personagens mal desenvolvidos ao longo enredo, No Ritmo do Amor é mais um livro que não se destaca na minha […]

  • LuMartinho
    02 set 2016

    Oie Debora!
    Não gostei muito de Sr. Daniels, talvez por isso eu não tenha ficado TÃO animada com esse livro quanto a blogosfera ficou. Depois da sua resenha eu fiquei ainda mais indecisa entre ler ou não o livro. Ele ta aqui me olhando já faz um tempo e eu ainda não tinha coragem de começar a ler e não estou, MESMO, em uma fase boa para TANTA tristeza. o livro vai ter que esperar um pouco mais!
    Beijos!!

  • Paty Souza
    10 ago 2016

    A expectativa realmente é uma vilã.
    Nunca li nada da autora, mas a proposta de o ar que ele respira não me instiga, drama demais pra um único enredo.

    Beijos

  • Roberta Gouvêa
    07 ago 2016

    Oi, Débora. Tudo bem?
    Eu ainda não li Sr. Daniels, mas tenho ele aqui em casa e só ouço e leio elogios. Uma pena que O ar que ele respira não tenha sido tão bom assim pra ti. Mas, tive essa sensação quando li a sinopse. Pensei: ih, os dois perderam pessoas importantes, muita depressão pra um livro só. E não curto muito ler livros assim.
    Beijos <3

  • Valéria
    06 ago 2016

    bom, eu não curto romances mas acredito que esse poderia até me agradar no quesito que te desagradou, não gosto de desfechos felizes em romances, prefiro leituras mais tristes,dramáticas e trágicas… coisas do tipo hehe
    de qualquer forma, não pretendo colocá-lo em minha wishlist…
    bjs…

  • Priscila Assis
    06 ago 2016

    Oii,

    Já estou com esse livro na minha estante e estou bem curiosa em começar a lê-lo, e espero fazer isso em breve. Ainda mais depois de ler a sua resenha.

    beijos

  • Milena Lais
    04 ago 2016

    Olá. Olá.
    Eu não conheço a autora e nem o livro. Mas quando bati o olho só pensei em: uau, que capa! Já queroele só pela capa linda, hahaha.
    Enfim. Achei, até que interessante a resenha dele. Nunca é fácil perder alguém. Então, talvez eu leria.
    Abraço!

  • Aline Furtado
    03 ago 2016

    Olá!
    É tão ruim quando nos decepcionamos com um autor. Entendo bem a sua decepção.
    Esse livro me chamou atenção desde a primeira vez que vi a capa (e que capa!).
    Acho que a questão da narrativa em primeira pessoa com personagens depressivos também me incomodará, mas apesar de todas as suas ressalvas, ainda quero ler e conhecer a história.
    Ótima resenha.
    Beijos.

    Li
    Literalizando Sonhos

  • Morgana Brunner
    03 ago 2016

    Oiiii Débora, como vai garota?
    Desde que vi o lançamento desse livro, eu fiquei o namorando nas redes sociais gostei muito de saber a sua opinião e sobre a história em si, portanto, ainda o quero ler.
    Beijinhos

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