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Resenhas 15nov • 2017

Esqueça o Amanhã, por Pintip Dunn

Eu tinha todas as esperanças do mundo quando comecei a leitura de Esqueça o Amanhã. Mesmo com algumas resenhas negativas, eu me mantive firme e forte na leitura dessa distopia porque acreditava que toda a ideia de uma sociedade construída em cima de “memórias” poderia ser uma aventura e tanto. E, até certo ponto, eu não estava errada. De um modo geral, o enredo de Esqueça o Amanhã é interessante e desafiador, mas a autora peca em pontos importantes na construção do universo e o foco constante no romance entre os personagens principais foi um deslize do qual ela não conseguiu se recuperar.

É um erro comum dos autores de distopia falharem na ambientação do universo e com Esqueça o Amanhã não foi muito diferente. Nos primeiros dez capítulos do livro eu consegui me manter interessada na história, porém, a autora não me dava as informações que eu precisava para entender o universo no qual a história se passava. Como aquela sociedade começou? Quando chegamos naquele ponto? Como funcionava o sistema de memórias? Essas foram perguntas que ficaram na minha cabeça por quase toda a leitura e boa parte delas ainda não foram respondias.

O enredo de Pintip Dunn tem um ritmo lento, demorando mais de vinte capítulos para você poder dizer que a história realmente havia começado. Além disso, o ponto mais fraco do livro está na apresentação vaga dos personagens. Dunn insere uma quantidade infinita de novos personagens a cada capítulo, mas não apresenta de forma descente nenhum deles. Em certos pontos do livro eu senti muita dificuldade de lembrar com quem a personagem principal estava falando e porquê. A falta de organização na construção do enredo é outro detalhe gritante das falhas de Esqueça o Amanhã.

“Gostaria de viver num mundo onde o amor conquista tudo. Mas talvez tenhamos aberto mão deste privilégio quando o Boom Tecnológico alterou nossa sociedade. Talvez, quando construímos um mundo com base em imagens do futuro, tenhamos barganhado nossos sonhos em troca. Pagamos com a paixão de nossas almas, a paixão que arde de esperança, desejo e possibilidades.”

Para um enredo que promete “thriller” na contracapa, Esqueça o Amanhã está mais para um grande livro de romance do que qualquer outra coisa. É claro que o enredo trabalha seus momentos de tensão muito bem, mas prometer um thriller foi um pouco exagerado demais. Além disso, o foco do enredo é confuso, dificultando demais dizer para onde que essa história vai caminhar nos próximos três volumes da série que estão para serem lançados aqui no Brasil. Se vamos ter uma melhora de enredo ou de personagens é muito difícil de dizer.

Callie foi uma personagem que eu gostei nos primeiros capítulos do livro, mas conforme ela vai se deixando envolver pelos seus sentimentos por Logan, a personagem se torna um verdadeiro “pé no saco”. Depois de um certo ponto a leitura pode se resumir na personagem falando constantemente sobre o quanto está apaixonada por seu par romântico e mesmo quando você acha que as coisas vão começar a andar, Pintip Dunn te jogar novamente no looping emocional que é o relacionamento dos dois. Isso não é só cansativo, como matou completamente a minha vontade de continuar essa série.

“Uma garota que procura o sol, como uma flor se banhando em seus raios. Uma garota que ama sua família com todo seu coração. Uma garota tão corajosa que falará qualquer coisa para salvar a irmã . – Ele se aproxima. E chega mais perto ainda. – Você fez tudo o que eu devia ter feito por Mikey, mas não fiz. Sempre vou respeitar isso.”

Esqueça o Amanhã tenta trazer uma distopia pesada para os leitores, mas falha miseravelmente em todos os aspectos que provavelmente deveriam tornar o livro algo bom. Todos os personagens apresentados têm uma história um tanto “macabra” como background, mas isso não é trabalhado de forma inteligente pela autora ao longo dos capítulos. Aliás, passei boa parte do livro com a certeza de que Dunn não tinha a menor ideia de como usar todos os elementos que ela mesma tinha criado para o seu enredo.

Tirando toda a parte do enredo óbvio e das falhas grotescas de enredo, a escrita de Dunn não é ruim, mas apenas confusa. Se você tem disposição para encarar um enredo que não cumpre o que promete, mas que entrega pelo menos um dos romances mais melosos que vocês vão encontrar, então pode ser que Esqueça o Amanhã seja uma leitura muito melhor para você do que foi para mim. Eu comecei esse livro esperando entender uma sociedade com uma forma de governo que eu nunca tinha visto antes, mas me deparei com uma personagem principal passiva e um romance que não convence ninguém.

Esqueça o Amanhã é o primeiro livro de uma tetrologia (aparentemente isso é uma coisa) que eu não pretendo continuar. Distopia é um gênero que vem sendo muito difícil para mim desde o final de Divergente e acho muito difícil encontrar um autor que consiga construir um universo completamente novo, com a quantidade de romance necessária para manter o autor interessado, sem mudar completamente o foco do enredo – se vocês conhecerem um, por favor, me apresentem.

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Resenhas 09nov • 2017

Os 12 Signos de Valentina, por Ray Tavares

Os 12 Signos de Valentina é um livro escrito pela brasileira Ray Tavares e publicado em 2017. Ray começou sua carreira no Wattpad, após ganhar o prêmio Wattys de voto popular e alcançar mais de 2 milhões de leitores na plataforma, a autora foi convidada a publicar na Record pelo selo editorial Galera.

Os 12 Signos é um livro extremamente engraçado, é impossível não se divertir e dar umas boas risadas com a Isadora, nossa protagonista. A história toda gira após Isadora ser traída pelo namorado de 6 anos e resolver passar o rodo no zodíaco, palavras da própria. Na verdade ela só está com o coração partido, a autoestima carcomida e sem muito animo para nada, mas sua prima, Marina, obriga Isadora a dar a volta por cima. Depois de um encontro hilário com a faxineira de uma boate na Augusta, Isadora resolve juntar o útil ao agradável e criar para um projeto da faculdade o blog 12 Signos de Valentina, como proposta investigativa ela promete sair com cada um dos 12 signos do zodíaco e narrar a sua experiência com cada um deles.

