Posts arquivados em: Tag: Editora Verus

Lista 09mar • 2018

3 motivos para você ler Um Tom de Mais Escuro de Magia

Victoria Schwab é aquele tipo de autor que entra na sua vida muito por acaso e acaba fazendo residência no seu coração. Meu amor por ela começou em 2016, quando a Record me convidou para ler A Guardiã de Histórias. Nessa época, admito, eu nem ao menos sabia quem era a autora e menos ainda que os livros dela eram tão populares entre os leitores de outros países – e isso foi muito bom porque eu tive a chance de me apaixonar pela escrita dela sem nenhuma influência externa, digamos assim.

A escrita de Schwab é maravilhosa, eu juro! Você se envolve com o enredo logo nas primeiras páginas e, sem nem ao menos perceber, está imerso em um universo completamente novo, do qual você nunca mais vai querer sair. Foi assim que aconteceu comigo quando recebi um e-mail da editora perguntando se eu gostaria de dar uma chance a “Um Tom Mais Escuro de Magia”, no ano passado. Eles estavam preparando tudo para o lançamento do segundo livro da trilogia aqui no Brasil e gostariam que alguns blogueiros fizessem uma resenha sobre o primeiro livro.

Me joguei de cabeça na leitura. A essa altura da minha vida, eu conhecia um pouco de Schwab e já havia me interessado pelo enredo de Um Tom Mais Escuro de Magia. Universos paralelos com graus diferentes de magia que possuem a cidade de Londres como a única coisa em comum entre si, me pareceu tão interessante que eu não podia deixar passar a chance de conhecer a história do Antari da Londres Vermelha e viajar através das portas que ele era capaz de abrir. Leia mais

Resenhas 30set • 2017

O Sorriso da Hiena, por Gustavo Ávila

O Sorriso da Hiena é um livro de literatura policial escrito pelo brasileiro Gustavo Ávila. Primeiramente lançado de forma independente, Gustavo conseguiu alcançar o público chamando atenção da editora Record, suas vendas e a críticas lhe renderam uma republicação em 2017 sob o selo Verus. Centrado em uma série de assassinatos envolvendo crianças, o livro é uma viagem pelas questões de ética profissional e a moral humana.

“A mulher encarou o filho, tentando fazê-lo se acalmar, aquele olhar materno com efeito sedativo, tranquilizador, quase como um abraço. Piscou com força para fazer cessar as lágrimas, como quem tenta dizer que vai ficar tudo bem, que vai acabar logo. E foi assim que os olhos de sua mãe, que sempre conseguiram dizer tudo sem precisar de uma palavra sequer, silenciaram para sempre ao som de uma arma de brinquedo.”

Eu simplesmente adorei a leitura de O Sorriso da Hiena, a trama criada pelo Gustavo conseguiu ser eletrizante do início ao fim, os cliffhangers deixados ao final dos capítulos me levaram a não querer largar o livro. A ambientação foi o que eu mais gostei. A descrição das cenas foi extremamente vívida, era como se eu fosse transportada para dentro do livro, alguns lugares me lembravam minha cidade, andando na rua eu sentia que podia cruzar com o Artur ou o William a qualquer segundo. Toda a trama que cerca David, e o motivo para ele cometer tais assassinatos, possui uma profundidade muito boa para quem quiser explorar, o maior mérito do livro em minha opinião.

“E a dor, Sr. William, ela é contagiosa feito uma doença. Lá dentro a única coisa que eu aprendi foi a passar a minha pra frente, na esperança de que ela sumisse de vez. Mas ela não sumiu. E, não importava quantas vezes eu machucasse alguém, a minha dor continuava em mim.”

A moralidade é posta em prova durante toda a leitura. David tem um objetivo ‘nobre’ para realizar os assassinatos, ele precisa saber qual a origem do mal. Até que ponto a dor empregada na infância faz com que a criança se torne um agente da violência mantendo esse ciclo sem fim? Para descobrir a resposta ele entra em contato com um prestigioso psicólogo, William, seu doutorado analisava casos reais de crianças que passaram por situações violentas na infância, levantando perguntas sobre a relevância de eventos violentos no desenvolvimento de traumas e na moldação do caráter. David comete os assassinatos e encaminha as crianças para o psicólogo na busca de entender se ele é um monstro insensível por conta do que passou na infância, ou se o é por natureza.

Todas as famílias são diferentes, o ritual é sempre o mesmo e as vítimas são os pais. As crianças, amarradas em uma cadeira, se vêem obrigadas a assistir a morte dos pais. William é um exemplo de profissional e de cidadão, é atencioso com os pacientes, realiza trabalhos voluntários, é amado pela noiva e amigos, e tudo isso começa a ruir quando ele vê a chance de realizar o seu estudo, mesmo que os caminhos que o levaram a essa chance sejam sujos de sangue.

– Por que fica escuro de noite?

–  Por que você acha que fica escuro à noite, Luiza?

–  Eu perguntei primeiro.

Então eu expliquei, inclusive com desenhos, que era quando o sol estava do outro lado da Terra. Que ele dava a volta para iluminar o outro lado.

Ela me chamou de mentiroso.

Eu perguntei por quê.

Ela me disse que Felipe, um dos seus pais, tinha lhe dito outra coisa.

Em suas palavras:

–   A noite é escura porque é quando as cores dormem.”

Gustavo também soube trazer a narrativa policial para a realidade do nosso país. A dificuldade que a polícia encontra durante a investigação, a falta de intercambio entre as polícias de zonas afastadas e os interesses econômicos interferindo no processo, são exemplos de como a história cabia em nossa realidade. Em tempos onde muitos escritores vivem tendo a literatura americana como base, saber adaptar o gênero para a nossa cultura é essencial. O livro também é corajoso em matar personagens e descrever cenas mais sangrentas, senti o nervoso da situação na pele em diversos trechos.

A minha única crítica negativa é que o autor foi um pouco explicativo demais em algumas partes, o autismo do detetive Artur é um exemplo. Caberia deixar subentendido ao leitor, o escritor já havia deixado pistas o suficiente, uma coisa ínfima perto da qualidade do livro. Se você é fã do gênero, ou está a fim de se aventurar nesse tipo de literatura, O Sorriso da Hiena é uma ótima pedida. Você vai se deparar com um livro excelente, e o melhor de tudo? É literatura nacional.

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Notícias 27jul • 2017

Você já conhece a série As Noivas da Semana da Editora Verus?

Não podemos negar que Catherine Beeby mal chegou no Brasil e já está conquistando o coração dos leitores brasileiros com a sua série As Noivas da Semana.  O primeiro livro da série, Casada Até Quarta, foi lançado pela Editora Verus em maio deste ano e, o que eu posso dizer? Eu acho que gostei dessa leitura muito mais do que eu realmente deveria.

As Noivas da Semana é aquela clássica série de livros que vão seguir cinco personagens distintas em um serviço de matchmaking que forma casais através de critérios inteiramente não românticos. Por ser romancelândia, alguns desses casais cuidadosamente combinados não podem evitar se apaixonar perdidamente um pelo outro apesar das regras, é claro, e isso é o que faz a série ser tão divertida.

Apesar dos livros serem curtos, Catherine Beeby compensa a falta de páginas com personagens divertidos e diálogos maravilhosos que com certeza vão te dar boas risadas. Para quem gosta de um romance divertido e com uma boa pitada de humor, essa nova aposta da Verus pode ser uma boa escolha.

