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Resenhas 27jan • 2018

O Clube de Escrita de Jane Austen, por Rebecca Smith

O Clube de Escrita de Jane Austen é um livro escrito por Rebecca Smith e lançado em 2017 pela editora Bertrand. Mais do que um livro sobre a arte de escrever, é também uma incursão na obra de Jane Austen. Todo seu conteúdo é baseado em cartas, anotações e livros da autora mais aclamada da língua inglesa. Jane Austen viveu e escreveu seus romances no século XIX, a qualidade deles é tanta que permanecem atuais até hoje.

Rebecca Smith é sobrinha neta de quinto grau de Jane Austen, o que não é grande coisa se for levar em conta que a autora teve 33 sobrinhos ao todo, toda essa gente gerou milhares de descendentes de Austen pelo Reino Unido, mas Rebecca seguiu um caminho diferente. Graduada em Southampton e ainda residente da cidade, Rebecca cresceu rodeada de fotografias dos antepassados e pela mesma paisagem que sua tia-avó apreciou durante vários anos. Nos anos de 2009 a 2010 ela foi residente na Casa Museu de Jane Austen, lá ela trabalhou com afinco relendo as obras da autora, suas correspondências e trabalhando com voluntários e visitantes. Enquanto promovia oficinas de literatura, ela escrevia seu quinto livro. Toda essa aura inspirou a escritora a reunir muito do que aprendeu ao estudar a obra de Jane Austen em um livro regado de amor.

O Clube funciona como uma espécie de guia, Rebecca junta trechos de algumas cartas que Jane trocava com aspirantes a escritor, é inspirador ver o quanto a autora era solicita em ajudar os jovens. A maioria deles era composta por sobrinhos e parentes. Claro que Jane Austen não só elogiava. Diversas vezes a autora foi bem crua em dizer o que estava errado e o que era necessário cortar. Infelizmente, muitos dos livros citados nas cartas nunca saíram do seio familiar, mas pelos comentários das irmãs Austen pareciam ser bons livros.

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Resenhas 08nov • 2017

Carbono Alterado, por Richard Morgan

O hype é uma coisa muito filha da mãe, não é? Você escuta tanto sobre um livro, lê tantas críticas falando que ele é a coisa mais maravilhosa que existe, e quando você pega pra ler… descobre que o livro é “legal” – não chega a ser ruim, mas não chega perto de toda aquela expectativa que você construiu. Foi exatamente isso que aconteceu comigo nessa leitura de Carbono Alterado. Eu vinha ouvindo falar tanto nesse livro, principalmente depois que foi anunciado que ele vai ganhar uma adaptação na Netflix, que acabei me decepcionando quando a leitura foi boa, mas não foi tudo o que me tinha sido prometido. E vamos deixar claro desde o início: Carbono Alterado é bom. Mas é só isso mesmo. E isso não seria um problema, se não fosse pelo fato de que o livro me foi vendido como um novo clássico de ficção científica.

Carbono Alterado se passa em um futuro em que os humanos descobriram um método para armazenarem suas consciências em chips de computador. Quando a pessoa morre, o chip dela é simplesmente transferido para um novo corpo. Takeshi Novacs, um ex-militar de elite, é trazido para a terra para solucionar o assassinato do milionário Laurent Bancroft. O que Kovacs não imagina é que essa investigação vai lança-lo no centro de uma conspiração perversa até para os padrões de uma sociedade que trata a existência humana como um produto a ser comercializado.

A primeira coisa me me incomodou um pouco com o livro foi a quantidade de world building. É claro que a gente já espera muita world building de um livro de ficção científica, já que ele precisa explicar exatamente como funciona o universo em que a história se passa. Mas Carbono Alterado tem tanta world building que a leitura chega a ficar maçante. Em alguns momentos do livro, eu tive a sensação de estar lendo por um bom tempo, mas quando fui ver, só tinha passado por algumas páginas. E ainda assim, eu não tenho certeza que entendi direito como o mundo de Carbono alterado funciona (Apesar de que isso pode ser porque eu não sou lá a bolacha mais inteligente do pacote, né). As partes em que o livro precisa parar para explicar os detalhes do mundo foram as partes mais chatas da história.

“Kadmin tinha se libertado das percepções convencionais do físico. Numa era anterior, ele teria sido um xamã; aqui, os séculos de tecnologia o haviam transformado em algo mais. Um demônio eletrônico, um espírito maligno que habitava o carbono alterado e emergia apenas para possuir carne e semear o caos. ”

Por outro lado, as cenas de ação foram simplesmente incríveis. Apesar de serem um pouco gráficas, o que pra mim não é um problema, as cenas de ação pareciam que tinham saído de um filme de Hollywood. Espero de verdade que a Netflix consiga adaptar essas cenas da melhor forma possível na série, porque seria uma pena perder esse aspecto da história. Kovacs é realmente um personagem badass, até mesmo quando ele não está ganhando as brigas. Acho que eu nunca li um livro que tivesse cenas de ação tão dinâmicas assim, e eu geralmente não gosto tanto de cenas de ação. Realmente maravilhosas.

Outro aspecto no qual o livro perdeu alguns pontos comigo tem haver com as cenas de conteúdo sexual. Eu não tenho nenhum problema com livros que contem cenas mais quentes, elas podem ser bastante bem feitas, mas Carbono Alterado foi um pouco além do que eu considero necessário. Talvez seja porque eu estou mais acostumado com livros YA que tratam o sexo de uma forma mais sútil, mas realmente achei que as cenas de sexo desse livro foram um pouco demais para o meu gosto.

