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Os costumes sociais na época da regência

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Eu sou uma completa apaixonada por romances de época, o que é novidade para 0 pessoas.

Comecei com os clássicos romances de Jane Austen, mas foi depois que Julia Quinn entrou na minha vida que eu nunca mais larguei esse gênero.

Desde 2013 foram muito livros desse gênero lidos, e muitos novos autores conhecidos. Entraram para minha estante: Lisa Kleypas, Loretta Chase, Madeline Hunter e outros nomes que hoje são muito populares entre os amantes de romances de época.

Conforme fui me inserindo cada vez mais nesse universo, percebi que alguns leitores tem uma certa dificuldade para entender como funcionava a sociedade da época.

Normalmente ambientado na Inglaterra do século XIX, os romances de época seguem uma linguagem própria, com a etiqueta exigida pela época, mas com um toque especial que cada autora busca dar aos seus personagens.

Pensando nisso, e considerando que eu pretendo falar muito do assunto durante fevereiro, eu fiz uma pequena pesquisa sobre como funcionava a sociedade da época e separei algumas informações que são relevantes para podermos entender como funcionavam as temporadas sociais, os noivados da época e principalmente os casamentos.

Vamos lá?

Uma breve ambientação da sociedade da época

Para aqueles que não estão ambientados com o universo, o casamento não era nada além do que alianças políticas e financeiras entre as famílias da época, e isso exigia da mulher certos requisitos, entre eles o dote, uma determinada quantia em dinheiro, terras, rendas ou mesmo um título de nobreza que a noiva levava consigo para o casamento e transmitia ao marido e aos filhos.

Enquanto os homens começavam a buscar por esposas após terminarem seus estudos, por volta dos 25 anos, as mulheres costumavam debutar na sociedade por volta dos 17 anos, podendo esta idade ser antecipada de acordo com a necessidade da família.

Depois de ser apresentada a sociedade, uma jovem não poderia esperar muito para noivar.

Era esperado que uma jovem ficasse noiva ainda na sua primeira temporada na sociedade. Após três anos seguidos na temporada social, a jovem começava a ser descartada como uma opção, podendo se tornar vítima de fofocas e com isso tendo uma possibilidade de casamento cada vez menor.

Caso não contraísse matrimonio até uma certa idade, a jovem era considerada uma solteirona e passava a ser considerada apenas como uma companhia adequada para outras jovens que estariam debutando.

É preciso dizer que nem todos os casamentos da época eram arranjados, ou faziam parte de um acordo comercial entre as famílias.

Naquela época a ideia do “amor romântico” estava se disseminando pela Inglaterra e, com isso, os pais começaram a levar em consideração os sentimentos dos seus filhos em relação ao seu futuro conjugue.

Como já dizia nossa querida Jane Austen:

“É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro, em posse de grande fortuna, deve estar procurando uma esposa”.

Como funcionavam os noivados e a corte

Naquela época não era permitido que um homem falasse diretamente com uma jovem à qual não tivesse sido apresentado.

Toda a negociação matrimonial partia das famílias, já que a mulher não poderia, de forma nenhuma, propor casamento. Além disso, as moças não tinham nenhum conhecimento sobre estas negociações, por uma questão de educação.

Alguns casais que já se conheciam de longa data, podiam ter um “pré-pedido”, antes que o jovem comunicasse a família da futura esposa, suas intenções de se casar com a mesma.

Quando aceito o pedido de noivado pela família da moça, o rapaz era permitido a frequentar a casa da mesma.

Logo na sua primeira visita já era marcado o jantar de noivado que, reuniria apenas as famílias dos envolvidos. Nesse jantar, o noivo oferecia a sua amada um anel de compromisso e ela dava à ele um colar com sua foto ou uma mecha do seu cabelo.

Os noivados duravam em torno de 3 semanas ou um pouco mais que isso.

