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02 fev, 2016

Os costumes da sociedade de época

Eu sou uma completa apaixonada por romances de época, o que é novidade para 0 pessoas.

Comecei com os clássicos romances de Jane Austen, mas foi depois que Julia Quinn entrou na minha vida que eu nunca mais larguei esse gênero.

Desde 2013 foram muito livros desse gênero lidos, e muitos novos autores conhecidos. Entraram para minha estante: Lisa Kleypas, Loretta Chase, Madeline Hunter e outros nomes que hoje são muito populares entre os amantes de romances de época.

Conforme fui me inserindo cada vez mais nesse universo, percebi que alguns leitores tem uma certa dificuldade para entender como funcionava a sociedade da época.

Normalmente ambientado na Inglaterra do século XIX, os romances de época seguem uma linguagem própria, com a etiqueta exigida pela época, mas com um toque especial que cada autora busca dar aos seus personagens.

Pensando nisso, e considerando que eu pretendo falar muito do assunto durante fevereiro, eu fiz uma pequena pesquisa sobre como funcionava a sociedade da época e separei algumas informações que são relevantes para podermos entender como funcionavam as temporadas sociais, os noivados da época e principalmente os casamentos.

Vamos lá?

Uma breve ambientação da sociedade da época

Para aqueles que não estão ambientados com o universo, o casamento não era nada além do que alianças políticas e financeiras entre as famílias da época, e isso exigia da mulher certos requisitos, entre eles o dote, uma determinada quantia em dinheiro, terras, rendas ou mesmo um título de nobreza que a noiva levava consigo para o casamento e transmitia ao marido e aos filhos.

Enquanto os homens começavam a buscar por esposas após terminarem seus estudos, por volta dos 25 anos, as mulheres costumavam debutar na sociedade por volta dos 17 anos, podendo esta idade ser antecipada de acordo com a necessidade da família.

Depois de ser apresentada a sociedade, uma jovem não poderia esperar muito para noivar.

Era esperado que uma jovem ficasse noiva ainda na sua primeira temporada na sociedade. Após três anos seguidos na temporada social, a jovem começava a ser descartada como uma opção, podendo se tornar vítima de fofocas e com isso tendo uma possibilidade de casamento cada vez menor.

Caso não contraísse matrimonio até uma certa idade, a jovem era considerada uma solteirona e passava a ser considerada apenas como uma companhia adequada para outras jovens que estariam debutando.

É preciso dizer que nem todos os casamentos da época eram arranjados, ou faziam parte de um acordo comercial entre as famílias.

Naquela época a ideia do “amor romântico” estava se disseminando pela Inglaterra e, com isso, os pais começaram a levar em consideração os sentimentos dos seus filhos em relação ao seu futuro conjugue.

Como já dizia nossa querida Jane Austen:

“É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro, em posse de grande fortuna, deve estar procurando uma esposa”.

Como funcionavam os noivados e a corte

Naquela época não era permitido que um homem falasse diretamente com uma jovem à qual não tivesse sido apresentado.

Toda a negociação matrimonial partia das famílias, já que a mulher não poderia, de forma nenhuma, propor casamento. Além disso, as moças não tinham nenhum conhecimento sobre estas negociações, por uma questão de educação.

Alguns casais que já se conheciam de longa data, podiam ter um “pré-pedido”, antes que o jovem comunicasse a família da futura esposa, suas intenções de se casar com a mesma.

Quando aceito o pedido de noivado pela família da moça, o rapaz era permitido a frequentar a casa da mesma.

Logo na sua primeira visita já era marcado o jantar de noivado que, reuniria apenas as famílias dos envolvidos. Nesse jantar, o noivo oferecia a sua amada um anel de compromisso e ela dava à ele um colar com sua foto ou uma mecha do seu cabelo.

Os noivados duravam em torno de 3 semanas ou um pouco mais que isso.

Noivados muito longos levantavam suspeitas, assim como os muito curtos. Entre o noivado e o casamento, um noivo rico deveria mandar flores todos os dias à noiva e à mãe dela. Além disso, não era permitido que os noivos ficassem a sós, precisando sempre da companhia da mãe da moça ou de outra pessoa. Não eram permitidos contatos físicos e ambos deveriam aproveitar o tempo do noivado para se conhecerem melhor.

Basicamente, a mulher não tinha voz nenhuma quando se tratava da escolha do seu futuro marido, mas já que estamos falando sobre romances de época, podemos destacar que nossas autoras – citadas no início deste post – fizeram questão de empoderar o sexo feminino, criando heroínas que não se permitem casar com ninguém menos que o cara certo.

Os Bridgertons estão ai para comprovar o que eu estou dizendo.

Eu espero que este post tenha ajudado a esclarecer algumas dúvidas sobre os costumes da época, ou pelo menos despertado o interesse daqueles que ainda estão receosos em se aventurar nesses romances. E, se você tem alguma informação a acrescentar que eu esqueci de mencionar aqui, fique à vontade para colocar aqui nos comentários, certo?

Fonte de pesquisa: Destherrense