Resenhas 09out • 2017

O Príncipe Corvopor Elizabeth Hoyt

O livro no Skoob e no Goodreads.

Editora: Record
Ano de Publicação: 2017
1º livro da série Trilogia dos Príncipes
Número de Páginas: 350
Código ISBN: 9788501109811

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Sinopse: Anna Wren está tendo um dia difícil. Depois de quase ser atropelada por um cavaleiro arrogante, ela volta para casa e descobre que as finanças da família, que não iam bem desde a morte do marido, estão em uma situação complicada. O conde de Swartingham não sabe o que fazer depois que dois secretários vão embora na calada da noite. Edward de Raaf precisa de alguém que consiga lidar com seu mau humor e comportamento rude. Quando Anna começa a trabalhar para o conde, parece que ambos resolveram seus problemas. Então ela descobre que ele planeja visitar o mais famoso bordel em Londres para atender as suas necessidades “masculinas”. Ora! Anna fica furiosa — e decide satisfazer seus desejos femininos… com o conde como seu desavisado amante.

Eu tinha todas as expectativas possíveis em cima de O Príncipe Corvo, principalmente por causa do hype em cima da autora, Elizabeth Hoyt, quando o livro foi anunciado no Brasil pela Record. Eu sou completamente apaixonada por romances de época, então não é preciso muito para me convencer a entrar de cabeça em um romance, e O Príncipe Corvo logo se tornou uma das leituras que eu mais queria fazer este ano. O problema? Elizabeth Hoyt conseguiu reunir em um único enredo uma boa parte de todas as coisas que eu menos gosto num enredo e isso causou um grande desapontamento com o livro.

O Príncipe Corvo vai contar a história da Anna Wren, uma viúva respeitável que consegue o emprego de secretária do conde. O conde em questão não é bem a pessoa mais simpática que Anna iria conhecer em sua vida. Com uma personalidade grosseira e um jeito mais do que retraído, Anna tenta de todas as formas se aproximar do seu novo patrão e quebrar as barreiras que ele colocou em torno de si. Porém, não demora muito para que a atração entre eles se torne cada vez mais irresistível. Seria o conde capaz de olhar para Anna com outros olhos e ela capaz de ver aquele conde rabugento além das aparências?

Ah, o enredo de O Príncipe Corvo tinha tudo para ser uma das minhas melhores leituras este ano, juro! Não tem nada que eu ame mais do que uma leitura que explora a beleza além das aparências e personagens cheios de conflitos internos e inseguranças. Porém, por mais que eu tenha gostado do enredo em geral e achado a história mais do que interessante, acredito que a autora tenha pecado demais na construção do enredo em si, principalmente no que se trata do desenvolvimento dos personagens e do enredo como um todo.

Raiva. Anna sentiu raiva. A sociedade poderia não esperar o celibato do conde, mas certamente esperava isso dela. Ele, por ser homem, poderia ir a casa de má reputação e aprontar por toda a noite com criaturas sedutoras e sofisticadas. Enquanto ela, por ser mulher, deveria ser casta sem nem ao menos pensar em olhos escuros e peitos cabeludos. Simplesmente não era justo. Nem um pouco justo.

O enredo de O Príncipe Corvo se desenvolve tão rápido que a sensação que eu tive era de estar correndo uma maratona. Todos os plots criados pela autora são apresentados de supetão e resolvidos de uma página para a outra sem muita explicação. Há tanta coisa acontecendo na história além do romance principal, que você não sabe exatamente no que focar a sua atenção primeiro. O mesmo acontece em relação ao romance dos personagens principais que, apesar de ser muito bonito de se acompanhar, não tem profundidade e o leitor não consegue sentir que realmente existe amor além do desejo e da atração física que obviamente eles sentem um pelo outro.

Felicity foi o meu maior problema o livro inteiro. Uma personagem secundária que é apresentada aleatoriamente, que não tem nenhum tipo de influência na história e que é simplesmente descartada sem nem ao menos ter a chance de justificar o porquê da sua existência. Dado aos motivos pelos quais ela supostamente estava no livro, eu realmente esperava que ela fosse muito mais “vilã” do que ela realmente. Eu esperava que ela se destacasse ou que fizesse alguma coisa que me chocasse ou pelo menos me prendesse o suficiente na história. Mas não foi isso que aconteceu, não é? Felicity que tinha muito o que contribuir para O Príncipe Corvo, foi mais um plot desperdiçado pela autora, infelizmente.

Dreary ficou por ali por mais um tempo e então deve ter ido embora, porque, depois de alguns instantes, Edward descobriu que estava sozinho. Ele se sentou diante do fogo apagado em seu quarto, sozinho.
Mas era assim que, até muito recentemente, ele estava acostumado a viver.
Como um homem sozinho.

