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Resenhas 14out • 2017

Um Verão Para Recomeçar, por Morgan Matson

Um Verão Para Recomeçar é um livro escrito pela americana Morgan Matson, autora best-seller do The New York Times e vencedora do California State Book Award. Lançado em 2017 pela Novo Conceito, o livro conta história de Taylor, uma jovem adolescente que vai passar as férias na casa do lago da família após seu pai ser diagnosticado com câncer em estado terminal. Taylor é como qualquer outra garota. Tem dificuldade de encarar seus medos e escolhe fugir ao invés de lutar, mas estas férias são diferentes. Taylor encontra no lago Phoenix uma chance de concertar os erros do passado e recomeçar sua vida.

A escrita da Morgan é uma delícia. Os diálogos são ótimos e a autora também tem uma boa ambientação, todos os personagens são bem caracterizados e, apesar de ter um fundo triste, a história consegue ser bem positiva. Quando iniciei a leitura fui sem muitas expectativas, não sou uma leitora assídua de YA, costumo inclusive ter um pé atrás com esses livros. Um Verão Para Recomeçar, no entanto, é diferente. Não possui triângulos amorosos, disputas entre garotas e uma protagonista irritante. Taylor é medrosa e com a péssima mania de fugir nos momentos mais cruciais, a forma com que isso é abordado é humana, me fez lembrar um pouco da minha adolescência, todas as inseguranças e medos da protagonista só serviram para me apegar ainda mais a ela, isso é um ponto alto para o livro.

“Foi somente então, quando cada dia que eu passava com ele era contado, que eu percebi o quanto eles eram preciosos. Milhares de momentos para os quais eu não tinha dado o devido valor — principalmente por achar que teríamos milhares de outros…”

A temática do câncer não é colocada em foco na maior parte da história, ela serve mais como um lembrete de como o tempo passa e as coisas estão mudando. Taylor e a família vão aproveitar as últimas férias junto do pai que tem câncer no fígado, os médicos dão para ele no máximo três meses de vida. A família que não era muito próxima, os filhos que eram mais distantes, tudo isso é posto em prova ao longo do livro.

Uma coisa interessante foi ver o pai de Taylor incentivando os filhos a viverem suas vidas e se divertirem, ele mesmo tentava levar tudo na maior normalidade possível e espantar o clima melancólico que vem com a doença. É com esse incentivo que a protagonista acaba sendo obrigada a lidar com um grande erro do passado, que fez com que perdesse a sua melhor amiga e o seu primeiro namorado. Nesse clima de últimas e primeiras vezes somos levados para uma cidade do interior onde tudo é possível.

O romance cresce de um jeito bem lento e tranqüilo, a maior parte da história gira em torno do amadurecimento de Taylor. É mais importante ela aprender a lidar com seus sentimentos, enfrentar suas incertezas e encarar a morte do que se preocupar com garotos. O relacionamento entre ela e Henry é bom porque ajuda os dois. Através do amor eles descobrem uma maneira de lidar com as dores do presente e do passado.

Lucy, a ex melhor amiga, também é uma ótima personagem. Tinha medo de ela ser só uma antagonista, mas ela se mostrou uma ótima pessoa, deixando de lado muitas coisas para ajudar a antiga amiga. Alguns coadjuvantes são bem divertidos, os irmãos da Taylor, os colegas do trabalho, os vizinhos, todos possuem características marcantes que enriquecem a história. Ler Um Verão Para Recomeçar foi um grande alívio, me deixando sempre com um sorriso no rosto.

Nem tudo são flores, afinal a morte do pai da Taylor é inevitável. Chorei em alguns momentos próximos do final onde a mãe e os irmãos têm que enfrentar esse fato. O pai que entra em uma maratona interminável de viver todas as coisas que nunca viveu em pouco tempo, a mãe que tenta deixar tudo perfeito até o fim, o irmão obcecado com as notas e a faculdade, a irmã obcecada pelo ballet, cada um encontrava uma válvula de escape para não encarar a morte.

Assistir isso se desenvolver ao longo do livro foi bonito, e triste, do início ao fim. Caso você não seja fã de YA igual a mim, ou melhor, seja muito fã do gênero, indico demais esse livro. Vai te distrair como toda boa história de verão. Além disso, o livro tem uma leve referência a Um Conto de Duas Cidades de Charles Dickens, como é um dos meus livros favoritos não pude evitar me alegrar com o mimo. Não é um livro sobre câncer ou sobre tristeza, mas sim como viver ao máximo a sua vida sem arrependimentos, ao final você vai se sentir mais motivado a aproveitar sua vida sem se preocupar muito com as bobagens do dia a dia. Sem sombra de dúvidas, um excelente livro.

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Resenhas 05out • 2017

Branco Como a Neve, por Salla Simukka

Branco Como A Neve foi uma leitura complicada de descrever. Primeiramente porque suspense é um gênero literário que eu ainda não estou completamente familiarizado, segundamente porque, e eu não sei isso vai fazer muito sentido, eu ainda não consegui largar da sensação de que o livro que eu li era só metade de um livro maior. Eu tive a mesma sensação quando li Vermelho como O Sangue, então provavelmente é alguma coisa com o estilo narrativo da autora, mas ainda assim é uma sensação muito esquisita.

Branco Como A Neve continua a história de Lumikki Andersson, uma jovem estudante de uma escola de arte que se vê envolvida com assuntos bem mais complicados do que ela gostaria. Dessa vez, Lumikki está de férias em Praga, se recuperando dos acontecimentos do primeiro livro, quando é abordada por Zelenka, uma misteriosa jovem que diz ser sua irmã. Lumikki, que sabe como a sua família é complicada no que diz respeito a segredos, decide investigar se a afirmação de Zelenka é verdadeira. Mas a aparição de Zelenka acaba levando Lumikki para dentro de um mistério mais perigoso do que ela poderia ter imaginado.

