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Categoria(s): livros

Princesa de Papel, por Erin Watt

de Erin Watt
Editora: Editora Planeta
Ano de Publicação: 2017
Número de Páginas: 368
Série: The Royals
Código ISBN: 9788542208870
Sinopse: O primeiro livro da série The Royals, a nova sensação new adult dos EUA. Ella Harper é uma sobrevivente. Nunca conheceu o pai e passou a vida mudando de cidade em cidade com a mãe, uma mulher instável e problemática, acreditando que em algum momento as duas conseguiriam sair do sufoco. Mas agora a mãe morreu, e Ella está sozinha. É quando aparece Callum Royal, amigo do pai, que promete tirá-la da pobreza. A oferta parece tentadora: uma boa mesada, uma promessa de herança, uma nova vida na mansão dos Royal, onde passará a conviver com os cinco filhos de Callum. Ao chegar ao novo lar, Ella descobre que cada garoto Royal é mais atraente que o outro – e que todos a odeiam com todas as forças. Especialmente Reed, o mais sedutor, e também aquele capaz de baixar na escola o “decreto Royal” – basta uma palavra dele e a vida social da garota estará estilhaçada pelos próximos anos. Reed não a quer ali. Ele diz que ela não pertence ao mundo dos Royal. E ele pode estar certo.

Princesa de Papel um dos casos clássicos onde eu estava muito animada para fazer a leitura, mas acabei sendo decepcionada pela história e personagens. Honestamente? Eu consigo fazer uma lista muito longa de coisas que estão erradas com esse livro, começando com a ideias expressadas na história e indo até o desenvolvimento do enredo e personagens – prometo que eu vou fazer essa lista em vídeo para vocês em algum momento. Mas antes de começar a esculhambar a história, vamos primeiro entender do que se trata o enredo.

Princesa de papel é o primeiro livro da série The Royals e conta a história de Ella Harper, uma garota órfã que trabalha como stripper numa casa noturna para conseguir juntar dinheiro suficiente para pagar seu aluguel e bancar seus estudos.

Eis que, um dia, Callum Royal aparece na sua vida alegando ser melhor amigo do seu falecido pai e, oficialmente seu responsável legal. Sem ter muito para onde correr, Ella vai morar com Callum e seus cinco – maravilhosos, fortes, gostosos, livros – filhos na mansão Royal. O único problema é que nenhum dos garotos parece aceitar muito bem a presença de uma nova moradora naquela casa, principalmente Reed – e Ella começa a se perguntar se ele não está certo.

A primeira vez que eu li essa sinopse, pensei ter encontrado um romance adolescente que realmente iria conquistar meu coração e, se eu soubesse naquela época o quanto eu me enganaria com esse livro, não o teria colocado na minha lista de leitura.

Para começar, Princesa de Papel é uma perpetuação do machismo em cada página. Desde o momento que Ella coloca os pés dentro da mansão Royal, ela sobre todo o tipo de comentário ofensivo/agressivo dos irmãos Royals e, de alguma forma, a autora do livro coloca essas agressões de maneira tão constante que parece ser algo “normal” dentro do universo do livro – o que não deveria ser.

E vocês acham que para por aí? A escola nova de Ella é governada pelos Royals – e ninguém estava esperando por esse cliché, não é mesmo? Sendo assim, tudo o que eles dizem é lei e adivinha quem foram os fofos a pintarem a nova integrante da família como uma “vadia” para todo mundo? Isso mesmo, os Royals. A partir daí o livro se resume a uma guerra de ofensas onde a personagem principal tenta desesperadamente viver um único dia de aula sem ouvir xingamentos como “puta”, “piranha”, “vadia”, “vagabunda”, “lixo” e ainda especulações de que ela possui todo o tipo possível de DST.

Talvez eu conseguisse deixar isso passar se o enredo me trouxesse algo a mais, mas sendo bem honesta, Princesa de Papel não vai muito além de uma discussão interminável sobre o fato de Ella ser ou não ser uma puta.

O livro traz um slut shaming muito forte para o enredo, onde a personagem principal é constantemente agredida por outras garotas dentro do livro, tendo uma cena em que ela se vê obrigada a fazer um teste de líder de torcida usando apenas um lingerie barata. E se isso já não é revoltante o suficiente para vocês, a autora ainda faz comentário depreciativos a certas características físicas, como cabelos cacheados e estar acima do peso.

