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Resenhas 09fev • 2017

Fallen, por Lauren Kate

Quando me foi oferecido Fallen para ler e resenhar, confesso que torci um pouco o nariz. Sim, sou fã de romance, mas os clássicos e tradicionais, de preferência escritos no século passado (retrasado, re-retrasado,…).

Tendo como cenário a Inglaterra de 1854, o início do livro já remete a um romance de época (gostei). O primeiro capítulo nos mostra um casal, apaixonado, que, por algum motivo desconhecido, vive um amor impossível. Ele a conhece em seus mínimos detalhes. Ela o ama de uma forma intensa e ingênua. Ele quer fugir dela. Ela quer ficar ele. Um beijo e tchanram… chegamos nos dias de hoje.

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Fallen apresenta todo o peso do drama de Lucinda Price (Luce) que, com apenas 17 anos, foi acusada da morte do ex namorado Trevor. Por falta de provas, Luce é encaminhada ao escola/reformatório Sword Cross. Lá ela precisa conviver com a culpa da morte de Trevor e com a rotina da nova escola. A história de Luce ainda tem mais um agravante: as sombras. Desde criança, Luce tem visões estranhas de nuvens escuras (sombras), que aparecem apenas para ela. As sombras parecem ganhar força na nova escola acompanhando Lucinda o tempo todo. Na verdade um bom romance precisa ser clichê, sejamos justos. E imagine só um bom romance adolescente que não é clichê? É chato só de pensar.

Fallen preenche todos os requisitos do legítimo romance adolescente. Luce se apaixona a primeira vista por Daniel, um bonitão misterioso. De quebra, como se a fórmula já não fechasse aí, temos ainda Cam, o aluno descolado que, óbvio, se apaixona por Luce, criando o triângulo amoroso.

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Ainda temos durante a história as alegrias e desventuras do típico colégio Americano. Luce sofre bullying logo nos primeiros dias e amparada por Penn, com quem já cria um laço fraterno. Penn, que está na escola por opção, ajuda Lucinda a descobrir mais sobre Daniel. Além de Penn, Luce também se aproxima de Ariane, uma adolescente problemática mas de bom coração.

Publicado em 2009, Fallen é o primeiro livro da série de ficção sobre anjos de Lauren Kate. Em 2016 o livro ganhou uma versão para cinema que dividiu a opinião dos críticos. O maior problema de Fallen, é que percebemos uma falha grande no fim da história: Ela não acaba quando tem que acabar.

É nítido que rolou um “embromation”, deixando a leitura dos últimos capítulos bem exaustiva. No geral vale a pena. Não conheço ainda os outros livros da série e confesso que, devido ao problema do final, não senti muita vontade de ler os próximos. Tirem suas próprias conclusões.

Resenhas 27jan • 2017

O Bosque Subterrâneo, por Colin Meloy

Primeiro de tudo, vocês precisam saber que O Bosque Subterrâneo é o segundo livro da série As Crônicas de Wildwood, e que eu não li o primeiro livro dessa série. A verdade é que, fazer a leitura do primeiro livro não é exatamente necessária, mas conforme história se desenvolve ao longo do livro, eu achei importante ter o background do primeiro livro para compreender melhor os personagens, e como eu não tinha, isso tornou a leitura um pouco mais complicada para mim do que realmente deveria.

O Bosque Subterrâneo começa algum tempo depois dos eventos finais de O Bosque Selvagem onde, Prue Mckeel retorna da Floresta Impassável depois de resgatar seu irmão. Depois de todas as aventuras vividas ao lado de seu amigo Curtis, que permaneceu na floresta para se tornar um bandido em treinamento, Prue não vê mais sua vida da mesma forma que antes. Tudo perdeu a graça, a escola já não é mais a mesma e mesmo com a nova professora de ciências no seu pé, nada parece animá-la.

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Mas as coisas não estão tão calmas quanto parecem. Um assassino é contratado para encontrar Prue e matá-la, obrigando-a a se refugiar novamente na floresta. Um empresário macabro obriga as crianças do seu orfanato a trabalhar em sua fábrica, explorando-as dia e noite. E, quando tudo já não parecia ruim o suficiente, Prue e Curtis precisam, novamente, salvar a si mesmos e a vida de seus amigos, e trazer a unidade para um país dividido.

Eu preciso muito dizer que O Bosque Subterrâneo me lembrou muito meus primeiros anos como leitora quando eu me via imersa no mundo de Nárnia. Claro, o livro não faz nenhuma referência ao mundo criado por C.S. Lewis, mas o senso de aventura e os personagens apaixonantes são bastante similares e, o motivo de eu ter conseguido levar o livro até o final, apesar de alguns pontos do livro terem me incomodado bastante ao longo da leitura.

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Colin Meloy tem uma escrita muito leve e envolvente. Eu gostei muito do cuidado que o autor teve na hora de construir o universo, pensando em todos os detalhes e fazendo com que tudo se encaixasse perfeitamente. Meu maior problema com o livro foi o desenvolvimento do enredo em si. Durante boa parte da leitura eu me senti perdida no enredo, principalmente porque as coisas demoraram muito a começar a acontecer, e fez com que o enredo se tornasse um pouco maçante.

Como eu disse no começo da resenha, eu não li o primeiro livro da série, porém, a descrição de Colin é tão cuidadosa e detalhista que eu não precisei de muito para conseguir me imaginar dentro da história. Acho que esse é um dos pontos mais positivos do livro. Mesmo com o desenvolvimento lento, O Bosque Subterrâneo tem um enredo que abraça o leitor completamente. É impossível você não se envolver com as aventuras de Curtis e Prue.

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Os personagens de O Bosque Subterrâneo também não deixam a desejar não. Curtis e Brendan foram os meus favoritos até então, principalmente porque os diálogos entre eles eram sempre os melhores do livro. Eu também gostei muito de como a história trabalha o relacionamento entre Prue e Curtis, como existe uma confiança muito grande um no outro e como a amizade deles não mudou em nada pelo fato dele ter escolhido ficar enquanto ela voltou para o “mundo real”.

Eu realmente gostei de fazer a leitura de O Bosque Subterrâneo. Me arrependi bastante de não ter pego o primeiro livro da série para ler quando tive a oportunidade porque eu sei que o universo criado pelo Colin Meloy vale muito a pena conhecer. Acredito que se você gosta muito de fantasias Young Adults, O Bosque Subterrâneo vai ser uma leitura que irá te conquistar desde a primeira página.