Conheça os livros da série:

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O contrato de casamento deles previa tudo… menos se apaixonar. O primeiro livro da série Noivas da Semana. Blake Harrison: rico, nobre, charmoso… e precisando de uma esposa até quarta-feira. Para isso, Blake recorre a Sam Elliot, que não é o homem de negócios que ele esperava. Em vez disso, ele encontra Samantha Elliot, linda e exuberante, com a voz mais sexy que ele já ouviu. Samantha Elliot: dona da agência de casamentos Alliance, ela não está no menu de pretendentes… até Blake lhe oferecer milhões de dólares por um contrato de um ano. Não há nada de indecente na proposta dele, e além disso o dinheiro vai ser muito útil para quitar as contas médicas da família dela. Samantha só precisa disfarçar a atração que sente por seu novo marido e evitar a todo custo a cama dele. Mas os beijos ardentes de Blake e seu charme inegável se provam muito difíceis de resistir. Era um contrato de casamento que previa tudo… menos se apaixonar. Agora só resta a Samantha proteger seu coração até que o contrato chegue ao fim.

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O segundo livro da série Noivas da Semana. Carter Billings: com seus cabelos loiros, olhos azuis e beleza hollywoodiana, ele pode ter a mulher que quiser. Mas, quando decide concorrer à vaga de governador do estado da Califórnia, Carter sabe que vai precisar abandonar a vida de solteiro e se tornar um homem de família. E para isso ele precisa de uma esposa. Entra Eliza Havens, que gerencia a agência de casamentos Alliance. Eliza Havens: ela está feliz por sua amiga Sam ter arrumado um marido rico e atraente. Só tem um detalhe que a deixa louca da vida: o melhor amigo dele, o sexy e ousado Carter Billings. Eliza nunca brigou tanto com um homem — e nunca conheceu alguém que mexesse tanto com ela. Juntar pessoas solitárias é a maneira como Eliza ganha a vida, porém um obscuro segredo do passado a faz descartar totalmente a possibilidade de se casar. Pelo menos foi assim até agora…

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O terceiro livro da série Noivas da semana Gwen Harrison: a bela filha de um duque inglês se mudou para os Estados Unidos para cuidar da agência de casamentos de sua cunhada. Só porque ela agora é a chefe da agência, não significa que não possa fantasiar um encontro perfeito com o enigmático Neil MacBain, o guarda-costas que vem tornando seus sonhos um tanto quanto agitados. Mas negócios são negócios, e é melhor Gwen não se deixar envolver. Neil MacBain: o ex-fuzileiro naval não pode negar o efeito da aristocrata Gwen em sua alma atormentada e seu corpo esculpido pela rotina militar. Mas ela é cliente dele, e manter distância é fundamental — até uma ameaça do passado de Neil retornar e Gwen se ver no meio do fogo cruzado. Agora depende de Neil decidir o que é mais importante salvar: sua carreira, sua vida… ou a mulher que conquistou seu coração.

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O quarto livro da série Noivas da semana Karen Jones: a loira estonteante se casou com um astro de Hollywood, porém é ela quem desempenha diariamente um papel — o de esposa feliz. Um ano atrás, ela concordou em se casar com um ator famoso para dissipar rumores sobre a vida pessoal dele. Agora seu divórcio se aproxima, assim como um pagamento de cinco milhões de dólares. No entanto, conforme Karen se prepara para abandonar com elegância seu casamento arranjado, ela conhece o cunhado, um homem lindo de morrer. Zach Gardner: o pedaço de mau caminho de cabelos escuros e olhos azuis aparece sem ser convidado na festa de um ano de casamento de Michael e Karen, determinado a conhecer a esposa que seu irmão escondeu da família inteira. Mas faíscas voam no instante em que ele e Karen se encontram. Quando o casal famoso decide visitar a família Gardner, Karen precisa esconder o segredo do marido e de seus parentes bisbilhoteiros… incluindo Zach, o homem que talvez seja o verdadeiro amor da vida dela.

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Judy Gardner: ela acabou de se formar na faculdade e está pronta para ganhar o mundo… desde que consiga um emprego. Esperando passar o mais rápido possível de arquiteta novata a profissional respeitada, a beldade de cabelos escuros se muda para a casa de seu irmão celebridade, Michael Wolfe, em Los Angeles. Mas é difícil para Judy se concentrar no trabalho quando o guarda-costas sexy por quem ela se apaixonou no verão passado continua aparecendo em sua vida e tirando seu fôlego.
Rick Evans: com seu corpo musculoso, olhos verdes e sorriso fácil, Rick poderia ter a mulher que ele quisesse. Mas o ex-militar e atual guarda-costas só tem olhos para a impulsiva Judy. Quando ela sofre um ataque, Rick sabe que não vai parar até ter certeza de que a mulher da sua vida está a salvo do monstro atrás dela.

Resenhas 15jun • 2016

Anna Vestida de Sangue, por Kendare Blake

Anna Vestida de Sangue é um livro de terror YA, escrito pela autora Kendare Blake e publicado pela Editora Verus em 2016. No livro, o protagonista é Cas Lowood, um jovem caçador de fantasmas que herda a profissão após seu pai ser brutalmente assassinado por um fantasma que caçava. Cas então, assume os trabalhos de seu pai e viaja pelo país acompanhado de sua mãe, perseguindo espíritos sanguinários.

Em uma dessas viagens, Cas chega a uma pequena cidade, onde existe a lenda de uma fantasm chamada Anna Vestida de Sangue. Cas espera que seja uma caçada como as outras, mas o que ele encontra é um espírito completamente diferente de tudo o que ele já enfrentou. Um espírito muito mais perigoso e mortal do que os que ele já havia encontrado.

Agora, Cas, com a ajuda de sua mãe e de seus novos amigos Thomas e Carmel, precisa descobrir o que faz de Anna tão diferente dos outros fantasmas que ele já viu, e porque ela decidiu poupar a vida dele, em vez de matá-lo, como fez com todas as outras pessoas com quem encontrou.

anna vestida de sangue

Primeiramente, eu queria falar que eu já tinha falado desse livro antes num post que eu fiz sobre autores que eu queria publicados no Brasil. Não estou dizendo que as editoras estão seguindo as minhas sugestões, mas as evidencias falam por si próprias, não é mesmo? Brincadeiras a parte, fiquei muito feliz de saber que esse livro finalmente tinha chegado no Brasil.

A primeira coisa que me chamou a atenção nesse livro foi o fato de que eu não tinha visto muito terror para YA por aí. Tem muito romance, distopia, fantasia, mas terror? Nem tanto. Além disso, eu li esse livro pela primeira vez na época em que eu ainda assistia Supernatural, e nem preciso falar que fiquei super interessado, né? Um livro sobre caçar espíritos, com um protagonista chamado Cas! Parece até de propósito.

O livro tem um plot bem simples, um jovem caçador de fantasmas, que começa a caçar porque está procurando o espírito que matou o seu pai.  E essa história simples é o que permite que os personagens se tornem a parte mais legal do livro, principalmente com a escrita ótima da Kendare Blake. Como protagonista, Cas é bem interessante, começando a história como um jovem arrogante e pretensioso. Mas ao longo da história, ele amadurece e se torna um caçador melhor e mais habilidoso.