“A vida humana não tem valor. Você ainda não aprendeu isso, Takeshi, depois de tudo que já viu? Ela não tem valor intrínseco nenhum. Maquinas custam dinheiro para construir. Matérias-primas custam dinheiro para extrair. Mas gente? -Ela fez um barulhinho de cuspe.- Sempre dá pra arranjar mais gente. Pessoas se reproduzem como células cancerosas,quer você as queira ou não. São abundantes, Takeshi. Por que deveriam ser valiosas?”

Os personagens do livro são todos bem interessantes, principalmente o protagonista Kovacs. Mas os outros personagens como Kristin Ortega, Laurent Bancroft, Miriam Bancroft, entre outros que eu não posso citar porque seriam spoilers são todos muito bem construídos e eu fiquei querendo saber mais sobre cada um deles. O aspecto de filme noir de Carbono Alterado é tão interessante porque você realmente fica intrigado sobre cada um dos personagens, então fica louco pra saber a resolução da história. Eu acabei curtindo o lado de mistério do livro bem mais que o lado ficção científica.

No geral, Carbono Alterado foi realmente uma vítima da hype. Se eu não tivesse esperando um novo clássico cyberp punk, eu provavelmente teria curtido essa leitura muito mais. Mas da forma em que eu experienciei o livro, Carbono Alterado é uma história de mistério intrigante que acaba se perdendo em elementos de ficção científica e cenas de sexo grosseiras. E só pra constar, eu mal posso esperar pela série do Netflix.

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Resenhas 21set • 2017

O Segredo de Heap House, por Edward Carey

O Segredo de Heap House foi uma leitura, digamos assim, peculiar. Eu venho remoendo essa leitura em alguns dias e ainda não sei dizer se gostei ou não desse livro. Quer dizer, eu gostei, mas não sei dizer o quanto. A capa descreve o livro como sendo uma mistura de Charles Dickens com Lemony Snicket e isso é uma descrição bastante precisa, mas não sei se Heap House é um livro que eu recomendaria pra qualquer pessoa.

O Segredo de Heap House conta a história da misteriosa família Iremonger, a família mais rica de Londres que reside em Heap House, uma mansão gigantesca localizada no meio dos Cúmulos, um oceano de objetos perdidos e descartados. A família Iremonger tem diversas tradições excêntricas, por exemplo a tradição que todo Iremonger recebe um objeto de nascença, ou a de que um Iremonger só tem o direito de usar calças compridas depois de se casar. O protagonista do livro, Clod, é um Iremonger ainda mais estranho que os outros, pois possui uma habilidade incomum: Consegue ouvir os objetos falarem. A vida de Clod dentro de Heap House se torna ainda mais confusa com a chegada de Lucy, uma jovem criada rebelde que se recusa a se encaixar dentro das regras dos Iremonger.

Vamos começar pela narração. O estilo narrativo de O Segredo de Heap House é bem diferente, bem estilizado. É o tipo de narração que, se você gosta, vai amar. Se não, a leitura pode acabar ficando bem cansativo. Eu acabei me encaixando no meio termo, hora eu estava gostando bastante, outra eu estava ficando sem paciência pra continuar lendo. Mas apesar de algumas partes serem um pouco chatinhas, o livro em geral é bem divertido, e a escrita passa muito bem a atmosfera esquisita de Heap House. Me lembrou muito a sensação dos cenários dos filmes do Tim Burton.

O plot do livro é bem interessante, e o mistério do que está acontecendo dentro de Heap House é muito bem desenvolvido. Eu realmente me envolvi na história, e foi por isso que eu acabei me irritando um pouco com a escrita em certos pontos. O livro caminhando pra uma direção super legal e a narração parando para esticar as frases, para manter aquele estilo de narrativa. O flow do livro teria sido melhor se essas partes mais chatinhas fossem retrabalhadas, mas acho que talvez assim a história perderia um pouco do seu toque característico. Questão complicada, essa.

Clod e Lucy dividem a narração e o papel de protagonista, e eles foram as minhas partes favoritas do livro. Tanto Clod quanto Lucy foram protagonistas muito divertidos de acompanhar. Foi muito divertido conhecer as entranhas de Heap House através dos olhos de Lucy, e também conhecer os membros estranhos da família Iremonger com quem Clod interage. E apesar de eles terem poucas cenas juntos, os diálogos dos dois realmente me passaram a química que eles tem. Eu teria gostado de ver mais interação entre eles, mas o pouco que o livro mostra já me vendeu completamente a amizade deles.

O final do livro foi o que mais me impressionou. Como eu já falei, o livro tem suas partes mais chatas, e o meio do livro chegou a ser um pouco tedioso. Mas chegando mais perto do final, a história realmente entrou em um ritmo muito legal. O livro conseguiu construir um final que me deixou muito curioso para ler a continuação, e fez isso sem parecer aqueles livros que simplesmente enfiam qualquer detalhe no final do livro para levar a uma sequencia. Se o meio do livro fosse mais como o final, ele teria sido bem mais fácil de ler.

Mas no geral, O Segredo de Heap House foi uma leitura bem legal. Um enredo divertido, personagens bem construídos, e um final que me deixou louco pra ler o próximo livro, mas que infelizmente perde alguns pontos pela narrativa um pouco cansativa, que apesar de carregar aquele estilo característico do livro muito bem, também torna a leitura mais tediosa do que poderia ser. Não sei se é um livro que eu recomendaria para todo mundo porque nem todo mundo vai ter a paciência de aguentar a narração, mas se você for paciente, vai encontrar uma história muito legal.

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Lançamentos Notícias 06ago • 2017

Fãs de Jane Austen irão se apaixonar por esse novo livro

Hoje eu trago o que pode ser a melhor notícia para os fãs da autora Jane Austen. No caso, eu mesma. Para quem ainda não sabe, a autora completa 200 anos desde à sua morte e claro que a data não poderia passar despercebido pelos seus leitores contemporâneos, não é mesmo? Afinal, Jane Austen não nos deu apenas Mr. Darcy, o sonho romântico de quase todas as mulheres, mas ela também nos deu heroínas nas quais sempre podemos nos inspirar, não é mesmo?

