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Resenhas 12maio • 2015

Dias Infinitos, por Rebecca Maizel

Dias Infinitos é um romance sobrenatural escrito pela autora Rebecca Maizel e publicado no Brasil pela Editora Galera Record. É o primeiro volume da série Vampire Queen, seguido por Stolen Nights, ainda sem previsão de lançamento no Brasil.

Transformada em vampira no final do reinado de Elizabeth II, Lenah Beaudonte passou sua eternidade como uma vampira poderosa. Depois de mais de 500 anos perseguindo suas vítimas sem piedade, ela decide abandonar seu coven com o desejo de se tornar humana novamente. Para que fosse possível realizar o ritual que devolveria sua humanidade, era preciso que um vampiro se sacrificasse por ela, além de hibernar durante 100 anos.

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Rhode, vampiro que a transformou e também o amor de sua vida, resolve se sacrificar para acabar com o sofrimento de sua amada, e depois de 100 anos, Lenah desperta como humana no campus da prestigiosa escola Wickham, em Massachusetts. Sozinha, sem poder voltar para seu coven, a quem considerava sua família, Lenah precisa se adaptar as modernidades do novo tempo e deixar para trás todas as memórias de seus anos como vampira e seu amor por Rhode.

“Tristeza é uma emoção completamente estranha aos vampiros, porém ela se parece mais com uma mudança na direção do vento. É uma agitação silenciosa, um lembrete parasita das muitas camadas de sofrimento que definem o mundo dos vampiros”

Os primeiros dias são complicados, mas ela logo consegue fazer amizade com o jovem Tony, um aluno de Artes que frequenta Wickham. Mas sua nova condição de humana desperta nela sentimentos que ela jamais experimentara como humana, e é assim que ela acaba se apaixonando por Justin, um dos caras mais populares de Wickham. Quando Lenah achou que finalmente havia deixado tudo para trás, seu coven descobre que ela não está hibernando e de repente ela precisa deixar sua vida de adolescente humana comum para tentar salvar a sua vida e a de deus novos amigos.

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Dias Infinitos é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista da Lenah. A história começa no dia em Lenah desperta da sua hibernação de 100 anos e acompanhamos todo o seu processo de adaptação ao novo corpo e também a nova vida. Durante a narrativa, a autora apresenta alguns flashbacks da vida de Lenah como vampira. Através deles entendemos melhor o relacionamento dela com Rhode, a criação do coven e também o porque do seu desejo crescente de se tornar humana novamente.

O enredo é extremamente criativo. A autora tomou todo o cuidado para não deixar nenhum fato ou características sem explicação. A história não se desenvolve depressa, o que foi muito bom porque podemos acompanhar passo a passo da adaptação da personagem ao seu novo corpo e também aos seus novos relacionamentos.

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A única coisa que me incomodou um pouco, e o que sempre me incomoda em todos os livros sobrenaturais, é o universo vampiro de Rebecca Maizel. Até certo ponto do livro eu fiquei bastante satisfeita com todas as características inseridas pela autora, praticamente fiel ao que conhecemos sobre vampiros atualmente – excluindo qualquer semelhança com Crepúsculo. Porém, depois de certo ponto do livro, senti que a autora começou a enfeitar demais o enredo e os personagens, fazendo com que eu me desapontasse um pouco com a história.

“- Você já tinha lido O Despertar?
Tenho um exemplar original, primeira edição, capa dura, na minha casa em Hathersage, seu tolo.
– Sim, senhor. Três vezes.”

Não tenho o que reclamar dos personagens do livro, nenhum deles. Diferente dos enredos sobrenaturais que já li, Lenah Beaudonte não é uma jovem de dezesseis anos indefesa. Ela era uma vampira implacável, impiedosa e sem nenhum receio de caçar as suas presas. Mesmo como humana, Lenah ainda mantém – durante algum tempo – algumas características do seu corpo vampiro, mas muita coisa da sua personalidade se mantém a mesma e isso deixa a história e a personagem ainda mais interessante.

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A amizade com Tony começa a ser o seu primeiro passo para se adaptar a nova vida. Mesmo sabendo que Lenah é completamente diferente, Tony simplesmente aceita sua personalidade e não faz muitas perguntas sobre o porque dela saber falar mais de 20 línguas, ou entender muito sobre plantas e ervas, mas não saber dirigir. A amizade deles é a primeira experiência humana de Lenah depois do ritual e acaba sendo uma válvula de escape para a tristeza e a falta que sente de Rhode.

