Resenhas 14out • 2018

Whitney, Meu Amorpor Judith McNaught

O livro no Skoob e no Goodreads.

Título Original: Whitney, My Love
Gênero do Livro: Romance de Época, Regencia, Romance Histórico,
Editora: Record
Ano de Publicação: 2018
2º livro da série Dinastia Westmoreland
Número de Páginas: 490
Código ISBN: 978-8528622072

Obs: Este livro foi cedido pela editora em parceria para resenha.

Comprar: Amazon

Sinopse: A encantadora e impetuosa Whitney não tem medo de dizer o que pensa. Por conta de seu comportamento pouco apropriado para uma moça da sociedade inglesa do século XIX, ela é forçada, pelo pai frio e severo, a mudar-se para a casa dos tios em Paris, onde recebe aulas para se tornar uma dama. Sob o cuidado dos amorosos e dedicados tios, ela desabrocha em uma mulher sofisticada e bela, tornando-se a sensação da esfuziante sociedade parisiense. Quando retorna à Inglaterra, está mudada, mas ainda deseja conquistar o belo Paul, seu primeiro amor. Mas há alguém que parece disposto a destruir sua felicidade: trata-se de Clayton Westmoreland, um poderoso duque, que está decidido a ter Whitney a qualquer preço.

Levante a mão se você leu Whitney, Meu Amor e sobreviveu à este livro. Eu, certamente, não sobrevivi. Confesso que quando eu decidi que finalmente faria essa leitura, eu estava apavorada com a suposta cena de estupro e com o fato do livro ser 200 páginas maior do que os romances de época que eu estou acostumada a ler. Ainda assim, Judith McNaught me conquistou com os seus personagens, com as suas reviravoltas e com os seus 42 capítulos apaixonantes.

Não vou mentir, eu achei o livro longo demais. Não sei se foi porque eu estou acostumada com romances menores, ou se realmente o livro poderia ter uns 20 capítulos a menos, mas o fato de McNaught ter uma escrita tão envolvente fez com que eu, mesmo já exaurida com os plots twists da trama, persistisse até o final, simplesmente porque eu não iria conseguir viver a minha vida sem ao menos saber que o meu casal favorito viveu feliz para sempre.

“De todos os homens que mencionei, Sevarin é o menos indicado; no entanto, se dependesse de você, ele seria o escolhido, embora não esteja à sua altura, nem em inteligência, nem em cárater. Também não é homem o bastante para transformá-la numa mulher de verdade.”

Eu consigo descrever para vocês todos os motivos pelos quais as pessoas do mundo inteiro amam esse romance. Nenhuma escritora de época que eu li até hoje, e isso inclui a mina amada Sarah MacLean, conseguiu escrever um enredo que transmitisse tanta intensidade através dos seus personagens. É verdade que McNaught criou um subgênero quando lançou esse livro, e agora eu entendo porque. Não importa quantos livros da Julia Quinn vocês leiam, nada no mundo vai se comparar a maravilha que é a leitura de Whitney, Meu Amor.

É perceptível no livro que McNaught tinha uma visão única e perfeita dos personagens que estava criando e da mensagem que queria passar com o seu enredo. O desenvolvimento do seu enredo é cuidadoso, respeitando o tempo de amadurecimento dos seus personagens e envolvendo o leitor em uma trama tão intensa, que depois do primeiro capítulo é simplesmente impossível de escapar.

Whitney não é nem uma personagem, é uma força da natureza. Eu nunca li, em toda a minha vida de leitora, uma heroína de época que me deixasse tão sem fôlego como Whitney. Sério, a garota é um furacão e certamente colocaria fogo na Inglaterra para ser feliz, se fosse preciso. Mas o ponto forte da personagem é que sua personalidade vem com consequências e são essas que forçam o seu amadurecimento e a obrigam a ver o amor com outros olhos.

“— Onde é sua casa? — perguntou após um longo silêncio.— Minha casa é onde você está.”

Eu amei a sua língua afiada e o fato de ela não deixar que ninguém tome decisões por elas. Também gostei muito que a autora teve todo um cuidado para que ela não perdesse esse fogo na sua personalidade, conforme seu coração foi, aos poucos, se apaixonando por Clayton, mesmo que naquele momento ela ainda não tivesse se dado conta disso. Não dá para negar porque esse livro é a menina dos olhos de Judith McNaught, afinal, você percebe o carinho e cuidado que ela teve para construir essa protagonista maravilhosa em cada página.

 

Clayton é… tudo o que eu não esperava em um herói de romance de época e ainda assim, eu arrumei espaço no meu coração para criar uma certa empatia por ele. Vocês provavelmente nunca vão conhecer um herói que cometa tantos erros, que tenha um temperamento difícil e que tenha a incapacidade de pensar antes de agir, mesmo assim, é impossível não se compadecer da sua falta de jeito em lidar com Whitney e da veracidade dos seus sentimentos por ela.

O que me obriga a falar sobre a infame cena do estupro. Bem, eu não sei se realmente foi um estupro – então não vou afirmar isso, ok? Mas eu sei que as intenções do personagem eram essas e, por isso, o tornam totalmente condenável. Porém, Judith McNaught tomou o cuidado de deixar bem claro que ele se repudiava por sua atitude e que, em nenhum momento, por mais tomado pela raiva que ele estivesse, achou que havia desculpas para a maneira como ele tratou Whitney naquele momento – embora, em nenhum momento, eu ache que isso tenha sido suficiente para redimir o personagem.