Por isso, em Setembro, a Bertrand Brasil vai estar lançando “O clube de escrita de Jane Austen”, um guia de inspirações e dicas para quem é fã e/ou gostaria de escrever como Austen. O livro é escrito por ninguém menos que Rebecca Smith, sobrinha-neta da autora que mais amamos que vai nos ensinar métodos e truques que a própria Jane Austen costumava utilizar para escrever os seus romances maravilhosos.

Confira a capa oficial do livro:

Jane Austen é uma das escritoras mais amadas do cânone literário inglês. Seus romances mudaram os rumos da ficção para sempre, e sua escrita permanece tão fresca, divertida e espirituosa quanto nos dias em que foram publicados. Repleto de exercícios úteis, belas ilustrações e citações esclarecedoras dos romances e das cartas da autora, este livro ensinará seus métodos, dicas e truques, a partir de técnicas de planejamento e caracterização para diálogo e suspense. Seja você um entusiasta da escrita criativa às vésperas de publicar seu primeiro romance, um professor em busca de mais inspiração para suas aulas, ou um curioso à procura de informações sobre os rituais diários de Austen, este é um companheiro essencial, garantido para satisfazer, informar e deliciar.

Resenhas 22jul • 2017

Belas Maldições, por Terry Pratchett e Neil Gaiman

Eu realmente não sei porque eu demorei tanto tempo para ler alguma coisa do Neil Gaiman. Talvez porque de tanto ouvir falar que os livros deles são incríveis, eu estava com medo de que todo esse hype acabasse levantando demais as minhas expectativas e eu acabaria me decepcionando com o livro. Mas com Deuses Americanos vindo pra TV, eu sabia que era só uma questão de tempo até eu pegar um livro dele. Então eu fico muito feliz de poder dizer que eu amei Belas Maldições demais.

Belas Maldições é uma colaboração do Neil Gaiman com Terry Pratchett, autor da série Discworld. No livro, o fim do mundo finalmente vai chegar. E isso é um problema para o anjo Aziraphale e o demônio Crowley, que simplesmente se acostumaram a viver entre os humanos, e não querem se desfazer dos confortos da vida na Terra. Portanto, os dois partem em uma missão para impedir o apocalipse, o que significa encontrar o Anticristo, a mais poderosa criatura da Terra. O problema é que o Anticristo é uma criança de 11 anos.

Belas Maldições é completamente, sem sombra de dúvidas, uma comédia. O livro tem uma das narrações mais divertidas que eu já li, e não faltaram momentos que me fizeram rir. Não só na própria narração, como também nos diálogos e até mesmo nas notas de rodapé, toda página tem pelo menos um detalhe que não deixa o humor do livro cair. Tudo isso tornou Belas Maldições uma leitura muito divertida, do tipo que você lê 100 páginas sem nem perceber.

Apesar de ser focado principalmente na comédia, o livro não sacrifica o desenvolvimento dos personagens pelo humor. Aziraphale e Crowley fazem uma dupla de “protagonistas” muito interessante porque apesar de estarem literalmente em lados opostos de uma guerra, eles tem coisas em comum o suficiente para formarem uma aliança, que em certos ponto se torna uma amizade, apesar de nenhum dos dois querer admitir. A química e os diálogos dos dois são responsáveis por alguns dos momentos mais legais do livro.

Os outros personagens do livro são todos incrivelmente bem construídos, e acrescentam muita coisa pro enredo. Adam, o tal Anticristo, é um personagem que parece simples, mas vai ficando mais complexo a medida que o plot se avança. Além disso, ele e a gangue de amigos dele são alguns dos personagens infantis mais realistas que eu já vi em um livro. E outros coadjuvantes como a bruxa Anathema Device, e os caçadores de bruxas e os caçadores de bruxas, Shadwell e Newton Pulsifer são muito divertidos também.

Mas o que mais me agarrou em Belas Maldições não foram os diálogos engraçados ou os personagens divertidos, mas sim a mensagem que o livro meio que esconde por entre os acontecimentos do fim do mundo. Enquanto Aziraphale e Crowley estão correndo tentando encontrar o Anticristo, o livro tem momentos mais calmos em que os personagens discutem sobre a natureza do ser humano, e se nós somos inerentemente bons ou ruins. E apesar de não parecer, um livro sobre o julgamento final consegue ser bastante otimista em relação a moralidade dos seres humanos.

Belas Maldições é um daqueles casos raros em que a hype é, pelo menos na minha opinião, completamente merecida. Um enredo animado, com personagens muito bem explorados, que consegue levantar questões complexas sobre a moralidade das pessoas sem se tornar uma leitura pesada e enfadonha. Um ótimo começo pra minha jornada nos livros do Neil Gaiman (e talvez do Terry Pratchett também) e o melhor livro que eu li até agora em 2017.

P.S.: De acordo com os boatos da internet, Belas Maldições vai virar uma mini-série da BBC, com o próprio Neil Gaiman como showrunner, e eu não poderia estar mais animado.

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Resenhas 06jun • 2017

As Primeiras Quinze Vidas de Harry August, por Claire North

As Primeiras Quinze Vidas de Harry August é um drama de ficção científico, escrito pela inglesa Claire North e publicado pela Bertrand Brasil em 2017. O livro conta a história de Harry August, um homem que vive em um eterno loop: quando chega o momento de sua morte, Harry volta para o ponto de seu nascimento, mas mantem todas as suas memórias. As vidas de Harry seguem quase sempre o mesmo roteiro, até que um dia, isso muda.

