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Resenhas 20fev • 2018

O Clube dos Jardineiros de Fumaça, por Carol Bensimon

Lançamento da Companhia das letras em 2017, O Clube dos Jardineiros de Fumaça foi um livro escrito pela brasileira Carol Bensimon, o romance se passa o Triangulo da Esmeralda, região da Califórnia que concentra a maior produção de maconha dos Estados Unidos.

Carol busca remontar toda a história da maconha nos Estados Unidos através dos olhos de vários personagens, entre eles o brasileiro Arthur e alguns americanos como Tamara, Sylvia, Noah e Dusk. Arthur é um professor de história da cidade de Porto Alegre que resolve cultivar a maconha para ajudar a mãe que sofre com um câncer no útero, tudo vai mais ou menos bem até ele ser denunciado, perder seu emprego e resolver se aventurar nos Estados Unidos, no condado de Mendocino, para aprender e cultivar a cannabis. Tamara é uma mulher de quarenta anos que precisa lidar com uma separação recente, a descoberta tardia de um pai e a brusca mudança de vida, resultado de uma tentativa de entender melhor quem ela é e superar seu passado.

Sylvia é uma mulher aposentada que sofre com a solidão e os arrependimentos de toda uma vida, vítima de violência doméstica desde a infância, Sylvia descobre no uso da maconha um escape. Noah é um cultivador de maconha que leva a vida da maneira mais tranquila que pode, vive em uma van velha, anda de patins e tenta viver afastado dos padrões da sociedade, digno da contracultura. Já Dusk é um hippie que vê o legado de sua geração ser deturpado pelos que vieram depois, enquanto tenta lidar com as mudanças da sociedade, ele relembra seus tempos áureos e o início do que viria ser a maior região de produção da maconha nos EUA. Leia mais

Resenhas 05jan • 2018

Não me abandone jamais, por Kazuo Ishiguro

Antes de qualquer coisa, preciso dizer que o Kazuo Ishiguro é um dos meus autores favoritos. Não Me Abandone Jamais foi o primeiro livro do autor com o qual tive contato. Tudo começou no Tumblr anos atrás, me deparei com uma citação linda e passei a procurar por todos os lados o nome do livro e do autor ao qual pertencia. Depois de umas buscas no Google, descobri que o livro de onde a citação vinha era Never Let Me Go de autoria de um japonês. Naquela época, o livro era difícil de encontrar.

Não achei em nenhuma livraria virtual, sem muitas esperanças fui à livraria da cidade e para minha surpresa eles tinham perdido por lá Não Me Abandone Jamais. Comprei o livro e comecei a ler na hora. Em poucas páginas tive certeza que o Kazuo era um escritor único. Nascido no Japão em 1954, ele se mudou para a Inglaterra aos cinco anos. Escreveu diversos livros, teve obras adaptadas para o cinema e em 2017 foi o ganhador do Nobel de literatura. Aqui em casa, foi uma comemoração imensa. Leia mais

Literaría 11out • 2017

O grande vencedor do Nobel, Kazuo Ishiguro

Todo ano acompanho com expectativa o anúncio do Nobel de Literatura, cada ano que passa minha torcida pelo escritor japonês Haruki Murakami aumenta, nesse ano não foi diferente. Fiquei ligada nas redes sociais e quão grande não foi minha surpresa quando anunciaram outro dos meus autores favoritos como o grande vencedor de 2017. Ninguém esperava que o ganhador fosse o Kazuo, nem eu nem os apostadores de Estolcomo.

Kazuo Ishiguro nasceu em Nagasaki em 1954 e se mudou para a Inglaterra aos seis anos de idade. Toda sua obra foi escrita e publicada em língua inglesa, seu prêmio foi como escritor britânico, sendo assim mínimas as influencias de sua origem nipônica.  Kazuo também sempre foi apaixonado por música, na adolescência tentou seguir a carreira de músico e sem sucesso acabou decidindo migrar para a literatura. O mundo da música é um forte integrante da sua antologia de contos Noturnos, as histórias rodam a Europa seguindo diversos artistas e suas vidas boemias.