As coisas nunca melhoram no enredo, sendo bem honesta. A autora – por algum motivo – acho que era uma boa ideia construir um relacionamento entre Ella e seu principal ofensor, Reed, dando a ideia de que quanto mais o garoto te ofende, te chama de vadia e espalha por aí que você tem DST, mais forte é a atração que ele tem por você. Porque é exatamente isso que acontece durante o romance entre esses dois personagens. Reed está constantemente agredindo Ella verbalmente, ameaçando a integridade física e moral dela e, mesmo assim, eles acabam se entregando a uma “paixão” avassaladora – que é deixado claro pela autora que surgiu de todas essas “provocações”, segundo a mesma.

Princesa de Papel é um grande saco de bullying, onde os personagens principais estão sempre agredindo alguém fisicamente só porque eles não seguiram o “decreto Royal”. Eu realmente não sei de onde Erin Watt tirou que seria uma boa ideia escrever um livro com adolescentes ricos e completamente depravados, como se o fato de eles terem dinheiro e serem de uma “elite” fosse justificativa para ter um comportamento desumano. Confesso que eu fiquei completamente enjoada com todas essas ideias erradas sendo propagadas como se fosse algo “comum”.

Infelizmente, por mais que a escrita da Erin Watt não seja ruim, nós avaliamos aqui uma experiência de leitura, um enredo e também os personagens de uma história. Seria muito errado da minha parte dar uma nota diferente da que eu estou dando para esse livro, quando todo o conjunto da obra me deixou completamente enjoada e chocada com a forma como o universo de Princesa de Papel foi construído.

Eu realmente espero que, por ser um primeiro livro, a autora tenha tido a chance de repensar a história e construir algo melhor no segundo livro da série.

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Débora Costa

Uma intelectual contemporânea que entende a importância da convergência de mídias, telas e narrativas. Acompanhando mais séries do que deveria e não consigo fazer uma coisa de cada vez. Ainda quero escrever um romance de época um dia.

Deixe seu comentário

  1. Hey, Débora!

    Ai, que preguiça desse livro! Credo, quero distância dele… rsrs. Me pergunto como tramas como essas conseguem ser publicadas. E aqui: a menina trabalha como stripper, mas ainda precisa de um responsável legal? Cadê a coerência? rsrs

    Não, não quero ler esse livro! ahahahahahaha

    Beijos!

  2. Olá Débora!
    Até que na sinopse me senti atraída pela trama mas quando li a resenha, gente que isso!! É a segunda resenha que leio hoje no qual os livros são meio escrotinhos..
    É ótimo você mostrar sua opinião sobre esses livros ruins.
    Beijos.

  3. Antes de mais nada, quero te agradecer pela sinceridade em relação a esse livro. Pois eu acompanhei a outras resenha e todas mascararam legal a moral da história. Tanto que estava louca para ler ele. Então você deve imaginar como me senti depois de ler o que você escreveu, porque sério, não esperava por isso e definitivamente, passarei BEEEEEM LONGEEEE dele. Tinha tudo para ser uma grande história, mas pelo que falou, tá longe disso.

    Decepcionei legal.

  4. Oi, Débora. Tudo bem?
    Poxa, a capa engana um monte, parecia ser um livro tão fofo. Mas, machismo, slut shaming, comentários depreciativos sobre aparência… tudo isso me faz querer passar bem longe dessa obra. Passei por uma experiência parecida com o livro A aposta, da Vanessa Bosso.
    Beijos <3

  5. Morgana Brunner comentou:

    Oiii Débora, tudo bem?
    Achei bem porrinho essa obra, com toda certeza irei sair correndo da história, a unica coisa que me agradou foi a edição, pois está muito bela, adoooooooro tuas sinceridades!
    Beijinhos

  6. Uau! Esse livro está cheio de coisas erradas mesmo pelo visto… Confesso que a sinopse não me atraiu muito… Então nem vou pensar em ler essa história, rs.

  7. carol comentou:

    Acabei de ler que livro intragável, uma linguagem chula constante, personagens detestáveis eu não recomendo a ninguém