Posts arquivados em: Tag: Editora Record

Resenhas 13maio • 2018

Asiáticos Podres de Ricos, por Kevin Kwan

Minha vontade de ler o livro de Kevin Kwan começou quando eles liberaram o primeiro trailer da adaptação de Asiáticos Podres de Ricos. O filme tem uma vibe muito leve e divertida e, aparentemente, diálogos muito engraçados, então eu pensei “o livro deve ser tão divertido quanto” e em parte, ele até é. O problema é que Asiáticos Podres de Ricos não chegou nem perto de ser o que eu estava esperando. Com diálogos razoáveis e uma narrativa confusa e arrastada, eu posso dizer que só cheguei ao final do livro na esperança de que alguma coisa fosse capaz de me surpreender, o que eu posso afirmar que não aconteceu.

Meu primeiro problema com Asiáticos Podres de Ricos foi o fato do livro focar em vários personagens diferentes, acontecendo diversos plots paralelos a história principal. Sempre que um novo personagem aparecia, o autor tirava quase quatro ou cinco páginas para divagar sobre ele e a influência do mesmo dentro da família. Começou com Astrid, a prima de Nick que, apesar de não ser a história principal, é uma personagem interessante de se conhecer e se estendeu para todos os outros personagens do livro. Imagina você ter que conhecer o background de todos os personagens secundários do livro, é mais ou menos isso o que acontece. Leia mais

Resenhas 22abr • 2018

Um Amor Perdido, por Alyson Richman

Eu preciso dizer que estou um tanto quanto enjoada depois de ler esse livro. Apesar de ser uma história de amor poderosa, os personagens desse livro passam por sofrimentos inimagináveis e a escrita poderosa de Richman, fez com que eu conseguisse sentir na pele cada uma das dores que eles sentiram. Apesar de ser um romance, Um Amor Perdido é um enredo que fala muito sobre perdas e separações. Eu me emocionei com cada capítulo desse livro, ao mesmo tempo que sentir meu peito apertar ao mergulhar em tudo o que esses personagens viveram.

O enredo de Um Amor Perdido é divido de uma forma que eu achei bem interessante. Nós temos o Josef contando a sua história no presente, que seria o período “pós-guerra” e Lenka contando a sua história no período que ocorreu a segunda guerra mundial. Ambos possuem uma narrativa muito forte e rica em detalhes para te fazer mergulhar em tudo o que viveram durante os anos em que se viram obrigados a ficar separados um do outro. Leia mais

Resenhas 06abr • 2018

Matem o Presidente, por Sam Bourne

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As imagens desta resenha pertencem ao blog Amiga da Leitora.

Matem o Presidente foi uma leitura que eu quis fazer puramente pela curiosidade sobre o enredo. Eu nunca fui muito fã de livros sobre política, afinal a nossa sociedade atual é constantemente bombardeada com notícias sobre política, então eu realmente tenho pouco interesse nesse tipo de assunto. Mas o plot sinceramente absurdo, e as alegorias a situação atual do mundo me levaram a querer saber exatamente o que acontece nessa história. E apesar de não ter entregado exatamente o que eu queria, Matem o Presidente me entregou uma história com reviravoltas envolventes e que passa muito bem a intenção do autor.

O Chefe de Equipe da Casa Branca, Robert Kassiam é acordado do meio da noite com a notícia de que o presidente, um homem instável, machista e misógino, está ordenando um ataque nuclear contra a Coréia do Norte, após uma guerra de insultos feitos pelo Twitter. Kassiam e o Secretário de Defesa, Bruton, chegam a conclusão de que só existe uma forma de garantir a segurança do resto do mundo: eles precisam matar o presidente. Leia mais

Resenhas 23mar • 2018

Criaturas e Criadores – Histórias para noites de terror

O terror é um dos meus gêneros literários favoritos, principalmente as histórias de terror clássicas. Então eu fiquei animado pra caramba quando ouvi falar de Criaturas e Criadores, uma coleção de quatro contos escritos por autores brasileiros, que reimagina algumas das histórias mais icônicas do terror. Carolina Munhóz, Frini Georgakopoulos, Raphael Draccon e Raphael Montes são alguns dos nomes atuais que mais vem chamando a minha atenção, então quando a oportunidade apareceu, eu fiquei muito afim de cair dentro dessa leitura. E apesar de uma ou duas questões, o livro me entregou exatamente o que eu queria.

