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O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas

de Alexandre Dumas
Título Original: The Count of Monte Cristo
Gênero do Livro: Clássico, Ficção, Histórico
Editora: Martin Claret
Ano de Publicação: 2017
Número de Páginas: 1304
Código ISBN: 9788537801130
Sinopse: Um clássico da literatura, que mexe com a imaginação e a sensibilidade de milhões de leitores há mais de 150 anos, ganha finalmente a edição brasileira que merece: em caixa com dois tomos, ilustrado com 170 gravuras de época e enriquecido por mais de 500 notas explicativas. O romance constrói um suspense atrás do outro, numa sequência de peripécias de tirar o fôlego - traições, denúncias anônimas, tesouros fabulosos, envenenamentos e vinganças. Publicado originalmente na forma de folhetim entre 1844 e 1846, dois anos depois já circulava em diversas línguas sob a forma de livro, numa carreira vertiginosa que só encontra paralelo na saga de Os três mosqueteiros, outro best-seller de Alexandre Dumas. O conde de Monte de Cristo volta para acertar suas contas com leitores de todo o Brasil. "Alexandre Dumas diverte como uma lanterna mágica. ... O amor conserva a decência, o fanatismo é alegre, os massacres fazem sorrir." Gustave Flaubert

o conde de monte cristo

Confesso que sempre tive certa relutância em ler clássicos, achava a leitura lenta e acabava me desinteressando pelas histórias bem rápido. Terminar O Morro dos Ventos Uivantes, por exemplo, foi um sacrifício que durou meses, apesar de ter conseguido concluir o livro.

Foi aí que surgiu a brilhante ideia de participar de uma leitura coletiva de O Conde de Monte Cristo, porque se eu já era devagar na leitura de clássicos, por que não ler um calhamaço de mais de 1500 páginas, certo?

O Conde de Monte Cristo foi publicado em 1844 em formato de folhetim, escrito por Alexandre Dumas e alguns colaboradores inspirados em diários de viagens e na sociedade francesa da época. Vale lembrar que eles recebiam por linha publicada ou algo do tipo, o que talvez poderia justificar a extensão da trama? Talvez.

Na história conhecemos Edmond Dantès, marinheiro que foi preso injustamente por anos, vítima de um complô. Quando consegue escapar da prisão, ele jura vingança aos responsáveis por acabarem com a sua vida e se torna o Conde de Monte Cristo.

Um Clássico com cara de Contemporâneo

Logo que comecei a leitura já senti uma drástica diferença entre a narrativa de Dumas e outros escritores do século 18 e 19. Parecia que eu estava lendo um livro escrito há poucos anos de tão fluida e de fácil entendimento que ela é, logo te prende por este fator e, ao contrário de outros clássicos, não deixa a leitura travada e lenta, o que foi para mim um ponto bastante positivo.

É como se o autor sentasse com você em um dia qualquer e falasse “vou te contar uma história” pois a todo momento os sentimentos do protagonista Edmond são expostos para a gente e sabemos quase sempre exatamente o que ele quer fazer ou qual será seu próximo passo, ou quem está por trás de sua prisão e os motivos que motivaram tal personagem a ter tal ação, achei isso brilhante pois sabíamos sobre os dois lados da moeda.

Contexto Histórico


Outro ponto que quero ressaltar é o cenário que se passa o livro, na época em que Napoleão Bonaparte estava exilado na ilha de Elba e supostamente se comunicava por cartas com seus aliados e foi daí que Dumas elaborou a forma que Dantès seria injustamente preso, sendo acusado de ser traidor do governo atual em favorecimento do retorno de Napoleão ao trono francês.

Sou suspeita para falar já que amo estudar a ler sobre fatos históricos então, ao longo, da leitura, me pegava pesquisando no Google mais sobre esse período e sobre a vida de Bonaparte para entender ao máximo o contexto que estava sendo apresentado para mim, esse pode ser considerado mais um ponto relevante já que o livro me inspirou a relembrar mais sobre esse tema. Os amantes de História com toda certeza encontrarão um prato cheio ao longo da trama.

Edmond Dantès

É fácil de cara gostar de Edmond, jovem, marinheiro, noivo da bela Mercedes, aquele típico mocinho humilde que conquista tudo na base do trabalho e esforço, criado pelo pai vivendo uma vida simples além de ser sonhador, a gente se identifica com ele e sente uma simpatia grande por sua história.

Em alguns momentos eu achei ele inocente demais simplesmente não acreditando que quem o acusou de traição ao governo e o prendeu tenha feito por maldade, a índole dele era tão boa que não entrava em sua cabeça que alguém poderia ter tido tal atitude pois se julgava amigo de todos. Apenas anos depois, com mais maturidade e experiência na prisão que ele realmente começa a entender que o mundo não é um mar de rosas e que não devemos confiar em qualquer pessoa.

O principal personagem que auxiliou no amadurecimento de Edmond foi o abade Faria, um presidiário assim como ele que o ensina tudo que sabe ao longo dos monótonos anos de prisão, foi uma das partes do livro que mais gostei, o relacionamento dos dois como de um pai para um filho é algo impressionante de se observar e logo também somos cativados pelo abade.

A vingança e suas tramas

Ao longo dos anos várias séries de tv e filmes se inspiraram na trama principal deste clássico, do protagonista que é injustamente punido e após anos retorna poderoso e mudado jurando vingança.