“Eu sinto, Axl. Mas ao mesmo tempo eu me pergunto se o que sentimos no nosso coração hoje não é como esses pingos de chuva que ainda continuam caindo em cima de nós das folhas encharcadas da árvore, apesar de a chuva em si já ter parado de cair faz tempo. Eu me pergunto se, sem as nossas lembranças, o nosso amor não está condenado a murchar e morrer.” – O Gigante Enterrado

Kazuo recebeu o Nobel “em virtude da grande força emocional presente em seus romances, e assim revelando o abismo sob o nosso ilusório sentido de conexão com o mundo”, ainda sendo comparado a Jane Austen, Franz Kakfa e Marcel Proust. A ode a memória é um componente importante nos livros do autor, principalmente em O Gigante Enterrado. A história que se passa em uma Bretanha medieval, logo após o reinado de Arthur, segue um casal de idosos que sofre com a perda da memória, um mal que se alastra por todo o reino. O motivo para esse esquecimento e razão para ele existir são um marco na narrativa, levando todos nós a uma reflexão melancólica. Aliás, a melancolia é um fator presente em seus livros. Longe do drama, a dor de um passado e a ilusão que é o futuro nos deixam órfãos ao longo das páginas de seus romances.

“Não consigo parar de pensar nesse rio, não sei onde, cujas águas se movem com uma velocidade impressionante. E nas duas pessoas dentro da água, tentando se segurar uma na outra, se agarrando o máximo que podem, mas no fim não dá mais. A corrente é muito forte. Eles precisam se soltar, se separar. É assim que eu acho que acontece com a gente. É uma pena, Kath, porque nós nos amamos a vida toda. Mas, no fim, não deu para ficarmos juntos para sempre.” – Não Me Abandone Jamais

Kazuo também flerta com a literatura de gênero. Se em O Gigante Enterrado ele bebeu da fantasia, em Não Me Abandone Jamais o autor flerta com a ficção científica. O romance começa em um internato e segue ao longo da vida de três amigos. O que parece mais uma história de um triangulo amoroso, se revela como algo muito mais profundo. As crianças não passam de clones criados para satisfazer a demanda de órgãos. Pelos olhos de Kathy, vemos Tommy e Ruth se degradarem e perderem a vida pouco a pouco. No final, resta a nós decidirmos se isso é certo ou errado.

“Olhando em retrospecto a minha carreira até aqui, minha maior satisfação vem do que conquistei naqueles anos, e, hoje, tenho nada mais que orgulho e gratidão por ter desfrutado de tal privilégio.” – Os Resíduos do Dia

 

Meu livro favorito do autor é de longe Os Resíduos do Dia, relançado em 2016 pela Companhia das Letras como Os Vestígios do Dia. Neste livro acompanhamos um mordomo em sua viagem pela Inglaterra em busca de uma antiga funcionária. Através das memórias de Stevens, somos transportados para os anos 30, onde o jovem mordomo servia fielmente Lord Darlington. É nesse período conturbado entre guerras que vivemos parte da história. Stevens vive um misto de orgulho e culpa enquanto traça sua viagem em busca de Miss Kenton, e é nesse momento que nos deparamos com a triste realidade do mordomo. Ele viveu a vida inteira dedicado a outras pessoas. Stevens nunca teve um lar, família muito menos um dia de folga, se não bastasse isso, começamos a nos questionar se o homem de quem o mordomo tanto se orgulha era digno de afeto.

Kazuo mereceu seu prêmio Nobel, seu trabalho é de extrema relevância nos dias de hoje. Eu, como uma fã feliz que sou só posso fazer este apelo: leia o autor. Seus livros podem parecer um pouco lentos e cansativos no início, mas todo o trabalho e minúcia empregados em cada uma de suas obras servem para compor uma sinfonia da espécie humana, deixando expostas para nós as alegrias e as dores de nossa história.

