Séries & TV 29Maio • 2020

Sweet Magnolias é tudo o que eu precisava na Netflix

Doces Magnólias (Sweet Magnolias) é um sopro de ar fresco no catálogo da Netflix, considerando a quantidade de séries adolescentes ruins que o streaming vem lançando atualmente. Tudo bem, não é uma série que vai ganhar muito destaque mas, em período de pandemia, um enredo com um pouco de drama, humor e romance é tudo o que a gente precisava.

Baseada nos livros da coleção “Sweet Magnolias” de Sherryl Woods, a série pode não contar com uma super produção, mas garanto que o enredo e as nossas protagonistas compensam em todos os aspectos.

O tom simples da série acaba sendo o seu ponto forte. Menos, às vezes é mais, não é verdade? Quem não gosta dos dramas de cidade pequena do interior, não é mesmo? Se você gostou de Gilmore Girls e Virgin River, vai gostar muito de Doces Magnólias.

A série começa em uma pequena cidade chamada Serenity, na Carolina do Sul, onde todo mundo conhece absolutamente todo mundo. Ou seja, é aquela cidade onde todo mundo sabe da vida de todo mundo e a fofoca rola solta. Nossas protagonistas são Maddie (Joanna Garcia Swisher), Dana Sue (Brooke Elliott) e Helen (Heather Headley), o trio que vai liderar os dramas desta pequena cidade e nos envolver em suas próprias histórias.

Amigas de longa data, elas são o suporte emocional uma da outra. Enquanto Maddie está passando por um divórcio difícil, Dana Sue está tendo dificuldades com o seu restaurante e Helen está tentando formar sua família, elas acabam sendo o porto seguro umas das outras, dividindo os problemas e somando as conquistas.

Doces Magnólias não traz grandes eventos e nem problemas que deixam a gente arrepiado. A série tem um tom mais leve, cotidiano. Acompanhamos nossas protagonistas explorando seus pontos fortes, lidando com os seus pontos fracos e tentando construir (ou reconstruir) suas vidas da melhor maneira possível.

E é isso que mais me encantou em todos os episódios.

Eu acho que depois de encarar tantas séries com enredos complexos e plots diferentes, foi bom demais encontrar uma série mais “comum”, com um tom mais tranquilo e que falasse de problemas ordinários como términos de relacionamento, paixões antigas e recomeços. Por mais que sejam três protagonistas completamente diferentes, não tem como você não se identificar um pouco com cada uma delas.

Maddie, por exemplo, é uma ex-dona de cada, recém divorciada tentando encontrar a melhor maneira de reconstruir a própria vida. Eu gosto como ela é a mais serena das três, tentando lidar com a situação da forma mais racional possível e sempre colocando o bem estar emocional dos filhos em primeiro lugar – ao contrário do ex-marido, que é um babaca e nos dá todos os motivos para odiá-lo do começo ao fim.

Helen, por outro lado, é o empoderamento feminino incorporado. Eu acho incrível a forma como ela enfrenta os problemas de frente, sem abaixar a cabeça. Honestamente? Queria ser ela na vida, tá? Para mim, ela é o ponto de inspiração da série, ela encontra o melhor de cada personagem e os ajuda a explorar isso. É uma mulher simplesmente incrível.

E Dana Sue, eu não sabia que estava com saudade da Brooke Elliott atuando até vê-la nesta série. Acho muito importante vê-la em uma posição de poder que é tipicamente masculina e gosto do tom que ela traz para a história, mostrando todas as nuances de uma mulher num cargo de liderança e como ela pode ser facilmente taxada de autoritária – até mesmo por outra mulher.

Os arcos secundários da série também são interessantes. O romance adolescente de Ty e Annie me prendeu do começo ao fim. Torci muito para que acontecesse algo entre eles e me envolvi demais com os vários caminhos que este arco poderia tomar dentro da história.

Um ponto que me chamou muita atenção nessa série é que os romances são uma parte importante da história, mas não chegam a roubar o protagonismo. Por mais que a gente se envolva e torça por um final feliz, por um beijo ou por qualquer outra coisa, ainda assim, o que mais importa é o emocional das protagonistas e o caminho que elas vão seguir até o último episódio.

Em tempos de isolamento social e muito tempo livre para explorar os streamings, encontrar uma série como Doces Magnólias me deu um certo alívio. Por mais que eu goste de enredos complexos e super produções, às vezes assistir algo simples traz aquela calma e relaxamento que estava faltando nesse período tão conturbado, não é mesmo?

Débora Costa ver todos os artigos
Uma intelectual contemporânea que entende a importância da convergência de mídias, telas e narrativas. Acompanhando mais séries do que deveria e não consigo fazer uma coisa de cada vez. Ainda quero escrever um romance de época um dia.

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2 Comentários

  • Michelle Lins de Lemos
    30 Maio 2020

    Nada como uma série leve pra esses tempos mais difíceis não é?
    Sou fã da Joanna e da Brooke
    Vou tentar assistir a série

  • Angela Cunha
    30 Maio 2020

    Concordo com tudo que você escreveu acima. Em tempos caóticos, fica tão difícil encontrar algo mais leve e sem grandes motivações para só se dar o luxo de ficar sentada no sofá curtindo.
    Anda sando uma gama de séries e filmes juvenis, que dá desânimo. Tá, eu gosto de ver também. Mas é preciso sim, sair da mesmice as vezes.
    Ainda não conhecia a série, mas já vou atrás agora!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

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