Resenhas 22nov • 2018

A Revolução dos Bichospor George Owell, Odyr

O livro no Skoob e no Goodreads.

Título Original: Animal Farm: A Fairy Story The Graphic Novel
Gênero do Livro: Clássicos, Graphic Novel,
Editora: Quadrinhos na Cia
Ano de Publicação: 2018
Número de Páginas: 176
Código ISBN: 9788535931419

Obs: Este livro foi cedido em parceria com a editora para resenha.

Comprar: Amazon

Sinopse: Odyr passou os últimos anos envolvido numa empreitada desafiadora: transformar em quadrinhos um dos maiores clássicos da literatura mundial, A revolução dos bichos. Em tinta acrílica, fazendo com que cada página se tornasse uma verdadeira obra de arte, Odyr deu forma à narrativa de George Orwell — e a personagens antológicos como os porcos Napoleão e Bola-de-Neve. Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945, essa breve narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista. Mas não só. Mais de sessenta anos depois, A revolução dos bichos se tornou uma alegoria universal sobre as fraquezas humanas que levam à corrosão de grandes ideias e projetos de revolução política.

Em 2018 a Quadrinhos na Cia. trouxe uma nova adaptação do romance clássico de George Orwell, A Revolução dos Bichos. A fábula de Orwell é considerada um dos 100 melhores livros em língua inglesa, um clássico essencial para qualquer um que queira entender o que é um regime totalitário e como ele manipula uma população.

A Revolução dos Bichos foi publicada pela primeira vez em 1945, como uma crítica à política stalinista que traíra a revolução de 1917. Orwell era um socialista democrático, lutava e acreditava na democracia, chegou inclusive a lutar na Guerra Civil Espanhola, combatendo o regime fascista do General Francisco Franco. O livro traz um retrato intrincado de como líderes déspotas tomam para si uma ideia e subvertem-na para servir ao seu próprio benefício.

“Numa noite agradável os bichos haviam terminado o trabalho e regressavam à granja. Viram, então, um porco caminhando sobre as duas patas traseiras. Houve um silêncio mortal. Estavam surpresos, aterrorizados. Depois disso, nada mais pareceu estranho.”

Os animais da Granja do Solar vivem explorados e não agüentam mais passar sua vida toda servindo ao dono da fazenda. Inspirados pelas palavras do porco Major, os animais fundam o Animalismo na crença de um futuro melhor para todos os animais do mundo. Os Porcos acreditam que a melhor forma de se livrarem da tirania do Sr. Jones é através de uma revolução. Quando a situação da granja sai do controle e os animais sequer tem de comer, eles se rebelam e tomam o poder da granja.

A partir daí os animais criam uma sociedade comunitária regida pelas regras: 1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo;  2. Qualquer coisa que ande sobre quatro patas, ou tenha asas, é amigo; 3. Nenhum animal usará roupas; 4. Nenhum animal dormirá em cama; 5. Nenhum animal beberá álcool; 6. Nenhum animal matará outro animal; 7. Todos os animais são iguais.

Os princípios do Animalismo titubeiam nas mãos dos Porcos. Bola de Neve e Napoleão divergem sobre o que é certo e sobre qual a melhor maneira de gerir a granja, Bola de Neve é mais idealista e acredita nas palavras do Major, mas Napoleão tem uma visão bem diferente do que é o correto. A disputada entre os porcos têm fim quando Napoleão conduz um golpe de estado na fazenda, transformando-a em um regime totalitário, na desculpa da ameaça que é Bola de Neve.

“Ordem e disciplina. Os animais inferiores trabalhando mais e recebendo menos do que quaisquer outros animais do condado. Entre os porcos e os seres humanos não há, e nem precisa haver, quaisquer conflitos de interesses.”

A intenção de Orwell com o livro era denunciar os mandos e desmandos de uma política opressora. Os ideais que regiam a granja são corrompidos e passam a servir apenas ao estrado dos Cães e Porcos. Napoleão se parece cada vez mais com um humano, chegando ao ponto de unir-se a eles. As Ovelhas não questionam em nenhum momento o que é dito, apenas se contentam em balir e propagar os maiores absurdos por toda a granja, uma verdadeira campanha de desinformação. As Galinhas tentam se rebelar e são perseguidas, a rebelião é reprimida pelos Cães, força militar da fazenda.

Os princípios do Animalismo se transmutam em novas leis, mais frouxas para os Porcos, afinal “Todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que os outros”. Não importa o regime de um estado, os três poderes ou a constituição, quando um déspota é alçado ao governo ele é capaz de qualquer coisa. Engana-se quem acredita na justiça, no livro, os homens que passam o romance inteiro lutando contra os animais, com medo do Animalismo se espalhar pelas demais fazendas, são os primeiros a lavarem as mãos e se unir aos Porcos. A manutenção do lucro e do poder é mais forte do que a justiça social. Orwell viveu em uma época conturbada, viu revoluções, guerras, regimes ditatoriais e fascistas por todo o globo terrestre, sua experiência de vida resultou em dois grandes romances: A Revolução dos Bichos e 1984.

Não conhecia o trabalho de Odyr e rapidamente me tornei uma fã. O quadrinista optou por manter grande parte do texto original durante a adaptação. O quadrinho flui muito bem, tudo de maneira bem instintiva, contudo, o romance de Orwell, que já era forte, se tornou ainda mais cruel. O grafismo, que só uma adaptação desse tipo permite, expôs ainda mais as atrocidades do livro.