Mais uma vez no seu leito de morte, Harry recebe a visita de uma menina que lhe traz uma mensagem: o fim do mundo está chegando, cada vez mais rápido, e o futuro precisa que Harry determine o que está causando isso. Harry precisa então passar essa mensagem através do tempo para tentar alterar qualquer que seja o momento do passado que estaria causando esse fim do mundo.

Quando eu li a sinopse desse livro pela primeira vez, eu não consegui determinar exatamente qual tipo de livro ele seria. Ficção científica? Drama? Um romance histórico? E na verdade, ele é um pouco de cada um desses estilos, e mais um pouco. As Primeiras Quinze Vidas de Harry August foi o tipo de leitura que eu peguei sem saber o que esperar, e que acabou arrasando com todas as minhas expectativas. Não acho que seja exagero meu falar que esse talvez seja o melhor livro que eu li até agora em 2017.

O livro, que é narrado pelo próprio Harry, mostra muito bem como é para o personagem passa por esse loop eterno. O mais legal da situação de Harry é que por ter nascido no ano de 1919, e por em diversas de suas vidas, viver até os anos 2000, Harry testemunha as mudanças que o mundo passa naquele período, como por exemplo a Segunda Guerra Mundial. É muito interessante poder acompanhar junto com ele esses momentos tão importantes da história do nosso planeta.

A história em si começa um pouco devagar, contando exatamente como foram as primeiras vidas de Harry, e como ele reagiu ao fato de nascer outra vez. Não vou dar nenhum spoiler aqui, mas a história realmente começa a ficar interessante quando o livro realmente explora o que uma pessoa que vive nesse loop, chamada de kalachakra no livro, pode fazer. Depois desse momento, a história ganhou um peso bem maior e eu não consegui mais largar o livro porque tinha que saber o que ia acontecer.

O ponto mais forte do livro é a maneira que ele passa por diversos gêneros diferentes. O livro mistura o aspecto da viagem no tempo da ficção científica, dos momentos históricos de um livro de época, e os conflitos pessoas de uma história de drama. É o tipo de leitura que é difícil de classificar, mas que vale pra caramba recomendar pra todo mundo.

Pra resumir, As Primeiras Quinze Vidas de Harry August foi, sem dúvida, uma das minhas leituras favoritas desse ano. Apesar de um começo um pouco devagar, o livro conta com uma escrita maravilhosa, um enredo emocionante, e uma narração que nunca se torna cansativa, apesar de passar por praticamente séculos das vidas do personagem. O resultado é um livro que consegue se balancear muito bem entre vários gêneros literários diferentes e que eu não consegui largar enquanto não acabasse.

Eu gostaria de ver mais livros como As Primeiras Quinze Vidas de Harry August, livros que pegam um conceito interessante e exploram os diversos caminhos que ele pode tomar. Inclusive essa leitura só me deixou com muita vontade de ler os outros livros da Claire North. Quem sabe a Bertrand Brasil não traz os outros livros dela pra cá?

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Resenhas 10dez • 2016

O Boticário, por Maile Meloy

O ano é 1952 e os pais de Jane acabaram de ser colocados na lista negra da polícia americana por serem simpatizantes do movimento comunista, o que significa que toda a família precisava se mudar de Los Angeles para Londres o mais rápido possível. A jovem Jane, de apenas 14 anos, experimenta grande choque cultural – Londres não é só cinzenta, fria e monótona, mas eles também precisam colocar moedas de um centavo apenas para aquecer seu apartamento. Ainda há racionamento, e os alunos em sua nova escola estão aprendendo latim.

Os alunos parecem ser bastante esnobes, mas um garoto em particular acaba chamando sua atenção: Benjamin Barrows, o filho do boticário. Intenso e desafiante, o jovem Benjamin quer ser um espião, e não um farmacêutico como seu pai. Tudo muda quando o pai de Benjamin desaparece misteriosamente, deixando para trás apenas um livro com segredos que precisam ser guardados a todo o custo. Com isso, Jane e Benjamin se unem a um pequeno grupo de cientistas excêntricos e brilhantes e um menino chamado Pip, para preservar esses segredos e salvar o mundo da ameaça de uma guerra nuclear.

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Primeiro eu preciso dizer que esse é um dos Young Adults mais maravilhosos que eu já li nos últimos tempos. Maile Meloy conseguiu colocar nesse enredo uma mistura maravilhosa de romance, fantasia, ação e ficção realista, que faz com que o leitor mergulhe na história de tal forma, que é absolutamente impossível não se apaixonar pelo universo criado pela autora e por cada um dos seus personagens. O Boticário não é apenas mais um livro com uma capa bonita, mas um livro com um enredo que vale a pena cada minuto gasto para fazer sua leitura.

O que mais me fascinou nesse livro foi a escolha da narrativa e todos os elementos escolhidos pela autora para a construção do universo. O Boticário é narrado do ponto de vista de Jane, que conversa com o leitor todo o tempo durante a narrativa. Para mim, isso foi simplesmente sensacional, afinal, alguns comentários que ela fazia eram restritos a narrativa, apenas para o leitor, o que fazia com que eu me sentisse parte daquele grupo de aventureiros e me envolvesse ainda mais com os acontecimentos.

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Eu já li alguns livros sobre a segunda guerra mundial que eram narrados do ponto de vista de alguma criança, mas no caso de O Boticário, o cenário é pós-guerra e passamos pelo período da Guerra Fria, onde a sociedade ainda está bastante sensível com o que aconteceu, e é muito interessante todo o cuidado que a autora teve para explicar dos detalhes desse período da história e todos os elementos que o compões sem deixar a narrativa pesada ou enjoada de se acompanhar. Acredito que eu tenha aprendido mais sobre história com esse livro, do que nos meus três anos de ensino médio.

