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Categoria(s): livros

Pássaro e Serpente, de Shelby Mahurin

de Shelby Mahurin
Título Original: Serpent & Dove
Gênero do Livro: Fantasia, Romance, Young Adult, Bruxas
Editora: Galera Record
Ano de Publicação: 2020
Número de Páginas: 504
Série: Serpent & Dove
Código ISBN: 9786555872347
Sinopse: Juntos como um só, para amar, honrar ou queimar. Pássaro e serpente é o primeiro livro de uma trilogia deslumbrante que une bruxaria, fantasia, perigos e um amor proibido. A pré-venda acompanha um lindo pingente de serpente e um marcador de páginas. Há dois anos, Louise le Blanc precisou fugir de seu clã e se escondeu na cidade de Cesarina, deixando para trás toda a magia e vivendo de tudo que pudesse roubar. No entanto, a cidade é cheia de perigos e mistérios para alguém como ela. Na região, caçadores da Igreja caminham pela cidade, venerados como verdadeiros homens santos. E o arcebispo, o rigoroso patriarca da Igreja, parece ser violento. Lá, bruxas como Lou são temidas, caçadas... e, então, queimadas. Reid Diggory vive sua vida com base em um versículo: não permitirás que uma bruxa viva. Fanático caçador de bruxas para a igreja, Reid dedicou toda sua vida erradicando o ocultismo e fazendo com que o arcebispo da cidade, seu pai, ficasse orgulhoso de suas ações. Mas quando chega o momento e a oportunidade de capturar uma bruxa, um ladrão o engana e seu alvo consegue escapar. Com a intenção de levá-la a julgamento, Reid acredita que ela não escapará novamente. Mas quando Lou dá um golpe perverso e o engana outra vez, em um escândalo público, os dois são forçados a uma situação inimaginável: o casamento. O casamento com um caçador poderia proporcionar uma proteção verdadeira às bruxas – se Lou conseguisse convencê-lo de que não é uma. No entanto, à medida que o tempo passa, seu segredo se torna cada vez mais difícil de ser mantido escondido. Apesar do perigo que Reid representa à sua sobrevivência, complexos sentimentos de Lou por Reid começam, lentamente, a nascer. Incapaz de mudar o que realmente é, Lou precisará fazer uma escolha.

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Confesso que eu tenho emoções mistas em relação a Pássaro e Serpente. 

Se eu consegui ter uma boa experiência com Sarah J Maas, eu consigo ter uma boa experiência com Shelby Mahurin. Afinal, a própria autora de Pássaro e Serpente deixou claro que A Corte de Rosas e Espinhos é uma das suas séries favoritas.

Existe a parte de mim que é completamente obcecada por enredos fantásticos, com bruxas e um bom romance de enemies to lovers, mas ao mesmo tempo, a outra parte de mim não consegue ignorar completamente todos os problemas do enredo e algumas questões problemáticas que existem no livro.

A vida da leitora de romance segue se complicando a cada dia, minhas caras.

A perseguição de bruxas na França medieval

Eu realmente gostei do que a Shelby Mahurin propôs no universo desse livro, apesar de ter algumas ressalvas a respeito. 

O fato de magia deixar um rastro de cheiro e isso ter consequências sobre quando e como a nossa protagonista pode usar as habilidades dela, faz com que o enredo consiga caminhar de uma maneira quase interessante — até certo ponto da história.

Eu sempre fui uma grande apaixonada por enredos de perseguição, guerras místicas e a forma como bruxas são retratadas como o mal encarnado na visão da igreja. E, apesar de Shelby Mahurin se apropriar bem desses elementos, isso é a única coisa boa que o livro tem para oferecer. 

Não se engane, eu sou fanática por livros mais ou menos, com enredos subdesenvolvidos, diálogos que, depois que você analisa melhor, nem fazem sentido e cenas de sexo pra deixar a gente com calorzinho entre as pernas. Pássaro e Serpente tem todos esses elementos que fazem a gente entrar em combustão por um livro e ignorar completamente a parte problemática. 

O problema é que isso é uma resenha e eu preciso dizer as coisas como elas são, senhoras. 



O romance começa no pior cenário possível

O nosso romance começa quando, depois de alguns encontros desastrosos de Reid tentando prender a nossa protagonista, Lou — os dois são obrigados a se casar para salvar a reputação do Chasseur (que é o nome pra caçador de bruxa nesse livro). 

Nada disso seria um problema se a execução da cena não fosse grotesca e perturbadora. Basicamente, Lou faz uma cena onde as pessoas acreditam que Reid a está agredindo fisicamente (o que é mentira). Eis que a brilhante ideia do arcebispo é casas os dois porque, desta forma, a reputação do Reid estaria salva e a imagem da agressão seria “justificada” com o fato de ela ser a esposa dele.

Eu consigo entender que, pelo período medieval em que a história se passa, mulheres são tratadas como objeto e bruxas são mortas na fogueira, mas precisava mesmo reforçar o discurso de violência doméstica para dar o ponta pé inicial do romance?

É um combo perturbador de coisas.

Reid sendo acusado injustamente de bater na Lou. Os dois tendo que se casar para salvar a reputação dele. O casamento sendo usado como uma justificativa para a falsa-agressão.

E o pior de tudo: o arcebispo frisando que eles precisam consumar um casamento que é de mentira. Porque é claro que a cidade inteira vai entrar no meio das pernas da Lou pra ter certeza de que o trabalho foi feito, né?

Os elementos se perdem ao longo do enredo

A forma como o enredo foi executado foi um ponto que me decepcionou bastante e, infelizmente, apesar de ter livro esse livro igual uma viciada em drogas, eu não posso ignorar.

