Posts arquivados em Tag: New Adult

22 dez, 2017

Confesse, por Colleen Hoover

Eu me apaixonei pela escrita da Colleen Hoover quando li Métrica e acredito que, muitos leitores que adora a autora também começaram com esse livro.  Desde então minha relação com a autora tem sido uma constante montanha russa emocional onde, às vezes ela acerta no enredo, outras vezes não. Confesse é um dos meus “nãos”. Eu estava louca para ler esse livro desde que ele foi anunciado e, seguido de muitas resenhas positivas, eu estava ansiosa para conhecer o casal principal. Mas verdade seja dita, o enredo não entrega uma história de amor envolvente e nem personagens maravilhosos. Com capítulos arrastados e uma trama muito fraca, Confesse é mais um livro que entrou na estante para ocupar espaço.

Eu peguei Confesse para ler com a expectativa bem alta, principalmente porque eu não vi uma alma falando mal desse enredo. Todo mundo só tecia elogios, ou seja, vamos confiar na galera né? O problema é que o livro traz muito daquele enredo de drama forçado, um amor “impossível” que na realidade não é nem tão impossível assim e um casal principal que tem uma “tensão sexual’ que não faz o menor sentido, mas que a autora insiste em reafirmar no livro através de cenas e diálogos que, não só são arrastados, como também não se encaixam bem na evolução do enredo.

Particularmente, eu achei um grande desperdício ela ter divido a narrativa do livro entre os dois personagens. Primeiro porque isso fez com que os capítulos fossem corridos e todo o “romance” fosse explorado pelas canelas, e segundo porque a autora acabou não explorando os personagens de uma maneira mais profunda, prologando demais o mistério pessoal de cada um para que, de uma hora para a outra, ela jogasse tudo na cara do leitor que nem mãe obrigando a gente a comer jiló, sabe?! Fiquei bastante chateada, Colleen Hoover, esperava mais da senhora.

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02 set, 2017

O Último Adeus, por Abbi Glines

Eu não sei dizer exatamente o que eu estava esperando de O Último Adeus. Abbi Glines é uma autora que vem me sendo muito recomendada há algum tempo e, quando surgiu a oportunidade de conhecer um dos seus livros, eu não pude deixar passar. Porém, assim como outras autoras do gênero, Abbi Glines me apresentou um enredo cheio de clichês e diálogos que não faziam com que a história caminhasse da forma que eu imaginei que caminharia e, quando finalmente cheguei ao final do livro, a sensação que eu tive é que faltou muita coisa dentro de uma história que tinha tudo para ser muito emocionante.

O Último Adeus vai contar a história do River e da Addy, um casal que já possui um passado muito intenso, porém, por circunstâncias da vida, eles acabaram sendo separados um do outro e durante muitos anos, River acreditou que Addy estava morta. O impacto da perda do amor da sua vida foi muito grande, levando River a mudar seu nome para “Capitão” e tentar começar de novo em outro lugar. Quando fica sabendo que Capitão está contratando funcionários para seu novo estabelecimento, Addy resolve que é o momento de se aproximar do seu antigo amor. Disfarçada de Rose, ela quer conhecer o homem que River se tornou antes de deixa-lo voltar para sua vida. O que amos não esperavam era que ficar juntos novamente não seria tão fácil quando eles esperavam.

Em um primeiro momento, eu achei que o enredo de O Último Adeus seria carregado de emoção e de personagens que me envolveriam, porém, talvez por causa das poucas páginas do livro, Abbi Glines acabou não conseguindo entregar tudo o que a sinopse do livro promete. A narrativa do livro é feita em primeira pessoa, alternando o ponto de vista entre Addy e o Capitão e, apesar de conseguirmos ter a voz desses dois personagens, os capítulos curtos e a quantidade de flashbacks desnecessários tiraram um pouco da profundidade que eu queria ter tido dos personagens. Nós conhecemos muito sobre o seu passado, mas quem eles eram no presente ficou bastante vago durante a história.

“Ela era a principal razão da minha vida, para que eu lutasse. Cada batalha que lutei, cada erro que corrigi, foi por ela.”