Notícias 26dez • 2016

It Ends With Us será publicado no Brasil em 2017

Colleen Hoover não é um nome desconhecido aqui no blog. Com diversos títulos publicados até o momento, entre os mais conhecidos Métrica, Um Caso Perdido e Novembro 9, Colleen está na lista de autores favoritos de muitos leitores brasileiros que, com certeza vão ficar muito felizes com essa notícia!

A editora Galera Record recentemente anunciou na sua página do Facebook que  o mais recente livro da autora,  It Ends With Us, será publicado no Brasil! It Ends With Us narra a história de Lily, uma mulher que se muda para Boston para começar seu próprio negócio e acaba aprendendo o preço do amor quando se apaixona por um homem e reencontra uma antiga paixão.

O lançamento da edição brasileira está previsto para o segundo semestre de 2017.

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Confira a sinopse do livro!

“A vida de Lily nem sempre foi fácil, mas isso não a impediu de trabalhar duro pelo que quer. Ela andou um longo caminho desde seu povoado em Maine, onde cresceu, e então se formou e mudou-se para Boston, onde começou seu próprio negócio. Então, quando ela sente uma faísca pelo belo neurocirurgião chamado Ryle Kincaid, tudo na vida de Lily repentinamente parece muito bom para ser verdade.
Ryle é assertivo, teimoso, talvez até mesmo arrogante. Mas ele também é sensível, brilhante, e tem um lado doce para Lily, e a forma como aparenta quando veste seu jaleco de médico certamente soma alguns pontos. Lily não pode tirá-lo da cabeça. Mas a completa aversão de Rile a relações amorosas é inquietante. Mesmo que Lily encontre a si mesma como a exceção a regra de “não sair”, ela não pode evitar se perguntar o que levou-o a isso em primeiro lugar.
Enquanto as questões sobre seu novo relacionamento a dominam, o mesmo acontece com os pensamentos envolvendo Atlas Corrigan — seu primeiro amor e um laço que deixou para trás. Ele era sua alma gêmea, seu protetor. Quando Atlas repentinamente aparece, tudo o que Lily construiu com Ryle se vê ameaçado.”

Resenhas 29nov • 2016

Lúcida, por Ron Bass e Adrienne Stoltz

Lúcida, livro escrito em parceria entre Ron Bass e Adrienne Stoltz é lançamento da Galera Record aqui no Brasil, e traz a história de  duas garotas cujas vidas são totalmente distintas, apesar de dividirem a mesma mente: uma vive nos sonhos da outra. Sempre que uma dorme, a outra vive e assim segue a história. O problema é que duas vidas não podem ser comportadas pelo mesmo corpo. Uma delas precisa partir.

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A divisão começa com um caso na escola: Sloane Margaret Jameson soca um coleguinha e, ao ser confrontada pela professora e pela própria mãe, responde que quem atacou foi Sloane, sua melhor amiga invisível que sempre a colocava em apuros. A partir daí, ela era Maggie – nos sonhos de Sloane. Por mais que dividam o nome, até a aparência das meninas é distinta.

Maggie é filha de Nicole, viúva, e irmã da pequena Jade; a mãe, que trabalha em uma revista de moda famosa, quase não tem tempo para as filhas. Maggie é aspirante a atriz e é boa no que faz, apesar de ser pé no chão. Quando Maggie sonha, Sloane quem vive: Sloane e sua família numerosa, com pais presentes, amigos de diversas tribos no colégio, o típico enredo dos filmes adolescentes americanos e notas altíssimas nos boletins. Ambas as garotas tem 17 anos e atuam como telespectadoras da vida alheia enquanto dormem.

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Confuso, um pouco, não? A ficção escrita por Ron Bass e Adrienne Stoltz pode enrolar a cabeça de algumas pessoas, ainda mais por ter suas quase 400 páginas divididas entre capítulos de Maggie e Sloane. No começo da leitura, fui com gás total: tinha pedido que a Débora me enviasse esse livro, por tudo que era mais sagrado. Quando fui chegando na metade, algo me afastava da leitura: não conseguia dizer se era a demora pras coisas acontecerem ou se já tinha enjoado de acompanhar as vidas das duas. Mas, que eu consegui ficar confusa durante a leitura, ah, isso eu fiquei!

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Apesar da confusão, da mistura de sentimentos e da pressa em terminar o livro, posso dizer que a leitura foi enriquecedora de algum modo. O enredo é cheio de reviravoltas e não dá bem pra definir se é algo puxado para o paranormal, se é um thrillerzinho psicológico, ou o quê, mas é de mexer com a mente de qualquer ser que decida pela leitura de Lúcida. Percebi um enredo bem construído, personagens com boas justificativas e – ainda que lenta- evolução dos mesmos. O final me surpreendeu, eu terminei o livro com um imenso misto de alívio, confusão, “que???”.

Se eu recomendo? Não que você aí, leitor, devorador de livros, dependa da minha recomendação (quem sou eu, né nom?), mas eu diria que dá pra se distrair e ter a atenção presa por algum tempo com esse livro. A parceria entre os autores deu certo o suficiente pra não reclamarmos de perder um fim de semana lendo, se quiserem saber.

Até mais!

 

Resenhas 26nov • 2016

A Corte de Névoa e Fúria, por Sarah J Maas

Você não sabe o que é um coração partido até terminar de ler A Corte de Névoa e Fúria. Depois de cinco horas de leitura intensa, Sarah J Maas conseguiu me levar numa montanha russa emocional, por fim deixando meu mundo completamente de cabeça para baixo com todas essas surpresas inesperadas ao longo do enredo. Comecei a leitura de A Corte de Névoa e Fúria desanimada com a ideia de encarar horas de leitura com #Feylin (Feyre e Tamlin), mas me surpreendi a cada capítulo e não consegui largar a leitura até chegar na última página.

Em A Corte de Névoa e Fúria acompanhamos os acontecimentos depois do fim de A Corte de Espinhos e Rosas onde, nossa heroína, depois de derrotar Amarantha e salvar seu amado Tamlin, volta para a Corte Primaveril agora não mais como humana, mas sim como féerica. Ainda se adaptando ao novo corpo, Feyre descobre que uma nova ameaça está a caminho, colocando não só a vida de seus novos amigos em risco, mas também de suas irmãs.