Um ponto muito legal do enredo é que Maile coloca diversas referências literárias e culturais no livro. Por exemplo, Jane tem seu nome em homenagem a Jane Austen e Pip lembra o nosso Pip de The Great Expectations. Katharine Hepburn é uma inspiração para nossa heroína e nós temos um barco com o nome de “Kong Olaf”, que me lembrou Desventuras em Série na hora, embora eu não possa afirmar com certeza de que o nome foi escolhido por causa disso. Ainda assim, não deixa de ser maravilhoso nadar nesse mar de referências, não é mesmo?

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Jane e Benjamin são personagens apaixonantes e muito fáceis de se identificar. Gosto da forma como Jane lida com as situações, de como Benjamin ganha a sua atenção quando decide não participar dos exercícios antibomba da escola. Sua relação de confiança com seus pais também é muito legal de acompanhar, principalmente quando ela entra em contraste com o relacionamento de Benjamin com seu pai, o Boticário. É interessante que as duas crianças tenham personalidades tão diferentes, mas ao mesmo tempo, sejam tão parecidas e tão dispostas a ir até o fim de sua missão para proteger aqueles que amam.

Eu realmente me apaixonei pela leitura de O Boticário. Gostei da mistura de elementos que a autora criou, da escolha da narrativa e principalmente dos seus personagens. Se este livro tivesse entrado na minha vida durante a minha adolescência, eu acho que teria me apaixonado por literatura tanto quanto me apaixonei naquela época. Mal posso esperar para descobrir que aventura nos aguardam nos próximos livros dessa série, The Apprentices e The After-Room, ainda sem previsão de publicação no Brasil.

Resenhas 04set • 2016

Antes de Partir, por Colleen Oakley

Uma das coisas que eu mais gosto em primeiras leituras, é que você, por mais que queira, não consegue criar muitas expectativas sobre o autor. Por isso, quando a Bertrand Brasil anunciou o lançamento de Antes de Partir, eu sabia que, mesmo não sendo a maior leitora do mundo de Sick-Lit, precisava dar uma chance a autora, Colleen Oakley e ver onde sua criatividade levaria este enredo, no mínimo, desafiador.

Antes de Partir conta a história de Daisy, uma mulher que havia acabado de se recuperar de um câncer na mama e estava fazendo planos de viagem com seu marido, Jack, para comemorar que esta etapa da sua vida havia se encerrado. Eis que, pouco antes da data em que comemorava 3 anos sem câncer, ela recebe a notícia de seu médico revelando que o câncer havia voltado e agora se espalhado por todo o seu corpo. Mesmo com todo o tratamento disponível, Daisy sabia que as suas chances de sobreviver eram poucas.

Antes de Partir

Sabendo que ela teria no máximo quatro meses de vida, ou um pouco mais, Daisy começa a se preocupar com o que será da vida do seu marido, quando ela não puder mais estar com ele. Quem cuidaria de suas roupas? Quem faria sua janta? Com o tempo, Daisy começa a pensar que a melhor solução é encontrar uma nova esposa para Jack, uma que consiga cuidar do seu marido tão bem quanto ela. Porém, aos poucos, Daisy começa a se questiona se não seria melhor passar seu tempo com as pessoas que ama, do que tentar encontrar uma substituta para si.

Antes de Partir foi uma leitura completamente contrária ao que eu estava esperando desde enredo. O livro é narrado em primeira pessoa, pelo ponto de vista da Daisy e leva o leitor a acompanhar todas as fases da personagem principal, desde o ponto em que ela descobre que seu câncer voltou, a tudo o que acontece por consequência disso. Em geral, a escrita da autora não é ruim, mas do meu ponto de vista, achei que o desenvolvimento do enredo foi um pouco arrastado. Demorou até um pouco mais da metade do livro para que as coisas começassem realmente a acontecer na história. Isso me deixou com um pouco de preguiça para continuar a leitura.

Antes de Partir

Ainda assim, Antes de Partir tem uma carga emocional muito maior do que eu esperava. Como o livro é contado do ponto de vista da Daisy, nós vamos acompanhando todo o processo dela lidando com o fato de que, em algum ponto, ela não estaria mais perto das pessoas que ela ama. De tudo, isso foi o que mais me prendeu no enredo, e também o que mais me emocionou. Conforme eu entrava na cabeça da personagem principal, mais eu tinha vontade de abraça-la e dizer que ela podia contar comigo. Não tem palavras suficientes no mundo para descrever o que é a certeza de que você nunca mais vai ver as pessoas que fazem parte do seu dia a dia.

Um dos pontos mais negativos na história inteira, pelo menos para mim, foi o relacionamento dela com o marido. Eu realmente não conseguia entender Jack como personagem. Entendo que Daisy insistia muito para que ele continuasse a sua rotina, mas ele parecia completamente indiferente ao fato de que a esposa dele estava morrendo. Principalmente quando Daisy estava claramente insegura em relação ao relacionamento dos dois. A sensação que eu tinha era que ele não estava ali, entende? Como se a autora não tivesse focado nem um pouco nele.

Antes de Partir

Eu me emocionei demais com a Daisy, principalmente quando ela recebe a notícia de que seu câncer havia voltado e muito pior do que na primeira vez. Acho que eu não consigo descrever o aperto no peito que foi acompanhar todo esse processo de lidar com essa nova realidade e eu gostei muito que a autora tenha escolhido construir uma personagem forte e com coragem para enfrentar tudo o que ela enfrentou no livro. Eu acho que mesmo as partes em que eu conseguia ver que ela estava “vacilando” na coragem, eu simplesmente não conseguia não gostar dela, porque mesmo a dificuldade a tornava mais humana.