“Ele não falou nada. Apenas me abraçou, passando as mãos pela minha cintura. Meu corpo formigou, minhas mãos e as pontas dos dedos ganharam vida.”

O romance entre ela e Justin também acabou sendo outro ponto que me desagradou muito no livro. Justin é um adolescente comum, popular, bonito e que namora uma garota insuportável, Tracy. Quando conhece Lenah, ele fica fascinado pela sua beleza e inteligência, assim como ela fica interessada por ele – por motivos que eu sinceramente não consegui identificar. A partir daí o relacionamento dos dois se desenvolve da forma mais clichê e previsível que eu poderia imaginar, e se realmente não houvessem outros elementos que me convencessem do sentimento de ambos, eu não iria acreditar que eles estavam apaixonados.

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Dias Infinitos é o romance sobrenatural mais “fora da caixa” que eu já li nos últimos tempos. Ao invés de estarmos lidando com uma humana se adaptando a sua condição de vampira, estamos acompanhando uma vampira de quase 600 anos, tentando viver a vida de uma adolescente de 16 anos. O universo criado por Rebecca Maizel é maravilhoso, a sua escrita é envolvente e os seus personagens cativam.

“Na minha imaginação, eu olhava Rhode no sofá da minha sala de estar. Seu rosto encovado e seu maxilar forte e másculo estavam muito ossudos, tão frágeis. E o azul dos olhos dele já tinham impresso a cor do meu sangue havia anos.”

Sinceramente? Mesmo aparecendo pouco no livro Rhode acabou se tornando o meu novo namorado literário e também um dos meus personagens favoritos da série. A autora teve todo um cuidado durante todo o desenvolvimento do enredo, foi muito detalhista quando se tratava da história dos seus personagens e fez com que a narrativa nos prendesse ao longo de todos os capítulos.

Apesar de ter me decepcionado em alguns pontos, Dias infinitos foi exatamente o que eu estava esperando que seria: absolutamente surpreendente. É uma leitura completamente diferente, um enredo extremamente criativo e com uma escrita que vai fazer você não querer deixar esta leitura. Qualquer um que goste, seja ao menos um pouco, de vampiros vai se apaixonar por esta série.

Resenhas 26abr • 2015

Uma História de Amor e TOC, por Corey Ann Haydu

Uma História de Amor e TOC é um sick-lit escrito pela autora Corey Ann Haydu e publicado no Brasil pela Editora Galera Record. Este é o primeiro livro da autora publicado no Brasil, também sendo o seu livro de estreia.

Depois de um término de namoro conturbado, Bea começou a fazer visitas frequentes a Dra. Pat para tratar de seus problemas de compulsão. Quando tem crises de ansiedade, Bea sente a necessidade de se preencher de informações sobre outras pessoas, observando-as e também anotando-as em um caderno particular. É exatamente isso que acontece em relação a Austin, um paciente de sua psicóloga que Bea tem uma profunda obsessão. Ela procura saber o máximo sobre ele e a esposa através de suas sessões com a Dra. Pat e anota tudo em um pequeno caderno.

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Quando começa a frequentar um grupo de apoio, Bea acaba se aproximando de Beck, um jovem da mesma idade que ela que também sofre de TOC. Ao contrário de Bea, Beck tem compulsão por malhar e limpeza, lavando as mãos sempre 8 vezes, durante 8 minutos e por aí vai. Ao se envolver cada vez mais com o garoto, Bea começa a se apaixonar, mas seria essa paixão o suficiente para fazê-la parar com suas compulsões e deixar Austin para trás?! Será que Beck seria capaz de entender o seu TOC?!

O livro é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista da Bea. Passamos todos os capítulos do livro imergindo nas suas compulsões e conhecendo melhor o que causa toda a sua ansiedade. Por um lado, achei essa escolha de narrativa perfeita para a história. Acompanhar Bea desde o começo do livro me fez entender o que a deixava nervosa, de onde vinha sua ansiedade e porque ela tinha aquela necessidade absurda de ver Austin ou de reler suas anotações sobre ele.

“Acho que para algumas meninas se apaixonar é uma espécie de fraqueza, uma vontade de desistir de todo o resto. Mas pra mim, na minha forma e corpo e coração, se apaixonar é o oposto. É a coisa mais forte que já fiz.”

Porém, apesar da narrativa ter valorizado a história, o desenvolvimento do enredo me incomodou um pouco. Tudo acontece em um ritmo lento e os personagens se desenvolvem muito pouco ao longo da história. Apesar do curto espaço de tempo em que se passa a história, a autora vai deixando algumas informações sobre a personagem para o final, o que faz com que a gente demore um pouco para entender os fins de muita coisa que acontece no livro.