Os outros personagens também são super desenvolvidos. Anna é claro, tem uma backstory super assustadora que é bem explorada no livro. Outros personagens, como Thomas e Carmel também, são muito bem utilizados. Principalmente Carmel que se tornou uma das minhas personagens favoritas na série.

anna vestida de sangue

Outro ponto que gostei muito no livro foi o fato de ele ser realmente assustador. Acho que como eu não tinha lido muitos YAs de terror quando li esse livro, os poucos que eu já conhecia não eram tão pesados no terror como eu gostaria. Esse livro, por outro lado, não economizou no sangue e nas cenas mais sinistras. Pra quem gosta de terror, assim como eu, é um prato cheio.

Antes de acabar essa resenha, queria só acrescentar uma coisa. Apesar de ter gostado bastante desse livro, a continuação Girl of Nightmares, que eu espero já esteja a caminho, é muito melhor. Todos os personagens são ainda mais desenvolvidos, a história é mais trabalhada, tudo o que eu gostei nesse livro fica ainda melhor no segundo.

Enfim, Anna Vestida de Sangue é um livro que eu já venho gritando faz tempo que adoro. Personagens bem escritos, uma história interessante, uma escrita formidável, e cenas tiradas direto de um filme de terror. Falta alguma coisa? Acho que não, né? Então não deixem de conferir esse livro, que é um dos meus favoritos.

 

Resenhas 02maio • 2016

Encrenca, por Non Pratt

O assunto “gravidez na adolescência” sempre foi muito polêmico na época em que eu estava no auge dos meus 14/15 anos. Minha mãe sempre me dizia que se eu fizesse uma “escolha ruim” eu iria ter que arcar com as consequências. Sempre me perguntei qual era essa tal escolha ruim. Seria transar muito nova ou ter um filho muito nova? Seja como for, as pessoas na minha época tratavam a gravidez como o pior erro que você poderia cometer e, na minha opinião, se tivessem conversado mais e criticado menos, muitas das minhas amigas talvez tivessem feito escolhas diferentes.

Mas porque eu estou falando disso? Recebi da Editora Verus um livro que me chamou muita atenção justamente por falar da gravidez na adolescência de uma forma completamente diferente. Encrenca, da Non Pratt conta a história de Hannah, uma garota de apenas 15 anos que é vista como uma “vadia” pelas pessoas da escola em que estuda. Um dia, Hannah descobre que está grávida e sem querer revelar o pai do seu filho, ela acaba arcando sozinha com o bullying na escola e o fato de que daqui há alguns meses ela seria responsável por outro ser humano.

encrenca

É no meio de toda essa confusão que aparece Aaron Tyler, um novo aluno na escola de Hannah que, por vontade própria, decide assumir – mesmo que de mentira – a paternidade do filho de Hannah para ajudá-la a passar por esse momento. Mas Aaron também tem seus próprios demônios para enfrentar e, junto com Hannah, ele embarca em um período de lembranças, decisões, perdão e principalmente autoconhecimento.  Com a narrativa em primeira pessoa dividida entre estes dois personagens, Non Pratt nos convida a conhecer a história de dois adolescentes que tem muito a nos fazer sentir.

A narrativa dividida entre dois personagens é algo muito perigoso, mas Non Pratt conseguiu – e de uma forma brilhante – dar vozes únicas para cada um dos seus personagens, criando uma montanha russa emocional deliciosa para os seus leitores. Confesso que, no começo do livro, eu achei que não fosse me envolver com a história, mas acompanhar a história de Hannah contada do ponto de vista dela foi muito mais intenso do que eu poderia prever. Foi um desafio para mim, como leitora, estar na cabeça de uma garota de 15 anos, grávida, sendo obrigada a tomar decisões de adulto, sofrendo com bullying e lidando com as mudanças do seu próprio corpo, tudo de uma única vez.

encrenca

Non Pratt tem uma escrita impecável. Quando você passa muito tempo dentro da cabeça de um personagem, chega um ponto que a história começa a ficar cansativa, mas em Encrenca, Non conseguiu desenvolver a história na medida certa, de forma que a cada capítulo eu estivesse mais e mais envolvida com Hannah e Aaron. Além disso, o enredo foi construído de forma que eu conseguisse conhecer Hannah. Quando toda a “bomba” da gravidez aconteceu, eu conseguia visualizar bem as possíveis decisões que a personagem poderia tomar e o tipo de pessoa que ela era ou viria a ser.

Tanto Hannah quanto Aaron foram personagens que me conquistaram, porém, eu quero tirar um parágrafo para falar sobre a Hannah. A construção dessa personagem me deixou completamente destruída por dentro. Num primeiro momento, nós temos apenas uma menina de 15 anos, influenciada pelo grupo de amigos, com conflitos com a mãe, e uma atitude que claramente não condiz com quem ela realmente é. E então a sua vida muda completamente com a gravidez e você começa a perceber que ela não é só uma menina boba de 15 anos, mas alguém que entende muito bem a sua situação e como isso vai afetar o seu futuro.

encrenca

Eu acho que Hannah é uma personagem que faz cair por terra a ideia de que só porque uma pessoa tem pouca idade, significa que ela não tem noção do que está fazendo. Apesar da situação ser muito complicada, de um determinado ponto do livro, Hannah se mostrou muito mais madura, muito mais preparada para tudo aquilo do que eu esperava dela. E Aaron? Ele te surpreende com o seu modo de pensar, com a capacidade que ele tem de ir além dos rótulos e do julgamento dos outros. É um personagem que se constrói nas suas atitudes, na forma como ele consegue se colocar no lugar do outro.

Agora vamos falar um pouco sobre a gravidez? Engana-se quem acha que esse livro vai focar apenas neste assunto. Pelo contrário, a gravidez de Hannah é só uma ponta do iceberg que é o enredo de Encrenca. Non Pratt tomou esse tema apenas como uma desculpa para ir mais além, nos mostrando como nós, seres humanos temos uma facilidade absurda para julgar os outros sem conhecer sua história por completo. Além disso, ela nos leva a questionar quem são nossos verdadeiros amigos, porque essa necessidade absurda de diminuir o outro para se tornar maior?

encrenca

Encrenca é um livro que tem personagens com personalidades diversas, e a autora joga com essas personalidades, nos fazendo pensar isso ou aquilo de vários personagens e depois nos surpreende com situações que, só quem ler este livro vai ser capaz de entender o que eu quero dizer aqui. Eu me surpreendi muito com o desenvolvimento dessa história, principalmente porque eu comecei pensando várias coisas, sobre várias pessoas e no final, a minha visão das coisas era completamente diferente.

Eu fiquei encantada com esse livro, honestamente. A escrita da Non Pratt é muito leve, muito simples e ao mesmo tempo dura, marcante. Quando eu peguei Encrenca para ler, achei que seria algo leve, com um pouco de drama, mas ainda assim leve. Mas não é só isso. Ler esse livro me fez pensar na forma como eu vejo e trato as pessoas, na facilidade que temos de julgar aparências, de julgar pessoas e em como fazemos isso de forma inconsciente. Eu me envolvi com o enredo desse livro, e acho que qualquer leitor que esteja procurando uma nova ressaca literária, também irá se envolver.

