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Resenhas 15nov • 2017

Esqueça o Amanhã, por Pintip Dunn

Eu tinha todas as esperanças do mundo quando comecei a leitura de Esqueça o Amanhã. Mesmo com algumas resenhas negativas, eu me mantive firme e forte na leitura dessa distopia porque acreditava que toda a ideia de uma sociedade construída em cima de “memórias” poderia ser uma aventura e tanto. E, até certo ponto, eu não estava errada. De um modo geral, o enredo de Esqueça o Amanhã é interessante e desafiador, mas a autora peca em pontos importantes na construção do universo e o foco constante no romance entre os personagens principais foi um deslize do qual ela não conseguiu se recuperar.

É um erro comum dos autores de distopia falharem na ambientação do universo e com Esqueça o Amanhã não foi muito diferente. Nos primeiros dez capítulos do livro eu consegui me manter interessada na história, porém, a autora não me dava as informações que eu precisava para entender o universo no qual a história se passava. Como aquela sociedade começou? Quando chegamos naquele ponto? Como funcionava o sistema de memórias? Essas foram perguntas que ficaram na minha cabeça por quase toda a leitura e boa parte delas ainda não foram respondias.

O enredo de Pintip Dunn tem um ritmo lento, demorando mais de vinte capítulos para você poder dizer que a história realmente havia começado. Além disso, o ponto mais fraco do livro está na apresentação vaga dos personagens. Dunn insere uma quantidade infinita de novos personagens a cada capítulo, mas não apresenta de forma descente nenhum deles. Em certos pontos do livro eu senti muita dificuldade de lembrar com quem a personagem principal estava falando e porquê. A falta de organização na construção do enredo é outro detalhe gritante das falhas de Esqueça o Amanhã.

“Gostaria de viver num mundo onde o amor conquista tudo. Mas talvez tenhamos aberto mão deste privilégio quando o Boom Tecnológico alterou nossa sociedade. Talvez, quando construímos um mundo com base em imagens do futuro, tenhamos barganhado nossos sonhos em troca. Pagamos com a paixão de nossas almas, a paixão que arde de esperança, desejo e possibilidades.”

Para um enredo que promete “thriller” na contracapa, Esqueça o Amanhã está mais para um grande livro de romance do que qualquer outra coisa. É claro que o enredo trabalha seus momentos de tensão muito bem, mas prometer um thriller foi um pouco exagerado demais. Além disso, o foco do enredo é confuso, dificultando demais dizer para onde que essa história vai caminhar nos próximos três volumes da série que estão para serem lançados aqui no Brasil. Se vamos ter uma melhora de enredo ou de personagens é muito difícil de dizer.

Callie foi uma personagem que eu gostei nos primeiros capítulos do livro, mas conforme ela vai se deixando envolver pelos seus sentimentos por Logan, a personagem se torna um verdadeiro “pé no saco”. Depois de um certo ponto a leitura pode se resumir na personagem falando constantemente sobre o quanto está apaixonada por seu par romântico e mesmo quando você acha que as coisas vão começar a andar, Pintip Dunn te jogar novamente no looping emocional que é o relacionamento dos dois. Isso não é só cansativo, como matou completamente a minha vontade de continuar essa série.

“Uma garota que procura o sol, como uma flor se banhando em seus raios. Uma garota que ama sua família com todo seu coração. Uma garota tão corajosa que falará qualquer coisa para salvar a irmã . – Ele se aproxima. E chega mais perto ainda. – Você fez tudo o que eu devia ter feito por Mikey, mas não fiz. Sempre vou respeitar isso.”

Esqueça o Amanhã tenta trazer uma distopia pesada para os leitores, mas falha miseravelmente em todos os aspectos que provavelmente deveriam tornar o livro algo bom. Todos os personagens apresentados têm uma história um tanto “macabra” como background, mas isso não é trabalhado de forma inteligente pela autora ao longo dos capítulos. Aliás, passei boa parte do livro com a certeza de que Dunn não tinha a menor ideia de como usar todos os elementos que ela mesma tinha criado para o seu enredo.

Tirando toda a parte do enredo óbvio e das falhas grotescas de enredo, a escrita de Dunn não é ruim, mas apenas confusa. Se você tem disposição para encarar um enredo que não cumpre o que promete, mas que entrega pelo menos um dos romances mais melosos que vocês vão encontrar, então pode ser que Esqueça o Amanhã seja uma leitura muito melhor para você do que foi para mim. Eu comecei esse livro esperando entender uma sociedade com uma forma de governo que eu nunca tinha visto antes, mas me deparei com uma personagem principal passiva e um romance que não convence ninguém.