Quatro dos mais populares autores contemporâneos brasileiros, Raphael Draccon, Carolina Munhoz, Frini Georgakopoulos e Raphael Montes se uniram para reinventar os contos de terror clássicos. Frankenstein vive, e está numa favela do Rio. Rumores indicam que Drácula pode ser o dono de uma nova e badalada boate. Numa faculdade de artes, há uma lenda que diz que um fantasma ajuda belas jovens a cantar num teatro abandonado. Um mistério ronda a vida de um dentista e pai de família que está prestes a descobrir seu lado mais monstruoso. Quatro clássicos do medo reinventados por quatro escritores brasileiros para noites de sustos, terror e gritos. Leia mais

Resenhas 18mar • 2018

O Maravilhoso Bistrô Francês, por Nina George

O Maravilhoso Bistrô Francês é um livro escrito pela alemã Nina George e publicado pela editora Record em 2017. O romance se passa na Bretanha, uma região administrativa no oeste da França que guarda um folclore e uma cultura vastas. Nina George divide seu tempo entre Berlin e a Bretanha, é visível ao longo do livro o amor que ela nutre pela região. Nina faz questão de falar sobre as lendas, a língua e as tradições que foram reprimidas por tanto tempo pelos franceses, eles fizeram questão de apagar os vestígios do povo bretão. Foi só recentemente que os jovens começaram a tomar para si a obrigação de manter a língua e a história de seu povo vivas.

A história é narrada por Marianne, uma senhora alemã que vive um casamento triste. Seu marido é extremamente abusivo e, para fazê-lo feliz, Marianne reprime seus sonhos e desejos. Lothar pouco se importa com a esposa. Depois de enfrentar traições e restrições ao longo de uma vida, ela resolve morrer. Marianne tenta o suicídio em uma viagem a Paris, a tentativa frustrada a leva a uma viagem incrível, onde ela descobre mais sobre si mesma e sobre a magnitude da vida. É em um hospital que ela encontra um azulejo pintado com a paisagem de Kerdruc, um pequeno porto escondido nos confins da Bretanha. Movida pelo sonho de ver o mar e mais uma vez tentar por fim a sua vida, Marianne parte em direção ao litoral sem nada além de suas roupas do corpo. Leia mais

Resenhas 11fev • 2018

Robopocalipse, por Daniel H. Wilson

Essas são as expectativas que eu tinha para a leitura de Robopocalipse, baseadas unicamente na sinopse e na capa: Vai ser uma história de ficção científica interessante, sobre uma inteligência artificial que decide exterminar a raça humana, e vai ser bem estranha, afinal tem uma recomendação do Stephen King na capa. E pra ser sincero, foi exatamente isso que a leitura me entregou, mas eu não explicar porque eu tenho a sensação de que falta alguma coisa nesse livro.

Em Robopocalipse, uma inteligência artificial chamada Archos que através de uma rápida análise de dados, decide que a raça humana representa uma ameaça grande demais para o planeta e decide exterminá-la. O livro segue, através de vários pontos de vistas diferentes, a ascensão de uma força de resistência determinada a impedir que os planos de Archos se concretizem. Pela primeira vez na sua história, a humanidade consegue fazer o inimaginável: se unir por um objetivo comum. Leia mais

Recebidos do Mês 06fev • 2018

Os livros que chegaram no blog em Janeiro/18

Vamos falar sobre os recebidos do mês? Eu sei que esse é o post favorito de muita gente – e acho que é até o meu. Tem muito tempo que eu não sento aqui para escrever sobre os meus recebidos, na verdade, faz mais ou menos 1 ano que eu comecei a gravar esse tipo de conteúdo e colocar no canal do blog. Porém, como vocês devem ter percebido a ausência de vídeos, eu resolvi dar mais uma chance ao conteúdo escrito e ver o que eu consigo fazer. 🙂

Janeiro eu não recebi muita coisa, não vou mentir. A maior parte dos livros que chegaram foram lançamentos de final de ano das editoras, então eu tenho muita leitura acumulada para colocar em dia – imagina alguém em pânico… pois é. O bom disso tudo é que eu recebi uma quantidade de leituras variadas e enredos que eu realmente estava curiosa para explorar como, por exemplo, Uma Sombra Ardente e Brilhante, o primeiro livro da série Kingdom On Fire – se você achou o título bom, espera até ver a sinopse.