Particularmente, eu gostei muito dos personagens. Tenho pra mim que Bea é desafiadora, tanto para quem está lendo, quanto para os outros personagens do livro. Apesar de ter consciência de suas compulsões, ela parece ter medo de admitir para si mesma que precisa de ajuda, que precisa melhorar e que o tipo de compulsão que ela tem não é seguro para ela, nem para as outras pessoas.

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Em alguns pontos do livro, isso me deixou um pouco incomodada. Durante vários capítulos, quando eu pensei que ela ia ter ao menos uma pequena evolução, ela sempre voltava para a estaca zero sem nem ao menos tentar ou se esforçar, e isso me fazia questionar se em algum ponto da história ela se daria conta do que estava fazendo.

Um personagem que gostei muito foi Beck, e queria demais me aprofundar nele dentro da história. Sua compulsão era complicada. Ele tinha necessidade malhar, então seu corpo acabava sendo igual a de um fisiculturista. Ele chamava a atenção na rua por causa do seu tamanho e a sua necessidade de sempre se manter na regra do oito. Achei que a compulsão dele, de todas apresentadas durante a história, era a mais interessante, e foi uma pena que a autora não tivesse explorado isso ao máximo.

“É uma pergunta que tenho me feito também, mas ninguém jamais a fez em voz alta. Nem mesmo a Dra. Pat. Acho que quando você tem esse rótulo de TOC as pessoas param de perguntar sobre os seus motivos, uma vez que tudo o que você faz é por causa do transtorno.”

Outros elementos complementam bem a história, dando um pouco mais de realidade ao enredo. Quando Bea compartilha alguns de seus sentimentos com a sua melhor amiga, Lisha, eu realmente fico me perguntando se a amiga tem consciência do que esta realmente acontecendo, ou se por ser amiga, ela se encontra em total estado de negação durante a história. É algo que acontece muito com pacientes reais de TOC. Às vezes você incentiva o paciente a agir de uma maneira para que ele se sinta bem, sem nem ao menos perceber que está só piorando a situação.

Ler Uma História de Amor e TOC me deixou completamente paranoica em relação ao assunto. Imergi tanto nas compulsões da Bea que não consigo evitar de policiar a minha própria ansiedade. E acho que esse era o objetivo da autora, certo? Ela criou um enredo que, sem você perceber, vai te dando toda a experiência de uma pessoa que sofre de TOC e faz com que a gente seja capaz de sentir toda a angústia e o desespero que eles sentem na vida real.

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Por essa experiência posso dizer que o livro teve a sua “missão cumprida”, principalmente por acabar com o mito de que TOC está relacionado apenas a síndrome de limpeza, quando na verdade existe todo o tipo de compulsão que precisa ser tratada e que passam despercebidas aos nossos olhos por falta de conhecimento.

É uma leitura intensa, que vai te deixar com uma tremenda falta de ar em alguns trechos, mas que realmente vale a pena como experiência. Mudei completamente a minha visão sobre o que é TOC depois dessa leitura, e recomendo demais para qualquer leitor que esteja preparado para mergulhar na cabeça de personagens que características envolventes e intensas.

Resenhas 06abr • 2015

Síndrome Psíquica Grave, por Alicia Thompson

Síndrome Psíquica Grave é um romance, escrito pela autora Alicia Thompson e publicado no Brasil pela Editora Galera Record. Este é o primeiro romance da autora publicado no Brasil.

Leigh Nolan está dando inicio a sua vida acadêmica e com isso precisa lidar com algumas mudanças na sua rotina. A confusão começa quando seu professor de Introdução à Psicologia resolve passar um questionário de personalidade que, era pra ser apenas mais um teste, mas acaba revelando a garota mais coisas do que ela realmente esperava.

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Com toda a pressão social de se estar na faculdade, ter que pensar sobre a pós-graduação e ainda resolver as coisas com o namorado, Leigh começa a fazer uma análise profunda sobre si mesma, onde perguntas antes não pensadas começam a ser feitas. Porque ela e Andrew não conseguem dar o próximo passo? Porque Ami, sua colega de quarto, não consegue aprovar seu namoro? Porque Nathan, colega de quartdo do Andrew, de repente parece ser tão interessante?

Em meio a toda essa autoanálise, Leigh começa a perceber que talvez as coisas estejam mudando, ou que talvez ela não tenha percebido que, de alguma forma, ela não vem agindo como deveria em relação a certas situações, dando inicio a uma grande e divertida confusão.

