04out • 2020

O Rei Perversopor Holly Black

O livro no Skoob e no Goodreads.

Título Original: The Wicked King
Gênero do Livro: Fantasia, Young Adult, Romance, Fae
Editora: Galera Record
Tradutor: Regiane Winarski
Ano de Publicação: 2020
2º livro da série The Folk of the Air
Número de Páginas: 308
Código ISBN: 9788501303516

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Sinopse: Para sobreviver no reino das fadas, Jude Duarte precisou aprender muitas lições. A mais importante delas veio de seu padrasto: o poder é bem mais fácil de adquirir do que de manter. Ela achou que, depois de enganar Cardan para que ele jurasse obedecê-la por um ano e um dia, sua vida se tornaria mais fácil. Mas ter qualquer influência sobre o grande rei de Elfhame parece uma tarefa impossível, principalmente quando ele faz de tudo em seu poder para humilhá-la e prejudicá-la, mesmo que seu fascínio pela garota humana permaneça intacto.Agora, com as ondas ameaçando engolir a terra e um alerta de traição iminente, Jude precisa lutar para salvar a própria vida e a daqueles que ama, além de lutar contra seus sentimentos conflituosos por cardan no meio-tempo. Em um mundo imortal, um ano e um dia não são nada.

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a realidade é essa: jude duarte tem 1 ano e 1 dia de poder sob o mais novo grande rei de elfahame e sem nenhuma ideia de como conseguir que cardan extenda o acordo que eles fizeram. e não só isso, como garantir que a coroa não seja roubada de cardan, afinal, conquistar uma coroa é uma coisa, mantê-la é outra.

e em cima disso tudo: o desejo.

❝me beija até eu ficar cansado do seu beijo.❞

holly black compõe uma coreografia interessante entre jude e cardan. eles dançam entre uma provocação e outra, instigando o leitor a continuar lendo para saber quem irá ganhar o próximo embate.

a forma como black escreve as interações destes dois personagens é de tirar o folêgo. diferente de sarah j. mass – e eu juro que não é a minha intenção comparar, holly black consegue construir cenas de grande intimidade entre os nossos protagonistas através da intensidade da cena, ao invés do explícito, como a autora de a corte de espinhos e rosas faz.

no segundo livro de the folks of air conseguimos ver o quanto jude cresceu nos 5 meses que separam esta continuação do primeiro livro. apesar de seu humor ácido continuar muito presente ao longo da narrativa, ela me pareceu bem mais madura ao lidar com os acontecimentos a sua volta, não sendo mais a adolescente desesperada para ser aceita pelos fae.

o relacionamento familiar, por outro lado.

particularmente, não consigo perdoar as atitudes de taryn. talvez eu conseguisse entender se essa atitude tivesse vindo de uma ameaça ou um encantamento, mas não. de todas as coisas que aconteceram no primeiro livro – e no segundo – meu ódio por essa personagem só fez crescer. não espero nenhum tipo de redenção e não quero.

madoc é uma outra questão.

embora ele não seja o pai biológico de jude, existe uma conexão muito forte entre eles. durante anos jude olhou para ele como um espelho de tudo o que ela gostaria de ser. era movida pela ambição de agradá-lo, de ser motivo de orgulho e, agora, eles estavam em lados opostos de um jogo bastante perigoso no qual madoc é mais do que experiênte e jude está tentando aprender as regras.

é muito interessante a linha tênue que holly black cria nesse relacionamento paternal dos dois. é a primeira vez na série que jude reconhece que madoc não é o homem que a criou, mas sim o assassino de seus pais e um traidor.

gosto como holly black, de forma bastante sutil, usa esse fator para fazer com que jude tenha receio em se tornar vulnerável. pense, madoc era o espelho de tudo o que ela queria – tanto que ela ignorava o que ele fez com os pais dela. agora que isso mudou, e da forma como mudou, fez com que seu olhar sob o mundo fae se tornasse mais duro e ela, mais protetiva com si mesma.

o que nos leva a cardan, novamente.

existe um momento no livro onde cardan pergunta se a jude tem medo dele. parece apenas uma pergunta simples, provocativa, mas quando balekin a questiona se para mortais se apaixonar é como sentir medo, percebemos que cardan constantemente questiona jude se ela está apaixonada por ele, sem que ela se dê conta disso.

❝eu ouvi dizer que, para mortais, a sensação de se apaixonar é parecida com a de sentir medo. seu coração bate mais rápido. seus sentidos ficam mais alertas. você se sente desnorteada, até um pouco tonta. estou certo?❞

sutil e nas entrelinhas, holly black tem um jeito encantador de nos apaixonar pelo universo de the folks of air.

a forma como o relacionamento dos dois se desenvolve nesse segundo livro é fascinante. é visível o quanto estar sob o controle de jude deixa cardan em uma posição da qual ele não gosta. não por causa do controle em si, mas por conta da confiança quebrada no final do primeiro livro.

os dois tem bastante receio desse envolvimento, o que é bastante compreensível considerando quem eles são. jude não quer perder o foco dos seus objetivos e cardan está desesperado para se encontrar como monarca – e também para que jude veja que ele não é um imbecíl que só toma decisões ruins.

a trama política é outro ponto muito forte em o rei perverso. bom, pelo menos pra mim que sou obcecada por jogadas políticas e plots twists.

a maior prova da genialidade de holly black nesse livro é quando as decepções e traições vem de quem menos esperamos. e assim como no primeiro livro, a autora repete a fórmula com sucesso, adicionando mais alguns personagens a minha lista do ódio. será que não é possível confiar em ninguém nessa série?

uma das melhores coisas sobre a escrita é que, ao mesmo tempo que holly black faz com que a nossa protagonista fique mais alerta, ela também faz o mesmo com o leitor.

por fim, preciso dizer que o final desse livro me fez sentir como uma grande palhaça. e eu não digo isso como algo negativo, mas você colocar um plot twist nas páginas finais do livro, destruindo toda e qualquer esperança do leitor é algo extremamente corajoso – até porque poderia ter dado muito errado.

eu não esperava, acredito que você também não vá esperar. não posso falar mais do que isso.

o rei perverso foi uma leitura que eu devorei em poucas horas e me deixou ainda mais obcecada pela escrita e pelo world building da holly black. gosto para onde essa história está caminhando e o quanto todos os personagens cresceram bastante do primeiro para o segundo livro.

mal posso esperar para ser destruída emocionalmente pelo terceiro – e último – livro dessa série. infelizmente, não me sinto preparada para dizer adeus a elfhame.

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1 Comentário

  • Angela Cunha
    outubro 05, 2020

    Eu confesso que só dei uma passadinha na resenha desse segundo livro(muito desejado)
    O Príncipe Cruel está ali na estante e não vejo a hora de poder comprar esse segundo para poder ler o primeiro.
    Ambos estão sendo elogiados demais e como amo fantasia, sei que vou amar!!!!
    Beijo

    Angela Cunha/O Vazio na flor