Resenhas 29abr • 2016

Belo Sacrifício, por Jamie McGuire

Meu coração simplesmente não aguenta essa série dos Irmãos Maddox. Belo Sacrifício foi o meu ápice, juro! Não se enganem, eu amo Travis, ele foi amor à primeira vista há muito tempo atrás, mas esses irmãos deles não estão deixando barato. É muito difícil não se apaixonar por cada um deles em cada livro lançado pela Jamie McGuire. Como que ela consegue criar tantos personagens masculinos perfeitos e ainda assim, cheios de feitos? É quase impossível não se apaixonar por um Maddox, ou melhor, por todos eles.

Mas não estamos aqui para falar da família Maddox como um todo. Na verdade, estamos aqui para falar sobre Belo Sacrifício, que foi enviado com muito amor e carinho pela Editora Verus. Neste terceiro volume da série, Jamie nos faz uma apresentação mais do que justa de Taylor Maddox, um dos gêmeos que já tanto ouvimos falar nos volumes anteriores, e também em Belo Desastre.

Belo Sacrifício

Belo Sacrifício irá contar a história da Falyn, uma garota que resolveu abandonar completamente a sua vida de menina rica para trabalhar de garçonete em uma cafeteria. É neste mesmo lugar que seu caminho se cruza com o bombeiro ambienta (da elite dos bombeiros) Taylor Maddox. Apesar de não querer se envolver, Falyn não consegue ficar longe de Taylor, até porque o Maddox consegue ser bem persuasivo quando quer. Mesmo a relação entre eles sendo interessante, Falyn sabe que os segredos do seu passado podem acabar destruindo tudo, e talvez não seja a melhor ideia arriscar.

O livro é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista da Falyn, e mais uma vez eu levanto a questão do porque a série não ser contada do ponto de vista dos Maddox, já que é a história deles não é mesmo? Mas, vamos focar no fato de que Falyn tem uma personalidade interessante e diferente das outras personagens, o drama que envolve a sua vida realmente deu a história um ar mais envolvente e me fez querer acompanhar a sua narrativa até o final.

Belo Sacrifício

O desenvolvimento do livro é “ok”. Confesso que eu estou começando a ficar um pouco cansada da autora sempre voltar aos mesmos eventos que aconteceram nos livros anteriores. É como estar vendo a mesma história em ângulos diferentes e isso tem se tornado um pouco enjoativo pra mim. Digo, eu consigo prever as coisas acontecendo no livro seguinte porque a autora já me mostrou muita coisa que, talvez não devesse, neste volume da história. Isso meio que tá matando a vibe da série e deixando a história com um gostinho de mais do mesmo.

Belo Sacrifício me chamou muita atenção para os problemas familiares. Acredito eu que, neste volume, a Jamie tenha tomado um pouco mais de cuidado na construção do drama, criando motivos e situações plausíveis, que realmente fizessem com que o leitor se envolvesse naquilo. Diferente de Bela Redenção, este terceiro volume traz personagens com personalidades mais sóbrias e com problemas e questões que interessam ao leitor saber mais e, pra mim, esse foi um ponto muito positivo para Belo Sacrifício.

Belo Sacrifício

Eu me sinto obrigada a tirar um parágrafo para falar sobre Falyn. As outras heroínas também me agradaram, mas Falyn tem uma fibra diferente das personagens dos volumes anteriores. Ela passou e sofreu coisas que me fizeram querer aplaudi-la de pé por ainda continuar lutando. Acho que o relacionamento dela com Taylor foi realmente fundamental para que ela pudesse ter com quem dividir os fardos que ela carregava, além disso, fez com que ela se desenvolvesse muito bem como personagem principal ao longo do enredo.

O romance foi um ponto que deixou muito a desejar. Eu nunca vou entender essa coisa dos Maddox por mulheres que não tem interesse neles. No começo eu achava excitante ler uma história assim, mas depois de quatro livros com romances similares você acaba perdendo um pouco do tesão pela história. Ainda não sei como vai ser o quarto volume da série, mas eu realmente espero que traga algo surpreendente.

Belo Sacrifício

E Taylor? Vocês não acharam que eu ia mesmo deixar de comentar sobre ele, não é? Um Maddox que eu não esperava. Diferente dos irmãos, eu o achei com um temperamento bem mais controlado e muito mais sóbrio, se me entendem. Eu gostei da tranquilidade que ele passa durante o livro e como lida com as situações. Isso foi algo que me surpreendeu dentro da leitura que, eu tenho que dizer que em alguns pontos parecia sim, mais do mesmo. Acho que foi bom ter um Maddox com uma personalidade diferente pra variar.

O que eu posso dizer? Eu amo essa série. Não importa os defeitos que eu encontre na narrativa, os personagens e a escrita da Jamie me pegaram de jeito e eu não consigo ignorar nenhum livro dela. Apesar das pequenas falhas, para quem gosta de um bom romance, Belo Sacrifício é um livro que vai te arrancar uma quantidade de suspiros suficiente para que você possa dormir com um sorriso no rosto.

Resenhas 04mar • 2016

Quarto, por Emma Donoghue

A primeira vez que eu ouvi falar de Quarto, foi quando o trailer do filme foi lançado e começou um burburinho na internet em torno do enredo. Num primeiro momento eu preciso conversar que eu não me interessei muito pelo enredo. Achei interessante, mas era um livro que eu pretendia deixar pra depois de assistir ao filme. Mas, a Verus Editora me enviou esse livro com muito carinho e quando eu mergulhei no enredo de Emma Donoghue, eu fiquei completamente envolvida com aquela história e agora eu preciso compartilhar essa minha experiência literária com vocês. Mas primeiro, vamos ao enredo.

Jack é um garoto de cinco anos de idade, cujo o universo se resume ao Quarto, lugar onde ele vive com sua mãe. Para Jack, tudo o que está além da claraboia do quarto é o universo, e as coisas que ele vê na TV, são apenas coisas da TV. Ele vive no Quarto junto com a sua mãe e todo o domingo eles pedem um presente ao Velho Nick, o homem que traz para eles as coisas que eles precisam para sobreviver A verdade é que a mãe de Jack foi sequestrada pelo Velho Nick quando era jovem e está presa dentro do Quarto há sete anos. Agora, com Jack um pouco crescido, ela começava a ver uma oportunidade de escaparem do cativeiro, mas seu plano iria exigir muita coragem da parte dela, mas principalmente de Jack.

Quarto

Arrepios e lágrimas são palavras que resumem muito bem o que é a leitura de Quarto. Narrado em primeira pessoa, do ponto de vista do Jack, Emma Donoghue consegue criar de maneira perfeita um cenário que envolve o leitor desde o primeiro capítulo. O primeiro acerto desse livro foi contar a história do ponto de vista do Jack. A narrativa te dá uma visão mais leve de um enredo que aborda um assunto complexo e faz com que o leitor, aos poucos, se envolva com os acontecimentos que seguem os personagens principais. A forma inocente que Jack tem de ver e entender as coisas que estão acontecendo a volta dele te envolvem na história e te emocionam de uma forma que só fazendo essa leitura, você vai ser capaz de entender.