“Mas aí me lembrei do que o professor de Introdução à Psicologia dissera sobre terapia de casal: falamos de trabalhar a relação porque nem sempre é divertido Andrew e eu não éramos perfeitos. Nunca seríamos. Mas, enquanto nos encontrássemos no meio do caminho, tudo estaria bem.”

A narrativa do livro é feita do ponto de vista da Leigh, e apesar de eu normalmente me entediar ao ficar muito tempo na cabeça de um único personagem, Alicia Thompson conseguiu criar uma personagem principal realmente interessante, fazendo com que a narrativa do livro fluísse em sintonia com o enredo que ela estava propondo.

O enredo em si não é muito criativo. É provável que muitas pessoas, ao ler o livro, o achem clichê ou mais do mesmo. Porém, ao contrário do que eu esperava, a autora conseguiu inserir alguns elementos que tornaram a história interessante e que me prenderam até o final da leitura. Conforme os capítulos iam se desenvolvendo, eu queria conhecer mais sobre Leigh, e sobre como sua autoanálise iria afetar o desfecho do livro.

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Os personagens são completamente ricos em características e personalidade. Mesmo aqueles que não aparecem durante todos os capítulos trazem suas próprias peculiaridades. Eu gostei muito de como a autora conseguiu lidar com todos os personagens secundários, mesmo quando o foco do livro estava todo em Leigh e nas suas próprias confusões.

Andrew foi um personagem que foi muito bem trabalhado pela autora durante a história. Apesar de eu ter odiado cada momento em que ele aparecia, ele representou bem todo o tipo de relacionamento que acontece quando você passa pelo processo de sair do Ensino Médio e ir para Faculdade. O relacionamento dele com Leigh me fez perceber muitas coisas que acontecem com frequência na vida real e que, na maioria das vezes, simplesmente não damos atenção porque estamos acostumados com aquela rotina.

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O desenvolvimento e crescimento da Leigh deste o primeiro capítulo até o final foi muito importante. Ela conseguiu reunir de uma forma bem sutil, todos os tipos de inseguranças que uma pessoa na idade e situação dela tem, e aos poucos, conforme ela experenciava e refletia sobre o assunto ela era capaz de amadurecer e entender as consequências de todas as suas atitudes.

Síndrome Psíquica Grave é um livro de enredo clichê, mas que tem um desenvolvimento surpreendente. Os personagens têm personalidades interessantes, que te prendem e te levam a querer descobrir o desfecho da história. A narrativa é divertida, leve e faz com que a história tem um toque muito particular da autora. Se você está procurando por uma leitura diferente e divertida, com certeza esse é o livro pra você.

Resenhas 08mar • 2015

Amy e Matthew, por Cammie McGovern

Amy e Matthew é um sick-lit escrito pela autora Cammie McGovern e publicado no Brasil pela editora Galera Record.

Amy não é uma adolescente como todas as outras. Nascida com uma doença conhecida como Hemiplegia, ela possui parte do seu corpo paralisado, o que lhe dá muita dificuldade para realizar atividades que outros adolescentes executam com facilidade. Quando conhece Matthew, ela percebe que passou boa parte da sua vida preocupada demais com a sua vida acadêmica, e decide que está na hora de tentar fazer alguns novos amigos.

É então que ela e Matthew começam a passar algum tempo juntos, e conforme vão se conhecendo, uma amizade vai surgindo entre eles. Porém, Matthew também possui seus próprios problemas e conflitos, e – de certa forma – isso acaba interferindo na amizade que ele tem com Amy, e também com outras pessoas. Conforme o relacionamento dos dois vai se desenvolvendo, eles constroem uma amizade sincera, onde a verdade é sempre a base de tudo entre eles. Mas será que essa amizade poderia ser algo mais?

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A narrativa do livro é feita em terceira pessoa, basicamente alternando o foco da narrativa entre Amy e Matthew durante os capítulos. O enredo se desenvolve de forma bem lenta, o que me deixou muito perdida durante a leitura. A autora demora a dar informações na história, como a doença de Amy, por exemplo. Tudo acontece bem devagar ao longo dos capítulos e por mais que o cenário proposto seja interessante, a lentidão do desenvolvimento da história deixou a narrativa bem cansativa.

Confesso que eu não entendi muito bem porque Cammie McGovern decidiu narrar a história dessa forma, com esses elementos. Ao longo do livro, a autora dá várias características da deficiência de Amy, como se esperasse que os leitores tentassem adivinhar do que ela estava falando. Os personagens, apesar de conectados, estavam meio perdidos dentro da história e durante boa parte do livro eu me senti perdida nos acontecimentos.