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Entrevistas 05set • 2017

Nossas Noites é um presente deixado por Kent Haruf

Quando fiz a leitura de Nossas Noites, um livro completamente fora da minha zona de conforto, eu fiquei completamente surpresa com o enredo criado por Kent Haruf. Nossas Noites não apenas um romance, mas uma carta de amor para todos aqueles que já envelheceram e todos aqueles que ainda vão envelhecer. Um enredo simples, poético, capaz de envolver o leitor da primeira até a última linha.

Pensando nisso, o blog resolveu traduzir uma entrevista com a esposa de Kent contando um pouco sobre o processo de escrita de Nossas Noites e o que significou para o autor conseguir terminar esse último trabalho.

Qual foi a inspiração de Nossas Noites?

Kent me disse no final de abril: “Eu vou escrever um livro sobre nós”. O seu momento favorito era quando nos deitávamos na cama durante a noite, dávamos as mãos e conversávamos sobre tudo – viver, morrer, nossos espíritos, nossos adoráveis filhos, nossos queridos amigos, esta história, meu trabalho em um hospício, acontecimentos engraçados, nossos anos juntos, frustrações, ressentimentos, nossos sentimentos um pelo outro e o que quer que acontecesse naquele dia. (Foi muito importante para Kent e para mim que ficássemos atualizados um com o outro sobre tudo.)

Ele disse que queria escrever sobre a idéia de duas pessoas idosas conversando à noite. Nossas Noites é uma história de amor sobre um homem e uma mulher que decidem viver a sua verdade e autenticidade diante da crítica e do julgamento.

Você pode falar um pouco sobre o processo de escrita?

Kent estava um pouco melhor por volta de abril de 2014 e ele precisava fazer algo. Ele tentou escrever uma pequena história e disse: “Isso não foi a lugar nenhum”. Então, um dia, ele disse: “Eu vou escrever um livro sobre nós”. Na manhã do dia 1 de maio, ele se levantou e levou seu tanque de oxigênio para o galpão de escrita e escreveu um capítulo por dia durante 45 dias. Ele sentiu uma grande satisfação. Ele estava tão satisfeito e todos os dias ele vinha almoçar e dizia: “Outro capítulo!” Geralmente ele demorava seis anos para escrever um livro e ele ficou absolutamente impressionado com a possibilidade de escrever um capítulo todos os dias. Mas ele sabia que ele tinha um prazo e ele estava determinado a terminar o livro antes de morrer.

Ele digitou tudo em uma velha máquina de escrever. Quando ele terminava o primeiro rascunho de cada capítulo, ele puxava a touca sob os olhos e escrevia sem enxergar para que não fosse distraído pela ortografia, sintaxe ou pontuação. Ele, então, escreveu anotações sobre o primeiro rascunho e o reescreveu em dois lugares em seu papel amarelo antigo favorito. Em meados de agosto, ele disse que estava pronto para eu lê-lo. Eu li o manuscrito, entrei no computador e, no próximo mês, fiz as mudanças que ele queria. E revisando repetidamente. Em setembro de 2014, nós enviamos um email para o editor nos EUA, Gary Fisketjon, em Knopf, com uma nota, ‘Caro Gary, Aqui é uma pequena surpresa para você. Amor, Kent. O manuescrito foi e voltou por várias semanas e três dias antes de morrer, Kent disse que eu teria que fazer a cópia final. Então dois dias depois que ele morreu, ele foi terminado e enviado.

O que a publicação de Nossas Noites significa para você?

O mais importante para mim foi que Kent esteve bastante tempo para escrever esse livro e que ele conseguiu terminá-lo antes de morrer. Trabalhou nisso o tempo que precisava, até o último minuto. Ele foi apaixonado por escrever e terminar e enviar a seu editor, Gary Fisketjon – como uma surpresa. E certamente foi uma surpresa para Gary.

Kent e eu passamos um bom tempo discutindo a história. Ele não queria que ninguém soubesse que ele estava escrevendo no caso de ele não conseguir terminar – e ele realmente queria estar por perto para ver como o livro foi recebido. Acho que Kent provavelmente está ciente de tudo isso. Nossas Noites é um excelente presente para mim.

Como você descreveria os personagens de Kent?

