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03 mar, 2015

As Confissões das Irmãs Sullivan, por Natalie Standiford

As Confissões das Irmãs Sullivan, é um Young Adult escrito pela autora Natalie Standiford e publicado no Brasil pela Editora Galera Record. Esta é a segunda publicação da autora no Brasil, sendo a primeira o livro Como Dizer Adeus em Robô.

Os Sullivans ocupam uma importante posição na alta sociedade de Baltimore. Sendo uma das famílias mais ricas, liderada pela matriarca conhecida como “Poderosa Lou”, não há dúvidas de que os membros desta família precisam ter um comportamento exemplar e honrar o nome da família com suas atitudes.

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Na véspera de Natal, Poderosa revela que por conta de uma ofensa cometida por um dos membros da família, ela decidiu tirá-los do testamento e doar o dinheiro para uma instituição de caridade. Para evitar que isso aconteça, a pessoa que cometeu a ofensa deve fazer uma confissão por carta e entregá-la a Poderosa na noite de Ano Novo.

Sabendo que a perda do apoio financeiro da avó iria colocar a família em uma situação muito complicada, as irmãs Sullivan decidem que confessar seus crimes era a melhor forma de evitar isso. E assim, Norrie, Jane e Sassy começam a relatar para Poderosa suas histórias, esperando que ela compreenda o que as levou a agir daquela maneira.

“Eu confesso.
Sei o que fiz, e a senhora sabe a razão – foi por um verdadeiro amor. A senhora já se apaixonou alguma vez, Poderosa? Sei que já foi casada cinco vezes – mas já se apaixonou? É algo inevitável. A pessoa perde o controle. Fica sem saber o que fazer.”

O enredo do livro é dividido em três partes, sendo cada uma delas referente a uma irmã Sullivan. A narrativa é feita do ponto de vista de cada uma das irmãs, e as confissões seguem o mesmo período de tempo, ou seja, todos os acontecimentos confessados aconteceram na mesma época, porém cada confissão tem o seu foco em uma irmã Sullivan.

Eu realmente gostei de como a autora resolveu organizar a história, porque isso me permitiu ver as situações por três ângulos diferentes. Enquanto eu lia a confissão de Norrie, eu podia ver o comportamento de Jane e Sassy pelos olhos dela, me dando uma compreensão muito maior da história e dos personagens e me fazendo interagir com o enredo de três formas diferentes.

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Natalie Standiford tem uma escrita muito interessante. Durante todo o livro a autora trabalha com três personagens femininas de personalidades e ideais completamente diferentes e mesmo com o risco de se perder no meio dessas personalidades, a autora consegue desenvolver a história de uma maneira que o leitor simplesmente não consegue largar o livro. Tudo na história possui uma sintonia própria e, conforme você vai avançando nos capítulos, o enredo te induz a querer saber mais.

Os personagens foram muito bem construídos. Eu conseguia me conectar com a personalidade de cada uma das irmãs e entender o ponto de vista delas em relação a cada situação. Norrie, por exemplo, é a irmã mais racional, aquela que procura sempre se manter dentro das regras da própria família, mas ao mesmo tempo tem um desejo incontrolável de fazer o que deseja e não se importar com as consequências. Jane, por outro lado, já tem um espírito mais rebelde, quer respostas e quer expor aquilo que ela pensa da maneira como ela pensa. Já Sassy tem sua personalidade única, e um jeito próprio de lidar com as situações a sua volta.

“Querida Poderosa,
Eu, Saskia Wells Sullivan, venho por meio desta confessar assassinato.”

Todas as irmãs tinham alguma coisa pra contribuir com o enredo, mesmo que cada uma de suas confissões fosse sobre um assunto diferente. A minha favorita foi, com certeza, a de Jane, principalmente porque foi à personagem com a qual eu mais me identifiquei. Os questionamentos que ela faz durante a história, foram questionamentos que eu já fiz quando tinha a idade dela, e foi muito legal ter essa visão do porque ela era tão apegada as verdades dela e aos ideais que ela tinha.

Minha primeira leitura de Natalie Standiford foi surpreendente. Eu não esperava que o enredo livro fosse ser tão interessante ou que a história fosse se desenvolver da maneira como se desenvolveu. Mesmo o final, quando finalmente descobrimos o motivo que a Poderosa teve para tirar a família do testamento, me fez entender muito sobre família e seus problemas, mas principalmente o que é ser um adolescente e como é esse eterno processo de amadurecimento.

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Confesso que eu fiquei encantada com a escrita da Natalie, o desenvolvimento dos personagens ao longo do enredo e como ela resolveu colocar todas as inseguranças de um adolescente em situações inusitadas e completamente fáceis de você imaginar ou entender.

As Confissões das Irmãs Sullivan é um livro muito divertido, engraçado e que com certeza vai fazer com que o leitor não queira parar com a leitura. Foi uma leitura que me surpreendeu em vários quesitos e fez com que eu me apaixonasse pela Natalie Standiford. Mal posso esperar para conhecer outros trabalhos da autora, e eu tenho certeza de que vocês vão amar a leitura desse livro.