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Mas este não é seu único problema. Quando Rhysand volta para cobrar o acordo feito ainda Sob a Montanha, Feyre precisa cumprir a sua parte e passar uma semana inteira ao lado do Grã-Senhor da Corte Noturna. Conforme ela vai conhecendo melhor o homem que todos desprezavam, Feyre começa a se perguntar como seu coração conseguia se sentir muito mais seguro ali, ao lado de Rhys, do que quando ela estava na Corte Primaveril, com Tamlin.

Eu não consigo mais viver a minha vida sem esse livro. Depois que você lê A Corte de Névoa e Fúria, ter gostado de A Corte de Espinhos e Rosas me parece tão errado. Eu tenho que “tirar o chapéu” para Sarah J Maas, porque eu realmente não consegui prever nenhum dos acontecimentos desse livro e, ainda assim, eu me vi tão completamente envolvida com a história que não consegui largar o livro um segundo si quer. Foi extremamente dolorido perceber que ela precisou construir todo aquele mundo no primeiro livro, para então começar a revelar as coisas de um outro – muito melhor – ponto de vista. E tudo o que era antes não é mais, e tudo o que é agora é muito melhor.

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Feyre era uma personagem que, no primeiro livro, eu tive muita dificuldade em gostar, principalmente porque ela tinha uma autoestima muito baixa e nunca se achava merecedora das coisas. Porém, nesse segundo livro, ela já não é mais humana – apesar de seu coração continuar sendo – e ela precisa se descobrir de novo. Acho que é nesse ponto que ela começa a perceber sua realidade de uma forma diferente, querendo ser coisas e aprender coisas. Talvez por isso seu relacionamento com Tamlin pareça tão errado já logo no começo do livro. Enquanto ela quer se arriscar no mundo, ele a quer a salvo dentro de sua Corte.

E é nesse ponto que o livro começou a me pegar de jeito. Enquanto em A Corte de Espinhos e Rosas assistimos Feyre se matar para conseguir salvar o homem que amava, em A Corte de Névoa e Fúria ela começa a perceber que em nenhum momento ele fez o mesmo por ela. Em todas as oportunidades que Tamlin teve de salvá-la, ele colocou seus próprios desejos acima. É assim que o enredo deixa de caminhar como uma história de amor e passa a ser sobre uma personagem lutando para ganhar seu próprio espaço e a sua própria voz.

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O relacionamento dela com Rhysand foi, de longe, a melhor parte do livro. Não só pela forma como ele se desenvolveu, mas por eu perceber que diferente de Tamlin, ele nutria um respeito muito grande pelas escolhas de Feyre. Independe do que ela quisesse, mesmo que ele não fosse totalmente de acordo com aquilo, ele respeitava porque era uma escolha dela. Não tem como você não se emocionar com o relacionamento dos dois, principalmente quando ele é todo construído a base de confiança e igualdade. Em nenhum momento, Rhysand trata Feyre como incapaz, pelo contrário, durante toda a narrativa ele deixa claro que, do ponto de vista dele, ela é uma igual, sendo mulher ou não.

Eu realmente gostei do que a Sarah J Maas fez nesse segundo livro, tanto que eu simplesmente não consigo ler nenhum outro livro. Sim, ressaca literária me pegou com força depois de A Corte de Névoa e Fúria. Eu realmente não imaginava gostar tanto desse livro, considerando que eu realmente esperava muito mais de Feylin nesse livro. Se você gosta muito de fantasia e quer muito se jogar dentro de um universo completamente novo, acho que vale muito a pena fazer a leitura de A Corte de Névoa e Fúria.

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A partir daqui você encontrará alguns spoilers do livro, então se você não quer saber mais sobre A Corte de Névoa e Fúria, não continue lendo.  

Precisei tirar alguns parágrafos dessa resenhas apenas para expressar o meu amor Feysand. Primeiro que, depois que você lê A Corte de Névoa e Fúria, tudo o que aconteceu no primeiro livro começa a fazer muito mais sentido. Quando Rhysand encontra a Feyre pela primeira vez e diz “Eu estava procurando por você”, era porque ele realmente estava procurando por ela, e não apenas uma figura de linguagem. E tudo o que ele fez por ela, ainda Sob a Montanha, se colocando como o vilão, fingindo ser quem ele não era apenas para proteger seu povo e seus amigos, meu coração simplesmente se partiu.

Fico me perguntando o quanto não deve ter sido dolorido para ele ver a sua Parceira sofrendo daquela forma e, pior, por outro homem. E mesmo depois, quando ela já tinha saído da Corte Primaveril, ele acompanhou todo o sofrimento dela, tentando fazer o melhor para que ela se reconstruísse, mas isso tudo sem – em nenhum momento – tentar influenciar a forma como ela se sentia em relação a ele. O respeito que ele teve pelos sentimentos da Feyre, pelas escolhas dela, foi a coisa mais bonita que eu já vi em toda minha vida.

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E então vem a melhor parte do livro. Muitas pessoas estavam discutindo que os dois haviam se casado, mas na verdade, eles nunca chegaram a fazer um juramento como marido e mulher. Feyre faz o juramento para a Corte Noturna, como Grã-Senhora. Não como esposa, não como consorte, mas como igual. É como se o Rhysand fosse o CEO e tivesse nomeado ela Co-CEO da Corte Noturna. O que eu, particularmente, achei muito melhor do que se fosse realmente um casamento, afinal ele estava atestando diante de todo mundo que eles não eram apenas parceiros, mas também iguais em todas as formas possíveis.

E então veio aquele final, que me arrancou lágrimas e partiu meu coração. Sinceramente, eu tive que ter uma força absurda para conseguir encarar aquelas últimas páginas e não chorar de desespero. Eu ainda não acredito que terei que esperar até Maio do ano que vem para saber o que acontece.

Resenhas 24nov • 2016

Novembro 9, por Colleen Hoover

Temos mais um livro da Colleen Hoover na estante. Talvez esse tenha sido o mais desejado depois de Talvez Um Dia, apesar de eu ainda ter um pouco de receio com os livros da autora depois das intermináveis continuações de Métrica que, até hoje, acho que são desnecessárias e a não tão boa experiência lendo Nunca Jamais. Acompanhei muitas resenhas positivas de Novembro 9 quando ele foi lançado nos EUA no ano passado, e confesso que parte da minha animação para ler o livro veio de todos os elogios que ele recebeu no GoodReads. Por sorte, assim como em Talvez Um Dia, Colleen conseguiu superar as minhas expectativas e me dar um enredo que valeu a pena a leitura em diversos aspectos.

