Resenhas 04fev • 2019

Voxpor Christina Dalcher

O livro no Skoob e no Goodreads.

Título Original: Vox
Gênero do Livro: Distopia, Ficção, Feminismo
Editora: Arqueiro
Ano de Publicação: 2018
1º livro da série Vox
Número de Páginas: 320
Código ISBN: 9788580418897

Obs: Este livro foi cedido pela editora em parceria para resenha.

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Sinopse: Uma distopia atual, próxima dos dias de hoje, sobre empoderamento e luta feminina. O SILÊNCIO PODE SER ENSURDECEDOR #100PALAVRAS O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação. Ela não acredita que isso esteja acontecendo de verdade. Esse é só o começo... Em pouco tempo, as mulheres também são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever. Antes, cada pessoa falava em média 16 mil palavras por dia, mas agora as mulheres só têm 100 palavras para se fazer ouvir. ...mas não é o fim. Lutando por si mesma, sua filha e todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz.

Eu batalhei durante mais de 15 dias para conseguir terminar a leitura de Vox. Quando eu decidi fazer a leitura, eu já sabia que o livro poderia não ser tudo o que eu estava esperando dele, mas não passou pela minha cabeça que o enredo de Dalcher pudesse ser tão cansativo, embora levante questões muito importantes sobre feminismo e o papel da mulher na sociedade. Se você estava esperando um livro que reforçasse o empoderamento e falasse muito sobre o papel da mulher na sociedade, este não é o melhor livro.

Vale começar pela construção do universo, que é feito de maneira muito vaga pela autora. Como o livro é narrado pela nossa protagonista, Jean, e ela não é do tipo que tem uma interação mais aprofundada com outras pessoas, não sabemos exatamente o que está acontecendo no novo governo. Sabemos que as mulheres estão limitadas a 100 palavras por dia e que isso é horrível, mas não temos uma visão muito ampla de como o país ou o mundo está lidando com essa nova realidade.

“O que nossas meninas estudam agora? Um pouco de soma e subtração, ver as horas, saber contar o troco. Contar, claro. Devem aprender a contar primeiro. Até cem.”

A escrita de Dalcher muito cansativa e cheia de rodeios. Ao invés de focar no que realmente importa, como os contadores de palavras, a estrutura do governo atual e a justificativa desse governo para tomar tais medidas, ficamos imersos as reclamações da protagonista sobre o seu casamento infeliz e como ela desejava ter feito as coisas diferentes, antes de tudo aquilo acontecer. É como se a autora nunca tivesse tido a intenção de realmente falar sobre as 100 palavras, sabe?

A construção do universo, como eu mencionei, é muito vazia. Nós temos algumas informações ao longo do enredo sobre como aquilo aconteceu, mas nada é realmente mostrado pela autora. O próprio presidente e o governo em questão são mencionados algumas vezes, mas eles não se tornam personagens ativos na história – o que eu realmente estava esperando que fosse acontecer. Sem muito background político, o enredo nos deixa apenas com o sofrimento da protagonista e nada mais.

É claro que algumas cenas do livro conseguiram ilustrar muito bem a situação psicológica de algumas das mulheres. Embora Não tenhamos muita interação da protagonista com nenhuma delas, conseguimos ter algumas cenas onde a mesma presencia situações de desespero e consequências extremas para mulheres que desejam transar antes do casamento, ou simplesmente não aguentam mais aquela situação de estar limitadas à 100 palavras.

“Sabe o que acontece se você tira o ‘feminista’ de ‘feminize’? Nazi. Nazista. Prefere assim?”

Jean é uma protagonista que não ajuda muito na causa do livro. Eu conseguia criar empatia com ela em relação a situação política que ela estava sendo submetida, mas fora isso, eu não consegui me identificar com ela. A maior parte das suas preocupações não estavam relacionadas a tentar mudar a situação em que ela estava, e isso me deixou bastante frustrada. Acho que eu esperava encontrar uma mulher revolucionária, disposta a lutar pela sua liberdade e não foi isso que eu encontrei.

Eu queria ter visto mais da família da protagonista e entendido melhor se eles realmente estavam de acordo com aquela situação ou apenas não dando a devida importância ao que estava acontecendo. Talvez o livro fosse muito melhor aproveitado se narrado em terceira pessoa, onde eu conseguisse ter uma visão muito mais ampla daquela realidade e realmente me conectar com aquilo que estava acontecendo, sabe?

O enredo de Vox também não dá muito espaço para que a gente conheça e se conecte com outras personagens do livro, mas confesso que toda a situação em torno de Olivia e Julia me pareceu muito mais interessante de acompanhar do que a própria protagonista do livro. Eu sei que isso vai parece estranho, mas eu não sinto que a Jean realmente sofre, ou pelo menos a autora não conseguiu colocar as situações de forma que eu consiga sentir o sofrimento dela.

