Posts arquivados em Tag: Os Bridgertons

14 fev, 2016

Um Beijo Inesquecível, por Julia Quinn

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O que eu mais gosto nas escritoras modernas de romances de época é essa facilidade de criar personagens femininas que expressam bem o que a sociedade da época precisava conhecer.

Mulheres de opinião, personalidades marcantes e sinceridade sem filtros, é tudo o que você encontra nesse novo romance de Julia Quinn. Confesso que eu não esperava menos da autora, mas Um Beijo Inesquecível realmente me surpreendeu com seus diálogos maravilhosos e personagens que até agora eu não consegui tirar da cabeça.

Mas, antes tecer elogios sobre esse livro, vamos falar um pouco sobre o enredo dele.

Em Um Beijo Inesquecível, Hyacinth Bridgerton está na sua quarta temporada social. Apesar de sua mãe e irmãos estarem preocupados, ela não pretende se casar com qualquer homem razoavelmente apropriado para ela. Ela precisa de alguém que consiga lidar com seu temperamento e sua sinceridade afiada. Enquanto seu príncipe não aparece, Hyacinth passa as tardes de terça com Lady Danbury, uma senhora muito respeitada na sociedade inglesa.

As duas passam o tempo lendo, conversando sobre fofocas sociais e, ocasionalmente, fazendo companhia uma a outra em eventos. Continue lendo

09 fev, 2016

O Conde Enfeitiçado não é o melhor livro da série, mas entrega o que promete

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De todos os personagens da série Os Bridgertons que eu conheci até agora, eu sempre estive um pouco curiosa sobre a Francesca.

Em todos os livros ela sempre se mostrou uma personagem bem mais quieta, um pouco diferente dos outros Bridgertons. Finalmente muita curiosidade foi sanada em O Conde Enfeitiçado, o sexto livro dessa série, onde Julia Quinn nos conta um pouco sobre a vida dessa personagem que, até então, teve tão pouco destaque – pelo menos pra mim.

Em O Conde Enfeitiçado conhecemos Michael Stirling, um famoso libertino de Londres que depois de passar anos colecionando conquistas, teve o seu coração roubado por Francesca Bridgerton. Mas para infortúnio do jovem, a que seria a mulher da sua vida estava prestes a se casar com seu primo, e também melhor amigo, John.

Anos se passam desde que Stirling se apaixonou a primeira vez por Francesca, e agora, com a morte de John, sua amada finalmente está livre para ele.

O único problema é que Michael não consegue se livrar dar culpa de ter passado tantos anos apaixonado pela esposa do seu próprio primo, principalmente porque ela nunca o viu da mesma forma. Mas, quando os dois se encontram inesperadamente em Londres, Francesca começa a perceber Michael de uma forma diferente, percebendo que, talvez, ela o deseje muito mais do que se permitia admitir. Porém, depois da morte do marido, a jovem acredita que nenhum outro homem a fará feliz, e agora cabe a Michael provara à ele que ele é o único capaz de provar o contrário.

“Em toda vida ocorre um momento decisivo. Um instante tão extraordinário, tão claro e tão nítido que temos a sensação de havermos sido golpeados no peito, deixados sem fôlego, sabendo, sem a menor sombra de dúvida, que a nosa vida jamais será a mesma.”

Confesso que esse não foi o meu enredo favorito da série.

Como eu não conhecia bem a personagem, principalmente porque ela não aparecia muito nos volumes anteriores, não tinha ideia do que a Julia Quinn iria apresentar neste sexto volume, e de certa forma, eu esperava um pouco mais. O enredo não é ruim, pelo contrário, a história se desenvolve bem, e diferente dos outros livros, neste temos uma personagem que já se apaixonou e já se entregou para o homem que ama, mas o perdeu e agora precisa começar do zero e construir sua vida com outra pessoa.

O problema está na construção, acredito eu. Apesar de ser uma Bridgerton, eu não consegui identificar muito bem a personalidade de Francesca.

