romance de época
Categoria(s): romance de época

Por que os romances de época se tornaram tão populares?

por-que-os-romances-de-epoca-se-tornaram-tao-populares-destaque

Há meses eu estou ansiosa para falar do efeito Bridgerton com você. 

A adaptação da Netflix de O duque e Eu, de Julia Quinn que se tornou um grande fenômeno do streaming. Em apenas quatro semanas após sua estreia, a série teria se tornado um dos programas mais assistidos do gigante do streaming. 

De acordo com a Netflix, cerca de 63 milhões de lares mergulharam de cabeça na adaptação desse romance de época. Durante muito tempo não se falou de outra coisa a não ser o romance de Daphne e Simon Basset na internet.

Os livros que antes eram deixados de lado pelos leitores, agora estavam na lista dos mais vendidos da Amazon e, da noite para o dia, os romances de época se tornarem extremamente populares no mercado literário.

Neste artigo, e depois de uma pesquisa muito profunda sobre o assunto, você vai entender um pouco sobre porque os romances de época, de repente, se tornaram populares.

Um subgênero ambientado na regência

Romance é um dos gêneros de ficção mais lucrativos, uma indústria de bilhões de dólares com histórias cheias de brincadeiras, namoro e química latente. 

Os livros de Bridgerton representam apenas um exemplo de um subgênero extremamente popular: o romance de época. 

Algumas tropes comuns do subgênero incluem: uma heroína independente e, geralmente, a frente do seu tempo que deve lidar com regras sociais estritas, uma temporada repleta de bailes e danças, fofocas viciosas que se espalham como um incêndio e um feliz para sempre com um libertino reformado de um duque (ou visconde) — e muito sexo.

O período regencial na vida real

Na realidade, o período regencial na Inglaterra durou menos de uma década, de 1811 a 1820. 

Tudo começou quando o rei George III foi considerado louco demais para governar o Reino Unido. Seu filho, Jorge IV, foi nomeado para agir em seu lugar como regente, ou governante procurador. 

E durante esse período de nove anos, a aristocracia floresceu — foi tipo o período em que os humilhados foram exaltados, sabe?

A sociedade na moda era conhecida como le bon ton, em francês que significa “na moda”. No romance de 1841 de Catherine Gore, Cecil, um dos personagens elogia o reinado de George IV como “tempo de férias para pessoas que desejam promover a maior felicidade para o menor número”, observa o estudioso Winifred Hughes.

Como surgiu um subgênero em torno de pessoas que viviam em 1810?

Segundo as pesquisas que eu fiz, as obras de Georgette Heyer são o melhor lugar para encontrar as respostas dessa pergunta.

Heyer escreveu mais de duas dúzias de livros regências meticulosamente pesquisados, todos ambientados na era de Jane Austen, com um foco obsessivo na minúscula classe alta de Londres. 

De acordo com a estudiosa literária Diana Wallace, foi a incrível popularidade dos romances de época de Heyer que ajudou a transformar a ficção regencial em um espaço mais feminino que continua a “centralizar a subjetividade feminina, desejos e apreensões de uma forma incomum.”

O subgênero evoluiu. 

A diferença entre a forma estrita de um romance tradicional da Regência (que Heyer escreveu) e um romance histórico ambientado no período da Regência (como os livros de Bridgerton) é fácil de detectar: 

“Mais ousado, mais sexy, mais aventureiro e menos restrito, esses contos mantiveram as armadilhas do período, mas muitas vezes perderam muito do apelo central do subgênero tradicional para se encaixar no molde histórico mais amplo. ”

Romances históricos marcados pela regência podem variar de comédia espumante a suspense e erotismo. E em todas essas histórias, o momento cultural do período é um pano de fundo vital para o enredo romântico.  Das hierarquias estritas à etiqueta cuidadosa, há muito sobre o período da regência para nos manter querendo mais.

Este artigo contém alguns trechos traduzidos da fonte de pesquisa: daily.jstor.org

Gostou? Compartilhe!pinterest twitter facebook
Débora Costa

Uma intelectual contemporânea que entende a importância da convergência de mídias, telas e narrativas. Acompanhando mais séries do que deveria e não consigo fazer uma coisa de cada vez. Ainda quero escrever um romance de época um dia.

Deixe seu comentário

  1. Angela Cunha Gabriel comentou:

    Eu amei a série do Duque e Eu!!E já de ver as imagens acima, adorei!!! Os romances têm o poder de nos aquecer por dentro, de tirar o peso do mundo.
    Eu que sou a negação mesmo, mas preciso muito mudar isso!!!
    Beijo

    Angela Cunha/O Vazio na flor

  2. Ariela comentou:

    Eu tinha um certo receio em ler romance de epoca, ate como disse, romance contemporaneo é o que mais gosto de ler, mas na primeira oportunidade que dei ao genero de epoca eu gostei. Tive ressalvas, pq foi o duque e eu, sim foi com os bridgertons, e esse livro tem problemas, mas eu achei muuuito divertido e as escritas das autoras tanto da julia, como lisa sao muito gostosas de ler.
    Jane austen por exemplo, que é mais classica, eu amei a leitura, mas é diferente realmente qdo se ler alguem q viveu real na epoca. Um estranhamento gostosinho, pelo menos pra mim.

  3. Elizete da Silva comentou:

    Olá! Não é à toa que esse é meu gênero favorito de todos os tempos, ter a oportunidade de acompanhar um pouquinho dessa época é um privilégio e tanto, sem falar que as adaptações acabam trazendo vida para os nossos personagens favoritos, não tem como resistir neh!

  4. Michelle Lins de Lemos comentou:

    Apenas o meu gênero literário fav da vida!
    Conheci romance de época ao seguir Paola Akeksandra no YouTube. Ela sempre falou do gênero e especialmente de Os Bridgertons.
    Fui ler…. foi amor a primeira lida…
    Fiquei um misto de uhulll Bridgertons vai pra Netflix com aimeudeusdoceu que não estraguem a história.
    Gostei, achei as mudanças boas e necessárias.
    Fico feliz que o gênero, que sempre sofreu preconceito, tenha ganhando mais leitores