Novembro 9 conta a história de Fallon, uma jovem ex atriz que teve a sua carreira interrompida por causa de um acidente na infância. Justo no dia em que está se mudando para New York, Fallon conhece Ben, um jovem escritor com quem acaba passando todo o dia junto. A conexão entre os dois é inegável e, para não perderem a oportunidade do encontro, os dois entram num acordo de se encontrarem todo o dia 9 de Novembro durante cinco anos. Nenhum contato entre os dois é permitido durante o período e ambos precisam realizar algumas tarefas. Enquanto Fallon precisa cumprir com algumas tarefas estipuladas por Ben, o jovem tem a missão de escrever um livro baseado na experiencia dos dois. O problema é que, quanto mais o sentimento entre eles cresce, mesmo com a distância, mais Fallon começa a se questionar se aquele relacionamento é real.

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Neste livro, Colleen trás uma narrativa em primeira pessoa que se divide entre os pontos de vista de Fallon e Ben. Essa é a segunda vez que vejo a autora trabalhar esse tipo de narrativa em um livro, a primeira foi em Nunca Jamais, e na época eu não gostei muito do resultado. No caso de Novembro 9, a escolha dessa narrativa funcionou muito bem para o desenvolvimento da história, porque conseguíamos acompanhar o crescimento de ambos os personagens e ter uma ideia bem mais profunda de como eles estavam se sentindo durante toda a experiência de se encontrarem apenas uma vez por ano.  Um ponto muito positivo para o livro foi eu ter conseguido perceber a maturidade dos personagens através da passagem de tempo do livro e como voz deles ia mudando conforme eles iam envelhecendo.

Apesar de eu ter as piores experiências literárias com enredos que exploram essas grandes passagens de tempo, Novembro 9 se saiu muito bem quando se trata de criar uma ponte entre o ano anterior e o ano seguinte. A autora tomou cuidado para que as informações conseguissem se encaixar e que os personagens, apesar de passarem meses longe um do outro, não perdessem a química nem a conexão que tem um com o outro desde o primeiro capítulo do livro. Houve apenas um ponto do livro que me desagradou bastante, o suficiente para tirar meia estrela, que foi o desfecho.

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Mesmo a história caminhando muito bem, Colleen escolheu inserir mais alguns elementos na história que acabaram sendo “a mais” do que o necessário. Os personagens principais já tinham passado por muitos desafios e aprendido com eles, prontos para seguir em frente com suas vidas. Porém, quando a autora começou a inserir mais acontecimentos no enredo, eu senti que a história se perdeu bastante, fazendo com que os personagens passassem por mais situações do que era necessário e colocando um “peso” no enredo que não precisava.

Eu gostei bastante da forma como o relacionamento de Fallon e Ben se desenvolve ao longo dos anos. Mesmo se vendo apenas uma vez por ano, os dois conseguiram construir, pelo menos até um certo ponto, uma relação saudável onde um sempre tentava incentivar o outro a sair da sua zona de conforto e enfrentar seus medos. Gostei bastante de como Ben sempre encontrava formas diferentes de mostrar para Fallon que havia uma vida além do mundo em que ela havia se trancado, e de como Fallon fazia de tudo para que Ben não desistisse de escrever seu livro, mesmo quando as situações pediam isso.

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Apesar do principal do enredo ser o relacionamento dos dois, acredito que Colleen fez um ótimo trabalho explorando as relações familiares de ambos os personagens desse livro. O relacionamento de Fallon com o pai, pelo menos para mim, foi um dos pontos fortes do livro, mesmo que não tenhamos muitas cenas dos dois juntos, o que me ajudou bastante a formar uma conexão com a personagem no começo do livro. A família de Ben também não deixa nem um pouco a desejar, mesmo eu ainda mantendo a opinião de que certos acontecimentos não eram necessários.

Novembro 9 foi uma leitura que terminou com um saldo bastante positivo. Mesmo com os pontos negativos, os personagens do livro agregam muito a leitura e a história em si passa uma mensagem que vale muito a pena ser lida. Mais uma vez Colleen Hoover trouxe um romance que mexe com o coração do leitor, que nos faz chorar e sofrer junto com os personagens. Acho que, só por esse motivo, Novembro 9 já é um livro que vale muito a pena você colocar na sua estante.

Resenhas 14nov • 2016

O amor nos tempos de #likes, por Pam Gonçalves, Bel Rodrigues, Hugo Francioni e Pedro Pereira

O amor nos tempos de #likes é um livro escrito de forma colaborativa por Pam Gonçalves, Bel Rodrigues, Hugo Francioni e Pedro Pereira. Publicado pela Galera Record, o livro traz uma coletânea de três contos que reinventam e se inspiram em personagens e histórias clássicas adoradas por muitos leitores: temos adaptações de Orgulho e Preconceito (obra de Jane Austen), Romeu e Julieta (Shakespeare) e de Dom Casmurro (de Machado de Assis).

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São três contos e vou tratar deles na ordem em que aparecem no livro. O primeiro é Próximo destino: Amor, escrito por Pam Gonçalves. No conto, temos a famosa vlogger Liz, que leva uma vida exposta em seus vídeos, posts e “snaps”, com toda a sua saudade dos tempos de anônima e Wil, jovem empresário, sem tempo para absolutamente nada que não seja trabalhar por conta da necessidade de cuidar dos negócios da família e arrecadar dinheiro para os tratamentos de sua irmã, Giovana. Os dois se conhecem quando o aeroporto para de funcionar devido ao mau tempo e aí começa o desenrolo de uma história entre a menina que tem medo de se abrir para os outros e o rapaz que não tem tempo para se abrir para os outros. É inspirado em Orgulho e Preconceito e, de fato, podemos reconhecer diversas referências da obra de Jane Austen durante o conto, mas com uma pegada de drama.

Em seguida, (Re)começos, da Bel Rodrigues. Acompanhamos a personagem Madu em sua própria redescoberta após um relacionamento abusivo e um término de amizade bem próxima. Madu, garota forte, filha de uma famosa jornalista, apaixonada pelo youtuber Ed do canal Letra e Música, e prestes a completar seus dezoito anos, viaja para Búzios como presente de aniversário e, lá, decide aproveitar as coisas pequenas, a liberdade e, de certo modo, recomeçar. Logo em sua primeira noite, decide ir a um pub que promove encontros às escuras e encontra um rapaz com a voz tão familiar…Enfim, a personagem Maria Eduarda é ou parece ser inspirada na Capitu de Machado de Assis, com seus olhos e ares misteriosos, sua força, personalidade e opinião fortes. O conto de Bel é cativante, e ela conseguiu dar vida a uma personagem realmente interessante.