Esqueça o Amanhã é o primeiro livro de uma tetrologia (aparentemente isso é uma coisa) que eu não pretendo continuar. Distopia é um gênero que vem sendo muito difícil para mim desde o final de Divergente e acho muito difícil encontrar um autor que consiga construir um universo completamente novo, com a quantidade de romance necessária para manter o autor interessado, sem mudar completamente o foco do enredo – se vocês conhecerem um, por favor, me apresentem.

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Resenhas 18set • 2017

O Conto da Aia, por Margaret Atwood

“Nolite te bastardes carborundorum”

 Esse ano fui agraciada com chance de conhecer O Conto da Aia, livro escrito pela escritora canadense Margaret Atwood, vencedora de vários prêmios como o Booker Prize  e o Arthur C. Clarke. Margaret é conhecida principalmente por The Handmaid’s Tale,  um livro feminista que mostra um futuro distópico onde as mulheres perderam todos os direitos.  Na República de Gilead, país que era o antigo Estados Unidos, as mulheres são divididas em castas que definem suas posições na sociedade. Temos as Esposas, mulheres dos comandantes, as Marthas, responsáveis pela limpeza e cuidados nas casas dos membros altos do regime, as Esposas Econômicas, posse de homens mais baixos que cumprem todas as funções na casa, as Tias que treinam e controlam as Aias, e por fim as Aias, mulheres férteis que tem a função de gerar filhos para a república.

A opressão mostrada pela autora é angustiante. Mulheres não podem ler ou escrever, ficar na presença de outros homens, não podem trabalhar ou possuir bens. Em castas mais baixas as restrições são ainda piores. Aias não podem ser vaidosas, não podem comer o que querem, não podem ter amizade muito menos um nome. Nossa protagonista é denominada Offred, algo como “do Fred”, um patronímico que demonstra como ela é vista aos olhos do regime, um “útero com pernas”.

“Conto, em vez de escrever, porque não tenho nada com que escrever e, de todo modo, escrever é proibido. Mas se for uma história, mesmo em minha cabeça, devo estar contando-a a alguém. Você não conta uma história apenas para si mesma. Sempre existe alguma outra pessoa. Mesmo quando não há ninguém. Uma história é como uma carta.”

Para entender esse regime precisamos voltar para sua formação. Por não ser uma narrativa linear, Offred nos revela o mundo anterior através de lembranças contidas, nossa parte nessa história é juntar as peças para compreender melhor esse quebra-cabeça. No mundo do “Antes”, as mulheres perderam a capacidade de gerar filhos, provavelmente por causa da poluição, guerras e afins. A baixa fertilidade acaba gerando grupos religiosos extremistas que tomam o poder com a retórica de salvar a humanidade. Offred perde o emprego, seu dinheiro, sua filha e seu marido aos poucos, a tomada de poder é gradual assim como o tolhimento dos diretos civis das mulheres.

No início há protestos e revoltas, essas ficam cada vez mais violentas até serem completamente suprimidas. A mãe de Offred, uma militante feminista, questiona a apatia e o medo das mulheres da nova geração na hora de lutar pelos seus deveres, é dela a visão negativa de que mesmo conquistados, os direitos podem muito bem serem suspensos. O que antes parecia impossível se torna real.

“Era assim que vivíamos então? Mas vivíamos como de costume. Todo mundo vive, a maior parte do tempo. Qualquer coisa que esteja acontecendo é de costume. Mesmo isto é de costume agora. Vivíamos, como de costume, por ignorar. Ignorar não é a mesma coisa que ignorância, você tem de se esforçar para fazê-lo. Nada muda instantaneamente: numa banheira que se aquece gradualmente você seria fervida até a morte antes de se dar conta. Havia matérias nos jornais, é claro. Corpos encontrados em valas ou na floresta, mortas a cacetadas ou mutilados, que haviam sido submetidos a degradações, como costumavam dizer, mas essas matérias eram a respeito de outras mulheres, e os homens que faziam aquele tipo de coisas eram outros homens.”

