Séries & TV 22jan • 2019

O Último Magnata explora a indústria do cinema nos anos 30

Eu sei que eu sempre enrolo para trazer novas séries e filmes para vocês, mas eu acho muito mais fácil falar sobre adaptações que realmente me encantaram ou que, pelo menos, me impactaram de alguma forma. Depois de dias assistindo The Marvelous Mrs. Maisel, eu não estava pronta para sair da minha conta da Amazon Prime e cair direto nas séries contemporâneas da Netflix e, foi assim que eu resolvi dar uma chance para O Último Magnata (The Last Tycoon).

O Último Magnata se passa nos anos 30, sendo a adaptação do livro de mesmo nome de F. Scott Fitzgerald que, conta a história de Monroe Stahr (Matt Bomer), personagem inspirado em Irving Thalberg, lenda de Hollywood, e toda a sua trajetória na indústria do cinema, incluindo a sua relação turbulenta com Pat Brady, seu chefe e também mentor.

Honestamente? Não foi exatamente isso que me prendeu até o último episódio, embora os embates entre Brady e Stahr sejam muito interessantes. O fato é que O Último Magnata é palco para diversas criticas sobre uma época em que o mundo ainda era dominado pelos alemães e as classes mais baixas precisavam lutar pelos seus direitos para ter condições melhores de trabalho. Além disso, O Último Magnata reforça muito a importância do feminismo e como as mulheres da época eram desvalorizadas.

Matt Bomer me surpreendeu demais no papel de Monroe Stahr, sério. Eu demorei pelo menos uns quatro episódios para perceber que ele era o Ken de Magic Mike, o que pra mim foi uma experiencia maravilhosa, já que ele conseguiu entregar muito bem tudo o que o personagem pedia dele. Eu gostei demais da forma como ele conseguiu elevar o desenvolvimento do protagonista, levando ele de um cara de negócios para um personagem mais humano.

Mas a surpresa dessa série mesmo está na atuação de Lily Collins como Celia Brady, uma personagem que começa como a “filha do patrão”, mimada e cheia de vontades que, por ironia do destino, acaba descobrindo que a vida não é exatamente o conto de fadas que ela imaginava e que se ela queria ser levada a sério como profissional, teria que começar debaixo e provar o seu valor.

Eu gosto muito da forma como ela aprende a lidar com o preconceito por ela ser mulher, jovem e ainda filha do dono do estúdio. Os abusos que ela sofre são constantes e nenhum personagem masculino perde a oportunidade de reduzi-la a uma “menina de 19 anos”, mesmo ela provando dia a pós dia que ela tem talento e força de vontade para estar ali tanto quanto qualquer outra pessoa. Eu adorei a forma como ela aprendeu a lidar com esse tipo de situação e a se impor como a profissional que ela era.

Brady American é palco para diversas críticas sociais. Nós temos Pat Brady como um milionário egocêntrico que só quer saber do seu nome estampado em todos os jornais, não importando que ele tenha que vender a própria família para isso. Nós temos os funcionários do estúdio que precisam lutar todos os dias para garantir os seus direitos e sobreviver a condições de trabalhos abusivas e nós temos Kathleen, a protagonista da maior mentira já contada na história do cinema – mas eu não posso dar spoiler sobre isso, sorry.

A fotografia da série ficou sensacional, entregando o contraste entre a ideia do luxo e a realidade que a série pedia. A atmosfera dos episódios é simplesmente sensacional e eu realmente gostei da forma que o enredo foi desenvolvendo até o último episódio, não deixando espaço para que a curiosidade do espectador em saber o que iria acontecer a seguir desaparecesse de um episódio para o outro.

Mas agora temos a má notícia, porque nem tudo que é bom dura, não é mesmo? Infelizmente, O Último Magnata foi cancelada ainda na sua semana de estreia, entregando apenas a sua primeira temporada, com 9 episódios. Apesar disso, a série ainda é uma boa escolha para aqueles que adoram dramas de época e querem conhecer um pouco do cinema daquela época.

Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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9 Comentários

  • Lara Caroline
    31 jan 2019

    Olá.
    Não tnha ouvido falar da série ainda, e pra falar a verdade não estou assistindo muitas séries ultimamente, mas me interessei pelos assuntos abordados a trama e por Lily Collins, claro.
    Quero conhecer.
    Beijos

  • Nil Macedo
    27 jan 2019

    Não sou muito de assistir séries. As poucos que tenho assistido tem um genero completamente diferente dessa série. Aliás, filmes, novelas, série de época não me animam muito a assistir.
    Bom, mas essa série parece ter sido muito bem produzida. Uma pena que tenha sido cancelada.

  • Aline Bechi
    26 jan 2019

    Olá, tudo bem?
    Confesso que gosto mais de séries contemporâneas, mas tenho certeza que é uma ótima indicação para quem gosta de séries que se passam em outra época.
    Algo com bom enredo e atuações excelentes são sempre uma boa opção.

    Beijos

  • Luana Martins
    23 jan 2019

    Oi, Débora
    Adoro séries, mas ainda não sabia dessa. Uma pena cancelar a segunda temporada, pelo trailer e sua resenha me pareceu bem interessante.
    Obrigada pela dica, beijos!

  • Alison de Jesus
    23 jan 2019

    Olá ´Débora!
    Gosto muito de filmes com aquela pegada de “por trás da indústria hollywoodiana” e esse série limitada parece estar irresistível mesmo, ainda mais com um elenco talentoso e diversificado como esse. Ao ver as imagens da produção achei que se tratava da uma série do Prime Video (Amazon maior e melhor) e eis o meu choque quando vejo que a Netflix é capaz de fazer algo de qualidade (que não envolva drama adolescente). Esses aspectos sociais que são retratados ao longos dos episódios são o ponto alto do show, em especial a questão da inferiorização feminina presente na década de 30.
    Beijos.

  • Maira Schein
    23 jan 2019

    Eu vivo assistindo séries mas não conhecia essa. Já amei pelo simples fato de ter a Lily Collins maravilhosa no elenco! Mesmo tendo sido cancelada acho que vou assistir porque realmente amo essa atmosfera dos anos 20 e 30!

  • Angela Cunha
    23 jan 2019

    Sou fanática por séries, apesar de estar meio parada no momento(só vendo Demolidor,3) por conta dos filmes do Oscar..rs
    Estou arduamente tentando ver todos que já saíram. É uma das épocas do ano que mais gosto.
    Bem, já tinha dado uma olhada nesta série, até por trazer o cancelamento tão inesperado,mas como minha fila estava(está) enorme, deixei ela meio na gaveta.
    Em breve, poderei me dedicar mais e me jogar nela. Amo o gênero e esta época é fascinante!!!
    Beijo

  • Sara Saan
    23 jan 2019

    O fato de ter a Lily Collins no elenco já faz o interesse em assistir aumentar bastante. Principalmente sabendo que se trata de uma série que relata diversos assuntos da sociedade daquela época. E o pior é saber que mesmo hoje, as mulheres ainda sofrem o mesmo tipo de preconceito, mesmo tendo “mudado” em relação ao que era antes. Vou adicionar a listinha gigantesca de *Para assistir*.

  • Ycaro Santana
    22 jan 2019

    Uma curiosidade para mim foi descobrir a Amazon Prime, um serviço de streaming que não conhecia. Sobre a série, gostei bastante de O Último Magnata – antes pensava o contrário -, mas a série me surpreendeu com bastantes críticas de uma época tão limitada para as minorias, isso foi o que mais me conquistou. Além da participação da Lily Collins – que amo!

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