Eu não tenho palavras para descrever o que é a escrita de Emma Donoghue em Quarto. A forma como ela constrói o enredo e os personagens de Quarto é simplesmente maravilhosa. Você consegue visualizar cada detalhe que ela te propõe dentro do livro, enxergar os personagens de forma clara mas, principalmente, se envolver com todo o enredo. Acho que mais do que falar sobre o sequestro, as condições que o Jack e a Mãe viviam, o livro faz uma crítica muito importante a como a mídia se comporta em relação as pessoas que sobreviventes de situações similares a que foi narrada em Quarto, e a forma como a Emma Donoghue faz isso dentro do livro é espetacular.

Quarto

De todos os livros que eu li até hoje, acredito que Quarto tem a melhor construção de personagem. Mesmo com a narrativa do ponto de vista do Jack, eu conseguia perceber o sofrimento da Mãe, a saudade que ela tinha de casa e o desespero que ela sentia em sair daquele lugar. Ela é uma personagem muito fácil da gente se identificar e se envolver, principalmente por causa do relacionamento que ela e Jack construíram em meio a uma situação caótica. Durante todo o livro eu conseguia compreender o sofrimento dela, as confusões e todo o sentimento que ela estava guardando dentro de si.

Ainda assim, Jack é o meu personagem favorito de todo o livro. Eu gostei da forma que ele foi construído. Durante todo o livro eu conseguia perceber a sua confusão e inocência em relação a tudo o que estava acontecendo a sua volta. Isso me tocou. Me envolveu. Normalmente eu não costumo gostar de livro com personagens tão jovens como Jack narrando, mas ver todo o mundo de Quarto pelos olhos dele me fez chorar mais de uma vez durante a leitura e toda essa emoção que o personagem me fez sentir foi a melhor parte de toda essa experiência literária.

Quarto

Eu estou completamente apaixonada por Quarto, sinceramente. O enredo tem uma forma incrível de fazer o leitor desejar saber o que acontece no próximo capítulo, os personagens são de uma complexidade tão maravilhosa que é muito difícil um leitor não se apaixonar por cada um deles. Emma Donoghue é uma escrita que sabe conduzir uma história e criar um enredo sem nenhuma ponta solta, escrito de uma forma tão simples e emocionante que, faz o leitor ficar completamente entregue aquele universo. E se você está preocupado sobre o filme, não fique. Tive a oportunidade de assisti-lo, e acredite, foi tão emocionante quanto a leitura do livro. Vale muito a pena ir conferir.

Para aqueles que ainda não conheciam a história de Quarto, eu vou deixar abaixo o trailer do filme estrelado por Brie Larson que, recentemente, ganhou o Oscar de melhor atriz por seu papel neste filme.

Resenhas 02jan • 2016

Vire a Página, por Rebecca Beltrán

Todo mundo, pelo menos uma vez na vida, vai passar por um relacionamento complicado e vai precisar muito mais do que um ombro amigo para superar o ex. Pensando nisso, a Verus Editora lançou um livro de atividades que vai te ajudar a deixar o passado para trás e viver o hakuna matata na melhor maneira possível. Eu tô falando de Vire a Página da Rebecca Beltrán.

Confesso que livros de atividade não são os meus favoritos. Quem acompanha o blog sabe que é muito raro eu me dedicar a uma resenha de um livro desse estilo, mas como Vire a Página tinha um tema diferente que podia dar um post ao menos divertido para o blog, eu me rendi a essa aventura e agora eu venho compartilhar com vocês um pouco da minha experiência com esse livro, com direito a surpresa no final!

Vire a Página

Vire a Página tem diversas atividades que prometem te ajudar a esquecer o ex. Para fazer essas atividades, eu contei com a ajuda da Nathália, que vocês podem conhecer melhor no vídeo abaixo. Juntas selecionamos algumas das atividades que julgamos mais interessantes de se fazer no livro. Confesso que algumas nos deixaram um pouco confusas, porque eu não sabia muito bem o que exatamente era pra fazer, mas o livro também compensa com algumas atividades que, no final, acabaram sendo libertadoras.

Mantenho minha opinião de que livros de atividade não são o melhores livros já inventados no mundo literário, mas como vocês podem ver, pelo menos eles permitem que a gente explore um pouco mais a fundo a nossa criatividade e se liberte de alguns fantasmas. Apesar de não gostar muito, até que eu me diverti fazendo as atividades do livro e isso fez valer muito a pena!

Vire a Página

E para que todo mundo possa se divertir tanto quanto eu e a Nathália nos divertimos nesse vídeo, resolvemos dar um presente para vocês e começar o ano com o pé direito. Estaremos sorteando um exemplar do livro Vire a Página aqui no blog e para participar basta você seguir o regulamento do sorteio abaixo:

Regulamento do Sorteio

  • A promoção é válida de 01/01 a 30/01, tendo seu ganhador anunciado na fanpage do blog;
  • Para validar o prêmio o ganhador devera cumprir com todas as entradasobrigatorias do Rafflecopter;
  • Ao fim da promoção será sorteado apenas 01 ganhador para todos os prêmios;
  • O ganhador será anunciado na nossa página do Facebook, após confirmar que o mesmo cumpriu com o regulamento;
  • A promoção é válida somente para quem tem endereço de entrega no Brasil;
  • O primeiro ganhador terá o prazo de 48 horas para responder ao e-mail que lhe será enviado. Caso não o faça, um novo ganhador será definido;
  • O envio do livro será feito em até 50 dias após o envio dos dados por parte do ganhador do sorteio;
  • O blog não se responsabilizam por extravio ou atraso na entrega dos Correios. Assim como não se responsabiliza por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador;

a Rafflecopter giveaway

Resenhas 11nov • 2015

Bela Redenção, por Jamie McGuire

Bela Redenção, segundo livro da série Os Irmãos Maddox, era uma das minhas leituras mais desejadas este ano. Escrito pela autora Jamie McGuire e publicado no Brasil pela Editora Verus, o livro faz parte de um spin-off (*) do livro Belo Desastre, da mesma autora, e vai focar completamente na história dos irmãos do Travis e como eles se apaixonaram por suas respectivas esposas/namoradas. O mais interessante dessa série, principalmente para quem é apaixonado por Belo Desastre, é que a autora permite que a gente ainda conheça um pouco mais do que aconteceu depois do final de Belo Desastre pelo ponto de vista de outros personagens.

Bela Redenção

Diferente do que eu estava esperando, este não é um livro que pode simplesmente ser lido sem antes conhecer a história de Bela Distração, o primeiro livro dessa série. Bela Redenção é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista da Liis, uma jovem agente do FBI completamente envolvida com seu trabalho que, ao receber um convite para trabalhar em uma missão em San Diego, ela termina relacionamento (diga-se noivado) de cinco anos para se dedicar inteiramente aos seus objetivos profissionais. Para comemorar sua primeira noite de liberdade, Liis acaba se envolvendo com um desconhecido em um bar que, mais tarde, acaba se revelando ninguém mesmo que o tão conhecido agente especial Maddox, seu chefe.

Com um temperamento explosivo e às vezes muito assustador, Thomas Maddox estava tentando se recuperar do termino do seu relacionamento com Camille. Quando a Agente Lindy aparece em sua vida, ela acaba despertando nele sentimentos que ele não sabia que era capaz de sentir. O problema mesmo começa quando sua família acaba sendo envolvida em uma investigação e ele precisa encarar não só os sentimentos do passado, mas também todos os sentimentos novos que ele nem ao menos sabe se está preparado para sentir.