Margaret Atwood não inventou a roda, cada uma das situações retratadas no livro tem fundamentação histórica. Isso é o que nos causa mais medo. As vestimentas, a gravidez forçada, a culpabilização das mulheres pela infertilidade ou pelo estupro, o regime totalitário, tudo isso foi visto diversas vezes ao longo da nossa história. Quer mais? Isso existe em nosso mundo, hoje. O regime de Gilead se fundamenta muito na bíblia, o ritual para a concepção de filhos por qual as Aias são obrigadas a passar é baseado história bíblica de Raquel, contada em Gênesis 30:1-5: “Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve inveja de sua irmã, e disse a Jacó: Dá-me filhos,se não morro. Então se acendeu a ira de Jacó contra Raquel, e disse: Estou eu no lugar de Deus, que te impediu o fruto de teu ventre? E ela disse: Eis aqui minha serva Bila; coabita com ela, para que dê à luz sobre meus joelhos, e eu assim receba filhos por ela. Assim lhe deu a Bila, sua serva, por mulher; e Jacó a possuiu. E concebeu Bila, e deu a Jacó um filho”.

O que mais me admira nesse livro é ver o trabalho e a minúcia que a autora colocou em sua pesquisa. Para montar esse cenário, Margaret viajou fundo, cada pecinha do livro se encaixa perfeitamente, o mundo que antes parecia absurdo se torna tangível, quase real, em tempos de tanto extremismo o livro nos deixa em alerta.

“ – Mas o que significava? – digo.

–  Qual delas? – diz ele. – Ah. Significava: “Não permita que os bastardos reduzam você a cinzas.” Creio que imaginássemos que fossemos muito espertos naquela época.

Eu forço um sorriso, mas está tudo diante de mim agora. Posso ver por que ela escreveu aquilo na parede do armário, mas também vejo que deve ter aprendido aqui, neste aposento. Com ele, durante algum período anterior de recordações de infância, de confidencias trocadas. Não fui a primeira então.”

O Conto da Aia se tornou uma das minhas distopias favoritas. Mesmo assim não foi uma leitura fácil. O livro é repleto de cenas fortes, ler sobre o estupro que Offred é obrigada a passar, ou ver a violência empregada contra Janine e as outras Aias é estarrecedor. Uma das cenas que mais me cortou o coração foi ver Offred descrevendo o quarto e ressaltando que o mesmo não tinha um ventilador de teto para que as Aias não pudessem se enforcar. O suicídio é uma resolução freqüente para muitas dessas mulheres. Mesmo a Moira, exemplo de uma mulher forte que não se deixa submeter, se mostra impotente perante todo o regime no final.

A construção desse livro é primorosa, em alguns momentos vemos uma luz no fim do túnel, só para chegar mais uma pecinha do painel e destruir nossas esperanças. A única coisa que me impede de dar cinco estrelas para o livro é o epílogo. Achei essa parte meio desnecessária, a explicação dói demais e seria melhor deixar o futuro subentendido. Se você é fã de distopias adolescentes ou clássicas, você precisa muito ler esse livro. Só digo para ir com cuidado, além disso é importante se preparar para o terror, mesmo que no fim  sofra do mesmo jeito.

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Resenhas 27ago • 2015

Fragmentados por Neal Shusterman

Fragmentados é um livro distópico com bastante suspense, escrito por Neal Shusterman e publicado pela editora Novo Conceito. O livro traz a história de três jovens com vidas completamente diferentes, mas com o mesmo destino: a fragmentação. Na esperança de não terem seus corpos reduzidos a pedaços que serão distribuídos por aí, os jovens acabam fugindo por motivos e de formas diferentes, assim como acabam se encontrando em meio a todo esse trajeto em busca da sobrevivência.

Fragmentados

Temos a oportunidade de acompanhar a emocionante fuga de Connor, um fragmentário destinado ao campo de colheita por conta de seu comportamento estouradinho e trabalhoso para os pais; Risa, uma tutelada do Estado que, de repente, não é mais problema deles e, por conta da superlotação das Casas Estaduais, é mandada para a fragmentação e Lev, um dízimo: ao contrário dos dois futuros companheiros de “viagem”, não vê seu destino como algo ruim, já que foi preparado a vida inteira para esse grandioso ato de altruísmo em prol da religião que segue.

A narrativa utilizada por Neal é bem interessante: contínua, entretanto, a narração é feita por diversos personagens, a cada troca de capítulo e isso não prejudica em nada a leitura. Pelo contrário, além de nos permitir um contato maior e mais íntimo com cada personagem, nos deixa ver os acontecimentos pelos olhos deles e, consequentemente, tentar E conseguir com sucesso entender suas ações a partir disso. Você acaba conseguindo capturar as sensações certas durante as cenas certas e entrando facilmente no clima do livro.

  Você não pode mudar as leis sem antes mudar a natureza humana.