Em geral, Antes de Partir foi uma boa leitura. Talvez eu esperasse um pouco mais de foco no relacionamento da personagem principal com as pessoas a sua volta, talvez uma aproximação mais real com o marido, Jack. Mas mesmo não tendo todos os elementos que me prendem numa história, antes de partir teve seus pontos positivos, e acho que emocionaria todos os leitores que são apaixonados por um bom sick-lit.

Resenhas 24ago • 2016

Estranherismo, por Zack Magiezi

Eu não sou fã de poesia, nunca fui, mas há alguns meses atrás eu me deparei com um pequeno livro chamado Estranherismo, da Bertrand Brasil, que me chamou atenção. Eu, pessoa que tem um, no máximo dois livros de poemas na estante – dados, não comprados – pela primeira vez na vida tinha encontrado uma poesia que havia instigado, interessado. Essa poesia era de Zack Magiesi, autor que vocês provavelmente já ouviram falar ou pelo menos já compartilharam um ou duas imagens da sua página no Facebook.

O livro se trata de um copilado de poesias datilografadas que falam sobre sentimentos da forma mais intima que vocês podem imaginar. Originalmente, as poesias eram publicadas no instagram do autor e rapidamente conquistaram uma legião de fãs pelo Brasil inteiro. Me pergunto como eu, leitora que sou, posso ter me deparado mais de uma vez com essa escrita na timeline do meu Facebook e nunca ter me aprofundado mais na escrita do autor. Às vezes as coisas acontecem na hora que precisam acontecer, não é mesmo?

Estranherismo

Estranherismo é um livro que toca o coração do leitor de diversas maneiras. Indo de poemas sobre amor, desapego para as tão famosas “notas sobre ela”, que até então, estão entre os meus poemas favoritos no livro. Mesmo pra quem não é muito fã de poemas, assim como eu, Estranherismo tem uma escrita leve, doce, que não exige pressa do leitor. Você pode ler uma página por dia, ou algumas páginas. Ou apenas abrir o livro em uma página aleatória e se deliciar com a escrita do Zack. Confesso que é um livro que eu sempre me pego folheando quando não estou fazendo nada.

Gostei muito que a Editora tenha mantido as características principais da poesia dele, criando um livro não só tocante, mas também bonito de se ter na estante. Depois desse meu primeiro contato com Zack, eu cai de cabeça na poesia nacional e encontrei outros autores que, assim como ele, tem muito a dizer em pequenas frases. Honestamente? Estranherismo pra mim é uma leitura que precisa ser feita por todo mundo. Não só pela poesia, mas pelo alívio no coração que esse livro te dá.

Resenhas 05ago • 2016

Socorro Meu Video Bombou na Internet, por Marni Barnes

Imaginem um livro que vocês escolhem para ler, mas com a expectativa muito baixa. Não esperando nada muito extraordinário do enredo, muito menos dos personagens. Então você começa a leitura desse livro e, de repente, o enredo que antes parecia ser totalmente cliché, te surpreende e os personagens começam a ser bem mais interessantes do que você esperava. Socorro Meu Vídeo Bombou na Internet foi exatamente isso na minha vida. Num primeiro momento eu achei que Marni Bates estava trazendo mais do mesmo, mas no minuto em que conheci Mack, me apaixonei completamente pelo seu universo. Mas deixem-me contar um pouco sobre a história do livro.

Mackenzie é uma garota que sempre fez tudo o que podia para não chamar atenção. Em sua escola, os alunos são divididos entre Os Notáveis e Os Invisíveis, e adivinhem onde Mack e seus amigos se encaixam nessas categorias? Isso mesmo, na segunda. Pelo menos até Mack acidentalmente mandar um jogador do time da escola escada abaixo com um golpe de mochila seguida de uma desastrosa tentativa de reanimação. Antes mesmo do final do dia, o vídeo já está no YouTube, e antes que Mackenzie se percebesse, o vídeo já tinha mais de 4 milhões de visualizações na internet, levando-a de “garota desconhecida” para ícone pop em menos de 24 horas. Diante dessa nova realidade, Mack precisa descobrir como conciliar a sua vida de garota normal, com os paparazzi e olhares do garoto mais popular do colégio.

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Eu sei o que você está pensando. O enredo parece bem cliché e completamente previsível. Acredite, eu também pensei a mesma coisa quando li a sinopse do livro. Mas já adianto que Marni Bates tinha uma boa ideia quando escreveu esse livro. Narrado em primeira pessoa, do ponto de vista da Mackenzie, conhecemos uma personagem completamente insegura e desajeitada. Tudo isso porque ela não consegue aceitar as poucas coisas em que é boa e ainda tem que lidar com todos os dramas adolescentes que todos os adolescentes precisam lidar nessa fase. Apesar de parecer cansativo, a escrita leve da autora e os diálogos bem construídos tornam a leitura de Socorro Meu Vídeo Bombou na Internet mais interessante do que você provavelmente achou que seria ao começar a ler o livro.

Muito diferente do esperado, este não é um livro sobre uma garota cuja fama subiu à cabeça. Pelo contrário, Mack se mantém bastante sã sobre as mudanças na sua vida, e até mesmo um pouco desgostosa. Meu ponto favorito no livro foi o fato de ela não ter mudado de personalidade por conta de ser uma pessoa conhecida. Mesmo com todas as roupas de grife e tendo a oportunidade de conhecer uma de suas bandas favoritas, em nenhum momento ela deixou que isso a roubasse de si, e eu gostei bastante disso dentro da história. Eu esperava que ela fosse se tornar chata e completamente egoísta, mas a todo o momento ela se preocupou com os amigos, com a sua família e em controlar tudo o que estava sendo falado sobre ela.

meu video bombou na internet

O desenvolvimento do enredo é que deixou um pouco a desejar. A autora inseriu diversos elementos para construir a personalidade da personagem principal, mas não trabalhou isso ao longo da história. Ficaram algumas lacunas a serem preenchidas, como o relacionamento da Mack com seu pai. Além disso, para quem tinha uma filha recém famosa, a mãe dela parecia completamente despreocupada com tudo o que estava acontecendo, mesmo a autora querendo dar a impressão de que elas tinham um bom relacionamento. De tudo, isso foi o ponto mais negativo do livro, principalmente porque Marni Bates tinha uma oportunidade incrível para trabalhar alguns conflitos familiares no enredo e simplesmente deixou passar. Uma pena, não é?