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O último conto do livro é escrito em parceria entre Hugo e Pedro. Uma releitura de Romeu e Julieta, onde temos Ramon e Júlio, dois jovens que se conhecem em um grupo de escrita e, após um pedido de amizade aceito, uma história de amor de esquentar o coração surge. Esqueça as famílias inimigas e briguentas, o que temos aqui é pior (ou melhor?): 337km – que também intitula o conto – é a quantidade de espaço separando os dois. Gostei do conto? É, passou. Mas acho que alguns pontos poderiam ter sido mais desenvolvidos, e em alguns momentos achei cansativo. Entretanto, o casal é um amor e foi impossível não gostar, mesmo que um pouquinho, do conto.

Uma coisa legal a respeito da produção do livro é que os autores são todos amigos, se conhecem há um bom tempo e são booktubers – possuem canais literários no YouTube. Segundo relato presente no próprio livro, eles também utilizaram bastante a internet para escrever: nos agradecimentos, até mesmo o Google Hangout teve seu reconhecimento. Não só o título e a histórias nos mostram sobre amores em era digital, mas o próprio livro nos prova como a escrita e as relações podem funcionar em meio a tantas ferramentas, aplicativos e cliques.

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Me interessou a forma como os três contos foram interligados de modo muito sutil: os autores fizeram uso de “itens” que, ora faziam parte do cenário de uma história, ora eram parte do enredo da outra, e por aí vai. Também foram várias as utilizações de termos da internet, ou de situações envolvendo a mesma, bem de acordo com o título do livro. A diagramação do livro é adorável, e a leitura é rápida. O amor nos tempos de #likes é perfeito para um dia tranquilo ou para aqueles momentos em que você quer ler algo não muito grande: por serem só três contos, pode escolher ler um, dois, ou devorar todos de uma vez – ou até em diferentes momentos do dia.

Gostei, da leitura, me surpreendi positivamente com o livro e, só pra deixar registrado, estou encantadinha pela escrita da Bel Rodrigues. É isso, pessoal, espero que leiam, gostem ou não, e aproveitem a leitura, de qualquer modo.

Resenhas 04nov • 2016

Boa Noite, por Pam Gonçalves

Boa Noite é um romance nacional, e é o livro de estréia de Pam Gonçalves, youtuber e criadora do blog Garota It. O livro, publicado em 2016 pela Galera Record, conta a história de Alina, uma jovem que se muda de sua cidade pequena para cursar Engenharia da Computação na capital. Alina se torna a mais nova moradora da República das Loucuras, e divide a casa com um grupo de personagens bem divertidos.

Mas nem tudo são flores na vida de Alina. Pra começo de conversa, ela precisa lidar com a pressão de ser uma mulher em curso predominantemente masculino, e aguentar o preconceito dos colegas de classes, e até de alguns professores. Competitiva por natureza, Alina vê esse desprezo como motivação para ir ainda melhor do que eles nas matérias, e forma uma rápida afinidade com as outras poucas meninas da turma.

As coisas se complicam ainda mais quando uma página de fofocas é criada e posts sobre drogas e abuso começam a aparecer. Alina, que nunca foi exatamente social, nunca imaginou que iria estar bem no meio desse tipo de escândalo, nem que poderia utilizar toda a sua inteligencia para fazer a diferença, e quem sabe até salvar algumas vidas.

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Segundo livro de youtuber que eu resenho aqui no blog. Eu já conhecia o blog e o canal da Pam, então eu estava bem animado pra ler o livro dela. Fico muito feliz em falar que ele não me decepcionou nem um pouco. Como eu falei na resenha de Azeitona, existe um estigma quanto a livros de youtubers, mas acho que já dá pra deixar esse preconceito bobo de lado, né? Os dois livros de youtubers que eu li até agora me agradaram!

Pra começar, a escrita da Pam é muito boa. Ela passa muito bem a personalidade da Alina, e de todos os outros personagens, além de contar a história de uma forma bem leve e agradável. Não só isso, ela também retrata muito bem os temas mais sérios do livro, principalmente a questão do machismo e do abuso sexual (apesar de que eu gostaria que ela tivesse apontado que não é só mulher que é estrupada, nem é só homem que estupra, mas tudo bem).

A leitura de Boa Noite é bem leve, daqueles livros que você lê em um dia se não tiver nada de importante pra fazer. Mesmo quando o livro toca naqueles pontos mais pesados, ele nunca fica difícil de ler. É sempre legal quando um livro consegue passar uma mensagem importante e ainda ser uma experiencia de leitura agradável, porque assim os leitores recebem a mensagem melhor.

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Alina é uma boa protagonista. No começo do livro, ela é uma menina inteligente, mas um pouco ingênua, e que não tem muita desenvoltura em situações mais sociais. Ao longo do livro, podemos vê-la se tornando uma pessoa mais decidida e determinada. Gostei bastante de ver como ela demonstra seus princípios e sua fibra moral. Acredito que ela seria uma ótima personagem para as leitoras mais nova terem como exemplo.

Os outros personagens também são bem legais. Os colegas de república de Alina são todos bem divertidos e me fizeram rir bastante. A Pam falou em um vídeo que se ela fosse fazer um spin off do livro, seria com a personagem Manu, e eu gostaria muito de ler, nem que seja só um conto. Ela foi uma das personagens que eu mais gostei, e seria ótimo ler mais um pouco sobre ela.

De resto, os outros são mais personagens de apoio mesmo. Excluindo alguns que acabam sendo antagonistas (claro que eu não vou dar spoiler), a maioria só aparece um pouco, mas todos são bons. Não consigo imaginar que a história seria a mesma sem nenhum deles, pra vocês terem uma noção da importância deles para o plot geral do livro.

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No geral, Boa Noite foi uma surpresa muito agradável. Eu estava meio preocupado, porque tinha esperanças bem grandes já que venho acompanhando os trabalhos da Pam faz tempo, mas acabei a leitura mais do que satisfeito com o livro. Imagino que, com a experiencia, os livros da Pam vão ficar ainda melhores e eu vou com certeza estar aguardando o próximo com muita ansiedade.

