Posts arquivados em Tag: Record

31 dez, 2016

O Poderoso Chefão, por Mario Puzo

O Poderoso Chefão é um romance de ficção escrito por Mario Puzo em 1969, e relançado várias vezes ao longo dos anos. Essa resenha por exemplo, é baseada na edição que a Record lançou em 2001. O livro retrata a vida da família Corleone, uma das famílias mais poderosas da mafia de Nova York, e de seu patriarca, Don Corleone, mais conhecido como o Padrinho.

Don Corleone comanda os negócios da família á anos, mas sabe que a idade logo vai força-lo a passar o seu trono para um de seus filhos. Mas nenhum deles parece adequado para tomar seu lugar: Sonny, o mais velho, é impulsivo e agressivo demais; Freddie, o do meio, se deixa distrair fácil demais por mulheres; E Michael, o mais novo, deixou bem claro para o pai que não tem qualquer interesse em seguir nos negócios da família. Don Corleone tem como seu braço direito seu filho adotivo, Tom Hagen.

A situação da família se complica ainda mais quando Don Corleone é baleado por homens trabalhando para o traficante Virgil Sollozzo, forçando seus filhos a assumir o controle da família. Pra piorar, o conflito acaba escalando em uma guerra entre as famílias mais poderosas de Nova York.

chefao-01

Eu entrei nesse livro com as expectativas lá em cima. Afinal de contas, esse foi o livro que inspirou um dos filmes mais clássicos do cinema, além de ser a fonte de vários quotes icônicos, como “Vou fazer-lhe uma oferta que ele não poderá recusar”. Então eu comecei essa leitura esperando uma coisa incrível. E olha, pra ser totalmente sincero com vocês, eu não me decepcionei!

A maior força do livro, pra mim, é a intriga da história. Observar como funcionam os negócios da mafia foi super interessante, e o mundo da família Corleone é muito intrigante. A atmosfera do mundo do crime organizado é muito bem explorada e faz o leitor se sentir dentro dessas organizações. E a medida que a história se desenrola, o suspense vai ficando cada vez maior.

A história em si é outro ponto positivo. Tiveram pouquíssimos momentos ao longo do livro em que a leitura ficou chata (talvez no meio do livro, um pouco), e ela nunca se tornou desinteressante. Eu li metade no livro em um dia só, porque eu simplesmente não conseguia interromper a leitura. Eu não podia largar o livro sem saber o que acontecia depois.

chefao-02

Os personagens do livro também são todos ótimos. Don Corleone é mostrado como uma figura quase onipotente, e é muito interessante ver a forma como cada personagem interage com ele. A relação dele com os filhos e com os outros membros da família é bastante bonita até, principalmente com o filho mais novo, Michael e com o afilhado, Johnny, que é uma estrela de Hollywood.

O livro tem vários personagens e todos são super bem escritos, então não vou entrar em detalhes sobre todos eles. Os meus favoritos foram Don Corleone, Michael, Sonny, Tom, Johnny, e eu gostei bastante de Kay, noiva de Michael. Adorei acompanhar como o relacionamento deles muda ao longo dos acontecimentos da história, e queria ter visto ainda mais dos dois.

Apesar de ter gostado dos personagens, tenho que ressaltar que a maioria deles apresenta alguns traços meio problemáticos. Logicamente, por ser um livro sobre crime, todos eles são criminosos, então é meio difícil eles serem bonzinhos. Mas vários deles fazem declarações e praticam ações moralmente condenáveis, particularmente em relação a mulheres e a negros. Pra quem é sensível em relação a violência contra a mulher ou racismo, acho que talvez esse livro não seja uma boa.

chefao-03

No geral, O Poderoso Chefão foi tão bom quanto eu esperava que fosse. Uma trama cheia de suspense, com personagens bem construídos e uma atmosfera super intrigante. Quando acabei a leitura, a primeira coisa que eu fiz foi assistir os filmes novamente. A série tem outros livros e eu vou com certeza continuar acompanhando.

05 jan, 2016

Moriarty, por Anthony Horowitz

Conheço poucas pessoas que não são familiarizadas com o universo de Sherlock Holmes. Pelo menos um de seus amigos leitores deve ser completamente apaixonado pelo personagem de Doyle, seja através dos livros, filmes ou mesmo séries de TV. As histórias do detetive mais conhecido do mundo passam de geração em geração e encantam leitores de todo mundo, e é exatamente sobre esse universo que o livro de Anthony Horowitz irá tratar.