Desde os volumes anteriores, ela sempre foi uma personagem muito oculta, e quando chegou a vez dela contar sua história, ela continuou oculta, sem revelar muito de quem ela era ou do porquê ter se apaixonado por John.

Senti muita falta de uma conexão entre esses acontecimentos, principalmente sobre o período de luto dela. Acho que o pouco destaque que ela recebeu na série até então contribuiu bastante – pelo menos pra mim – para que ela não fosse uma personagem com quem eu pudesse me identificar com facilidade.

O romance em si não me decepcionou em nada. Principalmente pelo fato do Michael estar apaixonado pela Francesca desde o começo da história. Ele teve tempo para conhece-la, assim como ela pode conhecer um pouco de quem ele era antes de perceber que eles poderiam construir um futuro junto. E ainda tínhamos a problematização do John, o primeiro marido da Francesca.

“Ele achava que escondia bem os sentimentos, mas e se ela soubesse?”

Eu gostei muito de ver que a autora simplesmente não descartou os sentimentos que a personagem tinha antes de se apaixonar por Michael, e achei legal que esses mesmos sentimentos fizeram parte da construção do romance entre os personagens principais.

Michael foi, pra mim, um personagem interessante como par romântico.

Foi difícil visualizá-lo como um libertino considerando que desde o começo eu conseguia perceber que ele era completamente devotado a Francesca. É interessante ver como a autora conseguiu explorar esses sentimentos proibidos sem deixar a história clichê. Além disso, Michael tem uma personalidade mais humilde, o título e o dinheiro nunca foram algo que ele perseguiu, e isso me fez gostar ainda mais dele.

O Conde Enfeitiçado acabou se mostrando um livro mais morno do que os seus antecessores e acho que deveria ser mesmo assim.

Mesmo que eu não tenha me identificado muito com a Francesca, acredito que ela tenha uma personalidade que vai encantar outros leitores do livro, e só por isso a leitura já me valeu muito a pena. Esse é aquele volume para quem quer fugir um pouco do enredo dos outros livros dessa série e encontrar outros desafios e um romance completamente novo.

23 mar, 2015

Para Sir Phillip, Com Amor, por Julia Quinn

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Para Sir Phillip, Com Amor é o quinto livro da série Os Bridgertons, escrito pela autora Julia Quinn e publicado no Brasil pela Editora Arqueiro. Neste volume da série a autora nos convida a conhecer um pouco mais sobre a espirituosa Eloise Bridgerton.

A esposa de Sir Phillip, Marina, nunca havia sido uma mulher cheia de vida. Passava a maior parte do tempo em seu quarto, chorando e fora do convívio dos filhos. Eles não tinham um casamento feliz, e quando a esposa vem a falecer de pneumonia, Sir Phillip se vê perdido entre as responsabilidades de pai de gêmeos e a ausência de uma figura feminina dentro de casa.

Quando começa a se corresponder com a solteirona Eloise Bridgerton, através de cartas, Phillip começa a ver uma possibilidade de um casamento razoável, onde ele poderia ter uma esposa presente e dar aos filhos a figura materna que precisam. Porém, ao propor a jovem que o visite para que possam se conhecer melhor, o homem não imaginava se deparar com uma mulher independente e cheia de ideias próprias.

Conforme vão convivendo um com o outro, ambos percebem que possuem personalidades completamente diferentes, mas que ao mesmo tempo, não conseguem negar que existe uma atração entre eles. Mas seria isso o suficiente para se casar com alguém?!

“Ele balançou a cabeça maravilhado.
– Você é magnífica.
– Eu continuo dizendo isso a todos – ela disse com um encolher de ombros indiferente -, mas você parece ser o único que acredita em mim.”

Os personagens de Para Sir Phillip, Com Amor são encantadores. O fato do romance ter se desenvolvido primeiro por cartas, permitiu que eu tivesse uma conexão maior com os personagens e me identificasse mais com os seus medos e receios. Eloise Bridgerton é, até agora, a minha Bridgerton favorita.

