Posts arquivados em: Tag: Juliana Daglio

Literaría 19abr • 2017

Primeiras Impressões: Lacrymosa, de Juliana Daglio

 

Como vocês já sabem, nós aqui do La Oliphant amamos ver autores nacionais criando histórias cada vez mais criativas e imaginativas. É exatamente por isso que nós temos o Clube Nacional, pra dar espaço para autores nacionais divulgarem as suas obras.

Por isso mesmo, nós ficamos muito felizes quando recebemos a oportunidade de fazer as primeiras impressões de Lacrymosa, novo livro da Juliana Daglio! Nós já entrevistamos a Juliana aqui no blog e até resenhamos Uma Canção Para a Libélula, então logicamente já estávamos animados para o novo livro dela, e ficamos ainda mais animados vendo ela falar sobre Lacrymosa nas redes sociais. Então quando recebemos as primeira trinta páginas de Lacrymosa, fomos correndo ler, e já temos nossas primeiras impressões.

Só pra dar um resumo rápido do plot, Lacrymosa conta a história de Valery Green, uma jovem detetive na pacata cidade de Darkville. Só que na realidade, Valery não é que diz ser, e o passado dela esconde muito mais do que seus colegas de trabalho imaginam. Mas os segredos da vida de Valery ameaçam vir a tona quando ela e o parceiro Axel são chamados para investigar o desaparecimento de um pai e sua filha.

Bom, como é realmente só o comecinho do livro, nós não vou julgar tanto do plot nem nada, porque não dá pra ter noção de tanta coisa ainda, né? O que eu posso julgar é a atmosfera geral da história, que me interessou muito. Eu adoro histórias que misturam o real e o sobrenatural, mostrando o que existem além do que conseguimos ver e Lacrymosa parece fazer exatamente isso. O que deu pra ver nesse começo de história já me deixou muito afim de continuar lendo.

A escrita em si também é outro ponto que eu curti bastante. Eu ainda não tive a chance de ler os outros trabalhos da Juliana Daglio (a resenha de Uma Canção Para a Libélula foi positiva, e eu ouvi coisas boas sobre O Lago Negro), mas Lacrymosa me parece ser um ótimo ponto de partida pra escrita dela. Inclusive aumentou a minha vontade de conhecer os outros livros dela.

A protagonista Valery, uma detetive que esconde um passado misterioso, me agradou bastante. Eu fiquei com a impressão que vou gostar ainda mais dela ao longo da história, porque ela me parece ser aquele tipo de personagem que vai mostrando mais e mais lados dele a medida que a leitura vai rolando. Mas o que eu vi, eu curti bastante. Gostei muito das interações dela com os outros personagens, principalmente com o parceiro Axel e com a colega de apartamento, Denise.

Bom, como já deu pra ver, nós estamos bem aminados pra ler Lacrymosa. O livro tem potencial pra contar uma história cheia de mistério e intriga, que também pode levantar várias questões sobre a natureza do bem e do mal. O livro ainda não tem data de lançamento definida (quando tiver a gente vai avisar aqui, com certeza), mas nós já estamos esperando cheios de ansiedade!

Entrevistas 13jul • 2016

Uma entrevista antiga com a autora Juliana Daglio

Vamos falar um pouco sobre Juliana Daglio? Para aqueles que estão chegando no blog por agora, precisam saber que essa moça bonita da foto abaixo foi a primeira parceria oficial do La Oliphan há uns dois anos atrás. Com todo o amor e dedicação, Juliana Daglio acolheu esse blog e de lá para cá eu tenho acompanhado de perto essa moça realizar os seus sonhos, lançar mais livros e se tornar uma autora nacional muito amada pelos seus leitores.

Autora de livros como Uma Canção para a Libélula e Lago Negro, Juliana tem uma escrita que envolve os seus leitores e conquista logo nas primeiras páginas. Atualmente ela é publicada pela Editora Arwen, e a entrevista publicada abaixo foi realizada há algum tempo, quando Lago Negro ainda estava para ser lançado. Mas, não é porque fiz essa entrevista há algum tempo que eu vou perder essa oportunidade de compartilhar com vocês, leitores do La Oliphant, o amorzinho que é Juliana. Certo?