-ENFERMEIRA GRETA

Você não pode mudar a natureza humana sem antes mudar a lei.

– ENFERMEIRA YVONNE

Nem sempre os personagens a narrar ou o ponto de vista em questão é de um dos três personagens principais, assim como nem sempre é tudo sobre eles: novos personagens “chave” vão sendo incorporados à história ao longo desta, mas não há com o que se preocupar: o autor faz essas transições com louvor, como dito anteriormente, e não deixa a desejar quanto às apresentações desses personagens “novatos”.

A respeito dos personagens, começo falando sobre os três principais, que são quem dão início a todo o enredo. Connor é um jovem estouradinho de dezesseis anos, com notas baixas na escola, acostumado em agir antes de pensar e, por conta disso, se envolver em brigas; descobre que será fragmentado antes de os pais contarem, o que o deixa raivoso, mas também dá a chance de planejar uma fuga com Ariana, sua namorada. O que ele não inclui no plano é o fato de que ela não vai com ele, ao contrário do que prometeu.

Risa é uma tutelada do Estado, desde sempre. Tem comportamento exemplar, tira notas boas, tem um grande talento para música, mas nada disso é suficiente para mantê-la longe da fragmentação. Aos treze anos, o Estado não a considera mais um problema de sua alçada e não se vê mais obrigado a gastar dinheiro com ela, portanto, é óbvio o destino que a aguarda. Sensata e responsável, ela segue seu destino sem acreditar que o mesmo preparou uma chance de fuga disfarçada de acidente de trânsito.

Fragmentados

Lev, ao contrário dos dois, é um dízimo. Tudo o que ele quer é se divertir em sua festa do dízimo, que é toda sua, toda para si. Uma festa grande, planejada nos mínimos detalhes. Ele sente orgulho em ser o que é, em ser oferecido: é o décimo filho da família, um verdadeiro dízimo! Ao menos é o que ele pensava até encontrar Risa e Connor, durante um terrível tumulto causado no momento em que está indo para a colheita, ser fragmentado.

É incrível como, no decorrer do livro, vemos o amadurecimento dos personagens. Connor, por exemplo, aprende a pensar, contar até dez antes de agir e até a ser calculista. Risa aprende a se a proximar das pessoas, baixar um pouco a guarda. O mais difícil é Lev, mas até ele tem sua chance de crescer por dentro, por conta de sua aventura com Cy-Fi.

Fragmentados

Cy-Fi é um menino que ele encontra no período em que não está mais com Risa e Connor, que busca algo que nem ele mesmo sabe, num lugar aonde ele nunca pisou e não sabe porque quer ir. Ou talvez saiba. É um garoto com tudo para ser perfeito, o filho perfeito, com resquícios de sua “ancestralidade”. Assim como ele, temos outros personagens que marcam, como o Almirante, que cuida do Cemitério (cenário muito importante mais pro final do livro) e Roland, aquele personagem brutamontes que nós vamos amar odiar.

Fragmentados é um livro envolvente que, uma vez no embalo, é difícil parar de ler. Daqueles livros que fazem com que o coração dispare na boca, e com que os olhos corram pelas páginas em desespero por mais. É uma trama boa, que me conquistou, de início, aos poucos: uma hora eu tinha lá minhas dúvidas, mas quando percebi o que tinha em mãos…não conseguia largar.

A Lei da Vida declara que a vida humana não pode ser tocada desde o momento da concepção até que a criança chegue à idade de 13 anos. No entanto, entre os 13 e os 18 anos, a mãe ou o pai pode escolher “abortar” retroativamente uma criança…”

É a primeira distopia que leio há um tempinho, então me fez perceber como eu senti falta do gênero. Eu também não conhecia o trabalho do Neal e fiquei totalmente encantada pelo enredo, de verdade: como assim, gente!!! Odeio dizer isso, porque eu gosto de livros filhos-únicos, mas eu queria que Fragmentados fosse uma série, ou que o Neal saísse por aí lançando livros parecidos com tramas arrasadoras do tipo. Vocês conhecem algum outro do tipo pra indicar?

 

Resenhas 30jul • 2015

Brilho, por Amy Kathleen Ryan

Brilho é uma distopia escrita pela autora Amy Kathleen Ryan e publicado no Brasil pela Geração Editorial. O livro é o primeiro volume da série Sky Chasers, seguido por Centelha – já publicado no Brasil e Flame, ainda sem previsão de lançamento nacional.