Como qualquer um que leu os livros de Kent sabe, seus personagens vêm em todas as variedades. Os protagonistas estão em camadas. Nenhum personagem é bom ou ruim. Todos são humanos, comportando-se da maneira que todos nós fazemos – com medos, amor, miséria, alegria, tristeza.

O próprio Kent sentiu fortemente a dor e a tristeza do mundo. Ele era uma pessoa muito terna, amorosa e sensível, que, claro, sai em seus personagens.

As famílias são sempre um tema recorrrente nos livros de Kent. Qual foi a sua compreensão da palavra?

Em Plainsong e suas sequencias, Kent escreveu sobre a família como espíritos afins; Pessoas que se amam, se ajudam e se apoiam – aquelas que escolhemos para incluir e abraçar como família, além das que estamos biologicamente relacionados. Foi assim que ele sentiu e viveu.

Além de escrever seus próprios livros, Kent ensinou escrita criativa. Que conselho ele deu aos alunos?

Kent dizia a seus alunos de escrita criativa: “Não há falta de talento para a escrita. Mas há uma falta de talento para o trabalho árduo. Leia tudo o que você puder. Ler ler ler. (O próprio Kent admirava muito Faulkner, Hemingway e especialmente Chekhov.) Escreva e escreva e escreva. Todo dia. Seja preto no branco. Escreva o que você conhece. Não permita que outras pessoas influenciem excessivamente sua própria voz. Ouça instrutores ou professores, mas então deixe tudo fluir e seja fiel à sua própria visão e voz.

Kent não acreditava na “inspiração” quando se tratava de escrever um livro. Foi sempre trabalho duro; Ele sentava  todos os dias em sua mesa mesmo que ele não quisesse; Ele não queria perder a chance de aproveitar alguma coisa muito boa.

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Em Holt, no Colorado, Addie Moore faz uma visita inesperada a seu vizinho, Louis Waters. Viúvos e septuagenários, os dois lidam diariamente com noites solitárias em suas grandes casas vazias. Addie propõe a Louis que ele passe a fazer companhia a ela ao cair da tarde para ter alguém com quem conversar antes de dormir. Embora surpreso com a iniciativa, ele aceita o convite. Os vizinhos, no entanto, estranham a movimentação da rua, e não demoram a surgir boatos maldosos pela cidade. Aos poucos, os dois percebem que manter essa relação peculiar talvez não seja tão simples quanto parecia. Neste aclamado romance, Kent Haruf retrata com ternura e delicadeza o envelhecimento, as segundas chances e a emoção de redescobrir os pequenos prazeres da vida – que pode surpreender e ganhar um novo sentido mesmo quando parece ser tarde demais.

Esta entrevista foi originalmente publicada no site Panmacmillan. O La Oliphant é apenas responsável pela tradução do conteúdo.

Entrevistas 01set • 2017

Dinah Jefferies comenta a inspiração por trás de O Perfume da Folha de Chá

Nesta entrevista feira pelo blog Book Browse, Dinah Jeffries discute O Perfume da Folha de Chá, e como suas experiências pessoais – crescendo na Malásia, vivendo em muitas partes do mundo – inspiraram e efetuaram sua escrita.

O Perfume da Folha de Chá é o segundo livro da autora Dinah Jefferies e foi publicado no Brasil em 2017 pela editora Paralela. O Romance se passa entre as décadas de 20 e 30 no Ceilão e narra à vida de Gwendolyn, uma jovem de 19 anos que se casa com um dono de uma fazenda de chá. Antes de começar a minha resenha, preciso deixar bem claro que não gostei nenhum um pouco do livro. Pretendo ser o mais parcial o possível, pois impressões de leitura são diferentes e, no geral, vi muitas avaliações boas deste livro.

Nas suas próprias palavras, você pode apresentar os leitores à premissa da O Perfume da Folha de Chá?