Juliana Daglio

Quando você decidiu que queria escrever um livro?
Acredito que eu tenha tomado essa decisão muito cedo, de uma forma muito inocente. Quando eu aprendi a ler, foi através de livros de Conto de Fadas, então minha paixão pela literatura logo nasceu. Aos oito anos, eu disse para minha mãe que queria ser escritora, e já dei início à composição de uma história de princesa. Encapei com caderninho e fiz até umas ilustrações, que não ficaram nada bonitas.
Sinto que decidi naquele dia, e que essa decisão veio comigo pelo resto dos dias, até que eu tive o sonho que inspirou, definitivamente, Uma Canção para a Libélula.

De onde veio a inspiração para Uma Canção para a Libélula?
Passei por várias etapas até tomar a coragem de começar a escrever, mas minha maior inspiração foi a teoria psicanalítica, de Freud. Eu tive um sonho durante o período em que cursava a matéria de Psicanalise na faculdade, e esse sonho culminou tudo. Era sobre uma garota que estava presa em uma casa, e ela não podia permitir que ninguém entrasse, e quem entrasse uma vez, ficaria preso para sempre, ou morreria.
Eu dei um nome para essa garota: Vanessa. E um nome para essa casa: A Depressão.
E daí em diante as coisas foram tomando forma e mais forma, até se tornar o livro.
Posso dizer que foi um processo incrível. Me diverti, chorei, apaguei, reescrevi… É meu coração colocado em palavras.

Como funciona seu processo criativo?
Depois de UCPAL, já dei início a vários projetos. Alguns acabei, outros não. Mas tem uma coisa que acontece em todos eles: um sonho.
Eu tenho um sonho que me marca, e quando acordo anoto ele em um arquivo. Dessa anotação nasce um rascunho, e daí por diante.
Se esse sonho vira um roteiro, eu sempre ouço alguma música que me faz lembrar esse roteiro, e começo a montar uma playlist. Então eu ouço essa playlist seguidamente, e isso aumenta ainda mais minha inspiraçãos.
Sonhos e músicas são meus gatilhos criativos.

Juliana Daglio

Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas pra ter o seu livro publicado?
A grande falta de oportunidades e o alto custo foram as dificuldades iniciais.
As editoras ainda preferem investir em nomes internacionais, ou já muito conhecidos, e isso é uma grande barreira. Contudo, acredito que, aos poucos, isso esteja mudando, graças ao esforço e talento de muitos novos escritores.
Hoje em dia ainda existe obstáculos, mesmo com o livro publicado… Divulgação, aceitação e valorização por parte dos leitores, mais divulgação e etc.
Porém, posso dizer que todos esses obstáculos tem contribuído para que eu me sinta mais forte e mais engajada nessa luta, além do que – não estou sozinha. Tenho amigos, leitores, blogueiros e outros autores que me fazem sentir parte de um todo, e esse TODO é lindo demais.

O seu livro aborta do tema “depressão” de uma forma diferente, como você chegou a conclusão de que essa seria a melhor forma de imergir o leitor no tema?
Há muita leitura a respeito de depressão e muitas pessoas deprimidas.
Livros técnicos, aos montes, que são ótimos, aliás. E livros de enredos com personagens depressivos, mas que não giram ao redor do tema, especificamente.
Quando você está deprimido, ler uma lista de sintomas e um compendio psiquiátrico não vai te ajudar. Mas ler o ponto de vista de alguém que está na mesma situação que você, pode acarretar numa coisa muito importante: IDENTIFICAÇÃO.
Quando você encontra uma pessoa com a qual se identifica, você não se sente mais sozinho. Vai ouvir o que ela diz, se colocar no lugar dela, tentar se unir a ela para juntos resolverem o problema, ou conviver com o problema. Eu queria que a Vanessa fosse esse alguém, para muitos. Quero que ela faça companhia a outras pessoas que sentem o que ela sente, e que ela ajude essas pessoas a saírem da crise.