Socorro Meu Vídeo Bombou na Internet também nos faz pensar um pouco sobre como a mídia é capaz de distorcer qualquer coisa. Em um momento Mack era apenas uma garota esquisita cujo vídeo foi parar na internet. No outro, as pessoas começavam a questionar seu comportamento, supondo que ela fosse promíscua por cantar com um astro do rock e drogada por beber um pouco demais numa festa. Isso nos faz pensar sobre tudo o que lemos nos tabloides. Como um ato simples de segurar uma cerveja na mão pode se tornar alcoolismo na mão dos jornalistas errados. A indústria da mídia deveria ter vergonha dos monstros que cria, honestamente.

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O romance – e sim, existe um romance nesse livro assim como em todo Young Adult já escrito – é um pouco cliché, mas ainda assim, interessante de se acompanhar. Gostei muito de como Mack não se deixou levar quando o garoto por quem ela era apaixonada, de repente, resolveu dar um pouco mais de atenção para ela e, principalmente, por ela ter tido a capacidade de ver quem eram as pessoas que realmente estavam se aproximando porque ela era uma pessoa legal, e não só porque agora ela era o rosto mais conhecido da américa. Essa foi uma abordagem que eu não esperava da autora, principalmente dentro dessa proposta de enredo, mas fiquei muito feliz que ela tenha seguido por esse caminho.

Socorro Meu Vídeo Bombou na Internet é uma leitura divertida. Aquela que você escolhe para fazer durante uma viagem de ônibus, ou durante o trajeto de trem para o trabalho. Não é um enredo desafiador, não irá te deixar com ressaca literária, mas irá te distrair e te divertir na medida certa. Se você é um grande leitor de Young Adult, com certeza vai gostar dos personagens criados por Marni Bate e, principalmente, da sua escrita.

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Resenhas 25jul • 2016

Arena 13, por Joseph Delaney

Arena 13 é um Young Adult, escrito por Joseph Delaney, autor da série As Aventuras do Caça-Feitiço. O livro é o primeiro volume de uma série de distopia juvenil, e está sendo lançando pela Bertrand Brasil em 2016. O livro tem como protagonista Leif, um jovem de origem humilde que sonha em participar dos combates realizados na famosa Arena 13, onde seu pai lutou antes de morrer.

Leif recebe uma chance de realizar o seu sonho quando ganha um bilhete de loteria, que tem como prêmio a oportunidade de ser treinado por Tyron, o melhor e mais talentoso entre os treinadores da cidade de Gindeen. Apesar de uma inicial hesitação, Tyron aceita Leif como seu novo pupilo, e ensina a ele os truques e segredos para se tornar um grande lutador na Arena 13.

Mas não é somente na Arena 13 que se encontram perigos que ameaçam a vida de Leif. A cidade de Gindeen é aterrorizada pelo Hob, uma criatura maligna que se deleita em assombrar a população. Na Arena  13, o Hob desafia os lutadores a lutar até a morte, e sempre sai vitorioso, graças a sua habilidade de voltar a vida. Mas enfrentar o Hob dentro dos limites da arena é exatamente o que Leif sempre quiz.

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Esse não foi o primeiro livro do Joseph Delaney que eu li. Em agosto do ano passado, eu resenhei aqui no blog o primeiro livro da série As Aventuras do Caça-Feitiço, intitulado O Aprendiz. Então, eu já tinha uma boa ideia do que esperar desse livro, afinal eu já estava familiarizado com a escrita do Joseph Delaney. E mais uma vez, eu curti muito a leitura de um livro dele. Eu gosto da forma como ele conta as histórias, e tanto em O Aprendiz, quanto em Arena 13, isso é bastante presente.

Outra coisa que eu gostei bastante no livro foi a forma que o autor misturou diversas mitologias diferentes para criar uma atmosfera totalmente original para o livro. As batalhas da arena lembras as batalhas de gladiadores da Roma antiga, a figura do Hob que lembra os vampiros das lendas europeias, e várias outras coisas juntas, formaram um ambiente muito interessante.

Pra fechar a lista de pontos positivos, gostei muito do funcionamento da arena em si. Geralmente nesses livro que são centrados em batalhas, o foco fica inteiramente na parte física da luta. Em Arena 13, o autor mostra como funciona o processo de acensão de um lutador, desde os treinamentos inciais, até a criação dos lac, que são uma espécie de androide que ajudam o lutador nas batalhas.

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Mas é claro que não pode ser tudo positivo né. O principal ponto negativo do livro é o próprio protagonista. Leif é um personagem muito simples, e depois de concluída a leitura, eu não consegui identificar nenhum ponto marcante da personalidade dele. Como o livro é narrado do ponto de vista dele, em terceira pessoa, a narração acaba ficando um pouco “rasa”.

Os outros personagens foram um pouco melhores. O treinador de Leif, Tyron, é mais bem explorado e é fácil criar uma conexão com o personagem dele. Mas a melhor personagem do livro é Kwin, filha de Tyron. As ambições dela são bem definidas, a personalidade dela é marcante, e depois que terminei o livro, foi dela que eu mais me lembrei. O livro teria sido melhor se ela fosse a protagonista.