–  Boa noite, Isadora  –  cumprimentou ele, falando o meu nome daquele jeito quase maldoso e característico dele.  –  Nem te vi chegar.
–  Ah, pois é, eu aparatei até aqui  –  comentei.
Andrei ria, mas o resto dos engenheiros não entendeu a piada, e eu me senti a coisinha mais estúpida da face da terra.
– Por isso que não nos encontramos – continuou ele, sem perder o sorrisinho divertido – , usei o pó de flu.

Uma coisa muito boa em Os 12 Signos de Valentina é a enxurrada de referencias. Você encontra de tudo, desde música brasileira até Harry Potter. Não posso negar que como uma Potterhead isso já era o suficiente para ganhar meu coração. A autora não deixa nada jogado, um erro que muita gente comete por aí, as referências fluem e fazem parte da comédia do livro. Isadora é nerd e é muito engraçada, é óbvio que ela não pode deixar de fazer piada com tudo. Não é só de risos que vivemos. O enredo do livro também é muito bom. De um lado temos uma universitária tentando superar um pé na bunda, do outro temos um monte de alunos da faculdade cada vez mais desesperados com o blog, querendo descobrir de qualquer maneira quem é a Valentina.

Outro ponto que se destacou para mim durante a leitura foi o posicionamento da autora, ela não foge de questões sociais, de inclusão e discussões políticas, ato que julgo extremamente corajoso. Vemos o posicionamento de diversos personagens discutindo igualdade de gênero, questões sociais e política. Independente no que você acredite, o livro abre um leque de assuntos que merecem ser colocados em pauta. Também temos muito da corrente feminista e do Girl Power no decorrer das páginas. Discussões sobre slut-shaming, empoderamento feminino, privilégios sociais, é uma porção de assuntos que fazem parte da vida de qualquer ser humano e que estão ali para moldar os personagens e trazer á tona assuntos que são vistos como desconfortáveis.

(…) ando recebendo algumas críticas e julgamentos de gente que, a meu ver, não tem muito que fazer e fica regulando a vida amorosa dos outros (…), dizendo que eu deveria “me dar ao respeito”, ou que eu não sou “exemplo para outras mulheres”, e até que eu vou “acabar sozinha se continuar vagabundeando por aí”, e para essas pessoas eu tenho um recadinho: eu não sou menos ou mais mulher porque decidi curtir um pouco a minha solteirice, mas você é menos humano e inteligente por querer ditar o que eu devo ou não fazer da minha vida.

A escrita da Ray é muito gostosa, as páginas vão passando e tudo que você quer saber é até quando Isadora vai continuar com essa loucura. Os diálogos são bem construídos e os personagens cativantes. Além da Isadora, eu gostei muito do Andrei. Ele se mostrou um par romântico condizente com a nossa protagonista forte e bem resolvida. Meu maior medo no início da leitura era rolar um dramalhão envolvendo o blog e os vários experimentos antropológicos, tive uma grata surpresa.  Super recomendo a leitura de Os 12 Signos de Valentina, principalmente se você quer se divertir após um dia estressante. Livros como este só mostram o quanto temos bons autores no Brasil. Para finalizar, Leão é o melhor signo do zodíaco.

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Resenhas 27set • 2017

Time Humanos, por Justine Larbalestier

Faz um tempo que eu ando um pouco traumatizada com livros sobrenaturais ou que retratam vampiros de uma forma muito distorcida. Eu sempre acabo me decepcionando com essas séries por causa do rumo que o enredo toma e, querendo ou não, essa ideia de “se apaixonar por um vampiro” sempre me deixou bastante incomodada muito antes de Crepúsculo. Por isso, quando Time Humanos foi lançado no Brasil, eu queria muito saber onde Justine Larbalestier e Sarah Rees Brennan iriam chegar com esse enredo e, apesar de não ter sido um dos melhores livros que eu li, Time Humanos é um Young Adult que vale muito a pena ser lido por aqueles que adoram um livro sobrenatural.

Time Humanos se passa em uma realidade onde humanos e vampiros coexistem em sociedade e é nesse universo que conhecemos a Mel, uma humana que não é a maior fã de vampiros que você vai encontrar. Na verdade, Mel acha a ideia de se tornar um vampiro algo muito absurdo, afinal, quem gostaria de perder todas as suas emoções e nunca mais poder andar no sol? As coisas começam a ficar complicadas quando Francis, um vampiro legítimo, começa a frequentar sua escola e sua melhor amiga, Cathy, se vê completamente apaixonada por ele. Mas Mel está convencida de que Francis tem um segredo e cabe a ela proteger sua melhor amiga dessa ameaça ao Time Humanos.

Com um enredo bem simples, Time Humanos está muito longe de ser um enredo assustador. No enredo de Justine e Sarah, ser um vampiro é uma questão social, algo que precisa de acompanhamento médico, mas totalmente aceitável se você está realmente decidido a passar pelo processo de transformação. Eu, particularmente, não gostei muito dessa realidade. O fato de você construir toda uma sociedade que aceita vampiros entre eles “numa boa” entra em conflito com o que são vampiros de verdade. O fato de você fazer com que eles tenham acompanhamento médico, um banco de sangue e todo esse apoio social tirou completamente a parte “assustadora” do livro. Em Time Humanos, vampiros não são predadores como em outras histórias, eles só são algo “diferente”, mas nada impressionante.

Um dos poucos vampiros que permitiu ser entrevistado sobre o tema descreveu a transformação como sendo renascer em um mundo sombrio, onde nada é real de verdade e nada possa realmente afetá-los. O vampiro pareceu achar isso uma coisa boa. (Viu? Que tipo de pessoa quer se tornar vampiro?).

A narrativa em primeira pessoa não chega a ser muito ruim, apesar de eu achar a Mel uma personagem muito chata de se acompanhar. Por mais que eu entenda que ela quer proteger a melhor amiga e desvendar todo o mistério por trás de Francis, eu acho que a personagem passa de todos os limites e coloca muito do que ela acredita acima da vontade das pessoas a volta dela e, por mais que eu consiga entender que isso faz parte do crescimento dela ao longo do livro, as autoras fizeram essa parte do enredo se bastante cansativa e chata de acompanhar. Eu realmente quis muito socar a cara da Mel em vários pontos do livro, principalmente quando ela era mal-educada por puro preconceito.