Duas naves espaciais, a New Horizon e a Empyrean foram lançadas no espaço há um pouco mais com a missão de buscar um novo planeta para a habitação da raça humana. Durante tanto tempo no espaço, a tripulação de ambas as naves tinham como objetivo garantir que a raça humana não entrasse em extinção, com isso, as garotas mais jovens eram forçadas aos deveres de reprodução ainda na adolescência.

Brilho

Tudo muda quando a tripulação da New Horizon não consegue ter sucesso na reprodução e, por conta própria, resolvem atacar a nave irmã e sequestrar parte da sua tripulação feminina a fim de garantir o sucesso da missão. Uma dessas jovens é Waverly, parte da geração concebida durante a missão. Namorada de Kieran – um forte candidato a futuro capitão da Nave – ela vê no rapaz tudo o que ela poderia desejar em um marido, exceto pelo fato de que Waverly gostaria que a sua fosse bem mais do que ser uma boa esposa e mãe.

Sem ter muito conhecimento sobre o espaço, longe de suas famílias e sem ter ideia do que os tripulantes da New Horizon estão planejando fazer com as garotas da Empyrean, cabe a Waverly descobrir uma forma de libertar suas amigas da garra dos inimigos e descobrir uma forma de encontrar o caminho de volta para sua nave.

Brilho

A primeira vez que eu ouvi falar dessa série, eu não sabia o que esperar. Passei por uma série de decepções com distopias, então quando Brilho chegou nas minhas mãos, eu fiquei bem receosa com essa leitura. Narrado em terceira pessoa, o que me chamou mais atenção foi o fato da autora alternar os pontos de vista da história entre as duas naves, fazendo com que o leitor pudesse acompanhar os passos não só dos tripulantes que foram levados para a New Horizon, mas também daqueles que ficaram na Empyrean.

Amy Kathleen Ryan tem uma escrita bem leve e faz com que o leitor fique preso na história do inicio ao fim do livro. Abordando dois tipos de sociedades diferentes, a autora faz uma critica religiosa muito forte nas entrelinhas do livro, que me deixo muito fascinada com a forma que ela imaginou o universo criado. As duas naves lançadas no espaço são dividas com pessoas de crenças distintas e a partir dessa forma de pensar de cada um dos personagens, a autora desenvolve um enredo tão fascinante que é impossível deixar essa leitura de lado.

Brilho

Eu não esperava gostar tanto de Waverly quanto eu gostei. No começo do livro, achei que ela seria mais uma daquelas personagens escondidas atrás de uma figura masculina, com medo de dizer o que realmente pensa. Porém, conforme o livro foi se desenvolvendo, sua personalidade se destacou dentro da história e me encantou. Em vários pontos do livro eu comecei a pensar que Kieran e Seth – os integrantes do triangulo amoroso – eram completamente inúteis dentro da história, já que a Waverly era uma personagem completamente auto suficiente e sozinha conseguia fazer com que a história fluísse de forma emocionante.

Os personagens masculinos da história foram o único ponto que a autora deixou a desejar. Acredito que isso tenha acontecido por serem personagem que deverão se desenvolver ao longo dos outros volumes da série, mas ainda assim, eu senti que eles eram bem irrelevantes no enredo.

Kieran, que deveria assumir o novo capitão da nave, não tem um instinto de liderança muito bom. Durante algumas partes do livro podemos perceber que ele tem muito receio em tomar decisões, embora sua forma de ganhar a confiança da tripulação não seja dos piores. Já Seth me parecer apenas um daqueles garotos revoltados e sem personalidade. No começo do livro eu achei que ele seria um personagem interessante, mas a forma que a autora desenvolveu o arco da Emperyan nesse primeiro volume me deixou bem confusa em relação ao papel desse personagem no enredo.

Brilho

Gostei muito da forma como a autora desenvolveu essa distopia, focando mais na sociedade da história e nos personagens do que num romance. Também achei que ela fez uma critica religiosa muito forte em alguns pontos do livro, mostrando como é fácil manipular a massa através da fé. Não sei até que ponto isso pode incomodar outros leitores, mas do meu ponto de vista foi simplesmente fascinante essa escolha de enredo.

Eu estava precisando mesmo de uma leitura como Brilho da Amy Kathleen Ryan. Os personagens são maravilhosos, o enredo se desenvolve perfeitamente, o leitor sabe exatamente em que ponto está na história e fica curioso para saber o que vai acontecer a seguir. Confesso que eu não esperava me apaixonar por essa série e agora posso dizer que é uma leitura obrigatória para os fãs de distopias.

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