Quem leu Vermelho Como O Sangue sabe que Lumikki é uma personagem um tanto quanto fria e impessoal. Pessoalmente, eu gostei da personalidade antissocial dela, e esse segundo livro até conseguiu introduzir detalhes do passado dela que apresentaram um lado novo da personalidade dela. Mas o problema com esse jeito frio dela é que narração do livro fica um pouco monótona. Ela é tão racional e centrada que a narração contêm quase nenhuma emoção. Eu entendo que isso é parte da personagem, e que quando a emoção acontece, ela é até bastante efetiva, mas no geral a leitura do livro é clínica demais pro meu gosto.

Os outros personagens do livro simplesmente não são importantes o bastante para serem mencionados. O livro passa muito pouco tempo com eles, praticamente só os momentos em que eles interagem com a Lumikki. Zelenka é provavelmente a maior personagem depois de Lumikki e apesar de achar a história dela interessante, o livro não soube apresentar o arco dela de uma forma envolvente. Esse é um dos maiores problemas que eu tive com o livro, o fato de que ele não mostra tanto da história quanto eu gostaria. Em um ponto do livro, a narração explica uma conversa que Lumikki tem com outro personagem, e eu ainda não entendi porque o livro não poderia ter simplesmente nos mostrar a tal conversa

Outro problema que o livro tem, e que também estava presente no primeiro livro da série, é que ele é simplesmente curto demais. A história chega em um momento interessante e você, o leitor, fala “Opa, agora assim a história vai ficar séria!”, mas esse momento vem praticamente no final do livro. Eu falei no começo da resenha que o livro parece ser apenas uma parte de um livro maior, e é exatamente isso que parece. Que alguém editou um livro grande porque não tinha tempo de ler ele inteiro. Apesar de ter alguns elementos muito legais, a história parece incompleta, e acaba rápido demais.

Além disso, além do fato de terem a mesma protagonista, eu não vi quase conexão nenhuma entre o primeiro e o segundo livro. Considerando os acontecimentos do primeiro livro, era de se esperar que eles tivessem algum tipo de impacto emocional na Lumikki, mas não. Ela está basicamente no mesmo lugar emocionalmente e mentalmente que ela estava no primeiro livro. Exceto por ser talvez um pouco mais aberta a se aproximar das pessoas, mas nem mesmo isso é tão aparente.

Se Branco Como A Neve fosse talvez umas 50 e poucas páginas mais longo, e a narração fosse menos focada nos pensamentos de Lumikki e mais nos outros personagens, ele seria uma leitura bem mais marcante. O livro tem bons momentos, principalmente os flashbacks sobre o passado emocional de Lumikki, mas no geral, é uma história esquecível. Eu sei que a série ainda tem mais um volume, Preto Como o Ébano, mas eu não consigo reunir interesse para continuar acompanhando essa trilogia. É realmente uma pena porque eu queria muito gostar dessa história, mas eu simplesmente não consegui.

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Resenhas 12ago • 2017

Mais Do Que Isso, por Patrick Ness

“O impacto é bem atrás da sua orelha esquerda. Fratura o crânio, rachando-o ao meio até o cérebro, a força do impacto também esmagando a terceira e quarta vértebras, danificando a artéria cerebral e a coluna vertebral, um  ferimento sem volta, sem recuperação. Sem chance.”

Meu deus, por onde começar com esse livro? Eu iniciei a leitura de Mais Do Que Isso com expectativas bem altas, porque o Patrick Ness escreveu um dos meus livros favoritos de todos os tempos, Sete Minutos Depois da Meia Noite. Somando isso com a sinopse que não entrega quase nada sobre o plot, e eu fiquei realmente intrigado sobre o que esperar de Mais Do Que Isso. E pra falar a verdade, as expectativas foram mais ou menos atingidas. Mas não vamos colocar a carroça na frente dos bois.

Mais Do Que Isso começa com um garoto se afogando. Após morrer afogado, ele acorda, nu, sozinho e confuso no que parece ser a casa onde cresceu. Mas alguma coisa está certamente errada com a casa, a começar pelo fato de que ela, e toda a cidade onde ela fica, estão completamente desertas. Aos poucos, o garoto (e junto com ele, o leitor) vai juntando os pedaços desse quebra cabeça para descobrir exatamente quem ele é, o que aconteceu com ele e como ele pode (se é que pode) voltar para sua vida normal.

Eu realmente não quero explicar nada sobre o enredo do livro nessa resenha porque um dos pontos mais interessantes dele é que você começa a leitura tão confuso quanto o protagonista, e vai de página em página descobrindo cada vez mais detalhes sobre a história. Se eu falar demais sobre o plot, vou estar estragando a experiencia de quem poderia desembrulhar essa história durante a leitura. Basta dizer que não teve um minuto em que eu me senti desinteressado na história, ela me agarrou mais a cada palavra.

O garoto (que acabamos descobrindo se chamar Seth) é um protagonista bem construído. Já que nós passamos o livro todo dentro de seus pensamentos e memórias, realmente dá a sensação de que Seth é uma pessoa de verdade, com todas as complexidades que um garoto de 16 anos tem. Além de conhecermos a mente de Seth, através das lembranças dele vemos como eram seus amigos e sua família, e os relacionamentos entre eles são todos muito bem representados. As conexões que Seth cria com os personagens que ele conhece ao longo da história também são muito bem construídos, e acrescentam muito para o conteúdo emocional do livro.

“A solidão nessa exaustão contínua, a solidão terrível deste lugar o engole, assim como as ondas na qual se afogara. Ninguém aqui. Ninguém além dele. Ninguém. Para sempre.”

Uma coisa que ficou bem claro pra mim com essa leitura é algo que eu já tinha percebido quando li Sete Minutos Depois da Meia Noite: a melhor qualidade da escrita do Patrick Ness é o jeito que ele utiliza situações e elementos surreais para explorar sentimentos e conflitos muito humanos. Por baixo do mistério de o que realmente aconteceu com ele, Seth revive alguns dos momentos mais difíceis da sua vida, de uma forma em que o leitor consegue se identificar bastante e realmente sentir a dor que ele sente. Além disso, Patrick tem um jeito incrível de virar a história de ponta cabeça, toda vez que eu achava que estava entendo pra onde a história estava caminhando, ele vinha e me surpreendia.