Apesar de não ter a melhor personagem principal que a gente poderia pedir em um livro supostamente sobrenatural, a leitura de Time Humanos não é a pior experiencia que você vai ter em um livro sobre vampiros. Eu gostei muito que as autoras tenham brincado com a questão da imortalidade, de abrir mão da sua humanidade para ter a vida eterna e principalmente da questão do “amor verdadeiro”, já que a forma como Cathy e Francis se apaixonam não podia ser mais sarcástica possível dentro da história e eu fico me perguntando se eles não vão se arrepender das escolhas que fizeram no futuro.

Quando você deixou de ter opinião? Desde que você conheceu esse cara tem sido “Francis disse isso! Francis disse aquilo! Fracs disse que eu devo morrer agora!”. Quando foi que você parou de pensar por si mesma?

Time Humanos é um Young Adult divertido, mas não sei se a proposta do livro agradaria a todos os tipos de leitor. Primeiro por causa da forma como as autoras do livro resolveram trabalhar com vampiros, mudando algumas coisas básicas sobre a transformação e outros detalhes e talvez porque a personagem principal não seja a mais legal que vamos conhecer. Ainda assim, Time Humanos é uma leitura divertida, com um plot interessante de conhecer e uma válvula de escape para quem já está muito cansado dos tradicionais livros de “mocinha-se-apaixona-por-vampiro”.

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Resenhas 25set • 2017

À Primeira Vista, por David Levithan e Nina LaCour

Sabe quando você gosta de um livro, mas não tanto assim? Quando você se divertiu lendo, mas o livro não desencadeou nenhuma emoção forte ou sentimento profundo em você? Então, essa foi a minha experiencia lendo Á Primeira Vista. E isso me surpreendeu porque eu geralmente gosto muito dos livros do David Levithan, e gostei muito do que já li da Nina LaCour, então eu realmente achei que teria uma opinião mais forte sobre esse livro. Mas essa foi uma situação em que, desde o momento em que eu conclui a leitura, eu não voltei a pensar na história do livro.

À Primeira Vista segue dois adolescentes, Kate e Mark. Apesar de serem colegas de classe por um ano inteiro, a primeira vez que os dois se falam é dentro de uma boate gay, quando os dois estão passando por um momento difícil. Kate está fugindo da chance de conhecer a garota por quem ela mantém uma paixão à distância, e Mark está apaixonado pelo seu melhor amigo Ryan, que parece não sentir o mesmo. Quando se encontram na loucura da semana do orgulho gay em São Francisco, eles decidem se tornarem amigos.

A escrita desse livro é realmente boa, e eu não esperava nada menos do David Levithan e da Nina LaCour. O livro segue aquela formula parecida com outros livros do Levithan, em que ele escreve os capítulos do ponto de vista do Mark e a Nina LaCour escreve os capítulos da Kate. Os dois são ótimos escritores então todo o conteúdo emocional do livro é bastante efetivo. O nervosismo da Kate em relação a Violet, a garota que ela gosta, e a ansiedade que ela tem sobre o futuro, a angústia no Mark em relação ao Ryan, tudo isso é muito bem passado pela narração e pelos diálogos.

Outra coisa que eu gostei no livro é a forma que a amizade entre a Kate e o Mark acontece. Os dois se encontram em uma noite meio caótica e decidem que já que os amigos deles não estão sendo muito amigos no momento, talvez seja melhor eles se juntarem. As interações dos dois no livro são bem divertidos, e você realmente acredita que eles se gostem de verdade. Eles se aconselham, se apoiam um no outro, e no geral, agem como amigos de verdade devem agir. O relacionamento dos dois contribui muito para que essa seja uma leitura muito agradável.

Mas esse é o problema do livro. Ele é agradável, só isso. Nada acontece nele que fica muito marcado na memória depois de concluída a leitura. Apesar de ser bem divertido, o livro não tem aquela carga emocional que os outros livros do Levithan, como Garoto Encontra Garoto ou Will e Will tem. Ele me lembra aqueles filmes que passam durante a tarde; você vai assistindo e se divertindo, mas quando o filme acaba, você não lembra quase nada que aconteceu nele.

Outra coisa que me incomodou um pouco é o fato de que o Mark não ter um subplot. A história da Kate é movida por dois pontos, o nervosismo dela com a Violet e o medo que ela tem sobre o futuro dela, e os dois são basicamente dois lados do conflito que ela precisa resolver. O Mark só tem um plotline no livro, o relacionamento dele com o Ryan. Só isso. Teria sido legal ter visto ele passando por alguma outra coisa que não fosse um amor não correspondido, acrescentar uma outra camada para o personagem dele.

Além disso, a história do livro é um pouco fantasiosa demais pro meu gosto. Eu não vou entrar em detalhes pra não dar spoiler pra ninguém, mas em alguns momentos do livro, eu me vi falando “de jeito nenhum que isso aconteceria na vida real”. É claro que a gente espera um pouco de fantasia nos livros, afinal a suspensão de descrença faz parte da maior parte das leituras, mas não de um jeito que te tira da história. Parece que algumas partes da história se desenrolam fácil demais e isso meio que acaba com o ritmo do livro.

À Primeira Vista é uma leitura, e me doí usar essa palavra, mediana. Apesar de gostar dos personagens, e da escrita ser tão boa quanto eu já estou acostumado com o David Levithan e a Nina LaCour, o livro simplesmente não é único o bastante para se destacar entre tantos outros YA contemporâneos. Além disso, o livro tem problemas em relação ao realismo da história, e o fato de que o Mark é meio raso como personagem. No mais, À Primeira Vista é um livro ok. Nem ótimo, nem ruim. Só ok.

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Resenhas 15set • 2017

Graça e Maldição, por Laure Eve

Eu queria ter uma ideia formada sobre esse livro, mas por mais que eu tente, eu não consigo. Não sei afirmar o que a Laure Eve pretendia quando escreveu Graça & Maldição, mas eu preciso admitir que quando dizem que é um “crepúsculo só que muito ruim”, eu sou obrigada a concordar. Primeiro, o livro é um grande clichê tentando desesperadamente não ser um clichê. Os diálogos adolescentes com aquela profundidade filosófica reviram o estômago e uma personagem principal que não tem nenhuma personalidade só contribuíram ainda mais para que Graça & Maldição fosse mais uma leitura frustrada e entediante para a minha estante.