Moriarty é um livro de mistério que se passa dentro do universo de Sherlock Holmes. Narrado em primeira pessoa, acompanhamos Frederick Chase, um detetive americano que parte para Europa em busca de desvendar um caso que tem como ponto de partida o último encontro entre Sherlock Holmes e Moriarty nas cataratas de Reichenbach. Ao chegar em uma pequena cidade na suíça, o detetive encontra com Athelney Jones, um inspetor da Scotland Yard e também grande admirador do trabalho de Holmes.

Moriarty

Juntos, eles descobrem que antes de se encontrar com Homes nas cataratas, Moriarty planejava se encontrar com um outro gênio do crime. Ninguém sabe ao certo que é esta pessoa, ou qual seu rosto, mas depois da morte de Moriarty, o caminho estava livre para que este novo e perigoso criminoso colocasse seus planos em prática. Correndo contra o tempo, os dois detetives precisam se unir para descobrir a identidade do seu novo inimigo antes que seja tarde demais.

Vamos ser sinceros? Eu tenho quase certeza que existe um livro com um enredo e personagens bem parecidos com esses. Sherlock Holmes é o nome, eu acho. Anthony Horowitz tinha me chamado atenção porque seu livro era dentro de um dos universos mais desafiadores da literatura, mas ao fazer a leitura de Moriarty, foi decepção do primeiro ao último capítulo. Faltou muita criatividade por parte do autor, sua narrativa e desenvolvimento de enredo é muito similar ao de Doyle, mostrando que ele nem ao menos se preocupou em dar seu toque pessoal a história. Mas vamos por partes, não é mesmo?

Moriarty

A narrativa em primeira pessoa é feita do ponto de vista de Frederick Chase, que é basicamente o novo “Watson”. Ele é esperto, consegue prestar atenção aos detalhes, mas é o Detetive Jones que contém toda a peculiaridade, os sentidos aguçados e uma habilidade de observador muito semelhante ao de Sherlock Holmes. Tudo é justificado com um “fanatismo” pelo trabalho de Sherlock, mas o autor não argumentou tão bem para me fazer engolir esta história.

O enredo tenta, de forma desesperada, dar continuidade ao trabalho de Doyle, mas conforme a história avança, é possível perceber que Horowitz está apenas querendo fazer a gente engolir um novo Sherlock e Watson a todo tempo. Mas já temos um Detetive brilhante e peculiar e eu acho que vou continuar com ele, por diversos motivos que não vale muito a pena listar. A história, em si, não é muito criativa. É quase como uma releitura do clássico, mas com uma escrita bem fraca e personagens sem personalidade própria.

Moriarty

Os personagens são legais, mas não são nem um pouco impressionantes. Você consegue acompanhar a história e se envolver com o mistério, mas é muito difícil de ignorar os diálogos forçados, as observações obvias e o relacionamento dos protagonistas que é completamente fora de contexto. É quase como se você estivesse lendo uma fanfic baseada no universo de Doyle, escrita por um escritor muito amador e que não tem ideia de onde quer chegar com aquela história.

Não consigo esconder meu desapontamento com esse livro. Primeiro porque Anthony Horowitz é um escritor muito elogiado, e eu estava com grandes expectativas para um enredo de tirar o folêgo, mas não foi bem assim que Moriarty se mostrou. O mistério é interessante, o livro tem seus pontos positivos e momentos que fazem a gente realmente querer chegar até o final, mas quando a leitura chega ao fim, é impossível esconder a decepção com a história. Se você é um fã de Sherlock Holmes e souber relevar algumas coisas, pode ser que este livro não seja ruim, mas se você for meticuloso que nem eu, acho melhor deixar esse livro para um outro momento.

26 nov, 2015

O Projeto Ascendant, por Drew Chapman

O Projeto Ascendant foi o livro que eu escolhi para sair da minha zona de conforto literária. Eu não sabia muito sobre o livro, não conhecia o autor e poucas vezes tinha explorado enredos similares. A verdade é que eu queria uma leitura que me desafiasse de alguma forma, e eu posso afirmar sem nenhum receio que, Drew Chapman conseguiu ir muito além do que eu estava buscando e me surpreendeu com um enredo de tirar o fôlego, cheio de altos e baixos e que deixa qualquer leitor de ressaca literária.

Publicado no Brasil pela Editora Record, O Projeto Ascendant é narrado em terceira pessoa e vai contar a história de Garrett Reilly, um analista financeiro que tem a habilidade de conseguir identificar padrões. Foi por causa dessa habilidade que ele conseguiu perceber que títulos da dívida externa americana estavam sendo vendidos no mercado, o que poderia desestruturar completamente a economia americana. O que Garrett não esperava era que essa informação pudesse envolve-lo em algo muito maior e muito mais perigoso.