Eu resolvi dar uma segunda chance para Abbi Glines, achei que vocês deviam saber disso. Eu não gostei muito de O Último Adeus, mas acho que não dá para julgar um autor só com a leitura de um livro e, dessa vez eu vou estar apostando minhas fichas em Sem Fôlego. Espero que o enredo seja tão bom quanto o título do livro, não é mesmo? E antes que eu me esqueça, tem livro novo da Julia Quinn na estante e eu estou muito ansiosa para ver o que esse romance tem de especial. Leia mais

Resenhas 20dez • 2017

A Torre do Terror, por Jennifer McMahon

Poucas experiências na vida de um leitor são mais frustrantes do que quando ele encontra um livro que acerta em quase todos os detalhes, exceto por um. Aquela leitura que atinge quase todas as expectativas, menos uma, e essa uma acaba estragando o resto da leitura. Acabou que A Torre do Terror foi exatamente esse tipo de livro. A leitura de A Torre do Terror me agradou bastante mas poderia ter agradado ainda mais, se não fosse por um ou dois pontos que deixaram um gosto ruim na minha boca.

As irmãs Piper e Margot cresceram junto com a melhor amiga Amy, brincando nos corredores do hotel da família de Amy. Anos depois, já adultas, Piper e Margot não falam com Amy a anos. Mas numa noite sombria, Amy supostamente assassina seu marido e seu filho, deixando apenas sua filha Lou viva. Piper e Margot são então trazidas de volta para dentro das paredes do Hotel da Torre, e precisam lidar com o fato de que talvez algo que habita o hotel ainda assombra suas vidas.

O primeiro ponto positivo do livro é a escrita da Jennifer McMahon, que transporta a gente direto pra dentro da história. Nas mãos de um escritor menos capaz, o enredo que pula entre três momentos diferentes da história dos personagens poderia ter sido confuso, mas a autora soube balancear muito bem os três pontos da história. Principalmente a história de Rose e Syvie, que foi realmente a minha favorita, em grande parte por causa da narração da Rose.

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Entrevistas 19dez • 2017

Inteligente e sensual: conheça mais sobre a escrita Elizabeth Hoyt

Vocês têm um momento para a gente conversar sobre a Elizabeth Hoyt? Bom, não é segredo para ninguém que acompanha o blog que o primeiro livro da Trilogia dos Príncipes não é um dos meus romances de época favorito. E eu não vou mudar a minha opinião sobre isso, ok? Mas, eu li o segundo livro dessa série e, para a minha surpresa, eu AMEI o livro do começo ao fim. Por isso que eu sempre digo que vocês têm que dar mais de uma chance para os autores, eles podem sempre te surpreender.

Enfim, não amo O Príncipe Corvo, mas eu amo a Elizabeth Hoyt e agora somos melhores amigas. E como uma boa amiga, eu andei dando uma vasculhada na internet, procurando saber mais sobre a história da autora e como ela se tornou esse grande sucesso dos romances de época que é hoje. E eu descobri umas coisas INCRÍVEIS sobre a autora como, por exemplo, o primeiro rascunho de O Príncipe Corvo era um completo desastre!

Como eu gosto que vocês também conheçam mais dos autores, eu traduzi uma entrevista da Hoyt de 2007, quando a Trilogia dos Príncipes tinha acabado de começar a fazer burburinho lá fora e ela já estava trabalhando no terceiro livro, O Príncipe Serpente. É muito interessante ver como, dez anos depois, o livro ainda é um grande sucesso entre os leitores do gênero. Leia mais

Resenhas 09dez • 2017

O Príncipe Leopardo, por Elizabeth Hoyt

Eu sempre tive essa teoria de que o segundo livro de uma trilogia é melhor que o primeiro e o terceiro livro e, para a minha felicidade, essa teoria se tornou realidade novamente – bom, pelo menos no que se diz respeito ao primeiro livro. O Príncipe Leopardo foi uma leitura muito deliciosa, com personagens divertidos e diálogos que eu quero revisitar mais de uma vez. Elizabeth Hoyt me provou que também é capaz de criar uma heroína forte e dona de si mesma. E o que mais eu poderia pedir em um romance, não é mesmo?