Mas vamos começar do começo, certo? Os Grace são tipo uma entidade. Todos querem estar com eles, todos querem ser eles. E mesmo as pessoas que não falam muito sobre eles, tem algum tipo de desejo secreto em relação a eles. Existem vários boatos de que eles são bruxos, mas nunca foi confirmado isso. Quando River se muda para a cidade e começa a frequentar a escola dos Grace, ela acaba ficando completamente fascinada por eles também – para não dizer obcecada, até que um dia ela finalmente consegue o passaporte de ouro para andar com os irmãos Fenrin, Thalia e Summer Grace. O problema é que, assim como a família Grace, River também tem os seus segredos e, conforme a trama se desenvolve, as coisas vão ficando cada vez mais obscuras.

Não se enganem, é o que eu digo. Graça & Maldição não é um grande mistério, muito menos um thriller. Também não é um livro sobrenatural sobre magia Wicca, como eu erradamente acreditei que seria. Apesar de Lauren Eve ter uma escrita muito gostosa, a construção do enredo é completamente confusa. Começando pelo enredo, com diversos time-jumps aleatórios que te deixam completamente perdido. Em um capítulo você está lidando com uma situação, no começo do outro já se passou uma semana ou até mesmo um mês e o narrador simplesmente joga na sua cara o que aconteceu nesse meio tempo com flashbacks inseridos no meio do texto sem nenhum aviso. Horrível, não é? Então, fica muito pior.

“Todos diziam que eles eram envolvidos com bruxaria. Eu queria desesperadamente acreditar nisso.”

Os diálogos são o cúmulo do clichê. Vão desde conversas pseudo profundas sobre a vida e a morte, desde discussões vagas sobre As Virgens Suicidas (Sim, o livro). E a autora não economiza nem um pouco nas piadas sem graça e naqueles “momentos” entre a personagem principal e o “crush” dela, seguido por um diálogo completamente estúpido e irrelevante para a história. Eu achei que já tínhamos superado o herói por quem “todas as garotas da escola eram apaixonadas”, mas claramente o mundo todo seguiu em frente, menos a Laure Eve. De verdade que só eu não aguento mais um suposto mocinho que é adorado por todo mundo, que tem todas as garotas a sua disposição e uma heroína esquisita à espera do príncipe encantado? Achei entediante.

Mas as tragédias desse enredo não param por aí. O livro é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista da River, mas logo de cara você percebe que ela não é uma narradora confiável porque nem mesmo ela consegue dizer com total certeza o que está acontecendo. E se a narradora não tem certeza, como é que eu vou ter? O plot sobre os Grace serem ou não bruxos é um labirinto sem saída. Você pula de capítulo para capítulo sem ter certeza nem de uma coisa e muito menos da outra e, quando a autora começa a ficar sem saída, o enredo tem uma reviravolta completamente aleatória e sem nenhuma explicação. É igual série cancelada antes da hora onde eles filmam um final de qualquer jeito só para encerrar o assunto? Laure Eve faz isso em Graça & Maldição, só que muito mal.

“O sorriso ameaçava partir meu rosto caso eu não o deixasse vir à superfície, então eu sorri. Eu tinha muitos bons motivos para não fazer aquilo.”

Eu odiei a River como personagem do começo ao fim. Primeiro porque ela passava várias páginas descrevendo o cheiro de baunilha do Fenrin, seus cabelos dourados e seu corpo musculoso. E depois porque ela simplesmente não era verdadeira com ninguém, nem mesmo com ela mesma. Ela “bancava” a descolada sem ninguém estar pedindo isso dela, mesmo quando as pessoas diziam que ela poderia se mostrar sem medo. As próprias paranoias e obsessões que ela criava na própria cabeça eram seriamente perturbadoras e o fato da autora não dar nenhum tipo de explicação para esse comportamento só pioravam as coisas.

E os Grace? Não sei se é educado chamar eles de “a versão pobre dos Cullen”, mas eu não consigo pensar numa referência melhor. Não fica claro no livro se eles têm ou não consciência do que são, ou do que eles fazem com as pessoas, mas eu certamente não gostei dessa vibe “poderosa” que a autora criou para eles no livro. Principalmente quando eles não estavam realmente fazendo alguma coisa para merecerem aquilo. Digo, tudo em torno deles é baseado em boatos claramente distorcidos conforme foram passando de boca em boca. Além disso, a forma passiva com que eles lidam com tudo me deixou muito nervosa – ficou bem claro que nada daquilo ia acabar bem no final das contas.

Mais um dia se vai, e mais uma vez eu estou frustrada com livros sobrenaturais voltados para bruxaria. Eu realmente não sei porque os autores acham que é necessário criar um plot tão complicado, ou tão cheio de coisas aleatórias para se falar de magia. Digo, tem tanto material maravilhoso para pesquisar. Além disso, a autora me fez o favor de deixar isso no ar. Em nenhum momento eu tive certeza do que estava acontecendo, se os personagens eram x ou y e isso foi a cereja do bolo para a minha frustração com essa história. Eu vou entender muito as pessoas que gostarem desse livro, porque eu consigo entender muito bem o porquê, mas eu consigo ver uma boa quantidade de pessoas se frustrando com esse enredo, então leia sabendo que tem boas chances de você não gostar.

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Resenhas 07set • 2017

Londres é Nossa, por Sarra Manning

Londres é o melhor lugar do mundo para mim. Já foi palco dos meus maiores romances vividos ao lado do Danny Jones nas fanfics de McFly que eu lia lá pelos meus quinze anos – era uma época maravilhosa, devo dizer. Então como eu poderia deixar passar a leitura de Londres É Nossa? Sarra Manning é uma autora que eu sempre recomendo para quem gosta de um bom romance, e como já era esperado, ela não só entregou o que eu esperava do enredo, como superou completamente as minhas expectativas. Estou completamente apaixonada pela Sunny e todos os outros personagens de Londres É Nossa, e tenho certeza que você vai se apaixonar também.