O fato de magia deixar rastro meio que se tornou completamente irrelevante para história depois de determinado ponto. 

Lou passa a morar junto com os Chasseurs — o que é idiota considerando que a missão da vida deles é matar as bruxas (mas na cabeça da protagonista ela está super segura ali) — e o fato de ela constantemente usar magia para manipular determinadas coisas não traz nenhum tipo de consequência pra ela.

Eu adoro quando uma heroína de personalidade duvidosa consegue se dar bem em uma situação onde as coisas poderiam ter dado muito errado, mas em Pássaro e Serpente isso fica um pouco descontrolado.

Lou usa sua magia o tempo todo dentro da Torre dos Chasseurs e ninguém parece desconfiar dela, mesmo a sua reputação sendo péssima e seu comportamento vulgar ser apontado constantemente pelos homens do livro.

E as tramas secundárias que foram esquecidas?

Eu queria escrever apenas um parágrafo dessa resenhas para lembrar que nós temos toda uma subtrama onde o Reid iria se casar com um amor de infância e ele basicamente cheirava as calcinhas da menina de tão apaixonado e, infelizmente, tudo isso teve um total de zero relevância pra história.

No começo eu realmente achei que ela poderia ser a nossa vilã. Talvez ela entregasse o segredo da Lou como uma estratégia para se livrar dela. Ou então causasse uma cena para mostrar que ela era o verdadeiro amor do Reid e a Lou, na verdade, não significava nada.

Só que nenhuma dessas coisas acontecem e Célie se torna uma personagem completamente irrelevante. 

A cena de sexo, por outro lado, maravilhosa

Eu preciso pontuar que, o romance não me convenceu e eu não dou a mínima para o amor do Reide com a Lou. Mas senhor tenha piedade de mim, eu adoro um personagem masculino que não tem experiência sexual e ainda assim consegue te dar o melhor sexo ficcional da sua vida.

A única coisa realmente positiva que eu consegui tirar do relacionamento dos nossos protagonistas foi a cena de sexo que, devo dizer, muito bem escrita. Fora isso, Shelby Mahurin não acrescenta muito ao relacionamento dos dois e o romance se desenvolve de uma maneira muito superficial e forçada.

Lou e Reid passam muito pouco tempo juntos e tem poucos diálogos que realmente constroem o relacionamento entre eles. 

Primeiro, Reid vem de um relacionamento passado onde ele tinha muitas expectativas e eu, sinceramente, duvido que ele tenha superado esse sentimento tão rápido. E Lou está com a sua cabeça focada em sobreviver a perseguição da mãe e em não ser descoberta pelos Chasseurs. 

Não senti que a história teve muito espaço para o romance acontecer organicamente. Mesmo a conversa onde Reid e Lou trocam perguntas, ainda assim, me pareceu forçado demais, sabe?

A escrita da Shelby Mahurin compensa

Pássaro e Serpente é um daqueles casos em que, apesar da história não ser lá essas coisas, você vai acabar se envolvendo com a escrita da autora e devorando esse enredo em poucas horas.

A escrita da autora é viciante e todos os elementos de um bom livro mediano que faz muito sucesso estão li. 

Você tem a protagonista com personalidade de alguém da Sonserina. Você tem o herói virgem que tem a personalidade de alguém da Lufa-Lufa. Cenas de sexo com a quantidade de descrição que a gente precisa para esquentar as bochechas e um romance que, dependendo do tipo de leitor que você, vai ser o suficiente.

Verdade seja dita, Shelby não precisava de muito pra fazer a gente engolir esse universo como as boas desesperadas por romances que somos — e eu me incluo nesse grupo. Eu devorei esse livro em poucas horas e, apesar de ter encontrado milhares de problemas no enredo, eu tive uma experiência muito gostosa com essa leitura.

Pássaro e Serpente me faz pensar que às vezes um livro não precisa ser o próximo Nobel da literatura fantástica, ele só precisa ser exatamente o que ele é, com os defeitos que ele tem e o sexo maravilhoso. 

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Débora Costa

Uma intelectual contemporânea que entende a importância da convergência de mídias, telas e narrativas. Acompanhando mais séries do que deveria e não consigo fazer uma coisa de cada vez. Ainda quero escrever um romance de época um dia.

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  1. Michelle Lins de Lemos comentou:

    Um dos hypados do momento.
    Pássaro e Serpente me desperta emoções diferentes: quero ler mas ao mesmo tempo acho mais do mesmo

  2. Angela Cunha Gabriel comentou:

    Um dos livros que tem a capa mais linda!!!E eu fico em um misto de quero ler, mas tenho medo rs
    Por tudo que li até o momento, você pontuou todas as qualidades e também as ressalvas que quem for ler, precisa estar atento.
    Eu amo fantasia, eu amo bruxas e enredos fantásticos e aliás, é um gênero que venho lendo bastante.
    Independente de gostar ou não, quero demais ler!!!!
    beijo

    Angela Cunha/O Vazio na flor

  3. Ariela comentou:

    É sempre bem interessante ver como é relativo a leitura pra quem ler.
    Eu to bem curiosa pra ler esse livro, adoro ler fantasias, e se tem personagem feminino principal, e elementos mais misticos como fadas e bruxas, bruxas que ainda n vejo tanto, eu amo mais ainda.
    Espero conseguir ler esse livro em breve, ja sei de algumas criticas em relação a ele, mas espero gostar.

  4. Elizete da Silva comentou:

    Olá! Eita que eu estou bem empolgada com a leitura desse livro, apesar de não ter gostado tanto assim da escrita da Sarah, espero que essa leitura funcione, as expectativas já estão lá em cima e apesar das ressalvas (super pertinentes) ainda quero muito conferir.