A única coisa que eu ainda não me decidi se gostei ou não é o final. Assim como em Sete Minutos Depois da Meia Noite, Mais Do Que Isso toca em várias questões filosóficas e psicológicas, sobre o sentido da vida, e o que realmente pode ser considerado “vida real”, todas muito interessantes, mas o livro corre o risco de ser um pouco abstrato demais, dependendo da perspectiva do leitor. O final não é tão conclusivo quanto eu gostaria, mas ele se encaixa perfeitamente na faixa de pensamento que o livro vinha passando desde o começo, então não é o que eu chamaria de um final ruim. Só não é exatamente o que eu queria.

Ao mesmo tempo em que Mais Do Que Isso faz exatamente o que eu esperava que fizesse, ele também me deixou sem saber o que pensar, o que provavelmente era a intenção do autor. Uma história bastante emocionante e dilacerante que levanta várias questões interessantes, mas que prefere não entregar as respostar diretamente, e deixa para que o leitor as decifre sozinho. Não seria minha primeira recomendação pra quem quer um livro do Patrick Ness (Sete Minutos Depois da Meia Noite ainda reina supremo), mas é com certeza um livro que eu vou ler novamente.

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Resenhas 23maio • 2017

Angus: O Primeiro Guerreiro, por Orlando Paes Filho

Angus: O Primeiro Guerreiro é um livro de fantasia épica, escrita pelo brasileiro Orlando Paes Filho, e lançado pela Novo Conceito em 2017. O livro, que é o primeiro livro de uma trilogia, segue o personagem Angus MacLachlan, um jovem guerreiro que é treinado desde criança para acompanhar seu pai, um poderoso líder viking, em guerras pela Terra dos Anglos, em um mundo repleto de vingança e honra.

Em um certo momento, um viking chamado Ivar Sem-Ossos convoca o exercito de Seawulf, pai de Angus, para ajudarem a vingar a morte do pai de Ivar, o guerreiro Ragnar. Durante a busca pelo assassino de Ragnar, Seawulf e Ivar se desentendem, o que leva a uma emboscada que resulta em diversas mortes. Angus, porém, consegue escapar com vida.

O destino de Angus muda quando ele encontra um grupo de homens religiosos que cuidam de seus ferimentos e o acolhem como aprendiz. Os ensinamentos dos monges abrem os olhos de Angus para a verdade, e ele percebe que tudo o que aprendeu durante sua vida pode não ser a forma mais correta de se viver.

Angus foi uma leitura bem complicada. Pra começar, eu não sou o maior fã de histórias que envolvem vikings e coisas do tipo. O mais próximo que eu chego desse tipo de história é a série Vikings, e mesmo assim eu só assisti alguns episódios. Mas decidi dar uma chance a Angus, porque o enredo me pareceu interessante. E realmente, o enredo é legal, mas o livro tem alguns problemas.

Em primeiro lugar, a escrita é bem cansativa. Angus sofre de um problema que eu pessoalmente detesto, que é aquela coisa da exposição. Por exemplo, o livro gasta um tempo te falando sobre o relacionamento do Angus com algum personagem, mas não te mostra esse relacionamento acontecer. Ele simplesmente te explica que ele é super conectado com essa pessoa com quem ele teve no máximo um diálogo. Então quando alguma coisa acontece que é pra ser emocionalmente impactante, não é tão forte quanto deveria ser, porque o leitor não acompanhou esse relacionamento.

Outro problema que eu tive é que o enredo em si parece um pouco sem direção. O plot segue o Angus de um ponto ao outro da história, mas ele não dá a impressão de que está caminhando pra nenhum lugar específico. Começa o plot A, acaba o plot A. Aí começa o plot B, acaba o plot B. E por aí vai. Acaba resultando em uma leitura maçante, porque você fica o tempo todo pensando aonde isso vai chegar.

Mas é claro que o livro também tem seus pontos positivos. As cenas de luta e de ação, por exemplo, foram muito legais. Eu não esperava nada menos de um livro sobre vikings, e as minhas expectativas foram super atendidas. Me lembrou bastante aqueles filmes tipo 300, ou a tal série Vikings que eu falei antes. As ilustrações do livro acrescentaram ainda mais.

Outra coisa legal é o aspecto histórico do livro. Pra quem curte história, principalmente focando nesse período dos vikings e tudo mais, deve curtir bastante Angus. Dá pra ver que o autor dedicou bastante tempo a pesquisa porque tem muito detalhe interessante incorporado no livro. As vezes, até um pouco demais, mas mesmo assim, é um ponto legal do livro.

No geral, Angus: O Primeiro Guerreiro foi uma leitura um tanto quanto confusa. O enredo, os aspectos históricos, e as cenas de ação dão a impressão de que existe uma história muito legal ali dentro, mas ela acaba ficando perdida entre a narração cansativa e o plot sem rumo. Realmente não é pra mim, mas pode ser uma boa pros fãs do gênero. Vale apena conferir também o ebook Angus – Origens: A origem do clã de Anglus Maclachan que a Novo Conceito disponibilizou de graça.

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Resenhas 26abr • 2017

Caraval, por Stephanie Garber

Caraval está chegando ao Brasil pela Editora Novo Conceito, e depois de passar meses namorando esse livro no Tumblr, nós recebemos um convite da editora  para fazer uma leitura prévia do livro antes do lançamento, que está previsto para junho deste ano, e contar para vocês o que nós, do La Oliphant, achamos dessa leitura tão esperada. E o que eu posso dizer? Caraval é um livro que definitivamente vai surpreender muitos leitores.

Caraval conta a história da Scarllet, uma garota sonhadora e muito apegada a sua irmã Donatella. O seu sonho é conhecer Caraval, que seria mais ou menos como um circo, chegando a enviar diversas cartas por diversos anos, até se tornar adulta, pedindo que ele viesse a sua cidade. Agora crescida, e noiva, Scarllet finalmente recebe o convite tão esperado para conhecer Caraval, e desobedecendo as ordens de seu pai de não deixar a ilha, Scarllet parte ao encontro da Lenda e sua Trupe. O problema é que Caraval não é o que ela imaginava e Scarllet acaba correndo o risco de perder muito mais do que imagina.