Bela Redenção

Em tese, o enredo do livro parecia ser um dos melhores da série, mas eu tenho para mim que a autora não entregou tudo o que prometeu a seus leitores. Não tenho nada do que reclamar em relação a escrita da Jamie, afinal, se tem uma coisa que eu amo nesse mundo é a forma como essa autora escolhe contar uma história. Porém, quando se trata de Bela Redenção, acho que ela exagerou um pouco na intensidade das emoções e forçou um pouco no relacionamento dos personagens principais, deixando o enredo cansativo e até mesmo repetitivo.

Liis Lindy foi uma personagem maravilhosa até a metade da história. Eu gostei de ela não aceitar ser tratada da mesma maneira que os seus colegas de trabalho e, assim como qualquer mulher que se envolva com um Maddox, ela tem pulso firme para enfrentar Thomas quando é necessário. O problema veio quando eles começaram a se envolver romanticamente, e ela não conseguia tirar da cabeça que ele ainda estava apaixonado pela ex-namorada.

Bela Redenção

Vocês têm ideia de como é cansativo ver a mesma discussão se repetir diversas vezes? Parecia que a história não andava, fora a vontade de socar ambos quando eles voltavam neste mesmo assunto ao invés de simplesmente começarem algo novo. Claro que, eu entendo que a personagem não queria aceitar menos do que o amor completo do cara por quem ela estava apaixonada, mas ainda assim, acho que a autora podia ter segurado um pouco a onda das discussões sobre a Camille e focado no amor que eles poderiam construir juntos.

Thomas pra mim foi o Maddox mais perfeito de todos, sério! Ele é muito parecido com seus irmãos no quesito “pegada”, mas acho que a Jamie conseguiu – de alguma forma – deixá-lo um pouco mais humano e muito mais envolvido com a família também. O triangulo envolvendo Trenton e Camille foi a jogada perfeita para deixar a história desse personagem mais interessante, uma pena que a autora não tenha explorado isso mais a fundo.

Bela Redenção

Mas o que realmente me ganhou nesse enredo foram os personagens secundários. Val, a melhor amiga de Liis, é uma das personagens mais loucas e perfeitas de todas até agora. Com seu jeito agressivo-fofo, não tem como você não se identificar com ela. Queria muito que a autora nos desse a chance de conhecer mais sobre esses personagens e curtir mais das suas personalidades nada convencionais.

De tudo, o que mais me deixou chateada no livro – e um dos principais motivos de ele não ser cinco estrelas – foram os pequenos erros de continuidade da história em relação aos outros volumes e também em relação ao epílogo do livro. Acho que se a Jamie vai mesmo seguir por esse caminho de fazer todas essas histórias em paralelo, ela precisa tomar muito cuidado para que as informações não entrem em conflito de um livro para o outro.

Bela Redenção

Preciso confessar que queria mais desse enredo no quesito trama. Acho que a autora poderia ter ido além da “situação Camille”, explorado mais o relacionamento dos irmãos Maddox e dado um pouco mais de espaço para vermos todos eles trabalho em conjunto. O que me obriga a levantar a questão do porque essa série não é contada do ponto de vista deles, não é mesmo?! Mas, ainda assim, Bela Redenção é uma leitura que tem o seu charme e qualquer leitor minimamente apaixonado por Jamie McGuire vai amar esse livro!

Spin-off, também chamado de derivagem, é um termo utilizado para designar aquilo que foi derivado de algo já desenvolvido ou pesquisado anteriormente. É utilizado em diversas áreas, como em negócios, na mídia, em tecnologia, etc.

Resenhas 23jun • 2015

Ladrões de Sonhos, por Maggie Stiefvater

Ladrões de Sonhos é o segundo volume da série A Saga dos Corvos escrito pela autora Maggie Stiefvater e publicado no Brasil pela Editora Verus. Antes de ler esta resenha é altamente necessário saber que ela pode conter spoiler do primeiro volume, Os Garotos Corvos.

Ao lado de Blue, os Garotos Corvos continuam a sua busca pelo lendário Rei Galês, Glendower. Depois dos acontecimentos finais do primeiro volume, os jovens amigos agora precisam lidar com o fato de que a linha de ley está se enfraquecendo e sua única pista de como encontrar o lendário Rei pode desaparecer a qualquer momento.

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Com a mágica floresta de Cabeswater sumindo sem deixar nenhuma pista e pessoas misteriosas aparecendo na porta da casa de Blue, os Garotos Corvos precisam desvendar os mistérios em torno de uma relíquia capaz de permitir que objetos sejam tirados de sonhos e qual a relação deste com o introspectivo Ronan.

“Ele contou. Contou da melhor maneira possível, sem mencionar onde havia estudado ou o que havia feito antes de publicar o seu livro. Ele disse que tinha um irmão, mas rapidamente voltou atrás e contornou essa parte da história”

Quanto mais Blue e seus amigos se envolvem nesta busca, mais perigos encontram. Será que a busca por Glendower valeria a pena? Logo Blue e seus amigos percebem que há muito mais enigmas envolvendo sua busca do que eles poderiam imaginar, mas a maior questão era saber se devem desvendá-los ou não.

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O segundo volume de A Saga Dos Corvos é narrado em terceira pessoa e nos permite conhecer novos personagens envolvidos nos mistérios da busca por Glendower. Ao contrário do primeiro livro, senti que a autora deixou a narrativa desse livro um pouco mais arrastada, talvez porque precisasse de tempo para introduzir os novos personagens da série e fazer uma construção mais profunda dos personagens principais da série.

“- Eu convidaria você pra sair, se estivesse vivo.
Nada era justo.
– Eu aceitaria.”

Ladrões de Sonhos vem revelar todo o mistério em torno de Ronan e sua ligação com uma relíquia que permite retirar objetos de sonhos. Até então, no primeiro livro, tudo o que sabíamos sobre o personagem era seu temperamento e sua personalidade – de certa forma – perigosa e, neste volume, a autora nos permite uma imersão bem mais e complexa dentro do universo desse personagem, deixando a história ainda mais interessante.

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O que mais me chamou a atenção nesse volume em particular foi o fato de ela ter explorado muito mais os personagens secundários, do que os principais Blue e Gansey. Em Ladrões de Sonhos, Maggie nos faz aprofundar nos medos e anseios de Adam e desenvolve bastante o seu relacionamento com Blue e sua amizade com Gansey. Adam já tinha sido um personagem que me chamou atenção no primeiro livro, mas conhecê-lo melhor nesse volume foi fundamental pra entender aonde a autora desejava chegar com o enredo.

“Ás veses Blue falava de boca cheia, e às vezes tinha que fazer uma pausa para responder para outra pessoa, mas contou sem pressa a história e pintou para casa uma das mulheres na casa um quadro completo.”

Gostei muito da forma como a autora resolveu desenvolver os personagens nesse livro. Eu estava esperando que ela fosse pular completamente o desenrolar do relacionamento de Gansey e Blue com a questão de ela não poder ser beijada, mas muito ao contrário do que ela esperava, o envolvimento deles foi acontecendo de maneira bem discreta – assim como no primeiro livro – mas de forma que eu conseguisse perceber que o romance estava acontecendo.

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Achei que esse volume ganhou um tom muito mais místico que o anterior, e isso me agradou demais. A autora inseriu elementos na história que realmente me prenderam durante todo o capítulo. Imaginem como seria incrível poder tirar objetos de seus sonhos? Depois que terminei a leitura fiquei com isso na cabeça durante semanas, e este é parte do motivo de eu ser tão encantada com a escrita da Maggie.