Sunny não é uma menina que gosta de se arriscar. Mark é seu primeiro namorado, estão juntos há oito meses e ela tem plena certeza de que o ama e que, por isso, ele é a pessoa perfeita para perder a virgindade. O que Sunny não esperava era receber uma foto do seu namorado – aka amor da sua vida – beijando outra garota. É claro que Mark teria uma explicação muito boa para aquilo, então o melhor a fazer seria ir até ele e perguntar o que estava acontecendo. É assim que Sunny se vê correndo por toda Londres com dois franceses muito engraçados tentando encontrar seu namorando – ou ex-namorado – para ouvir o que ele tem a dizer sobre a tal garota.

Londres É Nossa tem tudo e um pouco mais de tudo aquilo que eu sempre quis no enredo de um livro. Para começar, nós temos a Sunny, uma garota londrina negra em um enredo que não foi escrito com o objetivo de falar sobre racismo. Eu sei, falar sobre esse tópico é importante, mas vocês não enjoam de só ter personagens negras em livros quando a temática do livro é justamente essa? Quero dizer, eu ansiava há muito tempo por uma personagem negra que vivesse no enredo as mesmas experiencias que as incontáveis personagens brancas que temos por aí. E a Sarra Manning me deu isso de uma forma tão maravilhosa que eu ainda não sei como vou colocar em palavras.

“Não sou essa garota. Não sou a garota que acredita cegamente em tudo que o namorado diz e faz porque não aguenta ficar sem namorado. Uma garota triste. Não sou ela de jeito nenhum.”

A narrativa do livro se dá em primeira pessoa e, de cabeça, nós mergulhamos na vida da personagem principal que é uma adolescente comum, com as mesmas inseguranças que qualquer um de nós já teve como adolescente. O que eu mais gostei da Sunny como personagem, é que ela vive as mesmas experiencias de um adolescente comum, ela tem as mesmas dúvidas, ela faz os mesmos questionamentos e ela acaba amadurecendo com tudo o que acontece com ela durante o livro. Acompanhar o desenrolar desse enredo foi como reviver toda a minha adolescência e amadurecer junto com a personagem da Sarra.

Londres É Nossa não economiza nem um pouco na diversidade dos seus personagens e nas referências maravilhosas de Rupaul’s Drag Race e Meninas Malvadas. Honestamente? Livro me ganhou na primeira Drag que apareceu no enredo. É muito interessante quando você pega uma leitura que não se limita a estereótipos e nem utiliza as minorias como forma de vitimização.  Londres É Nossa é um enredo que trata todo mundo como seres humanos, que mostram um lado mais natural de todos os seus personagens e não cai naquela discussão chata do “politicamente correto”. Todos os personagens são fáceis de você se identificar e amar profundamente.

Mark está tocando meu braço. Como se ele ainda pudesse tocar em mim, quando na verdade não pode, não mais. E, de repente, fico contente por não ter dormido, pois sinto como se minha pele estivesse do avesso e não me importo com mais nada.”

Sarra Manning aborda muito no enredo a questão do feminismo de um ponto de vista muito mais leve e muito mais didático do que outros livros. Durante todo o enredo nós acompanhamos Sunny na sua busca pelo namorado e a cada acontecimento, nós conseguimos ver a personagem crescer e amadurecer, mas sem precisar ficar levantando a bandeira feminista o tempo todo. É um processo bastante natural do livro. Nós começamos com uma personagem chamando outra garota – que ela nem conhece – de “vagabunda” e acompanhamos todo o desenvolvimento da história até ela entender que chamar alguém de “vagabunda” não é nem um pouco legal. Afinal, não tem como você saber a história da pessoa até que ela te conte, não é mesmo?!

Londres É Nossa é um enredo muito inteligente, com uma discussão muito saudável sobre homossexualidade, racismo, feminismo e outros assuntos que hoje em dia lutamos para ver mais na literatura. Achei maravilhoso que a autora tenha escolhido fazer essas abordagens dentro de um romance adolescente com personagens comuns, que vivem as mesmas experiências que eu um dia vivi. É uma leitura que é impossível de você não gostar. Afinal, como você não ama uma personagem que coloca “terminar com o namorado” e “lavar a louça” na mesma lista?

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Resenhas 17ago • 2017

Minha Vida (não tão) Perfeita, por Sophie Kinsella

Uma coisa que todos vocês já devem saber sobre Sophie Kinsella é que ela nunca decepciona. A autora de Os Segredos de Emma Corrigan e Os Delírios de Consumo de Becky Bloom tem um jeito único de criar personagens que se conectam com os seus leitores desde a primeira página de seus romances e, adivinhem? Com Minha Vida (não tão) Perfeita não foi nem um pouco diferente. Com a sua escrita leve e divertida e com personagens maravilhosos, o novo romance de Sophie Kinsella explora os filtros das redes sociais, nossa necessidade de conquistar o mundo antes dos 25 anos, e a verdade por trás de tudo o que colocamos na internet que nem é o que parece, não é mesmo?

Katie quer ter a vida perfeita. Ou pelo menos ela quer fazer com que todo mundo acredite que ela tem a vida perfeita. A realidade? Não chega nem perto disso. Morando em um quartinho apertado em Londres e horas de distância do trabalho, Katie faz tudo o que pode para manter a aparência de que sua vida está ótima e que seu salário não é tão apertado quanto parece, afinal, ela precisa muito encontrar uma forma de fazer sua chefe-super-mega-perfeita notar seu potencial, não é mesmo? O mundo de Katie desaba quando é demitida e se vê sem saída a não ser voltar para a terra natal e ajudar a família em seu novo negócio de glamping. É só quando sua ex-chefe aparece inesperadamente que Katie começa a perceber que as aparências enganam e que ninguém tem uma vida tão perfeita assim.

Eu me apaixonei por esse livro logo no primeiro capítulo onde a personagem faz uma descrição da experiencia de pegar o metrô lotado todos os dias para trabalhar. Foi muito fácil me identificar com ela a parti daí, principalmente porque eu também fui a pobre garota iludida que saiu do interior para a cidade grande acreditando que iria conquistar o mundo em seis meses. Kinsella soube construir muito bem uma personagem que representa todos os anseios dos seres humanos: a necessidade de ser bem-sucedido, de conquistar sua vida dos sonhos, de mostrar para as outras pessoas o quão “cool” você é.