Quando se trata de escrita, Stephanie Garber é apenas elogios – sério, parece que eu tava vivendo tudo na pele. A autora constrói o enredo de forma majestosa, dando ao leitor tudo o que ele precisa para se sentir exatamente dentro daquele universo – pelo menos foi o que aconteceu comigo. A sensação que eu tive era de estar vivendo toda a mesma maravilha que vivi quando li O Circo da Noite – um dos meus livros favoritos, e acredito que se você é fã desse livro, Caraval vai ser outro amor eterno na sua estante.

Eu gostei muito que a autora conseguiu criar a atmosfera mágica do livro no mesmo nível que conseguiu manter a tensão da história. Caraval não é algo simples, é perigoso e por isso você acaba se envolvendo cada vez mais com os personagens por pura curiosidade e angústia do que virá a seguir.  A parte mágica do livro não deixa a desejar, então se você gosta muito de uma boa fantasia, acredito que o universo criado irá te encantar. Eu, particularmente, sempre tenho receio do autor não entregar a magia da forma que eu espero e Stephanie fez isso muito bem em Caraval.

Meu único incomodo com o enredo foi o desenvolvimento da história que, em alguns pontos do livro pareceram se arrastar, como se a história estivesse parada mesmo que eu soubesse que não estava. O problema principal é que o enredo exagera muito mentiras espalhadas pelo quebra cabeça que é o universo de Caraval.  Em vários pontos do livro eu me sentia perdida porque não dava para ter certeza se nenhuma das informações estavam certas, e isso me deixou bastante confusa – sabe aquela sensação de nada é o que parece, só que o tempo todo? Então.

Scarllet foi uma personagem que durante o começo do livro eu tive um certo receio em me apegar, principalmente porque em boa parte do livro eu achei ela um pouco “chorona” demais. Confesso que até boa parte do livro, ela ainda não tinha me ganhado, mas eu tenho que admitir que o crescimento dela ao longo do livro a tenha feito ganhar meu carinho, mesmo que ainda não seja a minha personagem favorita do livro, eu não vou me surpreender nem um pouco se muitos leitores caírem de amores pela personagem.

Eu queria muito que a Stephanie Garber tivesse desenvolvido um pouco mais do livro, aprofundado mais em alguns pontos e nos contado mais sobre o universo em que a Scarllet vive, infelizmente, acho que esse foi um pouco que o livro pecou bastante. Como teremos um segundo livro, ainda sem título, existe a chance da autora corrigir esse erro e nos dar um pouco mais desse mundo tão maravilhoso. Fora esses pequenos detalhes, a leitura não deixa nem um pouco a desejar no final.

Caraval foi uma leitura gostosa, que me deu aquilo que eu estava precisando e deixou o seu gostinho de quero mais. Me surpreendeu nos pontos em que eu achei que fosse me desagradar e deixou um pouco a desejar nos pontos em que eu achei que iriam ser ótimos, ainda assim, se você for um leitor que gosta de YA, tenho certeza que essa vai ser uma leitura maravilhosa.

Créditos de Imagem: Imagem, Imagem, Imagem

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Resenhas 03mar • 2017

Desintegrados, por Neal Shusterman

Desintegrados é o segundo livro da série Fragmentados, que vem sendo publicada no Brasil pela Editora Novo Conceito desde 2015. A série se passa num futuro em que os conflitos em relação aos direitos reprodutivos escalaram a ponto de ser tornarem uma verdadeira guerra.

Afim de pôr um fim a esse conflito, o governo aprova uma lei que determina que a vida é intocável a partir da concepção até o momento em que a criança atinge 13 anos de idade. Dos 13 aos 18 anos, os pais têm o direito de enviarem a criança para ser “fragmentada”, ou seja, desmembrada por procedimentos cirúrgicos e ter seus órgãos disponíveis para transplantes.

Os protagonistas do livro são 3 jovens que são enviados para a fragmentação. Connor, um jovem problemático que foge de casa para escapar da fragmentação; Risa, uma pianista prodígio que vive sobre a tutela do Estado que é mandada para um dos campos de fragmentação graças a um corte no orçamento; E Lev, cuja família faz parte de uma religião em que o costume é oferecer o décimo filho para a fragmentação como uma espécie de dizimo para Deus.

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Os caminhos de Connor, Risa e Lev se cruzam em um momento caótico em uma estrada, e os três se tornam fugitivos. Agora, o caminho que precisam cruzar para conquistarem o direito de viverem vai ser bem mais complicado do que qualquer um deles jamais imaginou.

A descrição aqui em cima é mais focada no primeiro livro da série, pra evitar spoilers e tal, mas essa resenha é sobre o segundo livro. Então caso não queria saber nada sobre a série antes de ler Fragmentados, eu sugiro ler o livro antes da resenha, ok? Vocês só precisam saber que Desintegrados foi uma leitura que me impactou muito e superou muito as expectativas que eu tinha sobre essa série.

Fragmentados é um daqueles livros que a gente vê nas livrarias ou nos sites, e sempre pensa que parece ser legal, mas não chega a comprar, por algum motivo qualquer. Eu até comentei com a Débora que eu fiquei surpreso quando soube que Fragmentados foi lançado em 2015, porque jurava que tinha visto o livro muito antes disso. Mas finalmente peguei pra ler, e olha, devia ter lido muito antes.

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A série mostra muito bem como um sistema terrível se estabelece quando a população simplesmente não se manifesta. O conceito geral do livro pode parecer um pouco viajado, e é mesmo, mas o autor sabe explorar o universo que ele criou de uma forma que a ideia não parece tão absurda. E ele consegue trabalhar a ideia da fragmentação maravilhosamente, e mostra a fragmentação como um fenômeno cultural complexo, explorando tanto o lado moral, quanto o religioso e até o econômico de um processo desse tipo.

