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26 dez, 2020

@mor, de Daniel Glattauer

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Tenho esse livro na minha estante há algum tempo, acho que até mencionei ele nos stories algumas vezes. Daniel glattauer escreve sobre duas pessoas que se conhecem acidentalmente por e-mail e, através dele, acabam desenvolvendo uma relação virtual. O leitor acompanha a troca de e-mails de leo e emmi e, apenas através das palavras, observamos sentimentos serem construídos, vividos, superados.

Eu sempre tive um fraco por livros narrados através de cartas e e-mails, não é atoa que eu sempre recomendo teto para dois por aqui. @amor tem um toque diferente, são duas pessoas com vidas encaminhadas — emmi é casada enquanto leo está navegando um relacionamento fracassado.

As conversas começam de forma inocente, descontraída, mas é difícil não se sentir tentado pelas palavras um do outro. Continue lendo

16 maio, 2015

Memória da Água, por Emmi Itäranta

Memória da Água é um livro distópico escrito pela autora Emmi Itaranta e publicado no Brasil pela Editora Galera Record. O livro de Itaranta não faz parte de nenhuma série, sendo apenas uma distopia de volume único.

Em uma sociedade distópica onde a China dominou toda a Europa e a água se tornou um bem escasso para a humanidade, sendo controlada pelo governo e distribuída em cotas pelos militares. Neste universo conhecemos Noria, filha do mestre do chá e sua sucessora. Criada para suceder o pai no seu oficio, Noria nunca pensou em seguir outra profissão a não ser aquela que lhe foi ensinada. Quando seus ensinamentos estão quase terminando, seu pai resolve revelar um grande segredo: nas terras da família ainda há uma nascente de água pura fluindo dentro da colina.

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Quando seu pai vem a falecer, a responsabilidade de manter a nascente segura passa a ser de Noria. Sozinha, longe de sua mãe e vivendo em uma sociedade onde as cotas de água se tornam cada vez menores, ela começa a se perguntar qual o significado de tudo a sua volta. Seria realmente certo esconder a nascente de todos, enquanto a população claramente sofria por falta d’água?

Memória da Água é um livro desafiador. Não consegui pensar em outra palavra que pudesse definir o livro se não esta. Narrado em primeira pessoa, do ponto de vista da Noria, acompanhamos toda a história apenas do ponto de vista de um personagem, sabemos apenas o que ela sabe e descobrimos apenas o que ela descobre – o que é bem pouco, considerando o vasto universo que a autora estava tentando propor na história.

“Não consigo enxergar além do jardim. Não sei se as cidades se dissolveram, não sei quem chama a terra de sua. Não sei quem está atualmente tentando confinar a água e o céu sem se dar conta de que eles pertencem a todas as pessoas e a ninguém – não há conrrente feita pelo homem que possa aprisioná-los.”

O enredo se desenvolve da forma mais lenta possível. Dividido em duas partes, não conseguimos conhecer muito da personagem principal. Não sabemos a sua idade, sua aparência, muito menos como é realmente a sua personalidade. Também não conseguimos explorar muito a distopia, não conhecemos como o mundo se desenvolveu, o que aconteceu com outros países e como a sociedade acabou se formando da forma que é apresentada da história.

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Sabemos que há falta de água, e que a água distribuída é reaproveitada, sendo assim, tendo um gosto não tão bom quanto uma água vinda de uma nascente, pura. A sociedade sofre com essa escassez. Doenças começam a tomar conta da população, e é possível perceber que muitos costumes foram mudando por conta dessas mudanças. O mundo não é mais o mesmo, mas é importante destacar que a autora não explora bem quais foram essas mudanças.

Conhecem a sensação de estar ouvindo um rádio e de repente de desligar completamente das palavras do locutor e pensar em outra coisa? Foi exatamente esta a sensação que eu tive quando estava lendo Memória da Água. Noria é uma personagem vazia, sem nenhuma característica que eu pudesse me identificar ou que me fizesse entender qual era a sua função na história. Boa parte do enredo ela passa preocupada com a melhor amiga, Sanja, e quando não está fazendo isso, não está fazendo absolutamente nada.

“Somente quando as fronteiras da vida se tornam estreitas e frágeis, a necessidade e o desejo de se apegar a alguma coisa se tornam evidentes.”

Os personagens secundários ficam escondidos dentro da história. O único que ainda podemos conhecer um pouco melhor é a o pai de Noria, e ainda assim, o conhecemos da forma como a personagem o vê, o que dificulta demais a conclusão de alguma coisa sobre ele. A amizade com Sanja é outra coisa que me deixou bastante confusa. Em diversos pontos do livro eu não sabia onde a autora queria chegar com tudo aquilo, e a única coisa que eu conseguia identificar era que Noria tinha um sentimento de apego com a amiga, mas nada além.

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A leitura é arrastada, cansativa. A autora é muito detalhista em relação ao que a personagem está vendo, tocando ou fazendo e não foca tanto na distopia, no universo criado. Quando comecei a ler Memória da Água, esperava uma personagem mais desafiadora, presente e que me conquistasse nas duas atitudes, porém, Noria é uma personagem que apenas existe no contexto criado e tenta fazer o melhor que pode, sem ter nada que faça com que ela se destaque no enredo.

“Em algum lugar da casa, Minja tinha começado a chorar.
De repente, havia um habismo entre nós. A gente se conhecia desde que aprendemos a andar, na praça do vilarejo, segurando as mãos das nossas mães enquanto ensaiávamos os primeiros passos”

Tenho pra mim que a autora estava fazendo apenas uma analise social de como seria uma sociedade sem água, e não tentando escrever uma distopia desafiadora, que causasse algum impacto no leitor. Passei boa parte do livro pensando que a história se tratava mais sobre a casa de chá do que sobre a falta água. Fiquei ansiosa por um cenário que me causasse impacto, mas só consegui uma leitura pesada e pouco objetiva.

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Não vou dizer que me decepcionei inteiramente com o livro. Em certos pontos ele é realmente revelador, principalmente em relação a analise social que ele trás. Porém, preciso admitir que não é o tipo de leitura que mais me agrada, principalmente quando há poucos desafios durante a mesma. Passei boa parte do enredo me sentido meramente uma expectadora da vida da personagem, não consegui me conectar ou mesmo senti o que ela tentava expressar. De tudo, acho que isso foi o que mais me incomodou.

Memória da água é uma leitura complicada – acho que posso descrever dessa forma. Algumas pessoas vão se identificar com a sociedade, com a situação atual da humanidade e como a falta de água afetou a nossa existente. Não é, definitivamente, uma leitura para quem está procurando por aventuras e romance. Não é um livro cheio de altos e baixos, que vai te deixar com um certo “desespero” para o que vem no capítulo seguinte.