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01 mar, 2016

A Rainha Vermelha, por Victoria Aveyard

Quando A Rainha Vermelha foi lançado, eu estava completamente obcecada por esse livro. Não era minha culpa, juro. Todos os canais e blogs que eu acompanho estavam falando maravilhas sobre o enredo, e mesmo com um pouco de medo de não ser tudo o que eu estava esperando, eu acabei comprando o livro. Demorei um pouco para ler, confesso. Eu queria ler num momento em que eu não estivesse me sentindo tão “influenciada” a gostar do enredo, entendem? Para que eu conseguisse criar minha própria opinião do livro, sem me deixar levar muito pelo o que estavam comentando. E eu nunca acertei tanto ao fazer isso.

A Rainha Vermelha é uma distopia Young Adult onde a sociedade é dividia entre pessoas de sangue vermelho e pessoas de sangue prateado. Os prateados, por terem certas habilidades especiais, dominam os vermelhos, obrigando-os a servi-los de acordo com as regras impostas.  Uma destas regras impõe que os vermelhos que completarem uma determinada idade e não tiverem uma ocupação, serão obrigados a servir ao seu país na guerra. É assim que conhecemos a jovem Mare Barrow que está prestes a ser convocada para servir ao exército prateado como seus irmãos.

A Rainha Vermelha

Mare acredita que não há esperança para ela, até que, de uma hora para outra, seu destino muda completamente e ela se vê como uma criada da família real prateada. Cercada por pessoas que ela abomina, Mare acaba descobrindo que – assim como os prateados – ela também tem as habilidades que fazem dos prateados diferentes. Para que as pessoas não descubram a verdade sobre a origem de Mare, os prateados a declaram uma princesa pedida, criada por vermelhos sem saber sua verdadeira identidade. Mesmo sabendo que qualquer deslize pode causar a sua morte, Mare decide se arriscar para ajudar a resistência conhecida como “Guarda Vermelha” a destruir de vez o governo dos prateados.

Tudo parece muito lindo e maravilhoso quando você lê a sinopse de A Rainha Vermelha, mas o livro em si não é tão surpreendente quando promete ser. O livro é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista da Mare que, apesar de tentar, não é uma personagem tão interessante assim – mas, calma, eu vou chegar nessa parte, certo? Meu primeiro incomodo com A Rainha Vermelha foram os prateados que, na minha concepção, são a versão da autora para o que conhecemos como X-Men. Basicamente, dá para explicar o enredo de A Rainha Vermelha dizendo que os X-Men dominaram o mundo e escravizaram os humanos normais, ou algo do tipo.  Não é muito criativo se a gente parar para pensar, não é mesmo?

A Rainha Vermelha

E então temos Mare, que é a mais nova versão da Katniss, só que sem nenhuma qualidade inspiradora ou características que te faça pensar nela como heroína da história. Mare é uma personagem tão fora do lugar que, sempre que ela acha que está fazendo alguma coisa muito esperta, na verdade ela está estragando tudo e colocando a vida de todo mundo em risco. E não satisfeita, ela ainda resolve engatar em um triangulo amoroso com dois prateados, e isso me faz perguntar: Se você não gosta de prateados, porque está se envolvendo com eles, moça?! O romance entre ela e Cal, que por um acaso é o príncipe herdeiro dos prateados – porque tinha que ser um príncipe, não é mesmo? – tira completamente o foco da personagem das preocupações que ela deveria estar tendo, tipo com o povo dela sendo massacrado e coisa e tal. Katniss ficaria decepcionada com esta pessoa.

O enredo de A Rainha Vermelha, em si, não é ruim, mas também não é tudo isso que eu andei lendo na internet durante os últimos meses. A história flui, mas os personagens não têm nada que nós já não vimos em outros enredos do gênero. Não houve nenhum acontecimento, do início ao final do livro que eu não conseguisse prever. E mesmo os diálogos, que são uma parte importante para manter o leitor interessado no livro, não me convenceram. Até agora eu não consegui entender qual a necessidade que ela tinha de colocar um triangulo amoroso para “tentar deixar o livro mais interessante”, quando ela tinha uma revolução acontecendo, uma guerra, pessoas morrendo e gente com habilidade de ler mentes. Sério, o que pode ser mais interessante que isso?

A Rainha Vermelha

Os personagens não fazem sentido e são completamente clichês dentro do livro. Nós temos o Cal, que é lindo, maravilho, quase perfeito e herdeiro do trono. Nós temos Evangeline que é a “prometida” do Cal, com uma personalidade agressiva e que, sem motivo nenhum, resolve ficar implicando com a Mare como se ela fosse a Regina George de Meninas Malvadas – até agora eu não entendi qual é dessa garota nesse livro, sério! Nós temos o Maven, que é o irmão mais novo do Cal, com aquela personalidade de pobre coitado, sofrido, filho que se sente rejeitado pelo pai, e o nosso outro pedaço do triangulo amoroso da história. E é isso. Ah, nós também temos a mãe do Maven que é uma mulher mal-amada, revoltada e que quer fazer da vida da Mare um inferno enquanto ela tenta se fazer de interessante na história. Claro, nós temos outros personagens, mas nenhum que realmente acrescente alguma coisa ao enredo ou que deixe o livro mais interessante.

O romance de A Rainha Vermelha é completamente desnecessário, como eu já tinha mencionado. Logo quando Cal e Mare se aproximam, fica meio óbvio que a autora vai tentar forçar o leitor a querer que os dois fiquem juntos, mas isso não foi o suficiente para mim. Ambos acreditam em coisas diferentes, tem visões diferente e, sendo bem sincera, eu acho que o Cal é muito mais interessante do que a Mare e ele não deveria ficar com ela porque ela não consegue, de forma alguma, se igualar a ele na forma de pensar. Ele é estratégico, ela é uma maria vai com as outras que se deixa levar por qualquer um que tenha uma história de fragilidade convincente. É isso aí!

A Rainha Vermelha

Eu não vou mentir, consigo entender perfeitamente o porquê de as pessoas falarem tão bem desse enredo. Se eu não estivesse numa fase onde eu quero, desesperadamente, ser surpreendida, provavelmente eu não ia ligar para as falhas do enredo, para os personagens sem graça e nem para essa coisa de X-Men que rola nesse livro. Mas eu também não posso negar que foi bem decepcionante ler um livro que não me apresentou nada de novo, nada que eu já não tenha visto em outro livro. Normalmente distopias fazem alguma crítica social, alguma coisa que impacta o leitor, e eu não consegui ver isso em A Rainha Vermelha.

Talvez o que tenha estragado o livro foi o fato de eu estar esperando algo que não foi entregue, eu não sei. Eu queria um livro que me deixasse de queixo caído, que me fizesse devorá-lo em 24 horas ou que pelo menos me despertasse o desejo de ler o segundo volume. E não foi isso que aconteceu. A Rainha Vermelha para mim foi uma leitura de passar o tempo, com umas aventuras aqui e ali, mas sem grande impacto literário, e acho que se você é um leitor que realmente quer terminar uma leitura com o coração na mão e aquela ressaca literária gostosa, talvez esse não seja o livro pra você.