Diferente de O Príncipe Corvo, neste segundo livro da Trilogia dos Príncipes, a autora conseguiu desenvolver melhor os seus personagens mas, principalmente, a sua narrativa. O Príncipe Leopardo tem uma leitura bem mais leve que o primeiro livro, os capítulos se desenvolvem num ritmo que prende o leitor e ainda temos um mistério a ser solucionado que com certeza vai deixar todo mundo no mínimo curioso para saber a verdade no final.

A escrita de Hoyt neste livro não é tão pesada. O foco está todo no desenvolvimento dos personagens e acho que isso fez com que a autora tomasse um pouco mais de cuidado no desenrolar da história, evitando deixar tantas pontas soltas – coisa que eu reclamei demais durante a leitura de O Príncipe Corvo. Além disso, os diálogos neste segundo livro estão muito mais trabalhados e divertidos. Os personagens principais tem uma personalidade marcante e mesmo ainda tendo pequenas falhas, eu consegui me diverti muito com essa leitura.

“Quando descobrira que o proprietário das varias terras que administraria era uma mulher, Harry ficara surpreso. Mulheres, em geral, não eram donas de terras. Normalmente, quando uma mulher possuía uma propriedade, havia um homem – filho, um marido ou um irmão – por trás de tudo, o verdadeiro mandante, a pessoa que decidiria como as terras seriam administradas. Mas, embora Lady Georgina tivesse três irmãos, era a própria dama que estava no controle.”

Georgina é sem dúvida uma heroína muito melhor do que Anna foi. Talvez por ela ser dona de sua própria fortuna e não precisar de um casamento, isso a tenha feito ter uma personalidade com a qual eu tenha facilidade de me identificar. Eu sou uma apaixonada por heroínas de romance que escrevem sua própria história e não ficam esperando o cavalheiro para salvá-la e Georgina foi exatamente essa personificação para mim. Inclusive, se ela fosse uma pessoa de verdade, nós seríamos melhores amigas, sem dúvida.

O romance de O Príncipe Leopardo também foi outro ponto que eu gostei muito nesse segundo volume da trilogia. Harry e Georgina se encaixavam perfeitamente como um casal. Ambos tinham suas inseguranças em relação ao que estavam sentindo e navegaram pelo relacionamento no seu próprio tempo, sem ceder às pressões da família ou da sociedade. Hoyt conseguiu trabalhar muito bem esses aspectos do relacionamento romântico deles e eu achei muito importante que ela tenha construído essa relação respeitando as limitações de ambos.

“O Sr. Pye, lutando com a rolha de uma garrafa de vinho branco, ergueu o olhar e sorriu para ela. Por um momento, Georgina se perdeu naquele sorriso, o primeiro sorriso de verdade que vira no rosto dele.”

Uma das poucas coisas que realmente me incomodaram nesse livro é que a autora insiste em criar personagens que não vão ser realmente utilizados na história e não dar um final apropriado para eles. Ela cometeu esse mesmo erro em O Príncipe Corvo e o repetiu em O Príncipe Leopardo. Eu realmente fico muito frustrada quando os personagens secundários não ganham um final apropriado para o seu arco, mesmo que ele seja completamente irrelevante para a história principal.

E se você gosta de um crossover em romances de época assim como eu – vide a minha obsessão pelos livros da Sarah MacLean – fique feliz em saber que o Conde de nome quase impronunciável, que é personagem principal de O Príncipe Corvo, faz uma breve e relevante aparição neste segundo livro, o que eu julguei bastante pertinente reunir todos os príncipes em uma cena, embora eu ache que isso também poderia ter acontecido no primeiro livro, mas já estabelecemos que eu e Hoyt discordamos em muitas coisas não é mesmo?

Eu só posso dizer, e isso com um alívio enorme no peito, que O Príncipe Leopardo foi uma leitura que valeu muito a pena para mim. Eu me diverti com os diálogos e me apaixonei junto com os personagens. Eu ri e me envolvi na relação de Harry e Georgina, consegui me conectar com ambos os personagens e ainda fiquei meio triste que o livro tinha acabado. Acho que de todas as experiências de leitura que podemos ter, essa sensação de “satisfação” é a melhor delas.