O Projeto Ascendant

Há uma guerra sendo travada. Uma guerra que não é divulgada no noticiário, mas que está acontecendo e pode colocar a vida de muitas pessoas em risco. Para impedir que essa guerra tome proporções maiores, as Forças Armadas precisam de alguém diferente, alguém que não seja militar e que tenha conhecimento e capacidade para derrotar o inimigo e acabar com essa guerra silenciosa. Correndo contra o tempo, Garrett precisa tomar decisões importantes. Seria ele a pessoa certa para tomar a frente do Projeto Ascendent e acabar com essa guerra? Ele seria capaz de colocar de lado o seu ódio pelas Forças Armadas e ajudar a salvar seu país?

Drew Chapman é um autor simplesmente inacreditável. Durante todo o livro você vai recebendo diversas informações, se aprofunda em personagens e – às vezes – se questiona do porque o autor estar te dando uma quantidade tão grande de informações e personagens que parecem ser irrelevantes para a história. Mas, conforme os capítulos vão se desenvolvendo, as peças desse quebra cabeça vão se encaixando e você começa a entender para onde o enredo irá caminhar. E mesmo quando você acha que pode prever os próximos passos, os personagens te surpreendem de tal forma, que você não consegue deixar o livro de lado.

O Projeto Ascendant

Eu não esperava gostar tanto desse enredo como eu gostei. Primeiro porque Sci-fi não é um estilo de leitura que tem frequência na minha estante, e segundo, porque é muito difícil pra mim me conectar com personagens assim. Mas, Drew Chapman tem um jeito muito particular de contar uma história. Sua escrita é mais densa, cheia de detalhes e informações que compõe o enredo. Nada ali é demais. Não tem um detalhe contado que não é fundamental para que o enredo tenha o desfecho perfeito, sem pontas soltas. É fascinante ver que cada detalhe foi pensado para esse livro.

O Projeto Ascendent tem um enredo muito original. Desde o começo da história você se vê envolvido com o que está acontecendo nos Estados Unidos. Você quer entender como funciona essa guerra e o porquê de ela estar acontecendo. Porém, o que realmente faz com que você não abandone o livro é a forma inteligente e desafiadora que as coisas acontecem. Não teve um momento em que eu consegui conter o meu choque e animação com as informações. Minha expressão de: “Meu Deus, isso tá realmente acontecendo?” era constante e eu me sentia cada vez mais atiçada para descobrir o que vinha a seguir.

O Projeto Ascendant

Não houve tédio nesse enredo. A cada capítulo um detalhe novo, algo que me fazia ficar ainda mais desesperada para descobrir como esse livro iria terminar. Os personagens são maravilhosos, muito bem construídos, cada um com uma personalidade própria, com detalhes explorados ao longo do livro e sem fazer com que o enredo perca o foco ou deixe alguma ponta solta. Garrett Reilly me lembrou muito Sherlock, só de muito mais arrogante, muito mais babaca e muito mais impetuoso. Ele é o tipo de personagem que a gente se apaixona sem perceber, que deixa a história mais interessante e que faz com que queiramos mais a cada capítulo.

Por outro lado, Drew Chapman criou outros personagens, além do principal, e fez questão de desenvolvê-los com cuidado, não deixando que ninguém ficasse apagado ou esquecido durante o enredo. Todos tiveram a sua contribuição dentro da história. Apesar de Garret Reilly ser o personagem principal, o foco nem sempre estava nele. Ele não era a única peça de um grande quebra cabeça, apesar de ser a mais importante. E, talvez, o fato de eu poder me envolver com todos os personagens do livro, seja o motivo de O Projeto Ascendant ter sido uma leitura tão incrível.

O Projeto Ascendant

Acho que vale a pena ressaltar que até mesmo o romance do livro – que eu não sei se pode ser chamado de romance – é muito bem construído. Alexis, que seria o par romântico de Garrett na história, é muito interessante e uma das personagens femininas da história que eu mais gostei, principalmente por ser independente e não se deixar levar pelos seus impulsos. Além disso, temos Hu Mei, uma personagem que eu não vou falar muito sobre, mas que derrubou forninhos nesse livro e deixou muito dos personagens chocados com o que ela é capaz de fazer.

E agora vamos a melhor notícia de todos os tempos: A Fox comprou os direitos do livro para transformá-lo em uma série de TV. Não é a melhor notícia de todos os tempos? Confesso que eu já consigo imaginar o cast completo desse livro, e estou torcendo para que eles mantenham a série fiel ao livro, afinal, não tem nada nesse enredo que precise ser melhorado ou alterado.