“— Deixe-me explicar — pediu em tom suplicante. 
Furiosa, ela afastou-lhe a mão.
— Duvido que seja capaz! — exclamou. — Mas, se o fizer, faça por escrito, porque eu o matarei, se você chegar perto de mim ou de minha família outra vez! Juro!”

Vale ressaltar que a autora mencionou em uma entrevista aqui no blog que, anos depois de ter escrito Whitney, ela percebeu o quanto a suposta cena de estupro foi uma escolha errada para o enredo e resolveu reparar isso na edição de 50 anos do livro. Por esse motivo, e considerando o ano de publicação de Whitney (1985), eu resolvi não condená-la por esse pequeno deslize. Primeiro porque na época que ela escreveu o livro esse não era um assunto abordado entre mulheres e, segundo porque quando ela percebeu o erro, tratou de corrigi-lo.

Eu amei cada minuto que eu passei com essa leitura, embora eu ache que as 3 horas de leitura que eu gastei com esse livro tenham passado muito mais rápido do que eu esperava. Judith McNaught tem uma escrita completamente fora do que estamos acostumados e acho que é justamente por isso que os seus livros conquistaram tantos leitores ao longo dos anos. Definitivamente Whitney, Meu Amor é uma leitura que vale a pena, e eu mal posso esperar para ler outros livros dessa autora.

Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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8 Comentários

  • Patrini Viero
    30 out 2018

    Eu ainda não conheço a escrita da autora, mas fiquei bem empolgada com a tua resenha. Apesar de não ter certeza se conseguiria perdoar o mocinho pela cena de estupro, acho que a protagonista da história faz toda a leitura valer a pena. Depois de ver como tu descreve ela fica impossível não querer conhecê-la e se apaixonar também. Confesso que o tamanho do livro e a quantidade de páginas excessivas me deixariam meio com um pé atrás, mas acho que a experiência de leitura valeria a pena, sim.

  • Luana Martins
    23 out 2018

    Olá, Débora
    Li várias resenhas desse livro, e fiquei curiosa para conhecer a escrita da autora.
    Confesso que sua resenha me deixou intrigada e com mais vontade de ler o livro. Ainda bem que a autora corrigiu essa cena, mas não acho um absurdo e leria numa boa a outra edição.
    Beijos

  • Alice Pereira
    17 out 2018

    Definitivamente uma protagonista com personalidade forte, isso me encanta. Acho que já comentei aqui que ainda não estou tão habituada com romances de época, mas há lista só tende a crescer.

    Parece realmente uma história apaixonante. Sua empolgação me empolga, haha.

    Eu também teria me incomodado com a (talvez) cena de estupro e acho interessante que a autora tenha repensado nesse detalhe na nova edição. Apesar de ser algo real, talvez não pareceu se encaixar muito bem na situação e isso acontece. É bacana da parte da autora tentar consertar o erro. Pretendo dar uma chance.

  • Pamela Liu
    15 out 2018

    Oi Débora.
    Ainda não li nada da autora, mas quero muito ler essa série.
    O primeiro livro parece ótimo e esse também. Mas, fiquei um pouco apreensiva coma suposta cena de estupro. Achei bem interessante a autora ter redimido do seu erro, após percebê-lo. Que bom que não é uma cena muito pesada.
    Outro livro que vai para lista de desejados.
    Beijos

  • Kleyse Oliveira
    15 out 2018

    Annyeong Débora!
    Adoroooo romances ainda mais de época, mesmo tendo a parte do estrupo não irá me impedir de comprar esse é os outros livros da autora, pois já li livros que continham cenas bem piores do que essa tem no livro. Sou doida para adquirir os livros dessa autora, já vi muitas resenha Boas das histórias dela e também as capas são lindas.

  • Angela Cunha
    15 out 2018

    Mesmo não tendo muito contato com as letras da autora, já li e ouvi muita coisa a respeito deste livro dela. Essa tal cena do estupro, que muitos consideraram que não é um estupro ao pé da letra, deu o que falar. Até por ser romance de época e ficar realmente fora do contexto da situação. Mas…enganos acontecem e nem os melhores autores estão livres disso né?
    Creio que em contrapartida, a autora tenha se redimido trazido uma personagem tão forte e destemida e claro, um galã de arrancar suspiros e isso que vale em um bom enredo de época.
    Espero sinceramente poder ter e ler este livro e mais outros da autora!!!
    Beijo

    • Débora Costa
      15 out 2018

      Oi Angela,
      No caso, não seria estupro porque a protagonista (Whitney) deu o consentimento dela para que o ato acontecesse, mas a intenção do personagem (Clayton) quando ele foi até ela, foi de estuprar. Por isso as pessoas ficam revoltadas com a cena. Inclusive, vale dizer que a própria autora achou que tinha escapado do “estupro” quando a Whitney consentiu no ato, mas não foi bem assim, e quando ela releu o livro, ela percebeu e alterou a cena na edição de 50 anos do livro. (:

  • Ludyanne Carvalho
    14 out 2018

    Fiquei interessada nessa história quando vi falando do livro anterior e do fato dele se passar em uma outra época do que estou acostumada ver em romance de época.
    Parece que esse conclui com chave de ouro, a personagem é forte e já fiquei com vontade de conhecê-la.

    Beijos

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