“Concluí que é possível amar alguém por razões inteiramente altruístas, por todas as suas falas e fraquezas, e ainda assim não ter este amor correspondido. É triste, talvez, mas não trágico, a menos que você fique buscando seus afetos esquivos para sempre.”

Amy é uma personagem que possui uma deficiência chamada Hemiplegia. Nas descrições da autora, ela se comunica através de um teclado – “Pathway”- que reproduzia uma voz robotizada, tinha dificuldades para se alimentar e precisava do auxilio de um andador para conseguir se locomover – sempre muito devagar. Amy tem uma personalidade muito confusa, na verdade. Ao mesmo tempo que ela quer conquistar sua independência como individuo, ela se sente inibida pela outras pessoas, como se não quisesse que outras pessoas se sentissem mal por suas conquistas.

Matthew, por outro lado, é um personagem tão fechado no seu próprio muito, que eu não consegui concluir muita coisa sobre ele, a não ser o fato de que ele se sente muito desconfortável com o envolvimento de Amy com seus problemas, mas é educado demais para admitir para si mesmo como se sente em relação a toda a situação entre eles. Assim como Amy, Matthew também possui suas próprias deficiências, e por isso, amizade com a garota funciona como uma válvula de escape para todas as suas inseguranças.

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Os personagens de Cammie McGovern são similares, mas com problemas diferentes. A autora tem uma escrita agradável, mas não conseguiu vender bem seus personagens ao longo da narrativa. Como tudo se desenvolvia muito devagar, eu senti muita dificuldade em imaginar e sentir tudo o que estava escrito, e como a personalidade dos personagens ficava muito superficial na narrativa em terceira pessoa, eu não consegui me conectar com eles.

A amizade entre os dois adolescentes é o ponto mais positivo do livro. Mesmo com problemas diferentes, a deficiência de Amy nunca chegou a ser um problema para Matthew – quase como se ela nem mesmo existisse – e isso tornou a relação dos dois ainda mais interessante. Conforme a história se desenvolve, os personagens vão ficando mais confortáveis na presença um do outro, e assim, nesses diálogos de amizade é que conseguimos ter uma visão melhor de como eles se sentem em relação ao outro.

“Amy desviou o olhar, de modo que foi impossível dizer o que ela estava pensando. Já não era muito fácil, com sua gama limitada de expressões, mas se olhasse nos olhos dela, em geral, conseguia entender.”

Preciso confessar que Amy e Matthew não foi a minha leitura favorita por diversas razões muito particulares. Quando finalmente descobri a doença da Amy e fui pesquisar a respeito, senti que a autora descreveu uma coisa completamente diferente e exagerada do que a deficiência em si realmente é. E isso me deixou muito incomodada, porque eu estava imaginando uma coisa e quando eu fui tentar entender, não era bem aquilo que tinha sido passado.

A narrativa também foi outro ponto que não me agradou. Eu conseguia ver onde que a autora queria chegar com a história, mas eu me sentia perdida em como ela fazia o enredo caminhar para aquilo. O vai e volta do foco da narrativa me deixou meio tonta. Em um momento estávamos emergindo nos sentimentos de Amy em relação a todo o cenário, e de repente, em um parágrafo o foco se voltava para Matthew e eu me perdia completamente.

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Minha opinião é que a história em geral, o enredo proposto, não é ruim. Pelo contrário, é até bonito o que a autora tentou abordar no livro. Porém, a história não foi bem organizada ao ser escrita. Ela queria focar tanto no fato de que os personagens tinham dificuldades a serem superadas, que ela esqueceu de outros elementos e informações que talvez deixassem a história mais completa.

Por fim, Cammie McGovern não me agradou tanto quanto eu gostaria, mas também não me decepcionou a ponto de eu nunca mais querer ler nada dela. Eu acho que Amy e Matthew é um livro para quem estava sentindo falta de um romance que lembre A Culpa é das Estrelas ou Eleanor & Park, e se é isso que você está procurando para a sua próxima leitura, este livro é uma ótima escolha de leitura.

Resenhas 03mar • 2015

As Confissões das Irmãs Sullivan, por Natalie Standiford

As Confissões das Irmãs Sullivan, é um Young Adult escrito pela autora Natalie Standiford e publicado no Brasil pela Editora Galera Record. Esta é a segunda publicação da autora no Brasil, sendo a primeira o livro Como Dizer Adeus em Robô.

