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Resenhas 14jun • 2017

O Ceifador, por Neal Shusterman

O Ceifador é um romance de ficção científica YA, e é o novo lançamento do autor Neal Shusterman, que escreveu também a série Fragmentados. O livro, lançado pela Seguinte em 2017, se passa em um futuro em que a ciência evoluiu a um ponto em que as doenças, as guerras, a fome, a miséria, e até mesmo a morte são coisas do passado. Para garantir o controle da população em um mundo pós-morte, existem os ceifadores, pessoas que tem o papel de determinar quem deve ser “coletado”.

Citra e Rowan são dois adolescentes selecionados para serem aprendizes do respeitado Ceifador Faraway. Apesar de não quererem ser ceifadores, os dois sabem que isso garantiriam imunidade de coleta para suas famílias. Os dois precisam então dominarem a “arte” de matar, enquanto tomam cuidado de não se aproximarem demais um do outro. Mas eles ainda vão descobrir que o mundo dos ceifadores é bem mais obscuro do que parece.

Eu entrei nessa leitura com algumas expectativas, afinal eu gostei bastante do último livro que eu li do Neal Shusterman. É sempre complicado pegar o novo livro de um autor que você gosta, porque você já começa a leitura esperando o mesmo nível de qualidade dos outros livros dele. Então apesar de estar bem animado pela sinopse do livro, eu estava um pouco apreensivo sobre o livro.

Apesar das minhas expectativas, eu curti bastante O Ceifador. O Neal Shusterman continua sendo um dos autores que eu mais gosto de ler, principalmente por causa da escrita dele. Ela é muito boa de ler, e o ritmo dos livros dele são sempre muito ágeis, a gente lê umas 100 páginas sem nem perceber. A narração dos dois protagonistas é distinta o bastante para que os dois tenham vozes bem definidas, e ambos são fáceis de o leitor se identificar.

Citra e Rowan são personagens distintos, com personagens e motivações diferentes, mas com o mesmo objetivo e as interações dos dois são alguns dos momentos mais legais do livro. A química entre eles é ótima, e eu realmente estava torcendo pros dois durante o livro. Sem querer dar spoilers, a backstory de cada um acrescenta várias camadas a caracterização deles, principalmente Citra, e explica muito bem o porque de eles estarem no treinamento para se tornarem ceifadores, apesar de nenhum dos dois realmente quererem esse papel.

O único problema que eu tive com o livro foi o mundo dele. Apesar do autor tentar, o futuro que ele criou no livro simplesmente é perfeito demais. Um mundo sem guerra, sem pobreza, sem fome, sem morte. Parece utópico demais, então o conflito que o livro precisa criar pra ser uma distopia parece que é jogado de qualquer jeito. E isso acontece em alguns momentos da história também. Quando as coisas começam a se acertar, o plot vai e joga um elemento só pra deixar as coisas mais complicadas.

Outra coisa que eu gostaria de ter visto mais no livro é uma explicação de como exatamente a ciência chegou a essa tecnologia que evita a própria morte. Eu sei que é meio tenso o autor explicar uma tecnologia que não existe de verdade, mas seria muito interessante ver como exatamente nós chegamos a um mundo sem governo e sem guerras. Imagino que o autor esteja guardando isso para um futuro livro, mas teria sido legal ver um pouco disso em O Ceifador.

O Ceifador, na minha opinião, não é tão bom quanto Fragmentados, mas é uma leitura que vale a pena. A escrita do Neal Shusterman, os personagens, e a questões que o livro levanta são todos pontos positivos, apesar do mundo pouco explorado e do enredo um pouco bagunçado. Eu com certeza vou ler o segundo livro da série quando ele for lançado, e espero que ele explore um pouco mais do mundo do livro, principalmente como foi que a humanidade chegou a esse mundo pós-morte.

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