O enredo é quase uma corrida de fórmula Um de tão corrido. Os capítulos são desorganizados e as cenas mudam de um ponto de vista para o outro nem nenhuma explicação. Acredito que a autora tenha tentando fazer um enredo com um ponto de vista de 360° dos personagens, mas a única coisa que eu vi foram cenas repetidas sendo contadas de um ponto de vista diferente e isso me deixou bastante frustrada com o livro. Eu tenho sérios problemas com autores que fazem ping pong com a mesma cena de um livro, trocando e destrocando o ponto de vista da narrativa a cada três páginas do livro – e Abbi Glines faz isso quase que o tempo todo em O Último Adeus.

Eu achei Addy uma personagem maravilhosa se formos considerar todo o seu background. Depois de tudo o que ela passou, me surpreendeu muito que ela ainda tivesse forças para continuar a viver. A história por trás da personagem era realmente emocionante e cheia de altos e baixos, mas ainda assim, eu senti falta de uma visão do presente. Eu queria muito entender melhor a pessoa que ela se tornou depois de tudo o que ela passou e como ela se sentia agora que estava tentando trazer de volta uma pessoa do passado que teve tanta importância na sua vida. Ela seria uma personagem ainda melhor se a autora tivesse explorado mais a sua personalidade.

“Era óbvio que minha risada havia provocado alguma coisa nele. Seu olhar fixo e a frieza em seus olhos me roubaram qualquer possibilidade de prazer. Aquele olhar podia acabar com a minha capacidade de sorrir.”

Não se enganem quanto ao romance do livro. É um copilado de todos os diálogos e cenas clichês que vocês conseguem imaginar. Eu realmente não gosto do estereótipo de cara pegador que não gosta de se envolver emocionalmente com ninguém, da mesma forma que eu não gosto da personificação da mulher rejeitada que acaba querendo separar o casal principal, que no caso de O Último Adeus, ganhou o nome de Ellen. As cenas de ciúme e insegurança são o cúmulo de aleatórias – acho que isso só foi colocado no enredo para ocupar página, considerando que o plot principal da história já era mais do que suficiente.

Acredito que se não fosse por todo o passado do casal principal, eu realmente não iria me convencer de que eles eram apaixonados um pelo outro. Não sei, acho que por toda a situação que a autora colocou, simplesmente me pareceu um romance forçado e não algo que aconteceria naturalmente caso eles tivessem se conhecido naquele momento. Talvez eu deva atribuir essa sensação ao fato do livro ser muito curto e dos personagens não terem sido tão trabalhados, mas ainda assim, eu acho que a Abbi Glines conseguiria entregar uma química muito melhor do que foi entregue em O Último Adeus.

Eu gostei de fazer a leitura de O Último Adeus, mas não foi nem de longe o que eu estava esperando da minha primeira experiência com Abbi Glines. Eu queria um romance que me envolvesse e que me deixasse presa em cada página do livro, mas ao invés disso eu encontrei uma história morna, com mais do mesmo que eu já havia visto em todos os outros livros do gênero. Espero mesmo que as outras séries da autora sejam mais interessantes do que O Último Adeus.

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16 abr, 2017

New Adult e a exploração do relacionamento abusivo.

Eu poderia fazer uma lista interminável de New Adults que eu li, ou pelo menos sei da existência, onde o personagem principal – também conhecido como o herói da história – além de ter um corpo musculoso, às vezes tatuado, outras vezes não, também é um homem extremamente ciumento, preocupado com o bem-estar da sua amada e, muitas das vezes extremamente controlador. Tenho certeza que algumas dessas características irá fazer você se lembrar de alguma história que leu, talvez até recentemente e, por algum motivo, achou que era exatamente o que você desejaria num relacionamento. Bem, esta publicação veio justamente para desconstruir esse pensamento.