Juliana Daglio

Se você fosse convidada para tomar um café com um dos seus personagens, qual seria?!
Eu queria poder sentar e conversar com pouco com a Valéria, viu!
É muito difícil entender alguém que se mostra como a vilã de uma história, ainda mais vendo tudo do ponto de vista da Vanessa. A verdade é que a Vanessa não teve a oportunidade de conhecer a Valéria de verdade, de entender como ela se tornou uma pessoa tão amarga e com atitudes tão insanas, mas ela tem uma história que merece ser contada, independentemente de haver ou não perdão.
Eu queria poder sentar com ela e ouvir tudo, pra dar uns conselhos e dizer para ela se esforçar um pouquinho pela filha, ao menos uma vez.

Depois do lançamento do seu primeiro livro, quais são os seus novos projetos?
O Lago Negro, primeiro livro de uma séria, será lançado agora no segundo semestre de 2015 ela Arwen, e é um projeto muito querido para mim. Acredito que vocês vão curtir a Verônica tanto quanto a Vanessa.
Fora OLN, estou escrevendo um livro Terror/Fantasia, que está me deixando com um pouco de medo. Ele fala de demônios, possessões e tudo o que uma história de terror tem direito. Susto, mitologia, e mais ainda. Porém, a pessoa aqui é um pouco medrosa, então está com dificuldades de prosseguir. Mas ele vai sair. hahahah

Sua vida mudou muito depois que se tornou escritora?
Muito!
Eu sempre fui tímida e muito quieta, com poucos amigos e bem discreta.
Hoje, eu falo em vídeos, tenho amigos em todos os cantos do Brasil, e não tenho medo de contar a vocês como está sendo tudo isso. Acredito que meu potencial de comunicação estava adormecido todos esses anos, esperando a publicação do livro para emergir.

Juliana Daglio

Como é seu relacionamento com os fãs do livro?
Pensar em fãs é uma coisa… Surreal! Hahahhaha
Meu relacionamento com eles é de amizade mesmo. Gosto de conversar com cada leitor, saber o que ele achou, mesmo que seja uma crítica, e poder ouvir abertamente o que ele tem a dizer.
Penso que somos amigos, compartilhando um pedaço do meu coração.

Se você pudesse escolher uma música para definir Uma Canção para Libélula, qual seria?
A parte I eu acredito que seria Lost in Paradise, da banda Evanescence. A música é melancólica demais, dá um aperto no peito, e fala sobre alguém acompanhado de uma dor que está perdida no paraíso. É bem o que acontece com a Vanessa, em meio a uma carreira promissora, um talento incrível, mas que carrega esse peso como uma bomba com uma data prevista para e explosão.
A parte II, seria Skinny Love, da Birdy. Mas se eu contar muito sobre isso, vou dar Spoiler a respeito da continuidade da história. Mas, para aumentar o mistério, a letra a música diz:

“Vamos, amor frágil, o que aconteceu aqui?
Alimente-se com a esperança do seu peito
Meu, meu, meu, meu, meu, meu Deus
A carga está cheia; então vá com calma”

Por que será que escolhi essa música? Hahahhaha

Já pensou em trabalhar com livros de outros gêneros? Como livros infantis, por exemplo.
Já sim. Eu quero trabalhar muito com Terror e Suspense daqui para frente. Ainda estou processando essas ideias, mas além de investir em mais um sick-lit, futuramente, quero estudar mais literatura de terror e tentar inserir nos meus enredos medos comuns com os quais todos possam se identificar, e tornar esses medos figurativos.
Infantis não. Não é minha área. Heheheh

Juliana Daglio

Se você pudesse encontrar com um autor pelo qual é apaixonada, quem seria e o que você iria dizer pra ele?
Seria o espanhol, Carlos Ruíz Zafón. E eu diria: Me deixe ser sua Isabella?
No enredo e O Jogo do Anjo, David é um promissor escritor, e a Isabella é uma garota que deseja muito aprender com ele, por isso ela aceita fazer todo o serviço de casa dele para poder ficar perto e aprender o máximo que puder.

