Posts arquivados em Tag: Fantasia

04 out, 2020

O Rei Perverso, de Holly Black

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A realidade é essa: jude duarte tem 1 ano e 1 dia de poder sob o mais novo grande rei de elfahame e sem nenhuma ideia de como conseguir que cardan extenda o acordo que eles fizeram. E não só isso, como garantir que a coroa não seja roubada de cardan, afinal, conquistar uma coroa é uma coisa, mantê-la é outra.

E em cima disso tudo: o desejo.

❝Me beija até eu ficar cansado do seu beijo.

Holly black compõe uma coreografia interessante entre jude e cardan. Eles dançam entre uma provocação e outra, instigando o leitor a continuar lendo para saber quem irá ganhar o próximo embate.

A forma como black escreve as interações destes dois personagens é de tirar o folêgo. Diferente de sarah j. Mass – e eu juro que não é a minha intenção comparar, holly black consegue construir cenas de grande intimidade entre os nossos protagonistas através da intensidade da cena, ao invés do explícito, como a autora de a corte de espinhos e rosas faz. Continue lendo

28 mar, 2019

5 livros de fantasia com heroínas apaixonantes

Eu preciso confessar que há alguns anos atrás eu tinha perdido a minha paixão pelos livros de fantasia. Muito dos livros que eu pegava para ler tinham enredos parecidos, personagens com o mesmo tom de voz e desfechos tão previsíveis que eu nem me dava ao trabalho de chegar ao último livro porque já tinha uma ideia do que iria acontecer.

Felizmente o mercado literário vem mudando e as editorias tem apostado em enredos de fantasia com propostas novas, completamente diferentes do que estamos acostumados. Foi por causa dessa mudança que eu resolvi dar uma segunda chance ao gênero e me apaixonei à primeira vista por suas heroínas determinadas, sem papas na língua e que não levam desaforo pra casa. Continue lendo

03 dez, 2017

Enraizados, por Naomi Novik

Conhecer a escrita de Naomi Novik se provou ser um desafio muito maior do que eu imaginava. Ainda agora, mesmo depois de ter terminado de ler Enraizados e estar completamente dividida sobre ter apenas “gostado” ou realmente amado esta leitura. Novik é uma autora que não brinca em serviço quando se trata de entregar uma boa história para os seus leitores. Conhecida pela sua série Temeraire, o universo criado por Naomi Novik em Enraizados não deixa a desejar. Quebrando todos os clichês que uma história pode quebrar, Enraizados foi uma leitura que me deixou entorpecida e completamente apaixonada por todos os seus personagens.

Acho que o grande trunfo de Enraizados é toda a questão que envolve o “sacrifício” de uma jovem da vila. Existem várias histórias sobre o que realmente acontece quando a garota é levada para a torre do Dragão e, assim como a nossa personagem principal, Agnieskza, nós somos movidos pela curiosidade de tentar entender quem é o Dragão de verdade e o que acontece com as moças que ficam presas a ele por dez anos. Confesso que nos primeiros capítulos desse livro eu me senti um pouco perdida na história, mas conforme Novik foi contextualizando os acontecimentos, o universo criado por ela foi tomando vida diante dos meus olhos e eu fui me apaixonando cada vez mais por essa leitura.

Não vou mentir. Até mais da metade do livro, Enraizados foi uma leitura bastante complicada para mim. Novik tem uma escrita pesada, lenta e carregada de detalhes que eu não estava esperando. Demora muito para que o enredo realmente comece a se desenvolver. Na verdade, eu diria que as primeiras 250 páginas do livro são uma longa introdução para o que vai acontecer a seguir. Mas, tendo um ponto de vista bem otimista, esse longo desenvolvimento é interessante para que o leitor possa conhecer e explorar melhor os personagens criados pela autora. Eu, particularmente, adorei me envolver mais na amizade de Kasia e Agnieskza.

“Mas havia algo anormal no seu rosto: um ninho de corvo formado por rugas perto dos olhos, como se os anos não conseguissem alcança-lo, mas o uso, sim. Mesmo assim não era um rosto feio, mas a frieza o tornava desagradável: tudo nele dizia ‘Não sou um de vocês e também não quero ser.”

Eu gostei mais de Agnieskza do que realmente pensei que fosse gostar – no começo do livro eu achei que ela fosse ser uma personagem passiva, mas ainda bem que eu estava enganada. Sua personalidade é algo desafiador de ler porque, mesmo se mantendo firme diante dos desafios e dos medos que sente, ela ainda tinha uma parte bastante sensível, de uma pessoa que foi tirada da sua própria “vida”, destinada a se tornar algo muito maior do que ela mesma acreditava ser capaz. A forma como é construída a evolução da personagem é interessante, principalmente a parte em que ela narra a sua relação com o Dragão e os caminhos que trilharam juntos ao longo do enredo.

Tenho certeza de que muitas pessoas não conseguiriam encarar essa leitura por causa do enredo pesado e do desenvolvimento demorado. Eu mesma pensei várias vezes que ia acabar abandonando a história e fazendo a resenha mais negativa da minha vida. Porém Novik tem esse talento de construir algo maravilhoso diante dos nossos olhos e não deixar que a gente perceba. Enraizados é um enredo cheio de magia, mistério, um universo convidativo e cheio de detalhes. Detalhes esses que, em meio a todos os acontecimentos, passam despercebidos, mas que no final se encaixam de uma forma maravilhosa.

“Todas essas histórias devem ter acabado desse mesmo jeito, com alguém cansado saindo de um campo cheio de morte e indo para casa, mas ninguém jamais cantava essa parte.”