23 nov, 2015

Troca de Mensagens Entre Sherlock e Watson, por Mallory Ortberg

Troca de Mensagens Entre Sherlock e Watson, publicado no Brasil pela Editora Record, foi um daqueles livros que quando eu recebi, pensei: “Meu Deus, completamente fora da minha zona de conforto, será que eu vou gostar de ler isso?”. Eu acho que eu nunca senti um frio na barriga tão grande porque, até onde eu sei, sempre corri de livros de crônicas, atividades e mensagens. Mas, o desafio era sair da minha zona de conforto e quando eu peguei esse livro para ler, me deparei com algo que eu realmente não estava esperando: diálogos por mensagens de texto.

Troca de Mensagens Entre Sherlock e Watson

Faz dias que eu estou tentando pensar na melhor forma de explicar para vocês as maravilhas desse livro. E eu digo isso porque nunca – na história dos livros que eu li – eu ri tanto com diálogos na minha vida. Cheguei a ponto de gargalhar no meio da estação de trem e deixar pessoas completamente desconfortáveis por não ter a menor ideia do que estava acontecendo comigo. Então deixa eu ver se eu consigo colocar da melhor maneira possível, certo?

Imaginem um universo paralelo ao nosso onde todos os personagens que amamos na literatura clássica – e isso inclui Harry Potter e Jogos Vorazes – possuem aparelhos de telefone celular. Exatamente! Vocês conseguem imaginar como eles lidariam com essa tecnologia? Como seriam suas mensagens e como eles utilizariam o poder desse aparelho de comunicação? Bem, Mallory – diva – Ortberg conseguiu pensar em tudo isso e assim – podemos dizer – surgiu o Troca de Mensagens Entre Sherlock e Watson.

Troca de Mensagens Entre Sherlock e Watson

O livro nada mais é do que vários diálogos dos nossos personagens literários favoritos através de mensagens de texto no celular. Em geral, isso não parece ser muito atrativo para uma leitura, certo? A questão é que Mallory Ortberg tem uma compreensão maravilhosa desses personagens e consegue explorar nesses diálogos o pior e o melhor de cada um desses personagens, deixando os diálogos intensos, muito engraçados e totalmente realistas.

Acho que posso começar citando clássicos como Orgulho e Preconceito. As trocas de mensagens entre Elizabeth e a mãe são extremamente engraçadas e trazem exatamente a essência das personagens criadas por Jane Austen. Não é difícil imagina a mãe de Lizzie bombardeando a jovem com mensagens pedindo para que ela garanta que Jane não irá arruinar suas chances com Mr. Bingley, certo?

Troca de Mensagens Entre Sherlock e Watson

Mallory Ortberg tem um senso de humor sensacional. Não é à toa que o seu livro chegou a lista de best-sellers do New York Times com tanta facilidade. Eu, que não sou muito fã de livros com essa estrutura literária, fiquei completamente apaixonada por cada um dos diálogos. Aliás, eu preciso mencionar que – se você for ler este livro maravilhoso – os diálogos que envolvem Hamlet e Medeia são os que eu achei mais sensacionais, mesmo tendo outros que também me conquistaram.

Troca de Mensagens Entre Sherlock e Watson é um livro divertido de se levar dentro da bolsa. Os diálogos não são demorados, o livro não é cheio de detalhes. São apenas simples trocas de mensagens que vão deixar o seu dia mais leve e vão te arrancar boas risadas. Eu não estava esperando cair de amores por uma leitura assim, mas no momento em que eu li a troca de mensagens dos personagens de O Morro dos Ventos Uivantes, eu pensei: “Se o livro fosse escrito na atualidade seria exatamente assim”.

Troca de Mensagens Entre Sherlock e Watson

O que mais me impressionou foi como ela conseguiu transmitir em poucas palavras – lê-se mensagens – a essência de muitos clássicos e histórias que suspiramos de amores por aí. E isso vai de Jane Austen a J.K. Rowling e não perde os nossos queridos Sherlock e Watson, citados na capa do livro. Eu consegui voltar ao universo de livros que li há algum tempo num piscar de olhos. Relembrar cenas e detalhes que me fizeram rir, sentir saudade e imaginar a expressão, o jeito dos personagens digitando aquelas mensagens.

Preciso dizer que estou completamente apaixonada por Mallory Ortberg? Não. Queria muito que ela investisse o seu humor em um segundo volume para esse livro e fizesse uma série com outros personagens da literatura, talvez não clássicos, talvez personagens que não sejam tão conhecidos ainda pelo público leitor. Acho que é uma aposta que daria muito certo.  E se você quiser conhecer mais sobre esse livro, é só dar uma olhada no vídeo abaixo ou acessar o site oficial do livro.