Eu tenho para mim que a ideia por trás de Vox talvez fosse muito boa, mas Dalcher não soube desenvolver ao longo do enredo. Se você pegou esse livro na estante esperando o próximo The Handmaid’s Tale, pode colocar de volta na estante, porque Vox não seja nem perto de retratar o sofrimento e a situação vivida pelas personagens de Atwood – que eu acho que é o que basicamente muitas de vocês esperam ver nesse livro.

Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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8 Comentários

  • Lorenna Caoly
    15 fev 2019

    Confesso que diante da atual conjuntura nacional eu não me vejo lendo um livro desse gênero ainda mais quando a importância e o valor da mulher e subjugado. Eu vejo a leitura como um momento de prazer é esses temas densos e pesados não me trariam o lazer que procuro.

  • Joi Cardoso
    14 fev 2019

    Talvez o que mais tenha me incomodado durante a leitura tenha sido a conclusão. No final, quem salva o dia são os homens. É uma pena, mas de qualquer maneira, as primeiras 150 páginas são interessante e conseguem retratar bem o que pode acontecer com nossa sociedade.

  • Vitória Pantielly
    10 fev 2019

    Oi Débora,
    Ah, eu estou assistindo “O conto da Aia”, e achei que o enredo tem muitas semelhanças, no caso sobre o papel da mulher na sociedade.
    É sem dúvidas muito difícil, principalmente como mulher, acompanhar um enredo desses, e pior, imaginar que muitos homens adorariam ver isso acontecer, mas sabe, acho que é uma leitura obrigatória para todos, mostra bem o lado podre do ser humano, e também, que em qualquer civilização, a corrupção existe, e dificilmente será extinta.
    Pena que você não tenha conseguido se conectar tanto com a leitura, eu vi muitas opiniões diversas sobre ele, e sinceramente, mesmo com os pontos negativos citados, quero muito ler. Realmente, um enredo tão bacana, poderia ter sido melhor aproveitado pela autora.
    Já tenho o livro, é uma das próximas leituras.
    Beijos

  • Luana Martins
    09 fev 2019

    Oi, Débora
    Li várias resenhas sobre o livro com e sem spoiler, comentários negativos e positivos. Mas sua resenha foi a mais sincera que li até agora.
    Não sabia que é uma série, a esperança que os próximos livros tenha respostas e uma personagem feminina empoderada.
    A premissa do livro é muito intrigante uma pena o foco ter sido apenas na vida de Jean.
    Espero ter oportunidade para ler e não vou criar expectativas.
    Beijos

  • Ludyanne Carvalho
    06 fev 2019

    Poxa… eu estava esperando que esse fosse um livrão sobre empoderamento e feminismo; mas desde que foi lançado, vejo comentários que me fazem acreditar que o livro não é isso tudo.
    Estou com ele aqui para ler, então não li a resenha completa por receio de pegar alguma frase que me tire uma possível surpresa.
    Mas agora vou ler sem tanta expectativa.

    Beijos

  • Alison de Jesus
    05 fev 2019

    Olá Débora!
    Depois dessa resenha meu hype para ler a obra (que estava lá em cima) despencou. Como mencionado, eu estava realmente esperando uma June 2.0 ácida e ansiosa por mudanças, mas vejo que há uma grave falha tanto na caracterização do universo, quanto da protagonista, que não convence ninguém. Talvez, assim como acontece nas páginas finais da obra magna de Atwood, haveria uma maior compreensão da história caso Dalcher acrescentasse uma nota de esclarecimento no final, nota essa capaz de pelo menos situar o leitor na distopia e inteirá-lo quanto a verdadeira reflexão proposta.
    Beijos.

  • Maira Schein
    05 fev 2019

    Acho que essa foi a primeira resenha mais negativa que li desse livro, e confesso que me deixou com ainda mais curiosidade pra saber o que eu vou achar do desenvolvimento dessa história. A premissa é realmente muito interessante e acho que isso acaba enchendo a gente de expectativas, né?

  • Angela Cunha
    05 fev 2019

    Minha leitura do momento e vou confessar que respiro aliviada nesse exato momento por não me sentir tão fora da caixinha com meus sentimentos em relação a esta leitura.
    Acho que já estou nela há uns 10 dias e não vejo como seguir. Não, não vou abandonar, mas esperava muito mais não só da personagem principal,mas também dos demais.
    Empaquei geral e não vi uma luta feminina, não chegou nem na poeira que Hand deixou e sinceramente, não entendo todo o burburinho na época do seu lançamento.
    Espero terminar ele o quanto antes, só para ficar livre..rs
    Beijo

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