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Resenhas 25set • 2017

À Primeira Vista, por David Levithan e Nina LaCour

Sabe quando você gosta de um livro, mas não tanto assim? Quando você se divertiu lendo, mas o livro não desencadeou nenhuma emoção forte ou sentimento profundo em você? Então, essa foi a minha experiencia lendo Á Primeira Vista. E isso me surpreendeu porque eu geralmente gosto muito dos livros do David Levithan, e gostei muito do que já li da Nina LaCour, então eu realmente achei que teria uma opinião mais forte sobre esse livro. Mas essa foi uma situação em que, desde o momento em que eu conclui a leitura, eu não voltei a pensar na história do livro.

À Primeira Vista segue dois adolescentes, Kate e Mark. Apesar de serem colegas de classe por um ano inteiro, a primeira vez que os dois se falam é dentro de uma boate gay, quando os dois estão passando por um momento difícil. Kate está fugindo da chance de conhecer a garota por quem ela mantém uma paixão à distância, e Mark está apaixonado pelo seu melhor amigo Ryan, que parece não sentir o mesmo. Quando se encontram na loucura da semana do orgulho gay em São Francisco, eles decidem se tornarem amigos.

A escrita desse livro é realmente boa, e eu não esperava nada menos do David Levithan e da Nina LaCour. O livro segue aquela formula parecida com outros livros do Levithan, em que ele escreve os capítulos do ponto de vista do Mark e a Nina LaCour escreve os capítulos da Kate. Os dois são ótimos escritores então todo o conteúdo emocional do livro é bastante efetivo. O nervosismo da Kate em relação a Violet, a garota que ela gosta, e a ansiedade que ela tem sobre o futuro, a angústia no Mark em relação ao Ryan, tudo isso é muito bem passado pela narração e pelos diálogos.

Outra coisa que eu gostei no livro é a forma que a amizade entre a Kate e o Mark acontece. Os dois se encontram em uma noite meio caótica e decidem que já que os amigos deles não estão sendo muito amigos no momento, talvez seja melhor eles se juntarem. As interações dos dois no livro são bem divertidos, e você realmente acredita que eles se gostem de verdade. Eles se aconselham, se apoiam um no outro, e no geral, agem como amigos de verdade devem agir. O relacionamento dos dois contribui muito para que essa seja uma leitura muito agradável.

Mas esse é o problema do livro. Ele é agradável, só isso. Nada acontece nele que fica muito marcado na memória depois de concluída a leitura. Apesar de ser bem divertido, o livro não tem aquela carga emocional que os outros livros do Levithan, como Garoto Encontra Garoto ou Will e Will tem. Ele me lembra aqueles filmes que passam durante a tarde; você vai assistindo e se divertindo, mas quando o filme acaba, você não lembra quase nada que aconteceu nele.

Outra coisa que me incomodou um pouco é o fato de que o Mark não ter um subplot. A história da Kate é movida por dois pontos, o nervosismo dela com a Violet e o medo que ela tem sobre o futuro dela, e os dois são basicamente dois lados do conflito que ela precisa resolver. O Mark só tem um plotline no livro, o relacionamento dele com o Ryan. Só isso. Teria sido legal ter visto ele passando por alguma outra coisa que não fosse um amor não correspondido, acrescentar uma outra camada para o personagem dele.

Além disso, a história do livro é um pouco fantasiosa demais pro meu gosto. Eu não vou entrar em detalhes pra não dar spoiler pra ninguém, mas em alguns momentos do livro, eu me vi falando “de jeito nenhum que isso aconteceria na vida real”. É claro que a gente espera um pouco de fantasia nos livros, afinal a suspensão de descrença faz parte da maior parte das leituras, mas não de um jeito que te tira da história. Parece que algumas partes da história se desenrolam fácil demais e isso meio que acaba com o ritmo do livro.

À Primeira Vista é uma leitura, e me doí usar essa palavra, mediana. Apesar de gostar dos personagens, e da escrita ser tão boa quanto eu já estou acostumado com o David Levithan e a Nina LaCour, o livro simplesmente não é único o bastante para se destacar entre tantos outros YA contemporâneos. Além disso, o livro tem problemas em relação ao realismo da história, e o fato de que o Mark é meio raso como personagem. No mais, À Primeira Vista é um livro ok. Nem ótimo, nem ruim. Só ok.

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