Resenhas 21fev • 2019

Princesa das Cinzaspor Laura Sebastian

O livro no Skoob e no Goodreads.

Título Original: Ash Princess
Gênero do Livro: Young Adult, Fantasia, Ficção
Editora: Arqueiro
Ano de Publicação: 2018
1º livro da série Princesa das Cinzas
Número de Páginas: 352
Código ISBN: 9788580418934

Obs: Este livro foi cedido pela editora em parceria para resenha.

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Sinopse: Theodosia era a herdeira do trono de Astrea quando seu reino foi invadido, deixando um rastro de destruição. Dez anos depois, a princesa, órfã, prisioneira e subjugada, percebe que não lhe resta mais nada, a não ser lutar pela própria liberdade. O passado, que por tanto tempo ficou enterrado, agora precisa vir à tona para mostrar a Theodosia os caminhos que poderão levá-la de volta ao trono. Mas Theo conseguirá ser a rainha de que seu povo precisa? Ou será que anos de humilhações transformaram a herdeira da Rainha do Fogo em meras cinzas?

Fantasia YA é um gênero literário pelo qual eu tenho cada vez menos interesse. Acho que depois de ler Trono de Vidro, e alguns outros títulos do mesmo gênero, tudo acaba ficando um pouco parecido demais, e eu simplesmente não tive mais interesse em procurar por novos livros desse gênero. Princesa das Cinzas não foi aquele livro que quebrou essa minha noção sobre fantasia YA, mas isso não quer dizer que o livro não tenha elementos bastante interessantes.

Em Princesa das Cinzas, a princesa Theodosia, quando tinha 6 anos,  vê sua mãe, a rainha do reino de Astrea, sendo assassinada, e o seu reino sendo invadido e dominado pelo povo kalovaxiano. Anos depois, Theodosia teve tudo tirado de si. Sua mãe, seu povo, e até mesmo seu nome. Agora chamada de Thora, ela é prisioneira do cruel governante do povo kalovaxiano, o temido Kaiser. Thora é mantida viva e torturada para impedir qualquer tipo de rebelião do povo astreano. Mas Thora percebe que precisa se tornar uma pessoa mais forte por seu povo.

Sou o apavorado vislumbre de uma garota. Sou uma mente fragmentada e um corpo trêmulo. Sou uma prisioneira.

Princesa das Cinzas é o tipo de livro em que o resultado final é melhor que a soma de suas partes. Se você separar os elementos que compõe esse livro, ele realmente não parece ser nada particularmente original. Uma princesa querendo retomar seu trono, um governante sádico, um triângulo amoroso, já vimos isso tudo antes, né? Mas o produto final consegue resultar em uma história surpreendentemente envolvente, apesar de conter mais do que alguns elementos um tanto quanto batidos.

A escrita da Laura Sebastian merece muito crédito por construir uma história interessante desses elementos. Quanto mais eu lia, mais eu me envolvia com os acontecimentos da história de Theodosia. O enredo tem seus pontos fracos, principalmente o tal triângulo amoroso, mas no geral, Princesa das Cinzas é uma leitura bem legal. Eu diria que é uma boa recomendação para alguém que não tem muita familiaridade com fantasia YA, porque assim não tem a sensação de déjà-vu durante a leitura.

O world building do livro não é um dos melhores que eu já vi, mas eu gostei de alguns dos elementos relacionado a mitologia do povo astreano. Infelizmente, as diferenças entre os povos astreano e kalovaxiano é claramente baseado em linhas raciais, e isso é entregue de uma forma um pouco forçada na história. Várias passagens descrevendo a pele pálida de Cress, amiga kalovaxiano de Theo, e comparando com a pele cor de oliva da protagonista. Como eu falei, nada que nós já não tenhamos visto em outros livros.

Sempre tive vergonha da pele vermelha e coberta de cicatrizes de minhas costas. O registro das rebeliões de Astrea pode ser visto ali. Cada vez que uma das minas tentava se revoltar, cada vez que um escravo cuspia em seu mestre, esse fato era esculpido em minha pele. As cicatrizes eram feias e monstruosas, um constante lembrete de quem eu sou.