Noivados muito longos levantavam suspeitas, assim como os muito curtos. Entre o noivado e o casamento, um noivo rico deveria mandar flores todos os dias à noiva e à mãe dela. Além disso, não era permitido que os noivos ficassem a sós, precisando sempre da companhia da mãe da moça ou de outra pessoa. Não eram permitidos contatos físicos e ambos deveriam aproveitar o tempo do noivado para se conhecerem melhor.

Basicamente, a mulher não tinha voz nenhuma quando se tratava da escolha do seu futuro marido, mas já que estamos falando sobre romances de época, podemos destacar que nossas autoras – citadas no início deste post – fizeram questão de empoderar o sexo feminino, criando heroínas que não se permitem casar com ninguém menos que o cara certo.

Os Bridgertons estão ai para comprovar o que eu estou dizendo.

Eu espero que este post tenha ajudado a esclarecer algumas dúvidas sobre os costumes da época, ou pelo menos despertado o interesse daqueles que ainda estão receosos em se aventurar nesses romances. E, se você tem alguma informação a acrescentar que eu esqueci de mencionar aqui, fique à vontade para colocar aqui nos comentários, certo?

Fonte de pesquisa: Destherrense

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Débora Costa

Uma intelectual contemporânea que entende a importância da convergência de mídias, telas e narrativas. Acompanhando mais séries do que deveria e não consigo fazer uma coisa de cada vez. Ainda quero escrever um romance de época um dia.

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  1. Excelente postagem, alguns autores e leitores não conseguem compreender essa ambientação e acabam se perdendo. eu gosto de romances escrito na época, pois os atuais, sempre encontramos resquícios e influência das tendencias atuais. Adorei a postagem e espero ler mais sobre a temática.

  2. Débora, como sempre você fazendo posts incríveis! O seu post foi muito informativo. Eu amo romances de época, acho incrível e já conhecia algumas coisas mencionadas no texto, mas aprendi outras que me causavam certas dúvidas! Ler esse post só despertou ainda mais o desejo de voltar a ler romances de época!

  3. Sandra comentou:

    Débora!
    Que lindo esse post!
    Eu sei que aquela época era cheia de frescuras, a mulher era uma pobre coitada que não podia viver e não tinha voz pra nada. mas ainda assim eu queria taaaaaanto ter vivido nessa época!

    Cada vez que leio um romance de época ou Jane Austen <3, fico me imaginando naquela vida.
    Ai, que inveja!

    Beijos!

    http://www.oblogdasan.com

  4. Oi Debora, tudo bem? Sou uma eterna apaixonada por romances de época e também adoro todas as autoras que você citou no post! É muito legal conhecer um pouco melhor os costumes da época, esses dias a autora Babi A. Sette publicou no seu facebook uma foto dos famosos cartões de baile, onde os cavalheiros escreviam os seus nomes reservando uma dança com as moças. Eu morro de dó quando no livro o cartão permanece vazio! Rsss! Nós suspiramos pela época, mas nem tudo são flores, né. Realmente a mulher não tinha voz ativa, não frequentava universidades ou votava, então eu acho que me irritaria um pouquinho viver naquela época! Rsss!!

    Beijos,

    Mari
    cantinhodeleituradamari.blogspot.com.br

  5. Cada vez mais tenho a plena certeza que nasci no século errado, ahahah! Minha querida Jane e logo em seguida Julia Quinn são as melhores escritoras de Época, muito amor por elas <3
    Foi muito bom você falar como acontecia naquela época, por que mtos não entende escritores como elas que retratam, claro com um toque diferente, mas não deixa de contar um pouquinho de como era antigamente! Adorei o post e ver minhas escritoras preferidas sendo citadas aqui! Beijos

    http://www.ostonsdaliberdade.com

  6. Oiiii Débora, me dê um abraço menina, adorei a postagem e como escreveu. Tenho um amor incondicional e louco por romances ou até qualquer cooisa de época!
    Beijão

  7. Olá Débora, fascinante os romances de época, todas as autoras citadas eu li, recentemente me diverti com Loretta Chase em O último dos canalhas e Julia Quinn Um Beijo inesquecível, adoro esse época, apesar de trazer tbm o lado negro de algumas histórias, foi uma época bem marcante! Adorei o seu post, aposto que muitas pessoas vão querer ler os livros.