Diferente das irmãs, ela não tem pressa em se casar e é exigente em relação aos seus pretendentes, não se deixando levar apenas pelas qualidades financeiras, mas também considerando o caráter e comportamento dos mesmos. Sua personalidade pode ser considerada bastante racional, principalmente quando ela aceita o convite de Sir Phillip com a mente aberta de que os dois poderiam formar um bom par, mesmo ainda não tendo se encontrado pessoalmente.

Sir Phillip, por outro lado, demorou um tempo até me conquistar. Seu comportamento severo em relação aos filhos e seu jeito distante de lidar com as situações a sua volta me incomodaram um pouco. Eu tinha a sensação de que apesar de querer conhecer Eloise, ele não tinha muito interesse em conhecê-la, apenas queria encontrar uma candidata adequada ao posto de mãe dos gêmeos, e não de esposa. Porém, conforme eu avançava com a leitura, eu podia ver que a personalidade de Eloise fazia com que Phillip evoluísse ao longo da história, e acho que essa ideia de serem completos opostos é que fez o romance dos dois ser simplesmente perfeito.

“Eloise tinha fibra. Determinação.
Era feliz.
Se isso não era um bom critério para se escolher uma esposa, ele não sabia qual era.”

Neste quinto volume da série eu não tive uma leitura intensa, como foi com Os Segredos de Colin Bridgerton, mas gostei bastante do ritmo que a autora escolheu conduzir a história de Eloise. Diferente dos outros volumes, o personagem masculino já tinha uma certa experiência com o matrimônio, e a nossa heroína já tinha uma ideia formada em relação ao seu par. E isso foi o que mais gostei no enredo em geral, porque eu pude acompanhar os dois evoluindo juntos, descobrindo seus defeitos e qualidades e participando da vida um do outro.

Um ponto que me agradou muito foi a mudança de cenário da série, onde a autora nos leva ao convívio do campo, deixando a agitação de Londres de fora neste livro. Além disso, também foi possível rever alguns personagens que já conhecíamos dos livros anteriores, como Sophie, Benedict e seus filhos, além de descobrir o desfecho de Posy – meia irmã de Sophie que aparece no terceiro livro da série – embora ela não receba nenhum destaque na história.

Acredito que este tenha sido o volume onde a autora fechou a maioria das pontas soltas deixadas nos livros anteriores através de trechos de cartas que Eloise enviara a seus irmãos e amigos. Outro ponto que me chamou muita atenção foi o relacionamento da personagem com a mãe, Violet, que assim como nos livros anteriores, se mostrou muito sábia e compreensiva em relação as decisões dos filhos, sempre torcendo pela felicidade dos mesmos.

Confesso que estava com um pouco de receio de não gostar desse quinto volume da série, mas Julia Quinn já ganhou meu coração com os seus romances de época e, apesar de não ter se tornado o meu livro favorito, é uma leitura muito gostosa, com um enredo diferente dos outros livros da série e que vale muito a pena conferir.

15 fev, 2015

Os Segredos de Colin Bridgerton, por Julia Quinn

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Os Segredos de Colin Bridgerton é o quarto volume da série Os Bridgertons, escrito pela autora Julia Quinn e publicado no Brasil pela Editora Arqueiro. Neste volume da série a autora nos convida a conhecer mais sobre Penelope Featherington, jovem amiga da família Bridgerton e Colin Bridgerton, personagem que já nos encantou várias vezes nos volumes anteriores da série.

Penelope Featherington é apaixonada por Colin desde seus 16 anos, porém nunca teve esperança de que um dia seria notada pelo rapaz.

Sempre vestindo as roupas que sua mãe escolhia e fazendo o que se era esperado dela, Penelope passou grande parte de sua vida invisível aos olhos das pessoas, tendo que conviver com comentários maldosos como os da Lady Whistledown, que já havia se referido à ela como “uma fruta cítrica madura demais”.

Quando suas chances de conseguir matrimônio tinham se esgotado, Penelope finalmente pôde respirar aliviada e simplesmente se libertar de sua mãe controladora. Finalmente era possível vestir as roupas que desejava e dedicar seu tempo livre a sua amizade com Eloise Bridgerton, sem se preocupar em impressionar jovens cavalheiros solteiros em um salão de baile.