Vou começar citando a minha leitura mais recente, Princesa de Papel, onde o nosso herói Reed, agride a personagem principal e também o seu par romântico na história de todas as formas possíveis. Por algum motivo, em determinado ponto do livro, as agressões se tornam palavras de carinho, e a nossa heroína Ella Harper é promovida de “piranha” para “amor”. Isso também acontece em outros livros, talvez não com a mesma intensidade, mas se pararmos para pensar, em Belo Desastre, o nosso querido Travis Maddox perdia o controle do seu temperamento com muita facilidade se qualquer outro homem se aproximasse de Abby, seu par romântico no livro.

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Faz tempo que eu venho observando em como os new Adults começaram a absorver a ideia de “homem-dominador” que normalmente encontramos nos livros eróticos. Os personagens masculinos são destemperados, entram em brigas pelos menores motivos e tem uma mania insuportável de querer controlar o que, quando e como a suposta heroína do livro vive a sua vida. Você pode observar que a maioria dos enredos possui uma situação em que a “mocinha” do livro precisa ser resgatada e o diálogo sempre caminha para o herói em um monólogo de repreensão sobre a heroína não ter “obedecido” quando ele disse para ela não fazer isso ou aquilo.

Eu sei que muitas pessoas ainda não tomaram consciência disso, mas esse tipo de relacionamento não é saudável.

Quantas de vocês aguentariam estar em um relacionamento com um homem completamente problemático, cheio de demônios para enfrentar e sem nenhum tipo de autocontrole? É exatamente isso que estes enredos nos passam. Personagens masculinos completamente perturbados que encontram na heroína uma paixão avassaladora e a sua forma de redenção.  O problema é que nós sabemos que na vida real, essas características não são tão fáceis de lidar e que um relacionamento com um cara “emocionalmente perturbado” pode resultado em um relacionamento muito tóxico.

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Ultimamente eu tenho me preocupado demais com a publicação de livros que tratam esses relacionamentos abusivos como algo positivo, algo que a longo prazo vai te fazer feliz. Esses enredos fortalecem uma ideia muito errada de que se a mulher persistir naquele relacionamento agressivo, tóxico, tudo vai acabar bem no final, porque só ela é capaz de proporcionar a redenção que seu amado precisa. Vocês conseguem imaginar a quantidade de mulheres que persistem em um relacionamento ruim por causa dessa ilusão? Muitas.

A literatura influencia muito no que buscamos na nossa vida. Quantas vezes vocês já não compartilharam que o Mr. Darcy, de Jane Austen, não aumentou suas expectativas sobre os homens? O mesmo acontece quando você entrega na mão de adolescentes e até mesmo jovens adultos, um livro que retrata um relacionamento obviamente tóxico que teve um final feliz. As pessoas absorvem aquilo e criam dentro de si o desejo de viver exatamente aquilo. E nós sabemos como relacionamentos desse tipo não acabam bem, não é mesmo?

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Eu fico muito preocupada em saber que livros como Princesa de Papel, Belo Desastre, 50 Tons de Cinza, Adorável Cretino,  entre outros, estão por aí romantizando esse tipo de comportamento masculino e fazendo parecer que é certo um cara querer controlar a sua vida com a desculpa de estar te protegendo, ou te chamar de “piranha” e “vadia”, mas tudo isso porque ele está secretamente apaixonado por você. Eu acho que o mercado literário precisa passar por uma avaliação muito série sobre o que é ou não coerente publicar, principalmente porque eles não conseguem medir o impacto que essas histórias podem ter nos seus leitores.

Por fim, eu quero deixar aberta essa discussão sobre essa romantização de personagens masculinos “dominadores”.  O que vocês acham desse tipo de enredo e como você veem esses personagens quando se deparam com esse tipo de literatura?

Créditos: Imagem, Imagem, Imagem

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10 jan, 2017

O Acordo, por Elle Kennedy

Uma das coisas que eu mais gosto em New Adults é que, apesar da maioria dos enredos serem sempre muito parecidos, algumas vezes somos capazes de esbarrar em autores que não tem medo de ousar nas suas histórias e dão vida a personagens com os quais nós realmente conseguimos nos identificar. Foi exatamente isso que aconteceu quando eu li O Acordo, da Elle Kennedy. Uma leitura que eu escolhi mais por curiosidade do que por certeza de que eu iria gostar e, que acabou me conquistando desde a primeira página.