E vocês? Já leram Boa Noite? Acompanham o canal da Pam? Conta pra gente nos comentários!

Resenhas 25set • 2016

Magônia, por Maria Dahvana Headley

Magônia é uma fantasia young adult, escrita pela autora Maria Dahvana Headley, e lançado em 2016 pela Galera Record. O livro, que é o primeiro de uma duologia, conta a história de Aza Ray Boyle, uma adolescente que desde que nasceu, sobre com uma problema grave de saúde, uma doença nos pulmões que basicamente, faz ela se afogar com o ar. A vida de Aza, que já não é exatamente tranquila, se torna ainda mais complicada quando ela começa a ter alucinações e enxergar navios entre as nuvens. A família e os médicos de Aza descartar essas alucinações, dizendo que são efeitos colaterais da medicações que ela toma. O único que acredita nela é seu melhor amigo Jason.

No entanto, quando a ambulância que a levava para o hospital sofre um acidente, Aza acorda em Magônia, um mundo fantástico, repleto de criaturas aladas, que vivem acima das nuvens. Aza descobre que faz parte desse mundo, e que foi enviada para o mundo dos humanos quando era um bebê, pois sua vida corria perigo. Em Magônia, Aza consegue respirar normalmente, e consegue até cantar, e seu canto tem propriedades mágicas.

Mas Magônia não é essa utopia que parece ser. Magônia e a Terra estão em conflito, e o futuro da humanidade pode estar nas mãos de Aza, incluindo o de sua família e de Jason. Aza precisa decidir onde está sua lealdade: com o mundo em que nasceu, ou com a família que a criou.

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Quem já leu alguma resenha minha aqui no La Oliphant sabe que eu adoro uma história de fantasia. Então, quando eu ouvir falar de Magônia pela primeira vez, coloquei imediatamente na minha lista de leitura. E eu curti bastante a leitura. O mundo que a autora criou é super interessante, e eu nunca li nenhum outro livro parecido. E considerando o tanto de fantasia YA que eu já li, isso não é pouca coisa.

A escrita do livro é bem diferente do que eu esperava. É meio difícil de descrever, mas me lembrou bastante o tipo de escrita que eu costumo ver em YA contemporâneo, em histórias mais centradas na realidade. Foi uma mudança interessante, e valorizou bastante a história, principalmente nas partes em que os relacionamentos dos personagens tinham maior foco.

Os personagens foram outro ponto que eu ressaltei como positivo no livro. A protagonista, Aza, e irritou um pouco no começo da história. Achei ela negativa demais e chegou a ficar cansativo nos primeiros capítulos do livro. A medida que a história foi desandando, no entanto, ela melhora bastante. Se torna uma protagonista muito boa de acompanhar, e no final do livro, eu estava totalmente torcendo pra ela.

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Os outros personagens são bons, também. Jason, melhor amigo de Aza, narra alguns capítulos do livro, e eu gostei demais da narração dele. As mães dele, assim como a família de Aza, são bons personagens de apoio. Eu gostei bastante do relacionamento entre os personagens e as famílias. Eu falo sempre disso nas resenhas, mas eu gosto quando o livro foca em coisas além do romance. Romance é legal, mas eu prefiro quando a história tem mais camadas.

Apesar da escrita ser bastante boa, acho que a história não se desenvolveu tanto quanto eu gostaria. Acho que se a história fosse mais bem trabalhada, o climax da história teria sido mais tenso e impactante. A impressão que ficou é que o foco do livro era mais na fantasia e nos personagens, e isso fica bem claro quando você lê as descrições das criaturas e dos elementos que existem em Magônia. São muito legais, mas infelizmente, a história em si acaba ficando de lado até quase no final do livro, quando ela volta de repente.

Outro problema relacionado ao enredo do livro é a questão ambiental. Um dos conflitos que ocorrem entre o povo de Magônia e a raça humana é em relação ao modo como os humanos tratam o planeta Terra. Apesar de ser um mensagem importante, a história entrega ela de uma forma muito forçada, e isso atrapalha tanto a leitura quanto a absorção da mensagem. Poderia ter sido feita de uma forma melhor, mas ainda sim, uma mensagem de grande valor.

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Magônia tem uma continuação, que deve ser publicada lá fora ainda esse ano, e eu vou com certeza continuar a leitura da série. Os elementos fantásticos, os personagens bem desenvolvidos, a escrita bem feita. Eu estava querendo esse livro já há algum tempo e ele não me decepcionou. Pra quem gosta de uma fantasia YA diferente das outras, Magônia é uma ótima sugestão.

E vocês, já leram Magônia? Gostam de livros de fantasia? Conta pra gente nos comentários!

Resenhas 23set • 2016

Boomerang, por Noelle August

Eu acho que nunca, em toda a minha trajetória de leitora de New Adults, me senti tão entediada com uma leitura. Se você está cansado de colocar na estante livros de NA* com finais previsíveis, cenas clichés e aquela clássica atração à primeira vista, com um toque de cenas de sexo mais ou menos, então bem-vindo ao time. Quando eu escolhi Boomerang para leitura, eu realmente estava com as expectativas lá em cima, principalmente porque muitas das resenhas que eu li falavam bem do livro. Infelizmente, Noelle August aka. Veronica Rossi não conseguiu me conquistar com seu enredo.

Mia e Ethan se conheceram em um bar, e depois de muita conversa e cerveja, eles acordaram na manhã seguinte, juntos, sem lembrar de absolutamente nada do que aconteceu na noite anterior. Quando a situação não podia ficar mais estranha, os dois se veem dividindo um táxi para o mesmo lugar: a Boomerang. Logo os dois descobrem que estão competindo para a mesma vaga de emprego, mas apesar da política da empresa não permitir relacionamentos entre funcionários, ambos precisaram descobrir uma forma de conquistar essa vaga e controlar o desejo que sentem um pelo outro.

Boomerang

Previsível é a palavra que melhor define esse livro no momento. Minha expectativa era que o livro apresentasse algum drama realmente interessante, ou que pelo menos a competição pela vaga de emprego trouxesse alguma emoção ao livro, situações constrangedoras, conspirações, qualquer coisa que me fizesse querer continuar com a leitura. Mas não foi isso que aconteceu. Noelle August achou melhor ficar no básico do básico, dividindo o ponto de vista do enredo entre os dois personagens e não agregando nada que já não tenhamos visto em outros livros do gênero.