Os personagens são muito bem construídos, todos os 3 protagonistas são introduzidos de uma forma que estabelece bem a jornada que cada um deles vai passar. Tanto Connor, quanto Risa e Lev sofrem uma transformação incrível ao longo dos livros e é muito bem ver o quanto eles crescem e evoluem com os acontecimentos da história. Até os personagens secundários, por exemplo Hayden, Roland, e no segundo livro, Cam, são bem escritos pra caramba, e acrescentam muito para a história.

Um dos pontos mais legais do livro é como ele liga pontos diferentes da história. O autor introduz detalhes no começo do primeiro livro que acabam sendo significantes só no final do segundo. Isso não só força o leitor a prestar ainda mais atenção do que o normal na história, mas também lembra a gente de que nessa história, todas as ações têm consequências.

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Mas o maior elogio que eu posso dar para esse livro é que ele trata de um assunto complicado sem simplificar ele demais. O autor apresenta os diversos pontos de vista sobre a fragmentação (e consequentemente sobre o aborto) sem parecer que ele está forçando as próprias opiniões no leitor. Além disso, ele mostra o que acontece quando deixamos nossas opiniões sobre esse tipo de discussão sair do controle. É um tipo de nuance que eu não vejo sempre em literatura distópica YA.

Porque eu demorei tanto para ler Desintegrados, e a série Fragmentados como um todo, eu não sei. Só sei que superou toda e qualquer expectativa que eu tinha e que eu já estou aguardando o próximo livro (Novo Conceito, por favor, não espera dois anos pra lançar o próximo livro não, tá?)

Já leram a série Fragmentados? Conta pra gente nos comentários!

Não conhece a série? Leia a resenha de Fragmentados.

Resenhas 28fev • 2017

Darkmouth – Os Caçadores de Lendas, por Shane Hegarty

Darkmouth – Os Caçadores de Lendas é uma fantasia infanto juvenil, escrita pelo autor irlandês e lançado pela Novo Conceito em 2017. No livro, existem cidades onde o limite entre o nosso mundo e o mundo dos monstros (ou Lendas, como são chamados) é mais fraco. Para proteger essas cidades, e o resto do mundo, dessas lendas, existem os Caçadores de Lendas, guerreiros que passam esse dever para seus descendentes.

Na maioria dessas cidades, as Lendas já estão extintas, e os Caçadores de Lendas estão todos aposentados. Infelizmente, na pequena cidade de Darkmouth, as Lendas continuam sendo um problema constante. E nessa cidadezinha que mora Finn, o único filho do único Caçador de Lendas que ainda existe. Quando chegar ao Finn de seu treinamento, Finn irá assumir o cargo de seu pai, e passara o resto de sua vida protegendo Darkmouth das Lendas.

O único problema é que Finn não é exatamente muito habilidoso no que se trata de caçar Lendas. Na verdade, ele é bem ruim nisso. E como nada é tão ruim que não pode piorar, o líder das Lendas está planejando uma invasão. E numa coincidência incrivelmente infeliz, essa invasão vai acontecer em Darkmouth.

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Eu entrei na leitura de Darkmouth com poucas especificativas. Eu nunca tinha ouvido falar da série antes da Novo Conceito anunciar o lançamento, então eu não esperava mais do que uma história de fantasia divertida. E eu acabei recebendo isso e muito mais. Darkmouth me surpreendeu bastante. Desde Percy Jackson eu não tinha lido um livro que soube balancear tão bem ação, humor e até drama.

A narração do Shane Hegarty é uma das melhoras coisas do livro. Ele tem um jeito muito habilidoso de contar a história, e consegue passar muito bem o clima que ele quer na história. As partes mais leves são divertidas, as cenas de ação são cheias de adrenalina, e os momentos mais dramáticos são carregados de tensão. Eu não queria que o livro acabasse, de tão agradável que é a escrita dele.

Outro ponto legal do livro é a atmosfera em geral dele. Darkmouth lembra aquelas cidades pequenas em que acontecem coisas extraordinárias em filmes de aventura, aqueles que passam na Sessão da Tarde, sabe? Eu gosto bastante desse estilo de livro de fantasia, centrado em cidades pequenas e em monstros que vivem entre os humanos, bem mais do que aqueles cheios de dragões e lutas de espadas.

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O protagonista do livro, Finn, é um personagem super legal, e o relacionamento dele com o pai Hugo é o principal foco de conflito na história. Em primeiro lugar, porque Finn não leva jeito pra esse negócio de caçar Lendas, e em segundo lugar, porque ele tem que viver na sombra do pai, que é simplesmente um Caçador de Lendas incrível. Alem disso, eles são pessoas bem diferentes e esse contraste entre eles resulta em algumas discussões dramáticas entre eles, e em algumas das melhores cenas do livro.

Os outros personagens do livro são bem legais também. Emmie, amiga de Finn é bem fofa e eles tem umas interações bem legais. Até os personagens menores como o chefe de polícia de Darkmouth é tão bem escrito que fazem um impacto legal na leitura. Eu gostaria de ter visto mais de alguns outros, como a mãe de Finn por exemplo, mas isso não foi o suficiente pra me desanimar da leitura.

O único problema do livro foi o plot twist que eu achei meio previsível. Talvez porque seja um livro voltado para um público mais jovem, até mesmo infantil, a história tenha seguido uma fórmula meio previsível. Infelizmente, eu acabei adivinhando o que ia acontecer até um certo ponto. Mas, passando desse ponto na história, o andar do plot me surpreendeu de uma forma bem positiva.

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Darkmouth foi o meu tipo de leitura favorita. Aquela que não promete ser o melhor livro que você já leu na vida, mas te surpreende de entregando uma história agradável, bem escrita, com personagens humanos, uma narração divertida, e momentos emocionantes. Eu espero de verdade que essa série faça o maior sucesso possível, porque vai com certeza entrar pra minha lista de leituras favoritas do ano.

E vocês, se interessaram por Darkmouth? Conta pra gente nos comentários!