“As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era impossível dizer qual era qual.”

Em cenas de violência, Odyr optou por carregar em cores fortes, principalmente no vermelho. Ver os Cães em ação faz doer até na alma. O romance de George Orwell tem cenas perturbadoras, se ler sobre Porcos agindo como humanos já é complicado, ver essas passagens ilustradas transcende o conceito de incômodo. Palmas para essa adaptação. O trabalho de Odyr é lindíssimo, facilmente podemos tirar páginas do livro e transformá-las em uma exposição de arte. Se você quer começar a ler George Orwell, e não sabe por onde, essa adaptação é uma boa escolha. Estou aguardando ansiosíssima uma nova adaptação de Odyr, dessa vez de 1984, tenho certeza que o quadrinista vai tirar de letra.

Beatriz Kollenz ver todos os artigos
Queria ser mesmo uma garota mágica, infelizmente não deu nessa vida. Amo borboletas, mangas shoujo, desenhos animados e livros. Quando não estou voando nas nuvens costumo tocar piano, assistir um dorama ou sentar ao ar livre. Apesar de ser leonina sou muito tímida, a vida é assim, repleta de contradições.

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10 Comentários

  • Pamela Liu
    30 nov 2018

    Oi Beatriz.
    Eu li esse livro ano passado e adorei.
    A crítica social é bastante pertinente nos dias de hoje, uma ótima analogia.
    Não gostei muito dessa nova capa. prefiro a anterior.
    Beijos

  • Luana Martins
    29 nov 2018

    Olá, Beatriz
    Ainda não li o livro, mas quando vi lançar essa HQ fiquei mais curiosa para conhecer.
    Pelas fotos pude perceber que a edição esta lindíssima.
    Quero muito ter chance de ler.
    Beijos

  • Alice Pereira
    29 nov 2018

    Que incrível! Sabe-se porque é um dos melhores livros da literatura inglesa. Me parece uma leitura necessária. Traz a reflexão, além de abrir nossos olhos para um estado metafórico, de uma maneira tão real. Estou com esse livro em mente há um tempo e será um prazer lê-lo.

  • Patrini Viero
    28 nov 2018

    Esse livro é realmente um clássico e nos traz reflexões bastante precisas e importante através das alegorias e metáforas que permeiam suas páginas. A meu ver, é um dos títulos que todo mundo deveria ler, pelo menos uma vez na vida. Acho o enredo extremamente complexo e muito político, o que não torna a história em si menos interessante, somos envolvidos pela trama e queremos a todo custo saber o desfecho dessas ações e revoluções. Não sabia da adaptação para os quadrinhos, mas acho que isso dá ainda mais realismo para a história, complementando o belo trabalho do autor.

  • sarah castro
    26 nov 2018

    Eu estou louca para ler a revolução dos bichos, na verdade já esta passando da hora de pegar o mesmo na estante, porém tenho que admitir que essa edição esta linda demais DEMAIS. Uma ótima forma de “iniciar” as pessoas na leitura ainda mais uma leitura crítica.

  • Vitória Pantielly
    25 nov 2018

    Olá Beatriz,
    Um clássico, sem dúvidas, e que pode ser usado em várias épocas da nossa política. Pena que ainda não tive oportunidade de ler…
    Bem, o bacana de se ter a mesma história em hq, é que, além de conquistar quem já leu, gostou, e entendeu a crítica, também pode conquistar um público maior…
    Gostei!
    Beijos

  • Aline M. Oliveira
    24 nov 2018

    Gente Esse livro escrito a mais de 45 anos com uma crítica sócio-política voltada para uma ocasião em especial, no caso o totalitarismo soviético na Russia. É incrível que mesmo depois de tanto tempo essa crítica se encaixe no nosso cotidiano. O autor tem uma maneira clara de retratar a natureza do poder e das revoluções. Da forma marcante que George Orwell escreve, a gente precisa parar de ler em alguns momentos para refletir sobre os tapas na cara que o livro dá com seu leve tom de humor. Didático. Eu adoro!

    Bjoxx

  • Maira Schein
    23 nov 2018

    Tenho muita vontade de ler A revolução dos bichos, mas agora acho que fiquei mais interessada nessa edição em quadrinhos.. Gosto porque é uma forma mais dinâmica de conhecer a história. Sem falar que esse assunto, infelizmente, está muito atual. Gostei!

  • Kleyse Oliveira
    22 nov 2018

    Oi Beatriz!
    Quando eu vi essa outra edição de A Revolução dos bichos em um Ig logo me apaixonei e fiquei encantada pelo livro todo, como não tenho a primeira edição normal e não li então não sei muito o que falar da história, mas já sei que assim que eu me fixar financeiramente vou comprar a outra edição e essa para ler e enfeitar minha estante.

  • Angela Cunha
    22 nov 2018

    Acho que um tema nunca foi tão atual quando este livro! Orwell trouxe este cenário apocalíptico visto pelo lado animal, mas isso pode muito bem ser inserido no nosso presente, principalmente nessa época pós eleição!
    Ainda não tinha visto a Hq,mas fiquei fascinada com a capa e com a observação que você colocou sobre as cores fortes!
    Adoro!
    Com certeza, quero muito ter e ler!
    Beijo

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