Os Sullivans ocupam uma importante posição na alta sociedade de Baltimore. Sendo uma das famílias mais ricas, liderada pela matriarca conhecida como “Poderosa Lou”, não há dúvidas de que os membros desta família precisam ter um comportamento exemplar e honrar o nome da família com suas atitudes.

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Na véspera de Natal, Poderosa revela que por conta de uma ofensa cometida por um dos membros da família, ela decidiu tirá-los do testamento e doar o dinheiro para uma instituição de caridade. Para evitar que isso aconteça, a pessoa que cometeu a ofensa deve fazer uma confissão por carta e entregá-la a Poderosa na noite de Ano Novo.

Sabendo que a perda do apoio financeiro da avó iria colocar a família em uma situação muito complicada, as irmãs Sullivan decidem que confessar seus crimes era a melhor forma de evitar isso. E assim, Norrie, Jane e Sassy começam a relatar para Poderosa suas histórias, esperando que ela compreenda o que as levou a agir daquela maneira.

“Eu confesso.
Sei o que fiz, e a senhora sabe a razão – foi por um verdadeiro amor. A senhora já se apaixonou alguma vez, Poderosa? Sei que já foi casada cinco vezes – mas já se apaixonou? É algo inevitável. A pessoa perde o controle. Fica sem saber o que fazer.”

O enredo do livro é dividido em três partes, sendo cada uma delas referente a uma irmã Sullivan. A narrativa é feita do ponto de vista de cada uma das irmãs, e as confissões seguem o mesmo período de tempo, ou seja, todos os acontecimentos confessados aconteceram na mesma época, porém cada confissão tem o seu foco em uma irmã Sullivan.

Eu realmente gostei de como a autora resolveu organizar a história, porque isso me permitiu ver as situações por três ângulos diferentes. Enquanto eu lia a confissão de Norrie, eu podia ver o comportamento de Jane e Sassy pelos olhos dela, me dando uma compreensão muito maior da história e dos personagens e me fazendo interagir com o enredo de três formas diferentes.

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Natalie Standiford tem uma escrita muito interessante. Durante todo o livro a autora trabalha com três personagens femininas de personalidades e ideais completamente diferentes e mesmo com o risco de se perder no meio dessas personalidades, a autora consegue desenvolver a história de uma maneira que o leitor simplesmente não consegue largar o livro. Tudo na história possui uma sintonia própria e, conforme você vai avançando nos capítulos, o enredo te induz a querer saber mais.

Os personagens foram muito bem construídos. Eu conseguia me conectar com a personalidade de cada uma das irmãs e entender o ponto de vista delas em relação a cada situação. Norrie, por exemplo, é a irmã mais racional, aquela que procura sempre se manter dentro das regras da própria família, mas ao mesmo tempo tem um desejo incontrolável de fazer o que deseja e não se importar com as consequências. Jane, por outro lado, já tem um espírito mais rebelde, quer respostas e quer expor aquilo que ela pensa da maneira como ela pensa. Já Sassy tem sua personalidade única, e um jeito próprio de lidar com as situações a sua volta.

“Querida Poderosa,
Eu, Saskia Wells Sullivan, venho por meio desta confessar assassinato.”

Todas as irmãs tinham alguma coisa pra contribuir com o enredo, mesmo que cada uma de suas confissões fosse sobre um assunto diferente. A minha favorita foi, com certeza, a de Jane, principalmente porque foi à personagem com a qual eu mais me identifiquei. Os questionamentos que ela faz durante a história, foram questionamentos que eu já fiz quando tinha a idade dela, e foi muito legal ter essa visão do porque ela era tão apegada as verdades dela e aos ideais que ela tinha.

Minha primeira leitura de Natalie Standiford foi surpreendente. Eu não esperava que o enredo livro fosse ser tão interessante ou que a história fosse se desenvolver da maneira como se desenvolveu. Mesmo o final, quando finalmente descobrimos o motivo que a Poderosa teve para tirar a família do testamento, me fez entender muito sobre família e seus problemas, mas principalmente o que é ser um adolescente e como é esse eterno processo de amadurecimento.

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Confesso que eu fiquei encantada com a escrita da Natalie, o desenvolvimento dos personagens ao longo do enredo e como ela resolveu colocar todas as inseguranças de um adolescente em situações inusitadas e completamente fáceis de você imaginar ou entender.

As Confissões das Irmãs Sullivan é um livro muito divertido, engraçado e que com certeza vai fazer com que o leitor não queira parar com a leitura. Foi uma leitura que me surpreendeu em vários quesitos e fez com que eu me apaixonasse pela Natalie Standiford. Mal posso esperar para conhecer outros trabalhos da autora, e eu tenho certeza de que vocês vão amar a leitura desse livro.