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Resenhas 09nov • 2017

Os 12 Signos de Valentina, por Ray Tavares

Os 12 Signos de Valentina é um livro escrito pela brasileira Ray Tavares e publicado em 2017. Ray começou sua carreira no Wattpad, após ganhar o prêmio Wattys de voto popular e alcançar mais de 2 milhões de leitores na plataforma, a autora foi convidada a publicar na Record pelo selo editorial Galera.

Os 12 Signos é um livro extremamente engraçado, é impossível não se divertir e dar umas boas risadas com a Isadora, nossa protagonista. A história toda gira após Isadora ser traída pelo namorado de 6 anos e resolver passar o rodo no zodíaco, palavras da própria. Na verdade ela só está com o coração partido, a autoestima carcomida e sem muito animo para nada, mas sua prima, Marina, obriga Isadora a dar a volta por cima. Depois de um encontro hilário com a faxineira de uma boate na Augusta, Isadora resolve juntar o útil ao agradável e criar para um projeto da faculdade o blog 12 Signos de Valentina, como proposta investigativa ela promete sair com cada um dos 12 signos do zodíaco e narrar a sua experiência com cada um deles.

–  Boa noite, Isadora  –  cumprimentou ele, falando o meu nome daquele jeito quase maldoso e característico dele.  –  Nem te vi chegar.
–  Ah, pois é, eu aparatei até aqui  –  comentei.
Andrei ria, mas o resto dos engenheiros não entendeu a piada, e eu me senti a coisinha mais estúpida da face da terra.
– Por isso que não nos encontramos – continuou ele, sem perder o sorrisinho divertido – , usei o pó de flu.

Uma coisa muito boa em Os 12 Signos de Valentina é a enxurrada de referencias. Você encontra de tudo, desde música brasileira até Harry Potter. Não posso negar que como uma Potterhead isso já era o suficiente para ganhar meu coração. A autora não deixa nada jogado, um erro que muita gente comete por aí, as referências fluem e fazem parte da comédia do livro. Isadora é nerd e é muito engraçada, é óbvio que ela não pode deixar de fazer piada com tudo. Não é só de risos que vivemos. O enredo do livro também é muito bom. De um lado temos uma universitária tentando superar um pé na bunda, do outro temos um monte de alunos da faculdade cada vez mais desesperados com o blog, querendo descobrir de qualquer maneira quem é a Valentina.

Outro ponto que se destacou para mim durante a leitura foi o posicionamento da autora, ela não foge de questões sociais, de inclusão e discussões políticas, ato que julgo extremamente corajoso. Vemos o posicionamento de diversos personagens discutindo igualdade de gênero, questões sociais e política. Independente no que você acredite, o livro abre um leque de assuntos que merecem ser colocados em pauta. Também temos muito da corrente feminista e do Girl Power no decorrer das páginas. Discussões sobre slut-shaming, empoderamento feminino, privilégios sociais, é uma porção de assuntos que fazem parte da vida de qualquer ser humano e que estão ali para moldar os personagens e trazer á tona assuntos que são vistos como desconfortáveis.

(…) ando recebendo algumas críticas e julgamentos de gente que, a meu ver, não tem muito que fazer e fica regulando a vida amorosa dos outros (…), dizendo que eu deveria “me dar ao respeito”, ou que eu não sou “exemplo para outras mulheres”, e até que eu vou “acabar sozinha se continuar vagabundeando por aí”, e para essas pessoas eu tenho um recadinho: eu não sou menos ou mais mulher porque decidi curtir um pouco a minha solteirice, mas você é menos humano e inteligente por querer ditar o que eu devo ou não fazer da minha vida.

A escrita da Ray é muito gostosa, as páginas vão passando e tudo que você quer saber é até quando Isadora vai continuar com essa loucura. Os diálogos são bem construídos e os personagens cativantes. Além da Isadora, eu gostei muito do Andrei. Ele se mostrou um par romântico condizente com a nossa protagonista forte e bem resolvida. Meu maior medo no início da leitura era rolar um dramalhão envolvendo o blog e os vários experimentos antropológicos, tive uma grata surpresa.  Super recomendo a leitura de Os 12 Signos de Valentina, principalmente se você quer se divertir após um dia estressante. Livros como este só mostram o quanto temos bons autores no Brasil. Para finalizar, Leão é o melhor signo do zodíaco.