Só eu estou cansada de enredos que apresentam o mesmo tipo de narrativa? Eu sei que New Adult tem algumas características pré-definidas, mas não existe a menor possibilidade de trazer algo novo para os leitores? Quando Mia e Ethan se conhecem, sabemos logo de cara que existe uma atração inegável entre eles, e mesmo durante a competição pela vaga do emprego, essa atração continua gritante. Tão gritante que nenhum dos personagens parecem se importar com o fato de que eles são rivais e que a vaga para qual competem pode definir sua vida profissional.

Boomerang

Tudo gira em torno da tensão sexual, do relacionamento que não pode ser vivido e ignora completamente a situação emocional e até mesmo financeira de cada personagem. O enredo se desenvolve tão rápido, que você não tem nem ao menos tempo de gostar dos personagens principais juntos. Quando você menos espera, eles já estão agindo impulsivamente, cometendo erros, se perdoando e você nem ao menos sabe como tudo aquilo começou. Acho que a autora podia ter organizado melhor a história, construído seus personagens com cuidado e trabalhado melhor suas características individuais.

O resto do cenário também não agrega muito ao enredo. Os personagens secundários quase não têm presença dentro do enredo, e você não ganha a chance de conhece-los o suficiente para gostar deles. É um pouco decepcionante quando você até se interessa por alguns deles, mas não os vê mais do que em dois capítulos durante todo o desenrolar da história. Além disso, a autora escolheu um caminho totalmente cliché para o desfecho do livro, que me deixou com aquela pergunta: “Se ia acabar assim, para quê enrolar isso tudo”?

Boomerang

Foi um tanto desapontador para mim essa leitura. Principalmente porque a ideia do enredo prometia muita coisa. Eu realmente acreditei que os personagens estavam interessados no emprego, que buscavam alguma coisa além do que um envolvimento romântico. O problema é que a história faz parecer completamente “ok” desistir de tudo por um romance que ainda nem foi vivido, simplesmente por conta de uma atração avassaladora. Isso não me pareceu nem um pouco real.

Acredito que se você gosta muito desses romances “água com açúcar” e não se importa em se aventurar em enredos onde até mesmos os diálogos são previsíveis, acredito que Boomerang possa ser uma boa leitura para você. Vale lembrar que este é o primeiro livro de uma série de mesmo nome, então eu não tenho ideia do que vem pela frente, mas acho que vou dar por encerrada a minha aventura nessa série.

Resenhas 03set • 2016

A Caçadora de Bruxos, por Virginia Boecker

A Caçadora de Bruxos é um YA sobrenatural, escrito pela autora Virginia Boecker e lançado em 2016 no Brasil pela Galera Record. O livro é o primeiro em uma duologia sobrenatural, e conta a história da jovem Elizabeth Grey. Elizabeth é uma das melhores caçadoras de bruxos á serviço do rei, um grupo de soldados dedicados a eliminar todo e qualquer praticante de magia dentro do reino. Elizabeth, e seu melhor amigo Caleb, entraram para o exército do rei após os pais dos dois morrerem quando eles eram crianças, resultado de uma praga que atingiu o reino, criada por um dos magos mais poderosos que o reino já viu.

Um dia, no entanto, Elizabeth é acusada de bruxaria, e é levada para a prisão, onde aguarda o dia de sua execução, quando será queimada viva na estaca. Mas, antes do dia marcado para sua execução, Elizabeth recebe a ajuda de Nicholas Perevil, o mago mais procurado de todo o reino. Nicholas revela que precisa da ajuda de Elizabeth, para localizar o mago que colocou nele uma maldição mortal, e quebrar a maldição, antes que seja tarde demais.

Elizabeth precisa então trabalhar junto com o povo que ela foi treinada para caçar, além de precisar esconder dos seguidores de Nicholas o fato de que é uma caçadora de bruxos. A sua nova missão acaba revelando segredos que alteram completamente o modo que Elizabeth vê o mundo, e ela é forçada a redefinir suas idéias de certo e errado, amigos e inimigos, e amor e ódio.

Caçadora de Bruxos

Pra começo de conversa, eu queria fazer um pedido pras editoras: Por favor, parem de comparar todos os livros de fantasia com Guerra dos Tronos! Sério, eu sei que a intensão é chamar a atenção dos fãs, mas acaba fazendo um desserviço com o livro, porque coloca as nossas expectativas bem lá em cima, e geralmente a gente acaba decepcionado. E acho que já deu pra ver que eu não amei esse livro, né?

Na real, o livro não é péssimo. Eu até curti bastante o começo. Adorei os diálogos, que conseguem ser bem humorados e ainda manter aquele tom sério nas cenas mais dramáticas. Gostei das cenas de ação, inclusive porque elas mostram como que os praticantes de magia realmente são poderosos e perigosos. Gostei também da história de como o reino chegou ao ponto onde está, resultado de uma praga que foi espalhada por um mago bastante poderoso anos atrás. Tudo isso contribuiu muito para o meu aproveitamento da leitura.

Mas, infelizmente, os positivos não reinaram nesse livro. Meu primeiro problema foi com a protagonista. Elizabeth é bem legal nas cenas em que ela interage com outros personagens. Mas no momento em que ficamos sozinhos com a narração dela, fica claro que ela não é uma personagem muito marcante. Ela tem todas aquelas características de uma protagonista de uma história de fantasia: corajosa, bondosa, forte, independente, etc. Mas nada na personalidade dela me fez pensar “Nossa, que personagem legal! Com certeza vai entrar pra lista de protagonistas mais marcantes, junto com Katniss, Celaena, Clary.” Ela acaba ficando bem apagadinha em relação ao resto da história.

Caçadora de Bruxos

Os outros personagens não são muito melhores. O melhor amigo de Elizabeth, Caleb é provavelmente um dos mais bem escritos, apesar de não aparecer tanto assim na história. John, George e Fifer, seguidores de Nicholas Perevil, são divertidos apesar de serem um pouco limitados em suas caracterizações. George é o alivio cômico, e Fifer é a adolescente emburrada que não gosta de ninguém. John é o outro que acaba saindo um pouco melhor, já que a autora passa algum tempo explorando o passado dele.

A história começa legal, mostrando como é a vida de Elizabeth como caçadora de bruxos e seu relacionamento com Caleb, mas começa a desandar lá pro meio. A impressão que dá é que a autora começou a escrever a história do livro e no meio do caminho se lembrou que ainda tinha que sobrar história pra uma continuação. Então, da metade do livro até quase no final, a história da uma desacelerada, o que torna a leitura um pouco mascante.