Resenhas 01mar • 2015

Sem Esperança, por Colleen Hoover

Sem Esperança é o segundo volume da série Hopeless, escrito pela autora Colleen Hoover e publicado no Brasil pela Galera Record. Neste livro iremos conhecer o enredo de Um Caso Perdido contado do ponto de vista de Dean Holder.

Anos após do desaparecimento de sua amiga de infância, Hope, Holder ainda não consegue esquecer completamente a sensação de que tudo o que aconteceu no passado foi, em parte, sua culpa. Com a morte de sua irmã, sua vida muda completamente e, depois morar com seu pai por alguns meses, ele decide que está na hora de retornar à cidade onde vivia e cuidar de sua mãe.

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É então que ele conhece Sky e, ao olhar em seus olhos, tem a sensação de que encontrou alguém que havia perdido há muitos anos . Será que ele finalmente havia encontrado Hope? Mas Sky era mesmo o que a sua identidade dizia, e por alguma razão ele simplesmente não conseguia dar as costas para aquilo e deixá-la de lado. Conforme a relação dos dois vai se tornando cada vez mais intensa e difícil de se negar, Holder começa a deseja que a garota não fosse ninguém menos do que apenas Sky.

O livro é narrado em primeira pessoa, no ponto de vista de Holder, que conhecemos em Um Caso Perdido, o primeiro volume da série. Diferente do que eu esperava, os primeiros capítulos do livro são os mais importantes. É onde a autora permite que o leitor conheça um pouco do personagem antes de sua vida ter essa grande mudança. Podemos acompanhar o seu relacionamento com a irmã, e ter uma breve ideia de quem era Less, e como ela estava se sentindo em relação às coisas que estavam a sua volta.

“Ficar com ela me fazia pensar no amanhã e no dia depois de amanhã e no dia seguinte e no ano seguinte e na eternidade. Preciso disso agora, pois se eu não abraçá-la de novo… vou terminar olhando para trás mais uma vez, deixando o passado me engolir completamente.”

Um dos pontos que eu mais gostei na construção da narrativa do Holder, foi que a autora deu um tom muito mais pessoal para a história. Ao longo dos capítulos, nós podemos ver cartas que o personagem escreve para a irmã, o que faz com que o leitor consiga ter um envolvimento maior com a história e visualizar exatamente o que o personagem está sentindo naquele momento em relação ao que está acontecendo ao seu redor.

A coisa que mais me incomodou dentro de toda a proposta do livro foi a história não ter ido mais além do que aquilo que já havíamos visto em Um Caso Perdido. Boa parte do enredo se resume as mesmas cenas do primeiro livro, só que do ponto de vista masculino. Foi bem interessante ver o que se passava na cabeça do Holder enquanto ele e Sky ainda estavam se conhecendo, mas por outro lado, eu já sabia exatamente o que estaria escrito no próximo capítulo e isso me deixou bastante entediada com a leitura.

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Dean Holder é um personagem bastante intenso. O ponto de vista dele trás muitos conflitos internos e muitos assuntos não resolvidos que eu não tinha compreendido muito bem no primeiro volume da série. Mas, ainda assim, ele não tem nada “além” do que a autora já havia mostrado pra gente dentro de Um Caso Perdido. Não é um segredo como ele se sente em relação a Sky e o que ele pensa em relação a tudo o que acontece durante o enredo em si. Isso acabou deixando o personagem um pouco previsível, cru.

Por outro lado, foi muito legal ver a Sky pelos olhos de outro personagem. Eu tinha gostado bastante dela no primeiro livro, mas ainda tinham traços da personalidade dela que me incomodavam, e acho que ao vê-la por um ponto de vista diferente eu consegui compreender melhor a personagem e me envolver mais com o que o livro estava propondo.

“Meu coração está dizendo para eu simplesmente ir embora. Less já me avisou mais de uma vez que isso não é da minha conta. No entanto, ela não sabe como é ser o irmão de alguém.”

Sem Esperança não é um livro ruim, mas também não foi uma leitura tão boa quanto foi Um Caso Perdido. Acredito que muitas pessoas estivessem esperando – ou pelo menos eu estava – algo mais parecido com “Pausa”, segundo livro de Métrica, onde a autora conta a história do ponto de vista do Will, mas alguns meses depois do fim do primeiro livro. Infelizmente, não foi esse tipo de enredo que ela escolheu para Sem Esperança, embora eu entenda que havia uma necessidade de mostrar as coisas pelo ponto de vista do Holder, afinal, ele está muito envolvido em tudo o que aconteceu com a Sky desde o começo.