É quando Colin Bridgerton finalmente retorna de mais uma de suas viagens e, para sua surpresa, encontra uma Penelope completamente diferente do que se lembrava. Inteligente, com ótimo senso de humor, Colin começa a olhar a amiga de anos com outros olhos, percebendo que ela pode ser até mesmo muito atraente.

Confuso com os seus sentimentos e guardando seus próprios segredos, Colin acaba encontrando em Penelope muito mais do que uma amizade, mesmo sem saber se amor seria algo possível para ele.

“Penelope mordeu o lábio inferior, tentando, por algum motivo desconhecido, conter o sorriso. Sob que estrela mágica nascera Colin, para sempre saber o que dizer? Ele parecia o flautista mágico, deixando corações felizes e rostos sorridentes por onde passava. Penelope poderia apostar bem mais do que mil libras que Lady Danbury oferecera que não era a única mulher em Londres perdidamente apaixonada pelo terceiro dos irmãos Bridgertons.”

Neste quarto volume da série Os Bridgertons todas as atenções estão voltadas para Penelope e Colin. A autora nos convida a conhecer melhor os personagens e a explorar seus segredos, o que tornou este volume o meu favorito de toda a série até agora. Diferente dos outros volumes, Os Segredos de Colin Bridgerton é o livro mais revelador.

Nele temos uma compreensão muito mais profunda de todos os personagens que conhecemos até agora, fazendo com que a imersão no universo criado por Julia Quinn seja completa.

Penelope Featherington é a minha personagem favorita da série. Ela já havia me chamado a atenção no primeiro volume, mas foi no segundo que eu finalmente pude ver que ela tinha um grande potencial como personagem da série.

Fiquei muito feliz ao ler o primeiro capítulo do livro e perceber que ela havia conquistado seu espaço na história e que finalmente eu poderia conhecer mais sobre ela.

Penelope é uma personagem feminina de caráter forte e marcante para alguém da época. Apesar de não ter conseguido conquistar um marido, ela aceita bem a sua condição de solteirona e não deixa que isso lhe abale, mostrando que sua felicidade independe de ter um marido ou não.

Já Colin, por outro lado, me surpreendeu muito como personagem.

Eu não achei que ele pudesse ter tantos conflitos pessoais como os mostrados durante todo o enredo. Seu amadurecimento durante o enredo é evidente, principalmente quando ele percebe que Penelope, apesar de não ter conquistado um marido, estava conseguindo administrar sua vida muito bem, mostrando-se uma pessoa completamente diferente do que ele se lembrava.

É um personagem que não tem o que os outros Bridgertons tinham nos volumes anteriores. Sua preocupações, desejos e medos estão ligados a outra coisa que não a responsabilidade com a família ou necessidade social de se casar, e isso o tornou o personagem mais interessante da série até agora.

“E assim, numa sexta-feira que de outra forma teria sido como qualquer outra, no coracao de Mayfair, numa silenciosa sala de estar na Rua Mount, Colin Bridgerton beijou Penelope Feathering. E foi glorioso.”

Os Segredos de Colin Bridgerton foi uma leitura que eu consumi em exatamente 4 horas, simplesmente porque eu me vi tão envolvida com a escrita da autora que não conseguia largar o livro.

Diferente dos outros volumes este, em particular, me conquistou.

Os personagens tinham uma personalidade marcante, o enredo tinha uma proposta que me agradou muito e apesar de todas aquelas falhas em relação à época e ao comportamento social dos personagens, este é o melhor livro da série até agora e eu finalmente estou rendida aos encantos de Julia Quinn.

Eu me surpreendi muito com esse volume da série e, com certeza, se você está começando a leitura de Julia Quinn agora, meu conselho é que você não pare até pelo menos chegar em Os Segredos de Colin Bridgerton.

É uma leitura que vai te encantar, vai ter surpreender e com certeza vai te envolver. Mal posso esperar para a leitura do quinto volume dessa série, porque estamos fazendo um ótimo progresso aqui.