Eu gosto bastante de Theodosia como protagonista. Ela passa por muitas situações difíceis ao longo do livro (já avisando, muitas cenas violentas de tortura), então cada vez que ela mostra como tudo isso deixa ela mais forte, é difícil não vibrar vendo a transformação dela. E ao mesmo tempo, é impossível não morrer de raiva do Kaiser, apesar de achar que a caracterização dele poderia ter sido um pouco mais trabalhada, mas quem sabe isso fique para os próximos livros.

Os relacionamentos de Theo com os outros personagens são uma parte importante da história, principalmente com Cress, sua única amiga e Søren, filho do Kaiser. Apesar de gostar do romance entre Theo e Søren, eu fiquei bem mais interessado na amizade dela com Cress. Apesar de serem amigas a muitos anos, Theo não consegue se desprender do fato de que Cress é parte do povo que destruiu a sua vida anos atrás (inclusive, Cress é filha do homem que matou a mãe de Theo). E essa complexidade está sempre presente nas interações das duas.

O final do livro é exatamente o que eu esperava do primeiro volume de uma série de fantasia YA, surpreendendo absolutamente ninguém. Não foi nem de longe tão satisfatório como poderia ter sido, mas introduz algumas ideias que podem vir a ser bem interessantes depois. É uma pena que não tenha conseguido evitar aquela sensação de “Estamos guardando as partes mais legais para os próximos livros” que é tão comum com séries YA hoje em dia, porque poderia ter sido o começo de uma saga bem legal.

No geral, Princesa das Cinzas tinha tudo pra ser um livro que eu não ia gostar, mas acabou sendo uma leitura divertida. Ela perde pontos pelos elementos meio batidos, e pelo final mediano, mas a jordana de Theo é uma que eu curti conhecer.  Não é aquele livro que me agarrou com força, mas também não é aquele que eu me arrependo de ter lido. Vou acompanhar os próximos volumes, mas não vai ser uma série que eu vou esperar ansiosamente.

Vinicius Fagundes ver todos os artigos
24 anos. Formado em Publicidade e Propaganda. Viciado em histórias. Desconhecido mundialmente.

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4 Comentários

  • Lorenna Caoly
    24 fev 2019

    Nunca li fantasia. Acho q não conseguiria absorver a história em tantos mundos e com características tão diversas e peculiares. Mas o bom da leitura é isso, como ela toca todas as pessoas independente do seu estilo, sempre vai ter um livro com uma trama que vai te envolver.

  • Maira Schein
    22 fev 2019

    Não costumo ler fantasia ya então por isso acho que o enredo não me pareceu batido, mas eu entendo que ultimamente esse gênero tem estado bastante em voga e as vezes fica difícil sair do clichê. Não gosto muito de séries então acho que não seria o livro pra mim, mas essa capa maravilhosa até que me conquistou!

  • Angela Cunha
    22 fev 2019

    Este livro causou um certo burburinho no seu lançamento. Uma capa maravilhosa e um enredo que até pode soar meio clichê neste universo, mas que mesmo assim, traz alguns elementos bem importantes.
    Como sou muito fã do gênero, quero muito conferir toda esta trajetória da princesa Theo e como ela lidou não somente com as perdas, mas com esse se reerguer.
    Pode até ser mais do mesmo? Pode! Mas mesmo assim, talvez por ser somente o primeiro livro, traga muito mais nos volumes seguintes!
    Beijo

  • Alison de Jesus
    21 fev 2019

    Olá Vinicius!
    Realmente a proposta de Princesa das Cinzas parece bastante trivial para os graduados em fantasias YA, fato que pode tornar a leitura cansativa para quem já conhece praticamente todos os elementos que serão aprofundados ao longo deste e dos próximos volumes. Como se não bastasse, senti que tanto a caracterização dos personagens quanto da mitologia em si não soa crível aos olhos do leitor, sendo que isso é um elemento essencial para sustentar um plot já recheado de clichés (nem preciso falar do triângulo amoroso, né?).
    Beijos.

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