Se você gostou muito de ler Um Caso Perdido e se apaixonou por Holder, a leitura de Sem Esperança é fundamental para que você conheça mais sobre o personagem e se apaixone ainda mais por ele. A escrita de Colleen Hoover não decepciona neste livro, então se você está procurando aquele enredo envolvente, Sem Esperança pode ser uma boa escolha.

Resenhas 17nov • 2014

Onde Deixarei Meu Coração, por Sarra Manning

Onde Deixarei Meu Coração, é um romance adolescente escrito pela autora Sarra Manning (Os Adoráveis) e publicado no Brasil pela Editora Galera Record. O livro conta a história de Bea, uma adolescente de 17 anos que se julga muito sem graça para alguém de sua Idade, mas que anseia pelo dia que conseguirá dar o seu grito de liberdade e se afastar da mãe controladora.

A primeira coisa que descobrimos sobre Bea é que ela se sente completamente entediada no mundo em que vive, se limitando a um grupo de amigos pequeno e a sua rotina de adolescente obediente que se mantém longe de garotos ou qualquer problema. Ela não gosta dessa vida, mas também não acredita que possa ter mais do que isso, não enquanto morar com sua mãe e não ter coragem de impor suas vontades.

Tudo muda quando Ruby, uma das garotas mais populares do colégio, de repente resolve que Bea é a pessoa perfeita para ser a mais nova integrante de seu grupo. Apesar de se sentir constantemente deslocada e desconfortável, Bea se deixa levar pelas oportunidades que o mundo de Ruby oferece, mas no meio de todo esse novo universo, ela acaba descobrindo mais de si mesma do que esperava.

“Porque eu não tinha uma vida, eu era monótona. Tudo a meu respeito era sem graça. Eu tinha até o número de sutiã mais sem graça do mundo, tmanho médio. Mas o negócio era que eu não queria fazer o que as outras garotas da minha idade faziam, que era ficar bêbada, dar uns amassos nos garotos e arrumar problemas com os pais. Quero dizer, pra quê? Você só acabava de ressaca, com chupões e sem mesada.” 

Meu primeiro medos sobre esse livro era o clichê do personagem principal se buscando ao longo do enredo. Meu segundo medo era de não gostar tanto da escrita de Sarra Manning como gostei em Os Adoráveis, e a personagem não ser tão encantadora ou envolvente. Bem, todos esses medos foram superados logo nos primeiros capítulos do livro.

Bea é uma personagem sem graça, e isso é o mais interessante a seu respeito. Durante os primeiros capítulos da história, Sarra Manning consegue fazer com que o leitor absorva todo o universo de Bea e perceba que ela não é muito mais do que uma garota apaixonada por Frances, que morre de vontade de conhecer o pai biológico e que não tem certeza se possui realmente alguma amiga.

E isso combinou perfeitamente com a narrativa em primeira pessoa. Desde o primeiro capítulo, acompanhamos a personagem evoluir de uma adolescente que se deixava levar pelas escolhas da mãe ou de qualquer outra pessoa, para alguém que realmente consegue tomar uma decisão sozinha e arcar com as consequências. E isso foi o que me fez simplesmente me apaixonar por Onde Deixarei Meu Coração.

“Não quero beijar garotos estranhos em quartos estranhos – discursei. – Eu quero romance. Quero ser louca por um garoto e que ele seja louco por mim também, assim, mesmo que a gente acabe cometendo um erro, ele não me abandone num piscar de olhos. Mas romance parece estar tão fora de moda quanto usar vestidos da Primark.”

O enredo também aborda outros assuntos, como gravidez na adolescência, namoro a distância, mas principalmente personalidade. Durante todo o decorrer do livro, Bea nos leva para dentro de uma relação complicada com a sua mãe que, se recusa a revelar a identidade do seu pai biológico, além de ser extremamente controladora, com medo de que ela engravide ainda adolescente e tenha a mesma vida que ela.

Não é um livro que vai te causar grandes impactos, nem te fazer passar horas chorando por causa dos personagens. Se trata de um livro que eu definiria como minimalista, que te ganha na simplicidade da narrativa e que se desenvolve num ritmo único, mas não monótono.

Sarra Manning conseguiu me ganhar com seus personagens, história e sugou para Paris e seus encantos sem nem pensar duas vezes. É uma leitura que eu recomendo para todos os fãs de um bom romance adolescente, principalmente se você se encantou com livros como Anna e o Beijo Frances.

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