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Resenhas 27out • 2017

Um Acordo de Cavalheiros, por Lucy Vargas

Romances de época dominam a minha estante desde que o primeiro livro da Julia Quinn, O Duque e Eu, se tornou popular entre os leitores brasileiros. Além de heroínas independentes e determinadas, o gênero aborta do romance em sua forma mais pura, algo que eu gosto muito e que não consigo encontrar em outros gêneros literários.

Quando a Record anunciou o lançamento de Um Acordo de Cavalheiros, eu não podia deixar passar a oportunidade de ler um nacional do meu gênero favorito, não é mesmo? Infelizmente, a escrita de Lucy Vargas não me conquistou tanto quanto eu gostaria e, com um enredo muito lento e cheio de informações confusas, Um Acordo de Cavalheiros, acabou não sendo tudo aquilo que eu estava esperando.

Um Acordo de Cavalheiros conta a história de Dorothy Miller, uma jovem dama de companhia que acaba se envolvendo com o infame Tristan Thorne, também conhecido como o conde de Wintry. Por mais avisada que Dorothy estivesse sobre não se envolver com o homem em questão, nossa heroína sempre esteve determinada a manter a sua independência e, assim, ela acaba envolvida em um acordo com o conde que pode mudar para sempre seus planos.

“- Eu não podia matá-lo, Dot. Não porque subitamente me arrependi de meus pecados. Foi só por você. Não podia mágoa – lá assim. Não aguentaria vê – lá machucada e saber que eu causei isso. Não importa o quanto ele mereça, só você importa para mim. Não quere que ele seja meu presente, quero que seja você. E só posso tê-la em meu futuro se abrir mão de todo resto.”

Eu tinha todas as expectativas para esse livro, principalmente por ser um nacional e, apesar de ter um começo envolvente, Um Acordo de Cavalheiros não entrega tudo o que promete. Meu primeiro problema com o livro foi a quantidade de informação que a autora joga em cima do leitor ao longo dos capítulos intermináveis. Conhecemos diversos personagens que não tem nenhum tipo de função na história e somos apresentados a dois personagens principais com diversas complicações que parecem ser resolvidas de um capítulo para o outro sem nenhuma explicação.

Apesar de eu gostar da escrita de Vargas, Um Acordo de Cavalheiros tem muito mais páginas do que realmente precisa. Em menos de 100 páginas eu já tinha acompanhado diversos dramas entre os personagens principais e secundários e nenhum deles caminhava para a conclusão da história ou ajudava na construção da personagem. Com isso, a leitura foi ficando cansativa demais, como se a história fosse ficar dando volta naquela brincadeira de gato e rato de Dorothy e Tristan que, no começo era até engraçado, mas depois de um certo ponto começou a ser mais do que irritante.

“— Às vezes a vida é mais do que queremos, querida. Temos certos deveres.
— Eu só tenho visto os deveres. Às vezes, as pessoas também precisam conseguir o que querem.
— E para ter o que querem, precisam sacrificar algo.”

Dorothy tinha tudo para ser uma personagem interessante, mas ela acabou se revelando uma heroína bastante sem graça. Dorothy é uma personagem bastante passiva, embora eu tenha tido a impressão de que essa não era a intenção da autora. Todo o drama que ela cria em torno de Tristan Thorne não me parece uma atitude de uma heroína independente e que sabe o que quer. E acreditem, a última coisa que Dorothy sabe durante todo o enredo é o que ela realmente quer. Eu me senti cansada demais acompanhando as idas e vindas dela e Tristan, o que acontece muitas vezes antes mesmo de você chegar na metade do livro.

O romance não me convenceu, mesmo eu tendo todo o tipo de expectativas nele. O último suspiro que poderia me salvar do tédio que era essa história sem fim. Mas Dorothy e Tristan são um casal muito chato, com problemas sérios de comunicação e com a falta daquela boa e velha química. Por mais que eu conseguisse imaginar os dois juntos, nunca os vi como um casal que pudesse realmente se completar. A parte emocional do relacionamento dos dois foi muito pouco trabalhada e talvez isso tenha sido o maior erro da autora quando se trata do romance do livro.

Eu queria muito gostar de Um Acordo de Cavalheiros, mas acho que o enredo não entregou o que eu mais gosto em romances de época. Eu senti falta da emoção da leitura e de personagens fervorosamente apaixonados um pelo outro, mas ainda assim, a escrita de Lucy Vargas tem muito potencial e eu espero ver mais do trabalho dela sendo publicado pelo selo Record em breve.

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