Eu me surpreendi e me emocionei demais com a leitura de Enraizados. Apesar dos altos e baixos do enredo, Naomi Novik conseguiu me tirar da minha zona de conforto e me apresentou a um universo que talvez eu ainda não estivesse preparada para conhecer. Eu gostei demais da forma como a autora quebrou todos os tipos de padrões dentro desse livro e deu voz a personagens que, normalmente, são deixados de lado. Se você é um leitor capaz de deixar de lado a lentidão do enredo para ter uma aventura inesquecível, então eu acho que enraizados é a leitura perfeita para você.

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29 nov, 2017

O Urso e o Rouxinol, por Katherine Arden

O Urso e o Rouxinol é um dos lançamentos da Rocco de 2017. Escrito pela americana Katherine Arden e lançado pelo selo Fábrica231, a história se passa em uma Rússia medieval muito antes dos Czares. O livro é o primeiro de uma trilogia que busca recontar os primórdios da Rússia por meio do folclore e da expansão do cristianismo. Durante a leitura vemos várias referências aos contos de fadas russos, entre eles o meu favorito: Vasilisa, a bela.

Como fã de literatura russa e apaixonada por alguns contos folclóricos, assim que eu botei meus olhos na sinopse de O Urso e o Rouxinol mal pude esperar para ler. A história tinha de tudo para me prender, uma narrativa fantástica, uma protagonista forte, apesar de não ser tudo o que eu esperava o livro saiu melhor do que a encomenda. O livro começa antes mesmo de nossa pequena Vasilisa nascer, vemos um inverno rigoroso atingindo uma família de ricos fazendeiros e uma ama contando histórias ao pé da lareira.

Logo no começo, sabemos que a avó de Vasilisa era uma mulher misteriosa que surgiu um dia no castelo do príncipe e encantou-o de tal maneira que ele se apaixonou. Como uma mulher amante da liberdade e da natureza, a avó de Vasilisa causou raiva e espanto aos olhos da corte. Entre as acusações de bruxaria e reprimendas, ela acabou definhando até perder sua essência. Sua filha, Marina, foi prometida a Pyotr Vladimirovich, um rico senhor de uma família do interior sem fama ou tradição. Maria e Pyotr vivem um relacionamento feliz até que ela engravida e morre no parto. Antes de partir ela pede que Pyotr cuide de sua filha, mesmo que ela seja igual à avó.

A noite caia e Vasya tiritava enquanto caminhava. Seus dentes batiam. Os dedos dos pés entorpecidos apesar das botas pesadas. Uma pequena parte sua tinha pensado —  esperado —  que haveria alguma ajuda na floresta, algum destino, alguma magia. Esperava que o pássaro de fogo viesse, ou o Cavalo de Crina Dourada, ou o corvo, que, na realidade, era um príncipe… Menina tola para acreditar em contos de fadas. A mata no inverno era indiferente a homens e mulheres; os chyverty dormiam no inverno, e não havia tal coisa como um príncipe corvo.

Nossa protagonista cresce então entre as florestas de Rus’ e seres encantados, sem seguir muito os padrões e ideais da comunidade cristã. Toda essa liberdade começa a gerar boatos, Pyotr se vê obrigado a arrumar uma mãe adotiva na esperança que isso refreie os impulsos selvagens da filha. Para o azar de Vasilisa sua nova mãe é uma mulher perturbada que vê os seres mágicos como servos do demônio, seu fanatismo religioso leva ao enfraquecimento dos espíritos da floresta e ao fim de muitas das antigas tradições. Nada disso seria perigoso se não fosse uma ameaça cada vez mais próxima, para evitar que ela destrua toda a vila e sua família, Vasilisa deve resgatar o poder dos antigos guardiões, mesmo que isso a transforme numa bruxa aos olhos da cidade.

O livro começa com um tom mais infantil, à medida que a protagonista cresce os assuntos abordados vão ficando cada vez mais pesados. Acabei achando a transição um pouco brusca, isso foi o que mais me incomodou. Entretanto, ver Vasilisa crescer e florescer como uma grande mulher foi gratificante. Não posso dizer o mesmo de grande parte dos coadjuvantes. Torcia pra muita gente bater as botas, tanto o Padre como a Anna me causavam um ódio tão grande que não me importaria se o algum Upyr levasse eles logo. Todo o plot religioso me lembrou muito de As Brumas de Avalon, Anna inclusive me soou muito como a Guinevere, quem conhece essa versão das narrativas Arturianas vai perceber as influencias rapidinho.

“Me dizem como vou viver e como devo morrer. Tenho que ser a criada de um homem e uma égua para seu prazer, ou tenho que me esconder entre muros e render minha carne para um deus silencioso e frio. Eu entraria nas malhas do próprio inferno, se fosse um caminho da minha própria escolha. Prefiro morrer amanhã na floresta a viver cem anos a vida que me é indicada.”

Eu simplesmente adorei as várias criaturas que apareciam no decorrer da história, queria um Domovoi e um Dvornik na minha vida, o último inclusive ensina Vasilisa a falar com os cavalos, tem coisa mais legal que isso? O livro conta com um glossário ensinando muitos dos termos em russo utilizados pela autora. Até pegar direito quem era o quê, me vi indo varias vezes ao fim do livro me consultar, acabei aprendendo bastante sobre outra cultura durante a leitura, isso é o que mais me encanta na literatura. Estou ansiosa para ler a continuação, espero que a história não caia para um romance bobo, a magia é o que mais encanta no livro da Katherine.

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