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Vale a pena ler a trilogoa de A Rebelde do Deserto?

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Decidi no final desse ano sair um pouco do meu gênero literário favorito que é o romance de época e explorar outros pois estava com vontade de me aventurar lendo fantasia, a última saga que eu havia lido e me apaixonado foi Percy Jackson e isso provavelmente tem pelo menos uns 10 anos, já estava na hora de ler algo novo desse nicho.

Logo que comecei as minhas buscas para o retorno da leitura do gênero, mais de uma pessoa me indicou a trilogia A Rebelde do Deserto e já posso dizer aqui que isso foi certeiro, pois, definitivamente retornei com o pé direito.

Ambientada no meio do deserto, Alwyn Hamilton nos apresenta uma saga repleta de aventura, magia e mitologia árabe, o que fez eu me apaixonar logo de cara pela trama tão diferente do que estamos acostumados.

A Rebelde do Deserto

No primeiro livro conhecemos Amani, uma menina órfã que estava sendo criada entre tios e primos em um pequeno vilarejo no interior do deserto. Quando ela percebe que sua perspectiva de vida é basicamente um casamento forçado, ela percebe que precisa agir para conseguir sair daquela situação e decide fugir, o que ela com certeza não esperava era ter que lidar com um misterioso forasteiro, cavalos mágicos, djinnis e a descoberta de sua verdadeira origem.

A motivação da protagonista nos faz logo gostar e torcer por ela, pois em uma sociedade totalmente patriarcal, onde o homem poderia se casar com mais de uma mulher, não é difícil nos sensibilizarmos e entendermos o motivo dela querer algo melhor para si ao tentar sair de um lugar em que constantemente escuta a frase “mulher não pode fazer isso, ou aquilo”. A força de lutar contra isso é visível e o fato de mesmo ela sentir insegurança sobre o que estava fazendo, em nenhum momento ela deixa de lutar e se entrega, um dos pontos que mais gostei nela além do fato de ser boa com as pistolas, achei isso incrível.

Já poderíamos imaginar um romance entre ela e Jin, o forasteiro misterioso que acompanha ela na aventura, certo? Eu só não esperava que mesmo o foco da trama não ser esse e sim a descoberta de quem Amani era e sua jornada, a química desse casal seria maravilhosa. A todo momento eu ficava torcendo para que rolasse alguma coisa, nem que fosse um beijinho, uma troca de olhar, enfim, os diálogos dos dois são muito bem escritos e nada forçados.

O que eu não imaginava era a proporção que essa fuga iria trazer na vida de Amani não só como jornada de crescimento pessoal, nossa mocinha acaba se vendo no meio da revolução entre rebeldes e o atual e tirano sultão.

A Traidora do Trono

A Traidora do Trono, segundo livro da saga, nos leva para um cenário totalmente novo, pois, de uma forma inusitada, Amani vai parar no harém de Oman, nosso principal vilão e sultão que está no poder naquele momento.

Quero ressaltar que amei a construção desse personagem pois Oman e aquele típico vilão que te convence do ponto de vista dele e te faz pensar “ah, mas ele não é tão mau assim” e é aí que somos levados assim como Amani a ter dúvidas sobre qual é o lado que está certo e qual é o errado e se toda aquela revolução criada por Ahmed, príncipe rebelde, tem realmente as motivações corretas.

Neste livro o romance é deixado um pouco de lado e temos uma pegada mais política o que nos faz entender cada lado dessa guerra, além de seus motivos e como essa parte da mitologia árabe cercada de magia, djinnis e outros seres tem extrema importância aos ideais que são nos apresentados ao longo desse segundo livro.

Conhecemos outros personagens secundários como Shazad, a general dos rebeldes que, além de Amani nos traz mais uma representatividade feminina de força e empoderamento, e os alívios cômicos como Sam, mais um forasteiro de caráter duvidoso que nos renderam diálogos leves e engraçados. Destaque para a amizade entre Amani e Shazad que me deu aquele quentinho no coração em momentos difíceis da história.

O segundo livro definitivamente conseguiu me prender ainda mais e me deixar “na pontinha da cadeira” com a leitura recheada de plots que me faziam não querer largar a trama para saber o que realmente ia acontecer com cada personagem e quais eram os reais planos do sultão, não posso esquecer de avisar, deixem os lencinhos preparados, porque se tem uma coisa que notei, é que a autora não tem medo de matar personagens, nosso emocional que lute.

A Heroína da Alvorada

Ao caminharmos para o final da trilogia com o terceiro livro, A Heroína da Alvorada, reconheci uma Amani mais madura e altruísta, a evolução dela é notável pelo fato de não estar mais tão preocupada com seus próprios interesses e sim com a revolução como um todo, nossa protagonista passa por reflexões que ajudam a trazer mais complexidade em sua formação e tomar decisões visando o bem de todos e não só dos que ela ama.

A história caminhava para o seu fim e com isso, a guerra finalmente entre rebeldes e sultão começaria e teríamos um vencedor. Em meio ao caos, vemos a relação de Amani e Jin crescer e se consolidar, e lá se foram mais alguns lencinhos da minha caixinha.

Um ponto que gostaria de ressaltar é a parte da batalha final em si, achei que aconteceu tudo de forma muito rápida e gostaria de ter visto mais tanto do sultão quanto do príncipe rebelde Ahmed por eles serem as cabeças dessa guerra, achei que a participação deles em alguns momentos ficava um pouco de lado, além de ter achado algumas mortes de personagens um pouco desnecessárias, mas mesmo assim, achei o desfecho bem satisfatório.

Finalizei a saga com aquele gostinho de quero mais e isso com certeza é muito positivo, recomendo a leitura para os amantes de fantasia, para as pessoas que como eu querem conhecer mais o gênero, enfim, para todos que desejam se aventurar numa trama bem completa com magia, amizade, romance, empoderamento feminino e cultura árabe.

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Livia Rocco

Lívia Rocco é administradora pública, apaixonada por todos os clichês que um romance de época pode ter, aspirante a escritora nas horas vagas e entusiasta em estudar fatos históricos. Ainda acredita no amor verdadeiro.

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  1. Miranda Telles comentou:

    Eu amei muito essa série! Entrou para os meus favoritos, todo o universo que ela criou foi incrível!

    1. Lívia Rocco comentou:

      Sim! Foi uma LC que valeu muitooo

  2. Ariela Souza comentou:

    Eu tenho bastante curiosidade em ler essa trilogia.
    Por ser protagonista feminina, o ambiente sai fora do comum tb, adoro essas capas, e parece ser uma leitura daquelas fluidas e que nao da vontade de parar. Alias, espero muito gostar da leitura e faze-la em breve.
    Ia ter uma adaptação neh….

    1. Miranda Telles comentou:

      Enquanto eu lia só pensava que na tv ia ser lindo demais todas aquelas cenas!

      1. Lívia Rocco comentou:

        Siiim, uma adaptação ia ser incrível demais

    2. Lívia Rocco comentou:

      É viciante! Super recomendado!

  3. Angela Cunha Gabriel comentou:

    Sem contar o quanto esses livros devem ser lindos fisicamente né?
    Eu amo uma fantasia, por isso, namoro essa trilogia faz um tempão e não vejo a hora de poder comprar eles e me aventurar mais!!!
    Beijo

    Angela Cunha/O Vazio na flor

  4. Michelle Lins de Lemos comentou:

    Quando li a trilogia foi algo totalmente fora da minha zona de conforto mas eu curti muito.
    Como quase não leio o gênero não vi falhas ou semelhanças com outras histórias