“Ronan era um estranho em seu próprio corpo. O pôr do sol atingiu sua visão, enviesado e insistente. Enquanto seus músculos se contraíram, ele se encolheu contra o peito e então pousou o rosto contra o capô (…)”

Os personagens inseridos foram simplesmente maravilhosos. O Homem Cinzento realmente me deixou muito curiosa com a sua aparição, e eu realmente queria que ele desempenhasse um papel no terceiro volume do livro. A mãe de Blue também ganhou um certo destaque na história, e eu me senti muito perto de desvendar alguns segredos do enredo.

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Noah foi um personagem que me ganhou mais ainda nesse volume. Depois de descobrirmos sua verdadeira condição, eu realmente consegui me conectar com ele dentro da história e vendo o carinho que ele tinha pela Blue e os outros Garotos Corvos, eu realmente estou torcendo para que a autora dê um desfecho completamente diferente do que eu estou imaginando para ele.

” – Eu queria que você pudesse ser beijada, Jane – ele disse – Porque eu imploraria por apenas um beijo seu. Debaixo disso tudo. – Ele acenou na direção das estrelas. – E então jamais diríamos uma palavra sobre isso novamente.”

Mais uma vez posso dizer que Maggie Stiefvater me surpreendeu com a sua escrita, com o seu enredo. Normalmente fico com muito medo de gostar tanto de uma série sobrenatural, principalmente porque as coisas podem não sair do jeito que eu estou esperando a qualquer momento, mas A Saga dos Corvos acabou se tornando uma das minhas melhores leituras, e eu mal posso esperar para o terceiro e último volume dessa série.

Resenhas 31maio • 2015

Beleza Perdida, por Amy Harmon

Beleza Perdida é um New Adult escrito pela autora Amy Harmon e publicado no Brasil pela Editora Verus. Amy é a autora de mais sete livros de sucesso, sendo este seu primeiro livro publicado aqui no Brasil.

Fern Taylor nunca se considerou a menina mais bonita do mundo, pelo contrário, desajeita e com cabelos ruivos, a garota nunca se destacou por sua beleza e sempre se escondeu atrás dos seus romances como uma forma de tornar as coisas mais fáceis para si. Na companhia de seu primo – e melhor amigo – Bailey, Fern procurava tentar esconder a sua paixão secreta por Ambrose Young, o cara mais lindo que todos já tinham visto e alguém que Fern sabia que jamais olharia para ela com outros olhos.

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Quando Ambrose e os amigos decidem se alistar para o exército, Fern promete para si mesma que não iria mais ser a mesma pessoa que ele conheceu na escola. Os anos passam devagar e Fern assiste as pessoas a sua volta mudarem e crescerem, mas não consegue tirar do seu coração o amor que sente por Ambrose, questionando se teria coragem de finalmente declarar seu amor por ele quando o mesmo voltasse para casa.

“- Você age como se beleza fosse a única coisa que faz as pessoas serem dignas de amor – Fern retrucou. – Eu te não te amava só porque você era bonito! – Ela disse a palavra com A bem alto, embora tivesse tropeçado nela.”

Eis que o dia finalmente chega, mas Ambrose não é mais o mesmo garoto que Fern conhecia no Ensino Médio. Agora ele carregava a dor de ter visto seus melhores amigos morrerem em batalha e feridas que eram bem mais profundas do que as marcas da guerra deixadas em seu rosto. Seriam ambos, Fern e Ambrose, encontrar o amor apesar de todas as cicatrizes que ambos carregavam?

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Beleza perdida é um livro de tirar o fôlego. Narrado em terceira pessoa, a autora altera o foco da narrativa entre Ambrose, Fern e alguns outros personagens secundários da história, fazendo com que o leitor possa conhecer cada pedaço do universo criado, se envolvendo completamente com a proposta do livro. Quando se trata de New Adults, eu sempre fico um pouco preocupada com narrativas em terceira pessoa, mas Amy Harmon me surpreendeu com a forma como ela trabalhou essa narrativa dentro do livro, não deixando nenhum detalhe escapar e fazendo com que tudo fluísse de forma que era impossível deixar o livro de lado.

“Você poderia nem ter notado o Bailey se ele tivesse nascido saudável, lutando na equipe do pai, agindo como qualquer outro cara que você conheceu. Boa parte da razão pela qual ele é tão especial é porque a vida o esculpiu dessa forma incrível.”

O enredo é completamente diferente do que eu estava esperando. Quando se trata de New Adult sempre esperamos algo clichê, aquela história de amor que já vimos mais de uma vez e mesmo assim continuamos gostando. Mas, Beleza Perdida está bem longe de ser clichê, pelo contrário, a história nos trás personagens originais, que não são nem um pouco parecidos com outros que vemos por aí.

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Ao invés de eu me deparar com a história da menina que se acha feia e chama a atenção do cara bonito, nós temos uma garota que não se importa tanto com o fato de não chamar a atenção dos garotos por causa da sua aparência e de um garoto que não está a procura de alguém para lembrá-lo das suas qualidades físicas, mas de alguém que consiga ver além do seu rosto bonito.

” – Eu sempre achei que significa que todos nós temos gostos diferentes, preferências diferentes…sabe? Alguns caras se concentram nas pernas, alguns preferem as loiras, alguns gostam de mulheres de cabelos longos, esse tipo de coisa. Eu nunca pensei sobre isso, na verdade, não antes deste momento, mas talvez você veja beleza em mim porque você é bonita, não porque eu sou.”

Ambos os personagens principais do livro carregam inseguranças e medos que os tornam ainda mais interessantes. Durante toda a história, acompanhamos o desenvolvimento desses personagens de uma forma que vai muito além do romance ou mesmo da questão bonito/feio que é abordada de forma tão maravilhosa dentro da história.

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Fern me ganhou na sua personalidade. Mesmo ouvindo as pessoas dizerem que ela não era bonita o suficiente, nunca deixou que os comentários afetassem sua personalidade. Mesmo sabendo que não seria uma modelo de capa de revista, ela se manteve a pessoa boa e dedicada aos amigos que sempre foi e isso a tornava especial, bonita por dentro. É uma personagem que não tinha as características de alguém que constantemente se sente inferior, pelo contrário, ela buscava sempre celebrar a beleza de quem estava a sua volta, mas sem deixar que o fato de não ser considerada bonita, a fizesse pensar menos de si mesma.

“- Existem vários rapazes mais carentes… e mais feios… do que você nessa cidade, e ainda assim você é o único pelo qual a Fern já demonstrou qualquer interesse. – O pastor riu. – Se a questão é altruísmo, porque a Fern não está por aí tentando fundar um abrigo para homens feios desviados?”

Ambrose, ao contrário de outros personagens de New Adult, sempre teve um desconforto com o fato de ser bonito. Não queria que as pessoas o vissem apenas pelo rosto que tinha e quando volta da guerra ele começa a se questionar se a beleza era realmente a única coisa que ele tinha para oferecer a alguém. Isso fez com que eu me apaixonasse por ele logo nos primeiros capítulos. Principalmente porque a autora não trabalhou com características como “pegador”, “galã” ou mesmo “babaca”. Ele era um cara legal, bonito demais e apaixonado por luta. Ele queria amar e ser amado como qualquer outra pessoa.