“Ta bom, vou falar logo: eu vivo entrando em cafés caros à procura de fotos dignas de serem postadas no Instagram. Tem algum problema nisso? Não estou dizendo que bebi o chocolate quente. Estou falando que fiz assim: Olha, chocolate queeente! Se as pessoas acharem que era meu… bom, aí é com elas.”

Mas será que isso realmente importa? Minha Vida (não tão) Perfeita é uma narrativa divertida sobre as grandes expectativas da vida combinada com a nossa ideia ilusória de que a grama do vizinho é sempre mais verde. Narrado em primeira pessoa, conhecemos a verdadeira vida de Katie logo no primeiro capítulo e conseguimos sentir na pele todas as suas frustrações e anseios por algo melhor, algo que mostrasse que ela é melhor do que tudo aquilo. E quem nunca se sentiu assim? De todos os enredos de Kinsella que eu li até hoje, acredito que Minha Vida (não tão) Perfeita é o que mais se aproxima da realidade em que vivemos hoje, cheia de filtros e receio de admitir que as coisas não vão tão bem assim.

O livro é dividido em duas partes. Na primeira, conhecemos Cat, a versão super cool de Katie que tenta mostrar para todo mundo que a sua vida em Londres é exatamente o que ela sempre sonhou. Conhecemos seu trabalho, sua chefe perfeita e tudo aquilo que ela deseja para si. Na segunda parte conhecemos a Katie de verdade, a realidade da sua vida, a pessoa que acabou de perder o emprego e não consegue uma entrevista e que está desesperada ao se ver tendo que admitir que nada deu certo como ela esperava. O enredo flui de forma leve e divertida e combinado com a escrita maravilhosa de Kinsella, conseguimos ver a personagem principal de todos os ângulos. Apesar de eu não gostar muito de uma narrativa em primeira pessoa, eu me senti muito bem estando na cabeça de Katie o tempo todo, principalmente porque eu me identificava muito com ela.

“Acho que finalmente descobri como me sentir bem em relação à vida. Sempre que vir alguém muito feliz, lembre-se: essa pessoa também tem seus momentos não tão perfeitos. Claro que tem. E sempre que você vir sua própria situação não tão perfeita, se sentir desesperado e pensar ‘minha vida é isso?’, lembre-se: não é. Todo mundo tem um lado brilhante, ainda que seja difícil de encontrar, às vezes.”

Os personagens do livro são divertidos e desafiadores. É como se a autora estivesse provocando o leitor com todas aquelas situações, nos obrigando a perceber que todo mundo tem um pouco de Katie dentro de si. O relacionamento de Katie e Demeter é muito interessante de acompanhar, principalmente porque, no começo do livro, você acaba tendo a mesma opinião de Katie sobre ela, acreditando na vida perfeita e muito bem-sucedida. E então vem aquele soco na boca do estômago onde você passa a conhecer Demeter um pouco melhor e todo aquele pensamento se esvai e você passa a gostar dela tanto quanto você gosta de Katie.  Minha Vida (não tão) Perfeita é a perfeita montanha russa do amadurecimento e a gente só pode agradecer Sophie Kinsella por isso.

Ah, e é claro que não podia faltar aquele bom e velho romance que tanto amamos nos livros da Sophie, não é mesmo? Mas, apesar de termos um mocinho maravilhoso e que tem tudo a ver com a Katie, o foco de Minha Vida (não tão) Perfeita realmente não é sobre encontrar o par perfeito, mas sim aceitar que a vida é um grande processo de aprendizado e que você não é e nunca será obrigado a saber todas as regras ou a vencer todas as batalhas e que está tudo bem se você ainda não conseguiu conquistar tudo o que sonhava. A jornada é longa, mas com certeza vale muito a pena.

Eu amei cada minuto que passei com esse livro. Os personagens são maravilhosos, o enredo é leve e muito divertido e a verdade é que Sophie Kinsella escreveu uma longa carta de amor para todos nós, para lembrar que não devemos nos apegar aos filtros bonitos do instagram ou aqueles textões do Facebook que as pessoas publicam sempre. Minha Vida (não tão) Perfeita era tudo o que eu estava precisando ler este ano e eu acredito que seja tudo o que você está precisando ler também.

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Lançamentos Notícias 01ago • 2017

Confesse é o livro que os leitores de New Adult estavam esperando

 

Número 1 na lista de bestesellers do New York Times e a autora de New Adult mais amada do Brasil, Colleen Hoover está de volta com um novo romance sobre arriscar tudo por amor – e encontrar o seu coração em algum lugar entre a verdade e mentiras. Publicado pelo selo Galera Record, Confesse é tudo o que os leitores brasileiros poderiam querer.

Aos vinte e um anos, Auburn Reed já perdeu tudo o que é importante para ela. Em sua luta para reconstruir sua vida, ela tem seus próprios objetivos em vista e não há espaço para erros. Mas quando ela entra em um estúdio de arte de Dallas em busca de um emprego, ela não espera encontrar uma atração profunda por um artista enigmático que trabalha lá, Owen Gentry.

Pela primeira vez, Auburn aproveita e coloca seu coração sob controle, apenas para descobrir que Owen está escondendo um grande segredo. A magnitude do passado do artista ameaça destruir tudo o que é importante para Auburn, e a única maneira de manter a sua vida da forma que havia planejado é se afastar de Owen.

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Auburn Reed perdeu tudo que era importante para ela. Na luta para reconstruir a vida destruída, ela se mantém focada em seus objetivos e não pode cometer nenhum erro. Mas ao entrar num estúdio de arte em Dallas à procura de emprego, Auburn não esperava encontrar o enigmático Owen Gentry, que lhe desperta uma intensa atração. Pela primeira vez, Auburn se vê correndo riscos e deixa o coração falar mais alto, até descobrir que Owen está encobrindo um enorme segredo. A importância do passado do artista ameaça acabar com tudo que Auburn mais ama, e a única maneira de reconstituir sua vida é mantendo Owen afastado.