Lançamentos Notícias 18fev • 2017

“Angus: Origens” está disponível para download na Amazon

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A Editora Novo Conceito disponibilizou, recentemente, o eBook  Angus Origens.  livro antecede um dos nossos lançamentos de março: Angus – O primeiro guerreiro. Foram distribuídos 10 mil exemplares de Angus Origens na Comic Con 2016, e não teremos mais reimpressão do mesmo.

O Angus já foi lançado em 30 países e ficou na lista de mais vendidos em países como China, Rússia, Taiwan, Austrália, Grécia, Espanha, Hungria e outros países da América Latina. E possuí até Card Game.

E tem mais um detalhe: O download do eBook é gratuito!

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Sinopse
Conheça a aventura épica que conta a origem do clã de Angus MacLachlam!
Uma terrível batalha entre Bretanha e Irlanda. Um conflito entre duas religiões: a pagã do deus Cernunnos da Irlanda, e o Cristianismo, da Pictávia e da Escócia.
Neste obscuro cenário, uma espada sagrada é entregue nas mãos de um grande guerreiro: Oengus MacLachlam. Ele e seus ancestrais enfrentarão a mais devastadora invasão que tentará destruir a Cristandade e na Bretanha.
O futuro de grandes reis está em perigo, assim como o futuro de toda a Cristandade.

FAÇA O DOWNLOAD DO E-BOOK CLICANDO AQUI

Resenhas 13nov • 2016

As Letras do Amor, por Paula Ottoni

Antes de iniciar a resenha, de fato, preciso dizer uma coisa: eita. Dito isso, continuemos com a programação normal, e essa vai ser grandinha, já aviso.

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a.mor

  1. Sentimento que impele as pessoas para o que se lhes afigura belo, digno ou grandioso. 2. Afeição, grande amizade, ligação espiritual. 3. O tempo em que se ama.

roma

ro.ma

  1. Uma das cidades mais românticas do mundo. 2. Palavra cuja inversão de letras é amor. 3. Onde ambos os significados se misturam numa louca experiência intensa.

As Letras do Amor foi lançado esse ano pela Novo Conceito e é obra da Paula Ottoni – que tem outros livros publicados de forma independente, para quem tiver interesse. Em As Letras do Amor conhecemos Bianca, Miguel e Enzo e temos a oportunidade de checar de perto a saga da personagem principal na intensa decisão que precisa tomar: tentar salvar seu relacionamento de um ano com Miguel ou se permitir viver com Enzo um amor que promete acender sua vida, como tecnicamente já o faz mesmo sem permissão?

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A história começa a ser narrada ainda no Brasil, quando Bianca decide ir morar com seu namorado na Itália, abandonando seu curso de graduação que não é bem o que ela quer fazer, seus pais que só brigam e estão ao pé de um divórcio, seus dois irmãos mais novos que não a deixam em paz e sua melhor amiga Mari – que chama mais atenção dos garotos do que a própria Bianca-, menina linda e de bom coração. A coisa que poderia impedir Bianca de seguir Miguel nessa viagem é o medo de uma vida de casal cheia de responsabilidades na qual que o papel de esposa lhe caiba.

Esse medo de Bianca é confirmado quando, já na Itália ela nota que Miguel, que foi aprender a cuidar de negócios com o intuito de cuidar dos negócios de família quando voltassem ao Brasil, apenas vive para os negócios e para baladas e não lhe dá atenção. Por outro lado, temos Enzo, melhor amigo de Miguel, que cede seu apartamento para que o casal de amigos dividam com ele até que voltem ao Brasil. Enzo é o extremo oposto de Miguel, atencioso e preocupado, não enche a cara, volta cedo das baladas e gosta de coisas em comum com Bianca. Já sabemos o que acontece? Indecisão: o sentimento entre ele e a menina surge e aí…pano pra manga.

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Tentar enxergar uma faísca e se esforçar para transformá-la em fogo ou mergulhar um incêndio inteiro? Basicamente, essa é a sensação que tive das duas opções de Bianca. Obviamente achei Miguel um idiota e eu quis, muitas vezes, bater na Bianca. Inclusive, eu quis bater nela quando ela começou a jogar Mari para cima de Enzo e continuou mesmo sabendo que estava começando a se arrepender. Enfim, Bianca é vacilou várias vezes, na minha opinião.

Bônus? Cada início de capítulo possuía duas indicações de músicas para serem escutadas durante a leitura, então dá para montar uma playlist legal. Outro bônus: a autora parece saber ambientar bem a história na Itália, mas depois eu descobri que a Paula, de herança italiana não tem só o sobrenome: ela também tem cidadania e já morou lá! O livro conta com muito conflito, muito romance e cenários de encher os olhos de qualquer apaixonado por viagens ou pela própria Itália.

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A partir da metade a história me pareceu andar mais rápido, ainda que com as descrições detalhadas de Bianca. Até entendo: a história tem sua narração em primeira pessoa, muitos conflitos e estes condizem com a idade e com o momento da vida da personagem, mas acredito que alguns trechos, por exemplo, ficaram…demais. Excessivos. Exemplo disso foi a questão da honestidade de Miguel (não vou especificar para evitar spoilers, então acho que honestidade resume bem), que quanto mais se esticava pelo livro, mais impaciente eu ficava por falta de dados concretos e que ao fim, nem surpresa e nem aliviada eu fiquei: apenas senti indiferença. O desfecho da história também não me foi tão surpreendente assim, mas gostei da observação da personagem sobre ter sido não apenas um romance, mas também uma história de amor-próprio.

No geral, eu diria que a leitura no todo foi massante. Não nego que aproveitei as partes boas: em alguns capítulos, até mesmo em capítulos seguidos, eu não conseguia parar a leitura e a curiosidade me arrebatava. Em outros, entretanto, não conseguia não deixar o livro de lado e buscar outra atividade, ou até me forçava a ler na esperança de que a continuação fosse melhor. Essa inconsistência do livro fez com que minha leitura demorasse muito. Muito mesmo. Levei semanas – e não culpo a faculdade ou outros afazeres, apenas pausei a leitura diversas vezes. Quando me aproximei do fim, comemorei um pouco. Fico feliz de ter conseguido ler mais um nacional, apesar deste não ter me agradado tanto quanto eu esperei que fosse, mas é a vida, não? A própria Bianca me mostrou que as coisas funcionam assim.