01 mar, 2015

Sem Esperança, por Colleen Hoover

Sem Esperança é o segundo volume da série Hopeless, escrito pela autora Colleen Hoover e publicado no Brasil pela Galera Record. Neste livro iremos conhecer o enredo de Um Caso Perdido contado do ponto de vista de Dean Holder.

Anos após do desaparecimento de sua amiga de infância, Hope, Holder ainda não consegue esquecer completamente a sensação de que tudo o que aconteceu no passado foi, em parte, sua culpa. Com a morte de sua irmã, sua vida muda completamente e, depois morar com seu pai por alguns meses, ele decide que está na hora de retornar à cidade onde vivia e cuidar de sua mãe.

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É então que ele conhece Sky e, ao olhar em seus olhos, tem a sensação de que encontrou alguém que havia perdido há muitos anos . Será que ele finalmente havia encontrado Hope? Mas Sky era mesmo o que a sua identidade dizia, e por alguma razão ele simplesmente não conseguia dar as costas para aquilo e deixá-la de lado. Conforme a relação dos dois vai se tornando cada vez mais intensa e difícil de se negar, Holder começa a deseja que a garota não fosse ninguém menos do que apenas Sky.

O livro é narrado em primeira pessoa, no ponto de vista de Holder, que conhecemos em Um Caso Perdido, o primeiro volume da série. Diferente do que eu esperava, os primeiros capítulos do livro são os mais importantes. É onde a autora permite que o leitor conheça um pouco do personagem antes de sua vida ter essa grande mudança. Podemos acompanhar o seu relacionamento com a irmã, e ter uma breve ideia de quem era Less, e como ela estava se sentindo em relação às coisas que estavam a sua volta.

“Ficar com ela me fazia pensar no amanhã e no dia depois de amanhã e no dia seguinte e no ano seguinte e na eternidade. Preciso disso agora, pois se eu não abraçá-la de novo… vou terminar olhando para trás mais uma vez, deixando o passado me engolir completamente.”

Um dos pontos que eu mais gostei na construção da narrativa do Holder, foi que a autora deu um tom muito mais pessoal para a história. Ao longo dos capítulos, nós podemos ver cartas que o personagem escreve para a irmã, o que faz com que o leitor consiga ter um envolvimento maior com a história e visualizar exatamente o que o personagem está sentindo naquele momento em relação ao que está acontecendo ao seu redor.

A coisa que mais me incomodou dentro de toda a proposta do livro foi a história não ter ido mais além do que aquilo que já havíamos visto em Um Caso Perdido. Boa parte do enredo se resume as mesmas cenas do primeiro livro, só que do ponto de vista masculino. Foi bem interessante ver o que se passava na cabeça do Holder enquanto ele e Sky ainda estavam se conhecendo, mas por outro lado, eu já sabia exatamente o que estaria escrito no próximo capítulo e isso me deixou bastante entediada com a leitura.

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Dean Holder é um personagem bastante intenso. O ponto de vista dele trás muitos conflitos internos e muitos assuntos não resolvidos que eu não tinha compreendido muito bem no primeiro volume da série. Mas, ainda assim, ele não tem nada “além” do que a autora já havia mostrado pra gente dentro de Um Caso Perdido. Não é um segredo como ele se sente em relação a Sky e o que ele pensa em relação a tudo o que acontece durante o enredo em si. Isso acabou deixando o personagem um pouco previsível, cru.

Por outro lado, foi muito legal ver a Sky pelos olhos de outro personagem. Eu tinha gostado bastante dela no primeiro livro, mas ainda tinham traços da personalidade dela que me incomodavam, e acho que ao vê-la por um ponto de vista diferente eu consegui compreender melhor a personagem e me envolver mais com o que o livro estava propondo.

“Meu coração está dizendo para eu simplesmente ir embora. Less já me avisou mais de uma vez que isso não é da minha conta. No entanto, ela não sabe como é ser o irmão de alguém.”

Sem Esperança não é um livro ruim, mas também não foi uma leitura tão boa quanto foi Um Caso Perdido. Acredito que muitas pessoas estivessem esperando – ou pelo menos eu estava – algo mais parecido com “Pausa”, segundo livro de Métrica, onde a autora conta a história do ponto de vista do Will, mas alguns meses depois do fim do primeiro livro. Infelizmente, não foi esse tipo de enredo que ela escolheu para Sem Esperança, embora eu entenda que havia uma necessidade de mostrar as coisas pelo ponto de vista do Holder, afinal, ele está muito envolvido em tudo o que aconteceu com a Sky desde o começo.

Se você gostou muito de ler Um Caso Perdido e se apaixonou por Holder, a leitura de Sem Esperança é fundamental para que você conheça mais sobre o personagem e se apaixone ainda mais por ele. A escrita de Colleen Hoover não decepciona neste livro, então se você está procurando aquele enredo envolvente, Sem Esperança pode ser uma boa escolha.