Apesar de inúmeros pontos negativos, eu tenho que admitir que os personagens principais realmente formam um bom casal romântico. Eu gostei muito da Anna enquanto heroína, ainda mais por ela não ser passiva e não ficar esperando que as coisas simplesmente acontecessem com ela. Acho que o fato de ela ter dado o primeiro passo para conquistar Edward, considerando a época em que o livro se passa, foi uma das cenas mais “empoderadas” do livro. E Edward, por ser um personagem inseguro e cheios de traumas pessoais, onde cabe a Anna mostrar para ele que sim, ele merece ser amado profundamente como qualquer outro ser humano, torna essa inversão de papéis ainda mais perfeita. Hoyt acertou muito quando resolveu apostar nesse casal.

Não vou dizer que O Príncipe Corvo foi uma experiência de leitura ruim, porque não foi. Minha maior preocupação em romances desse tipo é em como a autora vai desenvolver as cenas de sexo e em como o sexo em si vai influenciar na relação dos personagens principais. E eu gostei bastante de como a autora não usou o sexo como “algo a mais” na história, mas fez com que o ato tivesse suma importância no enredo em si e trouxesse consequências para o casal principal.  Eu gostei muito do envolvimento físico dos dois, acho que fez com que eles se tornassem um pouco mais real para mim.

Eu tenho muita esperança que no segundo livro da série, O Príncipe Leopardo, as coisas sejam um pouco diferentes, até porque o enredo tem uma “pegada” completamente diferente. Elizabeth Hoyt tem uma boa escrita, consegue construir boas cenas de sexo e traz heroínas apaixonantes e independentes, porém, a autora peca demais no desenvolvimento da história, deixando várias pontas soltas pelo caminho e personagens que tinham tudo para trazer um “a mais” para a história, mas que acabaram sendo esquecidos ou ofuscados pelo romance. Confesso que, com todo o hype em cima do livro e todos os comentários positivos que eu vi sobre o livro, esperava terminar essa leitura com uma sensação diferente. Foi uma boa leitura? Foi. Mas poderia ter sido muito melhor.

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Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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8 Comentários

  • Carolina Gama
    24 out 2017

    Gostei da resenha! Estou doida pelo livro e confesso que nem o desafeto que você relatou com a rapidez no enredo me mudou a ideia. Só não comprei ainda porque espero por um box, hehehe. Beijos e sucesso!

  • Michele Lopez
    22 out 2017

    Olá,
    Eu simplesmente fiquei aqui babando com essa capa! Ela é muito bonita!
    Uma pena que tenha se decepcionado tanto, principalmente com Felicity. Isso me desapontou bastante, afinal deu a entender que ela praticamente não contribuiu em nada em relação à trama. Muito triste com o desperdício.

    LEITURA DESCONTROLADA

  • Lilian Farias
    17 out 2017

    Acho a capa do livro linda, que pena que foi um pouco decepcionante para você, espero que o próximo seja melhor e supere suas expectativas.

  • Yohana Sanfer
    16 out 2017

    Olá, Débora! Td bem? Adorei ser apresentada ao livro O Príncipe Corvo através da sua resenha. leio quase nada do gênero mas achei interessante o seu olhar sobre o enredo ou o que faltou na construção dele. Parabéns pela escrita e pelas fotos. Estão lindíssimas!

    Bjs

  • Ana Paula Medeiros
    16 out 2017

    Oi! Quando vi o lançamento desse livro achava que era algo macabro, no estilo Edgar Allan Poe rsrs Mas me enganei redondamente!
    Achei a descrição até interessante, mas não conseguir desenvolver os personagens já me desanimou. Essa capa é maravilhosa, mas como gosto de me apegar aos personagens vou deixar passar a dica dessa vez.

  • NIZETE RIBEIRO
    14 out 2017

    Olá!
    Não é que você me deixou dividida!
    Eu me encantei primeiramente pela linda capa, sim, sou dessas. Mas, o proposta desse livro também era tentadora. Não tenho ele, mas após ler a sua resenha fiquei com o pé atrás… Vou acompanhar as demais resenhas e decidir.
    Abs
    Nizete
    Cia do Leitor

  • Morgana Brunner
    10 out 2017

    Oi linda tudo bem?
    Infelizmente dessa vez a obra não despertou meu interesse linda, mas gostei muito de saber sua opinião, no qual ficaste maravilhosa e essa capa demais, espero que a continuação te encante o quanto a obra!
    Beijinhos

  • Livros Que Li
    09 out 2017

    É uma pena ter um desenvolvimento muito rápido, eu pensava que tudo seria abordado com mais calma, isso atrapalha nossa experiência de leitura mesmo. Mas que bom que ela soube criar esses momentos íntimos do casal com perspicácia. Eu ainda quero ler o livro, mas talvez eu deixe para depois e dê prioridade aos mais urgentes. De qualquer forma, também espero que a continuação seja boa, assim vai me dar um up pra começar a ler o primeiro. As capas deles são lindas!

    xoxo <3

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