  8. Oi Débora, sua linda, tudo bem
    Romances épicos são os meus favoritos desde que conheci Jane Austen, que se tornou minha Diva Literária. Eu gosto muito dos romances que são escritos hoje, mas acho que são diferentes, Jane é Jane!!! Adorei sua postagem, achei criativa e conseguiu me transportar para aquela época, ser mulher naquele tempo não era nada fácil.
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

  9. Oi, Débora!
    Eu também adoro romances de época e sou apaixonada pela Julia Quinn! Achei que seu post está perfeito, pois informa e tb acho que ficou um ar gostoso para cativar novos leitores. Sei que naquela época a opinião das mulheres era bem menosprezada, mas os romances escritos – quase – sempre trazem essas mocinhas maravilhosas que você comentou e, isso, pra mim é o ponto mais alto do gênero.
    Beijos <3

  10. Oie,

    Eu como uma fã de romance histórico amei o seu post! Quando iniciei minhas leituras históricas eu não tinha muita noção do que estava se passando, mas com o passar dos livros fui me encontrando na leitura, é um ótimo post para quem está iniciando agora a leitura desses livros maravilhosos.

    Bjs
    Mayla

  11. Carol comentou:

    Oi Débora!
    Que demais esse post! Também sou super fã de romances de época. Desde que virei uma leitora assídua, uma das minhas autoras preferidas sempre foi a Meg Cabot, escrevendo sob o pseudônimo da Patricia. Depois que conheci esse gênero virei fã! E esse post é muito interessante para pensarmos nas diferenças dos costumes entre antes e agora. Não só para os livros, mas também para entender filmes, séries… Não é mesmo? Adorei!
    Beijos
    Carol
    http://www.sobrevicioselivros.com

  12. Hey,
    Amei o post. Já faz algum tempo que estou com saudades desse mundo dos romances de época e esse seu post me deu mais vontade ainda de mergulhar em um bom livro. Adoro as heroínas desse tipo de romance, pois é como você disse: as autoras sempre empoderam as personagens. E é ótimo ver como essas garotas desafiavam uma época que as ignorava tão completamente. Definitivamente tenho que voltar a ler romances de época.
    Beijos,
    Dois Dedos de Prosa

  13. Oi!
    Ótimo post! Minha leitura atual é Os Segredos de Colin Bridgerton. Julia Quinn me fez virar fã desse gênero e sempre que possível leio algo a respeito 🙂
    Beijos

  14. Erika comentou:

    Oi Débora, tudo bem? Que interessante sua pesquisa. Acredita que eu também tenho lido muito a respeito dos costumes dessa época, e um pouco antes também, como a idade média, revolução francesa, e como era a Europa no decorrer da história. Por exemplo, uma mulher que era mãe solteira precisava usar um manto amarelo, isso era sinal para os homens não se aproximarem dela, ela não “servia mais”. Interessante não é? Beijos, Érika

    http://www.queroseralice.com.br

  15. Oie
    olha, confesso que nao sou fã do gênero, especialmente para livros, li poucos e até que gostei mas não é algo que tenha vontade de ler mais, porém já vi alguns filmes e amei, principalmente Orgulho e Preconceito que quero muito ler

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

  16. dnisin comentou:

    Oi Débora,

    Adorei seu post! Quando a gente lê muito romance de época começa a pegar esses detalhes. Adoro esse gênero, é um dos meus favoritos. <3

    Bjs, @dnisin
    http://www.sejacult.com.br

  17. Olá Débora,
    Sou escritora de romance de época e fiquei encantada com o seu relato sobre os costumes abordados neste estilo literário.
    É exatamente assim!
    O que mais amo é a questão do empoderamento das mulheres, que se permitem revolucionar e terem opinião própria, principalmente em relação às suas escolhas amorosas.
    Parabéns!
    Bjs,
    Adriana Manduco
    Escritora Romancista