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Resenhas 23mar • 2018

Criaturas e Criadores – Histórias para noites de terror

O terror é um dos meus gêneros literários favoritos, principalmente as histórias de terror clássicas. Então eu fiquei animado pra caramba quando ouvi falar de Criaturas e Criadores, uma coleção de quatro contos escritos por autores brasileiros, que reimagina algumas das histórias mais icônicas do terror. Carolina Munhóz, Frini Georgakopoulos, Raphael Draccon e Raphael Montes são alguns dos nomes atuais que mais vem chamando a minha atenção, então quando a oportunidade apareceu, eu fiquei muito afim de cair dentro dessa leitura. E apesar de uma ou duas questões, o livro me entregou exatamente o que eu queria.

Quatro dos mais populares autores contemporâneos brasileiros, Raphael Draccon, Carolina Munhoz, Frini Georgakopoulos e Raphael Montes se uniram para reinventar os contos de terror clássicos. Frankenstein vive, e está numa favela do Rio. Rumores indicam que Drácula pode ser o dono de uma nova e badalada boate. Numa faculdade de artes, há uma lenda que diz que um fantasma ajuda belas jovens a cantar num teatro abandonado. Um mistério ronda a vida de um dentista e pai de família que está prestes a descobrir seu lado mais monstruoso. Quatro clássicos do medo reinventados por quatro escritores brasileiros para noites de sustos, terror e gritos. Leia mais

Resenhas 05dez • 2017

O Coletor de Espíritos, por Raphael Draccon

No começo desse ano, quando eu estava detalhando as minhas metas de leitura, um dos objetivos que eu coloquei para mim mesmo era de ler mais livros nacionais. E como sempre, eu não consegui ler todos os livros que gostaria, mas eu fiquei realmente feliz de ter a oportunidade de finalmente conhecer o trabalho do Raphael Draccon. Apesar de ter ouvido falar muito das séries Dragões do Éter e Legado Ranger, O Coletor de Espíritos foi a minha introdução aos livros do Raphael Draccon. E olha, foi uma introdução bem positiva.

O livro se passa em Véu-Vale, um pequeno vilarejocercado de lendas sombrias que assombra os moradores em dias de chuva. Gualter Handman, um famoso psiquiatra achou que tinha conseguido escapar das histórias de Véu-Vale quando deixou a cidade na sua juventude, mas ainda ouve os gritos da cidade. Quando recebe a notícia de que sua mãe sofreu um infarto, Gualter precisa retornar a Véu-Vale e encarar de frente todas as figuras sombrias que habitam os cantos do vilarejo, assim como as sombras de seu passado.

Vamos direto ao ponto, O Coleto de Espíritos foi uma leitura muito boa. Eu não tenho como comparar com os outros livros dele, mas se a escrita do Raphael Draccon for tão boa neles como foi nesse livro, eu vou agora mesmo para a livraria. Em cada momento do livro, a narrativa entrega um impacto emocional que fica com o leitor depois de um bom tempo. E consegue fazer isso sem se tornar uma leitura difícil.O livro mantem o equilibro entre os dois extremos muito bem.

Frio. Sussurros. Silêncio. Em Véu-Vale sempre foi assim.

Sem dúvida o maior acerto do livro é a atmosfera. A escrita passa muito a sensação de que alguma coisa está sempre se esgueirando nas sombras de Véu-Vale, e você passa a leitura inteira esperando alguma coisa acontecer, e quando acontece, você sente o impacto. Me lembrou muito os livros do Stephen King, aquela sensação de que você não pode relaxar nem por um segundo, porque alguma coisa vai aparecer para te assurtar. O livro não tem um momento chato, ou lento, todas as partes desempenham muito bem as suas funções.

Os personagens são bem construídos, apesar de a maioria servir mais como apoio para Gualter, que é um ótimo protagonista. O fato de ele ser um terapeuta, e se recusar a largar do lado mais cético da sua mente funciona muito bem, porque nós temos a chance de observar os acontecimentos de Véu-Vale através dos olhos de alguém que está sempre procurando a resposta mais lógica. Então quando ele encontra algo que não consegue explicar, nós sentimos o quanto isso o assusta.

— E o que os monstros fazem nos dias de chuva? Aparecem e perseguem os andarilhos?
— Também, mas essa não é a parte mais assustadora.
— E qual é a parte mais assustadora?
— Quando eles gritam.

A única coisa que eu apontaria como negativa no livro são os diálogos. Apesar de nenhum ser exatamente ruim, alguns deles não me pareceram naturais, e acabaram me tirando um pouco da história. Os melhores momentos do livro são realmente as partes em que a narração carrega o leitor pela história, o livro quase não precisa de diálogos para passar o quanto a cidade de Veu-Vale é aterrorizante. Mas isso pode ser uma questão de gosto mesmo, e não foi o bastante para me desanimar dessa leitura.

No geral, O Coletor de Espíritos foi uma ótima introdução a bibliografia do Raphael Draccon. Essa leitura só reforçou ainda mais o meu desejo por consumir mais literatura nacional, principalmente os outros livros do Draccon, e eu recomendo fortemente esse livro para todos que estão procurando por uma leitura impactante. Não deixem de conferir esse livro porque ele realmente é muito, muito bom.

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