O Acordo é um romance que vai contar a história da Hannah, uma jovem que passou por algumas situações muito difíceis na vida, mas apesar disso, faz o melhor que pode para seguir em frente. Depois de muito tempo sem se envolver com ninguém, Hannah finalmente encontra alguém que lhe interessa, mas apesar de ser muito independente, seus traumas ainda a impedem de tomar certas atitudes.

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Bem, isso até Garrett Graham entrar abruptamente na sua vida.

Garret é o tipo de cara que tem todas as garotas da universidade aos seus pés. A única coisa que ele não consegue é entender a matéria de ética bem o suficiente para garantir uma boa nota para continuar jogando hóquei. Para mudar essa realidade, ele propõe a Hannah – depois de muita insistência – um acordo. Ela o ajuda a conseguir uma nota melhor na matéria e ele vai usar a popularidade dele pra que ela consiga chamar atenção do cara por quem está interessada. Porém, como todo o jogo de interesses, muitas coisas estão em jogo e talvez ambos precisem repensar os termos do acordo.

O Acordo foi um dos melhores livros do gênero que eu li durante 2016. Elle Kennedy tem uma escrita muito inteligente, tomando cuidado para que a história se desenvolvesse de forma envolvente, onde o leitor sempre sentisse vontade de saber o que iria acontecer no próximo capítulo. O enredo se desenvolve num ritmo ótimo, não deixando pontas soltas e nem fazendo com que os acontecimentos sejam rápidos demais para que o leitor se perca. Kennedy soube aproveitar muito bem todos os elementos que inseriu na história, não deixando nenhum ponto do enredo pela metade.

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Uma das coisas que mais me chamou a atenção nesse livro foi ver a autora tratar o enredo da série como um todo. O Acordo é o primeiro livro da série Amores Improváveis e Elle Kennedy não perde tempo para inserir os personagens dos próximos volumes. Logo no começo de O Acordo, nós temos um contato muito interessante com personagens que vamos apenas nos aprofundar em outros volumes, mas que ainda assim, são fundamentais para que possamos nos envolver na trama principal do livro.

Hannah, como personagem principal, foi a minha favorita até então. Ao contrário de muitas heroínas de New Adult, Hannah não é do tipo que se deixa abalar pelos seus traumas, acabando com aquela lenda de que toda a heroína de NA precisa ser “coitadinha” de alguma forma. Gostei muito de ver que Kennedy preferiu desenvolver seu enredo em cima de uma personagem que sofreu muito, mas que não se deu por derrotada. Hannah tem uma personalidade forte e independente que agrega demais ao enredo da autora, deixando a história ainda mais fácil de se apaixonar.

O romance sempre é a parte mais preocupante de um New Adult, principalmente porque eu estou acostumada a pegar livros do gênero que simplesmente me obrigam a aceitar que os personagens principais estão se apaixonando. E O Acordo me surpreendeu bastante nesse aspecto. Eu conseguia sentir que os personagens estavam gostando um do outro antes mesmo que os dois percebessem que estava acontecendo. E foi legal ter essa sensação de que ambos os personagens estavam vivendo e sentindo aquilo, ao invés da informação ter simplesmente imposta a mim pelo autor.

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Claro, O Acordo teve pontos que não foram tão positivos assim, mas nada que tenha abalado a minha experiência de leitura. Os personagens eram completos, cada um em sua forma, explorando suas fraquezas e não deixando de lado o aprendizado dos mesmos ao longo do enredo. Os diálogos foram muito bem construídos, trazendo o humor do livro à tona e deixando a leitura ainda mais gostosa. E, não posso me esquecer de mencionar isso, as cenas de sexo que foram muito agradáveis de ler.

O Acordo é um livro que eu indicaria muito para leitores que não conhecem o gênero New Adult e desejam ter uma boa primeira experiência. Com um enredo leve e um romance que faz a gente suspirar, Elle Kennedy é capaz de conquistar qualquer um com a sua escrita e seus personagens apaixonantes. E se você é um leitor do gênero, tenho certeza que esse livro vai ser uma ótima escolha de próxima leitura.