O enredo do livro se passa em uma plantação de chá ao lado de um lago enevoado no Ceilão dos anos 20. É quase o fim da era colonial, e todas as certezas da vida britânica estão mudando. Gwendolyn Hooper, de 19 anos, é a nova noiva do proprietário da plantação, Laurence, um viúvo rico e encantador. Mas seus sonhos de casamento são abalados por ecos do passado – um velho bafú de vestidos mofados, uma pedra de sepultura escondida no terreno e portas trancadas. Seu novo marido parece assombrado pelo passado. Quando Gwen entra em trabalho de parto, com Laurence longe da casa, ela é apresentada com uma escolha terrível – ela sente que deve fazer sem o conhecimento de seu marido. Ela pode manter um segredo tão poderoso? Caso contrário, Laurence talvez perdoe o que ela fez? À medida que todos os segredos se desenrolam, seu casamento com Laurence está ameaçado, assim como estilo de vida colonial. Em última análise, O Perfume da Folha de Chá é sobre o que sentimos que devemos esconder das pessoas que amamos e o que acontece quando fazemos.

Você pode nos contar sobre a sua infância na Malásia e como essas memórias afetaram sua escrita? Como você lidou com a transição para a vida na Inglaterra?

Minha mais amável lembrança de crescer na Malásia é do jardineiro brilhando pelas palmeiras em nosso jardim para cortar os cocos. Adorei a Malásia e, quando saímos para vir e viver na Inglaterra, senti como se eu tivesse deixado um pedaço do meu coração nos trópicos. Quando escrevi meu primeiro livro, fiquei surpresa com a quantidade de lembranças da Malásia que vieram à tona: o sorvete amarelo brilhante, o circo chinês e as férias em minúsculas ilhas semi-desertas. Mas, acima de tudo, eram as cores, os aromas exóticos e a sensação do calor na minha pele. Levei muito tempo para terminar com a Malásia, e embora eu ame a Inglaterra agora, certamente não voltaria. Escrever me ajudou a lidar com a questão da perda na minha vida, porém não foi o que me levou a escrever. Você precisa cavar profundamente quando escreve e é o que eu faço, mas o pequeno pedaço de mim que ainda pertence ao Oriente nunca desaparecera. Eu não consigo me ver sempre definindo meus romances em outro lugar.

Você viveu diversos lugares no mundo. Você pode nos contar sobre algumas de suas experiências de vida mais memoráveis?

No final da década de 1960, eu era uma “au pair” para a Condessa Guicciardini Strozzi em San Gimignano, Toscana, Itália. Eu também passei o tempo vivendo em uma comunidade de músicos (que incluiu uma série de primos da rainha Elizabeth), já que eu estava casada com o vocalista de uma banda de rock and roll.

O que motivou você a seguir uma carreira na escrita nesta fase da sua vida?

Eu não tinha planos de ser escritora, embora eu sempre gostasse de ler e ao longo da minha vida escrevi pequenas histórias. Um romance inteiro parecia uma coisa muito vasta para empreender. Mas quando estávamos vivendo em uma pequena aldeia de montanhas no sul da Espanha, eu tinha tempo nas minhas mãos e estava muito quente para sair. Foi o momento ideal para pensar em escrever um livro, e então trabalhei um enredo e comecei. Era tão simples quanto este. Eu não esperava me apaixonar por escrever, mas foi o que aconteceu, e a disciplina que você precisa para escrever não é um problema para mim. Se você realmente deseja escrever, você apenas faz isso. Sem desculpas. Se você escreve continuamente, então esqueça.

Onde você encontrou a inspiração para esta história em particular?

Minha falecida sogra nasceu na Índia e sua família incluia plantadores de chá na Índia e no Ceilão. O livro foi inicialmente inspirado em histórias que ela me contou. Depois de terminar a pesquisa para a minha primeira novela, The Separation, que se estabeleceu na Malásia, olhei pela Baía de Bengala e vi uma pequena gota de pérola no oceano da Índia: o Sri Lanka, uma vez uma colônia britânica conhecida como Ceilão, e escolhi como a localização do meu segundo livro. Eu já tinha a idéia da história principal – um segredo que mudava a vida – então era apenas uma questão de ir para o Sri Lanka.