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Os personagens secundários do livro são extremamente bem desenvolvidos. Isso foi o que mais me surpreendeu na história. Mesmo aqueles que não apareciam com frequência nos capítulos tiveram seu espaço de importância no livro e não foram esquecidos pela autora. Para mim, Bailey foi o que mais me encantou, principalmente por causa da sua história e a maneira como ele via a vida a sua volta.

“- Porque coisas terríveis acontecem com todo mundo, Brosey. Ficamos tão voltados para os nossos próprios problemas que não vemos a merda em que as pessoas estão chafurdando.”

O universo criado por Amy Harmon vai muito além de uma história de amor entre dois jovens que se perderam um do outro durante algumas páginas do livro. É um livro que nos obriga a repensar a forma como vemos o mundo a nossa volta, e que nos faz olhar para nós mesmos diante dos espelho e talvez mudar a forma como nos vemos.

Beleza Perdida é uma leitura intensa, envolvente. Um livro que nos trás personagens apaixonantes, imperfeitos que nos conquistam nas suas inseguranças e que nos permitem crescer e desenvolver com eles durante a leitura. É impossível não se emocionar a cada capítulo e não desejar ficar naquele universo mesmo quando a leitura já acabou.

Resenhas 19mar • 2015

Garota Online, por Zoe Sugg

Garota Online é um romance juvenil escrito pela Zoe Sugg, também conhecida na internet como Zoella e publicado no Brasil pela Editora Verus. Este é o romance de estreia da autora.

Penny Porter é uma jovem de 15 anos que, assim como todos os adolescentes da sua idade, possui seus próprios medos e inseguranças. Porém, diferente de seus amigos, ela compartilha esses medos na internet sob o codinome de Garota Online. No começo o blog era apenas uma maneira de Penny se expressar, mas com o tempo suas publicações foram ficando cada vez mais conhecidas e só quem sabia a identidade da pessoa por trás do sucesso da Garota Online, era seu melhor amigo Elliot.

Quando seus pais recebem o convite para organizar um casamento nos Estados Unidos bem próximo da véspera de Natal, Penny vê nessa viagem uma oportunidade de fugir um pouco dos problemas da própria vida. Ao chegar nos EUA, seu caminho se cruza com o do jovem Noah e um sentimento muito forte começa a surgir entre eles, porém, assim como Penny mantém o seu blog em segredo, Noah também possui os seus próprios mistérios que podem colocar o relacionamento deles em risco.

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O livro é narrado do ponto de vista da Penny, o que nos permite conhecer muito da personagem principal do livro e nos dando uma compreensão melhor dos seus medos e inseguranças. Durante a narrativa também conhecemos um pouco do seu blog, podendo acompanhar algumas de suas publicações e o efeitos que estas tem nos leitores do Garota Online.

O desenvolvimento do livro é bem lento – muito lento, ou seja, nós temos uma série de acontecimentos prévios antes da história realmente começar a caminhar para o que nos é apresentado na sinopse do livro (lê-se: quando começa a acontecer alguma coisa, o livro já está acabando). Por um lado, eu achei isso positivo porque eu tive mais tempo para conhecer a personalidade da Penny e outros personagens do livro. Por outro, acredito que a autora podia ter sido um pouco mais objetiva no enredo, não havendo necessidade de dar tantas voltas para apresentar um único personagem ou mesmo uma situação específica.

“Tenho um impulso repentino de escrever um post no blog. Levanto da cama sem faer barulho e vou buscar meu laptop na mala. Bella está encolhida na cama, dormindo profundamente, abraçada ao ursinho novo que o papai noel lhe trouxe. Puxo o cobertor sobre ela, depois volto para a cama e acesso o blog.”

O enredo proposto não é ruim, mas em alguns pontos da história eu senti que a autora não estava focando em nenhuma personalidade da personagem principal ou em algum sentimento. Mesmo nos trechos em que ela falava sobre a questão dos ataques de pânico, eu tinha a sensação de que ela não estava muito disposta a se aprofundar no assunto, tanto que a questão é deixada de lado em boa parte do livro.

Minha única afinidade com a Penny se deu por conta da questão do “blog anônimo”. Durante todo o resto, eu sentia que ela deixava de contar certas coisas na narrativa, mesmo esta sendo do ponto de vista dela. Além disso, ela não tem uma personalidade muito marcante. Na verdade, eu nem posso dizer que ela tem uma personalidade exatamente, porque durante a narrativa, ela está constantemente mudando sua opinião sobre as coisas.

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A relação com o blog também não é muito explorada dentro da história, sendo mencionado pela personagem e aparecendo em alguns trechos do livro, mas nunca revelando sua real influência na vida da mesma – isso até certo ponto da história. Não temos o blog em boa parte do enredo, e de repente, ele é jogado na sua cara como a “coisa mais importante do livro”.

Os personagens secundários são extremamente indiferentes na história, basicamente voltados para retratar a personalidade dos adolescentes de hoje, sempre preocupados com a sua própria imagem ou sobre o que vão publicar nas suas redes sociais. Elliot, por exemplo, é aquele clássico personagem, amigo gay da personagem principal e que não recebe tanto destaque no livro, a não ser que a personagem principal esteja tentando resolver seus “grandes” problemas. Durante todo o livro eu senti que ele estava lutando com as suas próprias inseguranças e medos e que isso não recebeu nenhum foco no enredo. Eu percebi que, em determinado ponto do livro, a Penny deixava ele constantemente de lado.

“Noah me puxa delicadamente para baixo até nos deitarmos sobre as almofadas, e, enquanto ele me abraça, peço ao pai tempo que tenha piedade e congele todos os relógios do mundo para que nossos beijos durem para sempre.”

Eu queria ter muito o que dizer sobre o Noah, mas como o enredo se desenvolveu de uma forma muito devagar, eu não consegui absorver muito sobre o personagem para ter uma opinião formada sobre ele. Acredito que o seu relacionamento com a Penny foi extremamente precipitado e tudo o que aconteceu depois disso foram reações extremamente exageradas a uma coisa que podia muito ter sido evitada.

Garota Online é um livro com um enredo bem fraco para um romance juvenil. Quando ele foi anunciado, eu realmente esperava muito mais do que eu encontrei durante a leitura. Eu achei que teria personagens que me marcariam de alguma forma, ou que a relação da personagem principal com o blog fosse ser tratada de uma forma diferente. O livro em si, passa uma mensagem legal, mas nem mesmo o desfecho da história me deixou com aquele gosto de quero mais.

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Zoe Sugg é uma autora que possui uma escrita ainda bem crua. Durante boa parte do livro eu fiquei muito na dúvida se ela sabia exatamente onde ela queria chegar com aquele enredo, principalmente com o vai e volta em determinados assuntos que no fim, não me levavam a nenhuma conclusão. Sendo bem sincera, eu me senti num filme americano de sessão da tarde, com uma personagem principal que não tem nada, mas que querem te convencer de que ela tem tudo.

Por fim, eu posso dizer que Garota Online foi uma boa leitura de meio de semana para quem não tem nada melhor pra ler e provavelmente vai ser uma boa leitura para aqueles que gostam de um romance juvenil. Porém, se você está esperando por um livro que te deixe pensativo ou com a famosa ressaca literária, certamente este não é o livro que você precisa ler.

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