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Resenhas 11jul • 2017

Victoria e o Patife, por Meg Cabot

Como escrever uma resenha sobre um livro que você gostou, mas que ao mesmo tempo, não gostou tanto? Victória e o Patife era um romance de época que eu estava muito ansiosa para ler. Primeiro porque é um romance de época, e todo mundo sabe que eu jamais deixaria passar um livro do gênero. Segundo, é Meg Cabot, e apesar de eu não ser a maior fã da autora, os livros dela sempre me conquistam. O problema é que apesar de ser uma leitura prazerosa, Victoria e o Patife não tem os elementos que normalmente prendem o leitor em um enredo e conforme a história caminhava eu não sabia dizer se estava mais irritada com a personagem principal ou com a autora.

Victoria é uma jovem de 16 anos que está voltando da índia para ter a sua primeira temporada em Londres. Ela é filha de um duque e acabou herdando a fortuna do pai, suficiente para conseguir para ela um bom marido. É abordo do navio Harmonia que ela conhece Lorde Malfrey, de quem fica noiva antes mesmo de chegar em solo inglês. Mas não é o noivo que ganha a atenção de Victoria, mas sim o capitão do navio, Jacob Carstairs, o homem que está determinado a provar para Victoria que seu futuro marido não era digno dela e, no processo, ainda tirar a jovem do sério.

Victoria e o Patife tem diálogos divertidos acompanhados da escrita leve e simples de Meg Cabot que nós já conhecemos e adoramos. O problema é que a escrita é realmente simples demais. Tudo no livro acontece muito rápido, não dando tempo para os personagens se desenvolverem ou mesmo se conhecerem melhor. As cenas pulam de uma para outra sem aviso, e não tem como você saber o que está acontecendo na história até que venha uma cena muito óbvia. Além disso, o plot é meio infantil demais para um juvenil de romance de época, como se eu tivesse lendo a história de dois personagens de 12 anos de idade, ao invés de 16.

É preciso lembrar que, mesmo naquela época, era pedido das jovens uma certa maturidade que você jamais irá encontrar em Victoria. Além de ser extremamente insuportável, a personagem é mimada e egoísta, sempre colocando os desejos dela em primeiro lugar, mesmo em momentos em que ela achava que estava ajudando o próximo. Vocês já leram um personagem com uma voz aguda e insuportável? Era exatamente assim que eu via Victoria durante a leitura, e por mais que eu tentasse entender a sua imaturidade e petulância, não consegui encontrar nada na personagem que me fizesse gostar dela.

O enredo de Victoria e o Patife não tem nada que realmente prenda o leitor. Toda a história gira em torno da birra de Victoria insistindo para se casar com Lorde Malfrey, um homem que mal conhecia e de quem havia ficado noiva simplesmente para implicar com o tal Capitão Carstairs. O enredo não se desenvolve fora disso. O leitor não vê as coisas realmente acontecerem, mas elas acontecem porque a autora nos diz que elas aconteceram. Foi bastante frustrante, principalmente porque a sensação era de que nunca ia acontecer nada e o livro parecia nunca chegar ao final.

O romance é bastante fraco, eu devo dizer. Mas eu já esperava que fosse considerando que as cenas não eram muito trabalhadas e os personagens não muito desenvolvidos. Eu fiquei impressionada com a facilidade que a personagem principal tinha de mudar seu interesse amoroso ao longo do livro. Uma hora ela estava jurada de amor pelo conde, no outro ela já não tinha mais certeza dos seus sentimentos. Era confuso, pouco profundo e, no final, não me convenceu. Mesmo sendo um Young Adult, acredito que pelo menos o romance poderia ter sido um pouco mais desenvolvido pela autora.

Os diálogos eram “legais”, – porque eu realmente não consigo pensar em outra palavra agora – mas não acrescentavam muito a história. Tudo que era dito pelos personagens soava muito superficial e irrelevante para a história. E a forma como Meg Cabot construiu a personagem principal me incomodou muito. No final Victoria não amadurece ou aprende com os seus erros, mas continua sendo a mesma pessoa mimada e cheia de si do começo do livro.

Eu queria muito que Victoria e o Patife fosse mais do que um romance de época para adolescentes. Eu realmente queria que o livro tivesse explorado mais a personagem principal e a sua vida na Índia, ou o fato do noivo dela não ser realmente quem ele dizia ser. Acho que tudo teria sido mais agradável se a autora tivesse buscado escrever os capítulos com mais paciência, do que simplesmente criar uma história superficial. Espero mesmo que os próximos livros dela, neste mesmo gênero, tenham personagens bem mais interessantes.

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Lançamentos 21maio • 2017

Novidades na Livraria no Mês de Maio!

Já estamos quase no meio do ano, e como já é de costume, as editoras não param de trazer novidades incríveis para as livrarias. Eu até agradeço, mas a minha conta bancária não.

E esse mês tem muita coisa legal vindo por aí, em vários estilos diferentes. Tem livro para agradar todo mundo, independente de gosto. Eu mesmo já coloquei vários desses lançamentos na minha lista de compras, e parece que ela só vai aumentar.

E o que temos neste mês?

A Record está vindo com uma nova edição de Belas Maldições, parceria do Neil Gaiman com o Terry Pratchet. O livro segue Crowley, um demônio e seu amigo anjo Aziraphale enquanto eles tentam impedir o apocalipse. Para conseguir evitar o fim do mundo eles precisam encontrar o Anticristo, uma criança de 11 anos.

Temos novas edições especiais de clássicos da Clarice Lispector, lançamentos da Rocco. Vamos ver uma edição de capa dura de A Hora da Estrela e uma edição muito especial ilustrada de A Mulher que Matou Os Peixes, com ilustrações feitas pela neta de Clarice Lispector, Mariana Valente.

A Rocco também vai trazer um box contendo os 3 livros que fazem parte da coleção Biblioteca Hogwarts. Animais Fantásticos e Onde Habitam, Quadribol Através dos Séculos e Os Contos de Beedle, O Bardo ganham novas edições de capa dura e com um lindo trabalho gráfico.

E por fim, a Novo Conceito vem trazendo alguns lançamentos muito interessantes, como Mais Do Que Isso, de Patrick Ness, e Um Verão Para Recomeçar, da autora Morgan Matson.