O que você gostaria de dizer para as pessoas que acompanham o seu trabalho como escritora?!
Queria dizer que vocês são minha razão de continuar escrevendo. Antes, eu era só uma garota sonhadora com um manuscrito, sozinha com um monte de folhas e livros. Hoje, eu sou uma escritora com sonhos ainda maiores inspirados em pessoas que tem me dado força e me impulsionado a continuar. Não estou sozinha, e devo a isso a vocês.
É um amor tão grande que não tenho como explicar. Só preciso pedir desculpas por às vezes demorar para responder as mensagens, ou e-mails, mas eu procuro tratar cada um com carinho e conversar com todos, um por um. Tenham paciência com essa atrapalhada aqui, e saibam que todos moram no meu coração.

Resenhas 05dez • 2014

Uma Canção Para A Libélula, por Juliana Daglio

Uma Canção Para a Libélula é um romance nacional escrito por Juliana Daglio e publicado pela Editora Deuses. Neste primeiro volume da história, acompanhamos Vanessa, uma pianista de sucesso que, ao fazer sua viagem de volta para casa, se vê enfrentando os fantasmas de seu passado.

O livro nos apresenta à Vanessa, uma jovem pianista que vive em Londres. A primeira impressão que temos é que a personagem leva uma vida tranquila, morando com os tios e se dedicando a sua carreira. Porém, logo percebemos que por trás de toda essa “tranquilidade” existe um trauma do passado que a consome aos poucos.

Após receber a notícia de que seu pai estava com graves problemas de saúde, Vanessa decide que é a hora de volta para o Brasil e ficar com sua família. Esta decisão faz com que as coisas mudem ao redor de Vanessa, fazendo com que ela seja dominada por sentimentos que ela mesma se recusa a admitir.

“Quando uma dor pede para levar embora suas lembranças ruins, ela também leva a parte boa. Arranca as raízes de tudo que você lembrava ser. Foi isso que aconteceu. A dor me levou a parte boa de minha infância e só deixou um vazio enegrecido para trás.”

Eu tinha vontade de conhecer essa história desde que firmei parceria com a autora aqui no blog (Confira aqui). Quando falamos de depressão, o conhecimento que envolve o tema acaba sendo muito vago, e tendo esse contato com a história da personagem, minha percepção sobre o assunto começou a mudar.

O que mais me chamou atenção no enredo foi a sutileza da autora ao introduzir as mudanças da personagem ao longo da história. Ao contrario do que eu esperava, pude acompanhar todo processo de mudanças de Vanessa, desde o momento em que ela volta para o Brasil, ao momento em que ela vai se fechando dentro de si mesma.

Banner 1

Tudo na narrativa de Juliana Daglio está em sintonia. Nós temos uma personagem que te instiga a entrar no universo em que ela existe. Temos personagens secundários com personalidades fortes, uma família que está tentando superar a perda de um membro, e no meio de tudo isso há uma sinergia incrível que faz com que o leitor tenha uma imersão completa no enredo.

O relacionamento conturbado com a mãe foi o que mais me prendeu durante todo o enredo. Foi o ponto em que eu consegui entender melhor a personagem e tudo o que estava acontecendo a sua volta, e acho que essa relação foi o ponto principal para que a personagem se entregasse a todos aqueles sintomas que caracterizam a depressão.

“O lado obscuro dentro de mim odiava ser subestimado. Ele me levara até ali, e me manteria assim, do jeito que julgasse melhor me conduzir.”

A autora escolheu um tema extremamente complexo de ser abordado, e conseguiu inserir toda essa complexidade de uma forma tão simples e envolvente, que não há maneira de se terminar a leitura sem aquela sensação de “nó no estômago”. Confesso que passei alguns dias refletindo muito sobre tudo o que li desde a primeira página até a última, e mesmo assim eu ainda não consegui encontrar a descrição certa para o que é esse enredo.

É uma leitura completamente diferente do que eu estou acostumada a trazer para o blog. Acredito que tenha sido uma leitura completamente diferente para mim, principalmente pelo “efeito” que o livro me causou quando eu cheguei na ultima página. Acredito que a autora tenha um grande potencial, e eu mal posso esperar para ler outros livros dela.

O Usuário laoliphantblog não existe ou é uma conta privada.