Porém, aqui somos apresentados a um contexto mais amplo e complexo pois além desta premissa temos outras subtramas sendo formadas ao longo do livro como se o autor passeasse por dentro de outros núcleos contando a história de outros personagens que no começo não faz muito sentido para o leitor saber sobre eles mas, como uma colcha de retalhos, Dumas vai costurando o enredo e mostrando a importância de cada peça desse todo. Achei isso brilhante além do fato de ter deixado o clássico mais interessante, ajudou a história não ficar monótona pois toda hora somos apresentados a estas novas subtramas e entendemos o porque delas no livro como um todo.

E como a gente passa a conhecer mais sobre os personagens, logo percebe que a boa vida da alta sociedade francesa é rodeada de podres, crimes e traições, a expressão “ vivendo de aparências” pode ser usada de forma perfeita aqui.

O Conde de Monte Cristo

Dantès, agora encarnado como Conde de Monte Cristo, se aproveita e muito bem de todos esses segredos trazendo todos a tona em uma vingança muito bem orquestrada por ele mesmo. É interessante perceber que nada foi inventado ou criado por ele já que essas pessoas realmente de nada valiam, tudo que ele fez de forma brilhante foi recorrer a famosa exposição de todos esses podres fazendo com que as máscaras caíssem, genial.

Ao longo da história vemos o Conde interpretando vários papéis, de marinheiro a abade, esses disfarces ganham vida e seu próprio tom na narrativa e com a ajuda de companheiros fiéis, sua fortuna e conhecimento, ele vai moldando na nossa frente sua revanche.

Eu mentiria se dissesse que este clássico não mexeu comigo, pois ao longo dele me pegava torcendo pela vingança de Dantès (principalmente em relação ao que acontece com seu pai em sua ausência) e ao final da leitura fiquei refletindo assim como o protagonista se manipular as pessoas não seria “brincar de ser Deus” ou o que é certo e o que é errado.

Entrar na pele de Edmond e pensar sobre todas essas problemáticas me fez enxergar o quão incrível e completa é essa história é porque ela é tão aclamada até os dias de hoje. Foi uma das tramas mais bem exploradas e elaboradas que já li, não se assuste pelo tamanho do calhamaço, fiz a leitura em 3 meses e com toda certeza se tornou um clássico favorito.

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Livia Rocco

Lívia Rocco é administradora pública, apaixonada por todos os clichês que um romance de época pode ter, aspirante a escritora nas horas vagas e entusiasta em estudar fatos históricos. Ainda acredita no amor verdadeiro.

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  1. Miranda Telles comentou:

    É um dos meus clássicos preferidos! E a questão de vingança é tão inerente ao ser humano, e acho que por isso a história ainda é contemporânea e vive inspirando outras obras. A Globo já fez duas novelas com uma releitura do Conde de Monte Cristo.
    Mas confesso que é um caso raro de que preferi o filme ao livro no final das contas, porque o filme é mais romântico e menos realidade nua e crua…

    1. Lívia Rocco comentou:

      Acho coerente tanto o final do filme como do livro de acordo com cada um, por isso gosto dos dois haha

  2. Ariela comentou:

    Esse é um dos classicos da fila do classicos que quero muito ler. Nao me lembro se vi a adaptação, mas a historia sei beeem pouco, por incrivel que pareça o que me deixa mais curiosa pra ler e conhecer essa história.
    Eu as vezes fico pensando que essas partes historias possam deixar a leitura mais lenta, mas acho que nao tem como ler algo classico, de tempos atras, e nao ter historia neh.
    Espero ler em breve.

    1. Lívia Rocco comentou:

      Espero que goste! Boa leitura

  3. Angela Cunha Gabriel comentou:

    Um senhor calhamaço de respeito que sempre tive vontade ler, mas o medo de encarar esse livrão me deixa meio apreensiva.
    Eu vi o filme há um tempo e amei demais, até por ter um ator que sou fã demais.
    Por isso, sim, sonho em ler em algum dia, sem pressa e devagarinho, afinal acredito que um clássico deva ser lido assim!!
    Beijo

    Angela Cunha/O Vazio na flor

    1. Lívia Rocco comentou:

      A melhor dica que possa dar é: leia no seu tempo para aproveitar ao máximo a trama!

  4. Michelle Lins de Lemos comentou:

    Irei encarar esse bebezinho ano que vem, no projeto #LendoClassicoCP!
    Essa edição que você leu é boa?

    1. Lívia Rocco comentou:

      Li na edição da Zahar, se eu não me engano esta tradução é premiada, recomendo!

  5. Fernando Dumas comentou:

    O filme de 2002 foi rodado no espírito de Hollywood, caro, espetacular e, o mais importante, não tem nada a ver com a fonte original. Aqui era apenas uma paródia do romance. O começo é trágico e em grande escala, até um tiroteio foi colocado na trama, no espírito dos americanos. Em vez de “Monsieur” – o chamam de “Sir”. Resumindo, é mediocre, embora caro. Apenas o nome é retirado de Monte Cristo.

    Na adaptação cinematográfica soviética do romance O Prisioneiro do Castelo de If (Узник замка Иф) de 1988, vemos a encantadora atriz Nadira Mirzaeva no papel de Haydee.
    É exatamente assim que imaginei Gaide quando li o romance. E ela realmente parece uma concubina em seus trajes reveladores e translúcidos. E imediatamente você pode compreender facilmente a contagem: é possível recusar uma mulher assim se ela pedir seu amor?
    O diretor do filme, Georgy Yungvald-Khilkevich, não resistiu a Nadira. Ele deixou sua família e se casou com ela.

    1. Lívia Rocco comentou:

      Muito show!