Posts arquivados em: Tag: Autopublicação

Clube Nacional 12mar • 2018

Guss de Lucca conta sua experiência com a autopublicação

Dando continuidade ao nosso projeto do Clube Nacional, eu achei que seria interessante trazer para vocês o ponto de vista de alguns autores nacionais que passaram pela publicação editorial, seja esta via contrato com um selo, publicação comercial ou mesmo a tão temida publicação independente.

Como blogueira, eu achei a abordagem do Guss simplesmente sensacional. Ele fez um investimento muito bom na qualidade do seu livro, criando um material de divulgação muito assertivo e sabendo exatamente quais blogs e canais de divulgação procurar para fazer com que o seu livro chegue ao seu público leitor.

A convite do La Oliphant, eu pedi que o Guss escrevesse um post colaborativo para o Clube Nacional, contando como foi a sua experiência como autor independente e como ele se organizou para conseguir colocar em prática todas as suas ideias. Leia mais

Resenhas 27ago • 2014

A Herdeira do Mar, por Ize Chi Kiohaan

A Herdeira do Mar é uma autopublicação da autora Ize Chi Kiohaan, publicado no Brasil em 2013. O livro narra a história de Cordélia, uma jovem que, ao fazer dezoito anos, descobre ser uma sereia e também herdeira do trono de Atlântida. Com seu mundo virando de cabeça para baixo, Cordélia precisa aprender a lidar com as novas mudanças e com os sentimentos que nutre pelo seu guardião, Morgan.
Quando Cordélia muda para a praia de Tamarama com seu pai, ela acredita que esta é a sua chance de recomeçar e finalmente aproveitar um pouco da sua adolescencia. Devido as constantes mudanças e sempre para cidades distantes do mar, a jovem nunca se apegou as pessoas que conhecia, muito menos se permitia ter um namorado. Agora, com seu pai sendo CEO de uma empresa, ela finalmente via a oportunidade de criar raízes em um lugar, mas principalmente, poder ficar perto do mar.

A jovem se adapta bem as mudanças, faz novos amigos e até encontra um possível namorado. Porém, quando Cordélia acha que sua vida está do jeito que ela sempre quis, ela conhece Morgan, um rapaz misterosamente lindo que faz com que o seu mundo vire de cabeça para baixo. Morgan revela a Cordélia que ela na verdade é uma sereia, e não só isso, ela é uma das descendentes de Poseidon e herdeira do trono de Atlântida. Com todas essas informações, Cordélia precisa reorganizar a sua vida e descobrir como lidar com o fato de que ficar na superfície não é uma opção, além dos sentimentos que nutre por seu guardião.

“Estava entre os braços dele. Ele a havia salvo. Tão rápido que nem havia conseguido reagir, ele correu em sua direção e arratou-a para a calçada, antes que o ônibus a acertasse. Seus joelhos ainda estavam fracos, e tinha a impressão de que desabaria no chão, mas sabia que precisava se afastar dele.”

Cordélia é uma personagem que foi me ganhando aos poucos. Logo no começo do livro, pensei que não fosse gostar da personalidade dela, mas conforme a história foi se desenvolvendo e todos os elementos foram sendo revelados, achei que ela foi desenvolvendo uma personalidade muito madura em relação a situação. Ao invés de entrar em estado de negação – ou pânico – ao fato de ser uma sereia, Cordélia tentou entender a situação, e encontrar pontos em comum que pudessem ajudá-la a lidar melhor com a situação.

“Aquela história inteira de ser sereia talvez fosse verdade, mas não mudava o fato de que tinha uma vida como humana, e um namorado para comprovar.”

O personagem que mais me encantou foi Morgan. Mesmo com todo aquele jeito distante de tratar Cordélia, aparentando estar disposto a ser apenas o guardião nunca me enganou. É um personagem com uma personalidade marcante, que te passa a sensação de segurança durante os diálogos em que está presente e sua postura durante os acontecimentos do livro, mostram um personagem que vem sendo desenvolvido desde a sua infância.

Uma das coisas mais gostosas durante a leitura, foi sentir a sintônia entre os personagens principais logo quando os dois se encontram nos primeiros capítulos do livro.  A maneira como o romance se desenvolve faz com que você torça para que os dois fiquem juntos assim que se conhecem. Preciso confessar que nunca fui a favor do relacionamento de Cordélia e Josh, mas uma das poucas coisas que me incomodaram no livro foi a certa demora para a Cordélia decidir que aquele relacionamento não era mais o que ela queria – principalmente porque os sentimentos pelo Morgan estavam muito explícitos, e essa dúvida ou insegurança acabou entrando em contradição com a personalidade madura que ela aparentou ter desde o começo do livro.

“Não, não apaixonar. Ela não estava apaixonada por Morgan, e nem estaria. Era só uma atração passageira, uma sensação de deslumbre com o que ainda não estava acostumada.”

A narrativa em terceira pessoa é outro ponto que eu quero destacar sobre o livro. É costume que livros desta temática sejam narrados em primeira pessoa, porém, o grande diferencial de A Herdeira do Mar e um dos motivos de eu ter gostado tanto deste livro é que, a narrativa em terceira pessoa da Ize, me permitiu ter uma visão ampla e completa do universo que ela estava me apresentando, e com isso eu consegui me sentir parte do enredo.

Por fim, A Herdeira do Mar é um livro completamente diferente do que eu esperava. Meu maior medo era de como a autora encaixaria a mitologia no enredo da história, mas Ize conseguiu que todos os detalhes se encaixassem perfeitamente, dando ao leitor um enredo completo e sem pontas soltas. Tudo no universo de A Herdeira do Mar tem um sentido, uma explicação, algo que eu prezo demais em uma leitura.

Para aqueles que estão procurando por algo diferente, é certo que A Herdeira do Mar vai te agradar, seja pelo romance ou pela mitologia.

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