CONFIRAM ABAIXO TODOS OS LANÇAMENTOS DE MARÇO:

Resenhas 24abr • 2017

O Canto Mais Escuro da Floresta, por Holly Black

O Canto Mais Escuro da Floresta é uma fantasia stand alone, escrito por Holly Black, autora das Crônicas de Spiderwick e de A Menina Mais Fria de Coldtown, e publicado pela Galera Record em 2017. O livro se passa na cidade de Fairfold, onde os humanos existem lado a lado com o misterioso povo das fadas. Graças a magia intrigante dos fae, Fairfold recebe muitos turistas, principalmente o garoto de orelhas pontudas e chifres que dorme em um caixão de vidro nas entranhas da floresta.

Dois jovens moradores da cidade, Hazel e seu irmão Ben, são fascinados pelo garoto desde crianças, quando costumavam criar histórias sobre a identidade do garoto, fingindo ser heróis em aventuras fantásticas. A medida que cresciam, as histórias começaram a perder a graça, já que provavelmente o garoto jamais acordaria. Tudo isso muda, quando de repente, ele acorda.

Vendo o seu mundo virado de cabeça pra baixo, e o convívio entre humanos e faes se tornando cada vez mais conturbado, Hazel e Ben precisam se tornarem os heróis que fingiam ser quando eram crianças para salvarem tanto os seus amigos e familiares quanto o misterioso garoto.

Se eu tivesse um ano, eu ainda não conseguiria explicar pra vocês o quanto eu tava ansioso pra ler esse livro. A Menina Mais Fria de Coldtown foi um dos meus livros favoritos dos últimos anos, então quando eu fiquei sabendo que a Record ia trazer O Canto Mais Escuro da Floresta, eu tive que me segurar pra não correr pra uma livraria e já ficar esperando o livro. E olha, fico muito feliz em dizer pra vocês que toda essa espera valeu a pena.

O ponto mais forte da Holly Black como escritora pra mim é como ela consegue criar essas histórias cheias de world building e elementos fantásticos dentro de apenas um livro. Por mais que eu gostaria de ver mais livros centrados no mundo de O Canto Mais Escuro da Floresta (e de A Menina Mais Fria de Coldtown também), é muito legal ver uma autora entregar uma história complexa, centrada em um mundo fantástico, com personagens fortes, e sem precisar cortar a história no meio, pra garantir plot pra continuação.

Outra coisa que eu amo nos livros dela é esse contraste entre o mundo fantástico e o real. Em Coldtown, era o mundo sobrenatural dos vampiros com a mídia do nosso mundo. Agora, é o mundo fantásticos das fadas com as normas e os preconceitos do nosso mundo. Além de fazer alguns paralelos interessante, isso cria situações bastante originais. Afinal, se essa história acontecesse de verdade, duvido que eu não estaria na fila dos turistas visitando o menino de chifres dormindo em um caixão de vidro.

No que se trata dos personagens, Hazel e Ben são muito bem escritos. O relacionamento dos dois é bem interessante porque apesar de serem próximos e gostarem muito um do outro, fica claro na história que eles são pessoas diferentes, e isso acaba causando conflitos bem realistas entre eles. Esse é outro ponto que me agrada muito nos livros da Holly Black, os relacionamentos entre os personagens sempre parecem muito reais.

Os outros personagens são muito bons também, apesar de Hazel e Ben serem de longe os personagens mais importantes. Os amigos de Hazel e Ben, Jack e Carter, são ótimos personagens de apoio, e a backstory dos dois é super interessante. O garoto do caixão de vidro também é um personagem legal, mas eu não posso falar muito dele, porque entregaria muito da história.

Mas o foco principal da história realmente é Hazel e Ben e o mundo das fadas. E isso acaba levando ao único ponto do livro que me incomodou. Os romances da história me pareceram bastante arbitrários. A impressão que dá é que a autora escreveu a história, e em algum momento da edição pensou que a história precisava de romance, e voltou e acrescentou algumas cenas de romance no livro. Não é o tipo de romance que me agrada, porque eu simplesmente não senti conexão nenhuma entre os participantes.

No geral, O Canto Mais Escuro da Floresta foi uma leitura muito satisfatória, mas que não atingiu as minhas (admitidamente altas) expectativas. A atmosfera de fantasia, a escrita maravilhosa e os personagens mais do que compensam o romance meio bleh e o começo um pouco devagar. Não superou A Menina Mais Fria de Coldtown na minha opinião, mas ainda sim, outro livro incrível da Holly Black.

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Lançamentos 14mar • 2017

O que chega nas livrarias no mês de março

Nada melhor do que saber o que vamos encontrar nas livrarias no próximo mês, não é mesmo? E acreditem quando eu digo que os lançamentos de março estão enlouquecedores.

Eu, basicamente, não consegui me decidir quais livros eu vou ou não colocar na estante, afinal, sabemos que eu sou meio “descontroladas” quando se trata de comprar livros e se deixar eu compro tudo num piscar de olhos, não é mesmo?

E o que temos neste mês?

A Verus está lançando A Chama Dentro de Nós, mais um romance New Adult da nossa querida Brittainy C. Cherry, a mesma autoroa de Sr. Daniels. Esse lançamento faz parte de uma série chamada Elementos, cujo o primeiro livro foi lançado no ano passado sob o título de O Ar Que Ele Respira.

Nós temos livro da Meg Cabot nos lançamentos da Galera Record para aqueles que são fãs da autora e, para quem gosta de Cassandra Clare, o selo está lançando Os Contos da Academia de Caçadores de Sombras.

A Rocco também está trazendo lançamentos ótimos, dentre eles um que me chamou muita atenção: Inesquecível, a história de uma garota que perdeu a memória e agora precisa fazer de tudo para descobrir quem ela realmente é. Me deu uns arrepios só de ler a sinopse e eu prometo que vai ter resenha desse livro em breve.

E por fim, a Novo Conceito vem trazendo algumas coisas bem legais no seu catálogo. Tem o lançamento de Desintegrados, o segundo livro da série Fragmentados, além de mais um livro da série Splintered, da A. G. Howard, intitulado Sussurros do País das Maravilhas.

Confiram abaixo todos os lançamentos de março:

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