O final não é ruim, mas é um pouco súbito demais. É um daqueles finais que é escrito com a intenção de deixar algum suspense até o lançamento do segundo livro. É até bom, mas poderia ter sido bem melhor, se o meio do livro fosse mais bem trabalhado. E me incomoda que, levando em conta o quando ouvimos falar sobre o rei, nunca vemos ele no livro. Imagino que estejam guardado para a continuação.

Caçadora de Bruxos

Enfim, uma leitura mediana. Acho que eu entrei nesse livro com expectativas altas demais, porque eu sou completamente viciado em histórias sobre bruxaria, além da comparação com Guerra dos Tronos que é uma das minhas séries favoritas, e acabei me decepcionando um pouco. Realmente uma pena, porque eu queria muito gostar desse livro.

Eu devo ler a continuação, mas não vai ser aquela leitura que eu vou encarar cheio de animação. E vocês? Já leram A Caçadora de Bruxos? Pretendem ler? Gostam de livros sobre bruxaria? Contem pra gente nos comentários?

Resenhas 25ago • 2016

Um Mundo Melhor, por Marcus Sakey

Um Mundo Melhor é um suspense sci-fi escrita pelo autor Marcus Sakey, e lançado pela Galera Record em 2016. O livro é o segundo volume da série Brilhantes, que começou em 2015 com Brilhantes, e ainda tem um terceiro e ultimo livro a caminho. No universo da série, uma parcela da população começa a apresentar traços de inteligencia sobre-humana, e são denominadas de Brilhantes. Afim de determinar e controlar os Brilhantes, são criados testes e instituições de ensino, chamadas Academias, alem de uma agencia do governo, o DAR (ou Departamento de Analise e Reação), dedicada a capturar Brilhantes perigosos.

Um dos principais agentes do DAR é o protagonista Nick Cooper, um Brilhante que tem a habilidade de analisar as pessoas através dos movimentos delas. Nick passou os últimos meses de sua vida infiltrado a procura do maior terrorista que o DAR já conheceu, o misterioso John Smith, que já causou diversos atentados terroristas que mataram centenas de pessoas.

(SPOILERS!!!! SE NÃO QUER SABER O FINAL DO PRIMEIRO LIVRO, PARE DE LER AQUI!!!!!)

Ao final do primeiro livro da série, Nick descobre que o atentado pelo qual John Smith era procurado, o maior na história dos Estados Unidos, na verdade tinha sido orquestrado pelo presidente dos Estados Unidos e por Drew Peters, diretor do DAR e amigo de Nick, com o intuito de iniciar um conflito entre Brilhantes e normais.Após divulgar as evidencias para o mundo, Nick agora trabalha como consultor especial do novo presidente, ajudando-o a criar uma relação mais amigável com a comunidade Brilhante. Nick precisa também lidar com uma série de atentados que estão acontecendo em todo o páis, trabalho de um grupo terrorista chamado Filhos de Darwin.

Um Mundo Melhor

A Débora fez a resenha do primeiro livro da série no ano passado, e desde então ela vinha me falando que eu tinha que ler esse livro, que eu ia adora, etc. Ela até me deu o livro de presente no Natal, e falou que se eu gostasse, eu podia fazer a resenha da continuação quando ela fosse lançada. E mais uma vez, provando que ela me conhece melhor do que eu me conheço, ela acertou em cheio numa indicação.

Não vou contar muito da história porque como ela é bastante influenciada pelo que acontece no primeiro livro, eu estaria entregando demais da história dele. Então vou tentar ser bem sucinto. Eu gosto pra caramba do conceito que o Marcus Sakey criou com os Brilhantes. Acho que essa parada de que as habilidades deles serem versões mais turbinadas da nossa inteligencia funciona muito bem, e que não funcionaria se os Brilhantes fossem basicamente os X-Men. Isso também cria um conflito moral superr interessante dentro do universo, já que a população tem preconceito contra os Brilhantes, mas utiliza muitos dos avanços tecnológicos criados por ele.

A escrita do Marcus Sakey é muito boa, cheia de suspense e adrenalina. Eu não entendo como até agora esses livros não viraram filmes, ou talvez uma série porque daria super certo. Me lembro bastante uma série da CBS, Person of Interest, acho que seria uma ótima ideia se os livros fossem adaptado de uma forma similar. As cenas de ação são ótimas, as partes mais dramáticas são muito boas, o livro inteiro é ótimo.

Um Mundo Melhor

Nick é um bom protagonista, eu gosto muito do fato que ele não é perfeito. Livros desse tipo tem a tendencia de ter personagens que são mais inteligentes, fortes, rápidos que todo mundo, e seria muito fácil levar o Nick pra esse lado, principalmente levando em conta a habilidade dele. Mas é super legal ver um personagem que admite seus erros, que questiona suas decisões, que amadurece. E eu adorei o relacionamento dele com os outros personagens, principalmente Shannon e Bobby.

Falando em outros personagens, gostei bastante de todos eles. Shannon e Bobby são personagens secundários legais, que acrescentam bastante a história. A química entre Nick e Shannon é muito boa, e os momentos em que Shannon aparece mais são algumas das melhores partes do livro. E Bobby é um bom personagem de apoio, que traz alguns dos pontos mais divertidos do plot.

Mas um dos melhores pontos do livro é o vilão. John Smith é um ótimo vilão, que apresenta uma ameaça real para o protagonista. Apesar de ser bastante calculista e controlador, ele é carismático, o que é necessário pra alguém que lidera uma organização terrorista, e ele oferece um contraste interessante quando comparado com o Nick. No segundo livro principalmente, fica bem mais óbvio que ele já vem planejando tudo o que acontece na história há tempos. Simplesmente um vilão incrível.

Um Mundo Melhor

Enfim, uma ótima leitura que superou e muito minhas expectativas. Eu preciso que essa série vire um filme ou uma série logo, por favor. O terceiro livro da série, que deve ser o ultimo, tem lançamento previsto pra esse ano lá fora, então ano que vem deve sair por aqui. Galera Record, por favor, apressa isso aí!

Pra quem curte um suspense bem dramático, ou um universo sci-fi super interessante, não deixem de conferir a série Brilhantes. Certeza que vão adorar. E vocês já leram a série? Querem ler? Conta pra gente nos comentários!

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