Outro problema que eu tive com o livro é o fato de que ele contêm muita exposição. Pra quem não sabe, exposição é aquela parte do livro em que a história simplesmente dá uma pausa, e a narração explica elementos da história para o leitor. Em um certo momento, Leif aponta que ele já conhece os conceitos que Tyron está explicando pra ele. Isso é porque Tyron não está explicando pra ele, e sim pra você, o leitor. Quando a exposição é bem feita, ela passa até despercebida. Infelizmente, não foi o caso com esse livro.

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No geral, Arena 13 foi uma leitura com pontos positivos e negativos. A mitologia e as cenas de ação ganharam muitos pontos comigo, mas o protagonista sem profundidade e o excesso de exposição acabaram atrapalhando um pouco a leitura, mas não a ponto de me desanimar da leitura. Talvez com um pouco mais de tempo gasto desenvolvendo os personagens e menos explicando como funcionam os lacs, a história teria sido melhor executada.

Se você curte uma distopia cheia de ação ou se a sinopse te interessou, não deixe de conferir Arena 13, e confira tambem As Aventuras do Caça-Feitiço, que na minha, opinião, é mais bem escrita. Vai ler Arena 13? Já leu algum livro do Joseph Delaney? Conta pra gente nos comentários!

 

Resenhas 24set • 2015

A Casa das Marés, por Jojo Moyes

A Casa das Marés é um romance, escrito pela autora Jojo Moyes e publicado no Brasil pela Editora Bertrand Brasil. Jojo Moyes é conhecida por seus romances emocionantes, dentre eles Como Eu Era Antes de Você, que está sendo adaptado para os cinemas e Em Busca de Abrigo, já resenhado aqui no blog.

Merham é uma cidade onde as regras sociais são levadas à risca e as pessoas esperam um certo tipo de comportamento uma das outras. É neste cenário que conhecemos as jovens Lottie e Celia, que cresceram juntas após a família de Celia ter adotado Lotti durante a Segunda Guerra Mundial. Com personalidades completamente diferentes, Celia e Lottie tem uma amizade sincera, mas tudo começa a mudar quando uma família de artistas exêntricos se muda para Arcádia, uma mansão de Merham. As jovens ficam completamente fascinadas pela forma que eles vivem e esse envolvimento com os novos moradores da cidade acaba por desencadear acontecimentos que mudam completamente suas vidas.

A Casa das Marés

Anos se passam no enredo e somos levados a atualidade onde conhecemos Daisy, uma decoradora que, após ter seu casamento rompido, é contratada para fazer a restauração de Arcádia, nos levando novamente para uma Merham que, apesar de ter atravessado anos, continua exatamente a mesma. Em uma sociedade que mantém os mesmos conceitos e histórias que não tiveram um final, será possível deixar o passado no passado?

Jojo Moyes me trouxe um enredo completamente diferente do que eu estava esperando quando li a sinopse do livro, e infelizmente não foi uma surpresa que me agradou tanto quanto eu gostaria – e eu juro que tentei o meu máximo. Narrado em terceira pessoa, o livro nos transporta para uma sociedade muito conservadora, onde os personagens estão presos a convenções sociais que regem suas vidas de diversas formas. Dentro desse universo a autora nos dá diversos personagens diferentes e tenta nos inserir em suas vidas e emoções de uma forma nem um pouco agradável.

A Casa das Marés

Meu primeiro incomodo com esse livro foi o desenvolvimento dele. Jojo Moyes queria nos deixar a par dos mínimos detalhes sobre os personagens, o universo que ela estava criando e aquela sociedade presa ao passado. Porém, ao escolher esse caminho, ela acabou nos entregando uma narrativa lenta, cheia de detalhes que não faziam com que eu me envolvesse com a história e não despertava meu interesse em conhecer melhor seus personagens.

Os primeiros capítulos do livro foram simplesmente uma tortura. Eu tinha esperanças de que alguma coisa realmente relevante fosse acontecer, mas nada acontecia. Os personagens pareciam estar presos a um enredo cotidiano, a uma rotina chata onde era improvável que algo novo acontecesse. Eu senti muita falta de um “algo mais” na história, algo nos personagens que me despertasse o desejo de entender aquilo que a autora estava escrevendo, e confesso que fiquei decepcionada quando não foi isso que eu encontrei.

A Casa das Marés

Não posso ignorar o fato de que a autora explorou bem a questão da descrição do cenário. Com tantos detalhes, eu conseguia ter uma visão muito clara do que eu estava lendo, mas ao mesmo tempo, eu me sentia um pouco cansada por não encontrar algo naquele enredo que me deixasse animada com a leitura. Foi um caso de falta de entusiasmo onde, apesar de eu me deparar com uma proposta de enredo muito boa, uma escrita agradável, eu não tinha aquele “feeling” de que a história estava fluindo e os personagens estava se desenvolvendo.

A Casa das Marés

Lottie foi uma personagem que me deixou irritada boa parte do enredo. Por mais que eu conseguisse entender o seu papel na história, eu a achei uma personagem um tanto apagada comparada com Celia, que tinha vontade de se jogar no mundo o tempo inteiro. Aliás, esse foi um dos poucos pontos nesse livro que realmente me agradou: Celia. Com uma personagem como ela, a autora realmente conseguiu criar um contraste dentro do cenário que ela estava propondo.

Por fim, A Casa das Marés foi um livro que me deixou um pouco chateada. Só eu sei o quanto eu me arrastei para terminar essa leitura e o quão triste eu fiquei por não ser aquilo que eu estava esperando. Mas, lamentações a parte, eu sei que esse enredo vai agradar muitos outros leitores que adoram romances ou apenas são apaixonados pela escrita da Jojo!

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