Você visitou uma plantação de chá colonial como parte de sua pesquisa para este romance. Você pode nos contar sobre essa experiência imersiva?

No Sri Lanka, eu me apaixonei por uma plantação de chá enevoada com vista para um lago no planalto central. Com as noites iluminadas por vaga-lumes e tochas flamejantes, em meio a cigarras cantando, era tão deslumbrante que eu não queria sair. Passei meus dias fortificada por infinitas xícaras de chá e com o nariz em um livro de sua extensa biblioteca. Essa leitura me deu o detalhe que faz o livro parecer tão autêntico. Os bungalows coloniais não são o que você pode imaginar, mas são casas incrivelmente luxuosas, algumas vezes com dois andares. Enquanto estava lá, visitei uma fábrica de chá durante seu horário de funcionamento. Quanto aos alimentos, lembro-me de abanadores de ovos – copos de biscoito finos e estranhos com um ovo por dentro. Também o requeijão de búfalo – um iogurte maravilhosamente grosso, que você come com jaggery, um xarope que nunca tinha ouvido antes.

O mais excitante foi quando uma monção feroz começou dois dias antes de partir, intensificada por um ciclone mais ao norte. Foi fantástico; você não conseguia ver sua mão na frente do seu rosto e lavou a estrada. Os jardineiros carregavam nossa bagagem em suas cabeças! Tivemos que sair para voltar ao Reino Unido em duas canoas de estabilizador – bem, pelo menos até o ponto em que a estrada não havia sido destruída – uma empilhada com a nossa bagagem e outra para o meu marido e para mim.

O Perfume da Folha de Chá aborda a questão do racismo em vários níveis. Como você incorporou este tópico no enredo, e como você conseguiu escrever dos dois lados dessa questão complexa?

Eu revelei através dos personagens menores, em parte porque minha heroína, Gwen, achou o racismo muito difícil de entender, e em parte porque seu marido, Laurence, é mais progressista que os outros colonos britânicos. É um aspecto crucial do enredo e afeta a vida de Gwen da maneira mais trágica. Enquanto eu queria mostrar o racismo colonial que existia naquela época, eu tinha que torná-lo real para um público moderno. Então, você sempre está equilibrando diferentes necessidades: a necessidade de ser fiel ao passado, as necessidades de um leitor moderno e as necessidades da própria história.

Como suas experiências como esposa e mãe influenciaram seu retrato da dinâmica familiar dentro do enredo?

O Perfume da Folha de Chá é sobre por que nós sentimos que temos que manter segredos das pessoas que amamos e o que acontece quando fazemos. Também é sobre amor e perda, e tirei da impressionante morte acidental do meu filho adolescente para escrever esta parte do livro. Você sempre se baseia em seus próprios sentimentos e experiências quando escreve e, de certa forma, foi bastante catártico. E, no entanto, embora meu próprio filho tenha morrido, senti que é pior não saber o que aconteceu com seus filhos, então desenhei essa tensão e emoção para o romance.

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Em 1925, a jovem Gwendolyn Hooper parte de navio da Escócia para se encontrar com seu marido, Laurencek no exótico Ceilão, do outro lado do mundo. Recém-casados e apaixonados, eles são a definição do casal aristocrático perfeito: a bela dama britânica e o proprietário de uma das fazendas de chás mais prósperas do império. Mas ao chegar à mansão na paradisíaca propriedade Hooper, nada é como Gwendolyn imaginava: os funcionários parecem rancorosos e calados, e os vizinhos, traiçoeiros. Seu marido, apesar de afetuoso, demonstra guardar segredos sombrios do passado e recusa-se a conversar sobre certos assuntos. Ao descobrir que está grávida, a jovem sente-se feliz pela primeira vez desde que chegou ao Ceilão. Mas, no dia de dar à luz, algo inesperado se revela. Agora, é ela quem se vê obrigada a manter em sigilo algo terrível, sob o preço de ver sua família desfeita.

Esta entrevista foi originalmente publicada no blog Book Browse. O La Oliphant é apenas responsável pela tradução do conteúdo.

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