 

Resenhas 17set • 2016

O Ano Em Que Te Conheci, por Cecelia Ahren

Eu desenvolvi um apego com os enredos de Cecelia Ahren desde que ela me conquistou com seu livro, A Lista. Porém, assim como todos os autores que eu conheço, não são todos os livros que eu vou ler e que vão se tornar o meu mais novo amor literário. E foi exatamente o que aconteceu em O Ano Em Que Te Conheci, lançado pela Novo Conceito este ano. Apesar de uma sinopse com muito potencial, o livro se perdeu ao longo da narrativa, e eu vou explicar para vocês porquê.

O Ano Em Que Te Conheci é um romance narrado durante as quatro estações do ano, começando com o inverno. Neste enredo conhecemos Jasmine, uma mulher cuja vida gira em torno do seu trabalho que, de uma hora pra outra, se vê desempregada e presa há uma licença de 12 meses – que significa que ela não pode ser contratada por outra empresa até que o prazo acabe. Assim, a sua vida é tomada por um grande tédio, fazendo com que as atenções de Jasmine se voltem para o seu vizinho, Matt, que aparentemente está enfrentando os mesmos problemas. Com seu programa na rádio sofrendo problemas e a sua relação com a família em estado de calamidade porque ele vive chegando bêbado em casa, Matt se encontra mais perdido do que Jasmine. E o que era para ser apenas uma espiada pela janela, acaba se tornando em uma grande jornada para ambos.

Ano em que Te Conheci

Um enredo de potencial incrível, vocês não acham? Pena que a autora não conseguiu entregar tudo o que prometeu na contracapa. Primeiro, o livro é narrado apenas do ponto de vista de Jasmine e, por isso, só conseguimos ver a história a partir da personagem, não tendo chance de aprofundar nos personagens secundários da trama. Jasmine também é uma personagem que pensa muito, e como estamos sempre na cabeça dela, acabamos presos em seus monólogos intermináveis sobre sua família, seu emprego, seu jardim. Isso me deixou completamente entediada com o livro.

O desenvolvimento do enredo foi uma decepção. Apesar de eu conseguir perceber a passagem de tempo na história, eu não sentia que a narrativa estava desenvolvendo, muito menos os seus personagens. A história inteira parecia girar em torno dos conflitos internos de Jasmine e a sua obsessão disfarçada de ódio por Matt. Isso me desanimou um pouco com a leitura, tanto que demorei mais de três dias para conseguir finalmente terminar o livro.

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O relacionamento que eu esperava ver acontecendo entre Jasmine e Matt nunca aconteceu, os personagens secundários nunca foram propriamente apresentados ou tiveram grande influência no enredo. Em algum momento, sinto que a autor não sabia mais para onde levar a história, ou não conseguia criar um gancho para que o enredo tivesse o seu ponto chave. Digo, eu não posso dizer que o que Jasmine e Matt tiveram era realmente uma amizade, quando em mais de 200 páginas, a personagem só sabia listar as coisas que ela não gostava nele.

O papel de Matt no livro, e até mesmo de outros personagens, é um borrão para mim. Como o livro foi narrado em primeira pessoa e não teve narrativa alternada, o personagem não foi muito bem apresentado dentro do enredo, e conseguimos saber dele apenas o que Jasmine queria nos mostrar e alguns poucos diálogos inseridos no meio dos monólogos intermináveis da personagem principal. Achei que foi um personagem desperdiçado considerando que ele tinha uma história interessante, conflitante e com potencial para agregar muito ao enredo.

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Infelizmente Cecelia Ahren perdeu muitos pontos comigo em O Ano Em Que Te Conheci. A escolha da narrativa em primeira pessoa não foi muito feliz, e a forma como o enredo se desenvolveu ao longo dos capítulos não compensou em nada a falta de destaque dos personagens secundários do livro. O Ano Em Que Te Conheci foi enredo que deixou diversos buracos na história, faltaram personagens, um clímax para a trama e desenvolvimento para os personagens – coisa que eu sempre julguei ser o forte dessa autora.

Acredito que, se você é um leitor que gosta de romances ou está apenas em busca de uma leitura para se distrair, talvez O Ano Em Que Te Conheci seja um bom livro para se colocar na estante. No meu caso, senti que Cecelia Ahren deixou muito a desejar, podendo ter explorado o livro de formas diferentes, com outra escolha de narrativa e um foco maior nos outros personagens do livro. Espero que os próximos lançamentos  da autora compensem as falhas desse romance.

Resenhas 24fev • 2016

Esperando por Doggo, por Mark B. Mills

Esperando por Doggo é o resultado da mistura de um pouco de drama, bastante humor e um tantinho assim de romance – não necessariamente amorzinho entre pessoas. Essa mistura foi criada por Mark B. Mills, um autor e roteirista britânico e que foi, aqui no Brasil, publicado pela Novo Conceito em 2015, com tradução feita pela Ana Paula Corradini. Vale citar que o nome original da obra é Waiting for Doggo, pois passei a prestar atenção nas traduções de títulos e o quão fiéis as mesmas tem sido.

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Temos um relacionamento, daqueles cujo casal tem até bichinho de estimação – no caso, um cachorro, Doggo. O relacionamento termina a moça vai embora com todas as suas malas e o que lhe pertence por direito: uns  livros, CDs, uma saladeira e até o processador de alimentos. A moça é Clara, e o cachorro é Doggo. Clara, a salvadora de Doggo (aquele cachorro pequenininho e feio, que foi deixado no abrigo num dia e adotado uma semana depois por pena), decide sumir sem deixar rastros, mas não pode levar o bichinho com ela. Em sua carta de despedida para Daniel, faz o seguinte pedido:

“Caro Daniel

Eu estou indo embora, indo embora

para bem longe. Não posso contar para onde.

Leve o Doggo de volta para o abrigo. Algo me diz que você vai conseguir esse emprego e você não pode deixá-lo trancado no apartamento o dia todo. Não seria justo com ele, e vocês também não se dão muito bem. Ele está aí agora, observando você com aqueles olhos esquisitos?

Eu juro que ele olhou para mim com um tipo de desprezo quando eu fazia a mala, como se soubesse o que eu estava fazendo. É claro que ele não sabia, ele é apenas um cachorro, um cachorro pequenininho e feio.

A partir daí, lidamos com a curiosidade de saber pra onde Clara se mandou, por que ela se mandou e como é que Daniel vai fazer pra se livrar de Doggo. Ou melhor, pra se dar bem com Doggo, já que ele acaba desistindo de devolver o cão ao abrigo no momento em que descobre a “maldade” que fariam com o animal! Dentre diversas situações, algumas bem engraçadas, personagens diversos (alguns que a vontade foi de matar, preciso dizer) e um enredo super bem produzido, Esperando Doggo é um livro daqueles que, literalmente, só lendo pra saber como a experiência é boa.

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É um texto leve, de leitura bem rápida – posso chamar de leitura aperitiva: você lê rápidinho e logo quer devorar mais umas palavras. Talvez isso se dê pelo fato de que o autor é também roteirista, como já citado, e a dinâmica das cenas lembre muito a “rapidez” e fluidez com que as coisas ocorrem nos programas de tevê e filmes. Mark B. Mills não se prende a tantas descrições das cenas, por exemplo; ele foca no que é necessário. Por isso, o livro de 224 páginas – que possuí texto da história, mesmo!- até a última delas, não parece ter isso tudo, muito pelo contrário. A capa é outra coisa que já apresenta o livro, cumprindo sua função, sem precisar de quem o faça por ela: as cores, fontes, a identidade visual no geral chama atenção de forma quase que minimalista, porém efetiva. Observação: aquele Doggo na capa, o que é aquilo, minha deusa? Morro de fofura.

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Nesses 27 capítulos nos quais a história se divide, percebemos que Doggo é um cão adorável. O coitado, que nem nome definitivo possuía, acaba conquistando a todos independentemente de sua aparência. Sao 27 capítulos sobre amizade, sobre amor, sobre como essas coisas podem mudar pessoas ao redor e como elas importam. Linguagem coloquial, simples, apesar de diálogos pouco desenvolvidos – taí um contra pra “coisa de roteirista”, já que nem tudo o que funciona em uma mídia, funciona na outra.

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No geral, gostei sim de Esperando por Doggo e apesar de estar esperando por Doggo, não estava esperando o tanto de amorzinho que foi a leitura. Bang! Troféu trocadilho desnecessário 2016 vai para…Enfim, gostei da leitura, foi rápida e ela me salvou durante o nervosismo de uma entrevista de emprego. Pra você ver como a leitura foi rápida e fluida. Recomendo pra quem tá no intervalo de uma leitura e outra, pra quem busca algo leve, pra quem gosta de cães, pra quem quer algo pra ler ou pra quem só quer uma recomendação, mesmo. Aguardo a opinião de vocês sobre esse amor de livro, boa leitura!

 

 

Resenhas 18jan • 2016

Todos Os Nossos Ontens, por Cristin Terrill

Todos Os Nossos Ontens é um livro de ficção escrito pela norte americana Cristin Terrill, e publicado, aqui no Brasil, pela editora Novo Conceito, em 2015. O livro conta a história de Em, uma prisioneira de um governo totalitário que precisa viajar 4 anos de volta ao passado para impedir a sequencia de eventos que resulta na situação horrorosa em que ela se encontra.

O livro de estreia de Cristin Terrill foi bastante surpreendente. Como bom nerd que sou, o fato de ser um livro sobre viagem no tempo já me chamou atenção. Somando o elemento distópico e o clima de mistério, esse livro parecia feito pra mim. E, realmente, eu gostei muito desse livro. Foi o primeiro livro que eu li esse ano, e eu não podia ter pedido uma forma melhor de começar as leituras de 2016.

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O livro é narrado em primeira pessoa, alternando entre os pontos de vista de Em, e de Marina, uma jovem que tem um papel importante na missão de Em. Confesso que no começo, essa forma de narrar a história me cansou um pouco, já que os ambientes em que as duas personagens se encontram são tão diferentes que ficou um pouco difícil de conciliar.

Mas não demorou nada para o enredo encontrar o seu ritmo, e depois de um ou dois capítulos, os pontos de vistas das suas contribuíram muito para o desenrolar da história. Foi muito interessante ver ao mesmo tempo as circunstancias que levam a criação de um novo governo, e observar a ditadura que ele se torna. Eu só queria que a autora passasse um pouco mais de tempo explorando certos detalhes desse governo, mas entendo que o foco estava na questão de viagem no tempo, e não na distopia.

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Todos os personagens são bem escritos e bem desenvolvidos. Em e Marina são protagonistas bastante competentes, e ambas passam por jornadas difíceis ao longo do livro. Eu não posso contar muito sobre a conexão delas porque não quero estragar a história pra ninguém, mas eu adorei as duas. Infelizmente, eu não posso entrar em detalhes sobre os outros personagens porque, como eu já disse, spoilers. Mas vou tentar ser o mais vago possível.

James e Finn, amigos de Marina, são divertidos e trazem um alívio cômico pra história, mas aos poucos o livro vai revelando um lado mais sério e sombrio dos dois. O colega prisioneiro de Em, cujo nome não posso revelar, é um ótimo personagem de apoio para a história dela, e o antagonista do livro, chamado apenas de Doutor, é assustador e complexo na medida certa. Nota 10 pra todos eles.

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Por fim, eu não podia ter escolhido um livro melhor pra começar 2016. Uma ótima história, narração envolvente e cheia de adrenalina, elementos de ficção científica e distopia, personagens ótimos, etc. Fora alguns probleminhas aqui e ali, esse livro ganha meu selo de aprovação.

Se você é fã de ficção científica, ou se simplesmente gosta de uma trama repleta de ação e aventura, não deixe de conferir Todos os Nossos Ontens. Garanto que você vai gostar desse livro tanto quanto eu.

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