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03 abr, 2015

Dois Garotos Se Beijando, por David Levithan

Dois Garotos Se Beijando é uma ficção-americana, escrito pelo autor David Levithan e publicado no Brasil pela Editora Galera Record. O autor possui outras obras publicadas no Brasil, sendo as mais conhecidas Todo Dia e Will & Will, escrito em parceria com John Green.

Craig e Harry foram namorados durante algum tempo, mas mesmo com o fim do relacionamento, continuaram amigos. Quando o jovem Tariq é agredido na rua por ser homossexual, os dois garotos se compadecem da situação, mesmo sem conhecê-lo e então tem a ideia de criar um protesto contra esse tipo de violência onde eles passariam 32 horas se beijando para quebrar o recorde de beijo mais longo.

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A ideia principal do beijo era mostrar para as pessoas que é perfeitamente normal dois garotos se beijando. Porque não apenas dois garotos. Porém, o próprio enredo do livro nos leva a conhecer outras situações de jovens assim como Tariq, Craig e Harry. Em paralelo com o desafio de 32 horas se beijando, o narrador do livro nos conta a história de outros jovens que vivem situações completamente diferentes, mas que possuem – de certa forma – o mesmo sentimento.

É então que conhecemos Peter, Neil, Avery, Ryan e Cooper, com suas inseguranças particulares, seus medos e também seu desejo de caminhar no mundo lá fora sem ter que esconder quem realmente são. Assim, com todos esses personagens envolvidos direta e indiretamente, acompanhamos o ato simples de um beijo mostrar que somos todos apenas seres humanos.

“Que sensação horrível é essa a de saber que, se a doença tivesse afetado primeiramente presidentes de associações de pais e mestres, ou padres, ou garotas brancas adolescentes, a epidemia teria acabado anos antes e dezenas de milhares, se não centenas de milhares de vidas seriam salvas. Não escolhemos nossa identidade, mas fomos escolhidos para morrer por meio dela.”

A narrativa do livro é simplesmente sensacional. Eu não consigo encontrar outras palavras para descrever. O ponto de vista de todo enredo é dado a partir de um narrador observador que venha a ser todos os homossexuais que faleceram por conta da AIDS anos anos dos personagens principais do livro nascerem. Através desse narrador, conseguimos ter uma compreensão muito mais profunda do que os personagens estão sentindo, pensando e como aquilo afeta o seu dia a dia, a sua família e a maneira como eles veem o mundo.

O enredo do livro é bastante completo. O autor nos apresenta diversas situações, onde não vemos apenas a família que aceita bem a escolha do filho, mas também aquela que se revolta quando descobre e aquela que não sabe bem como agir em relação à situação. Temos as pessoas que aceitam, as pessoas que respeitam e também as pessoas que se revoltam. Mas muito mais que isso, nós temos os envolvidos, as pessoas que sofrem, as pessoas que sentem na pele, e isso torna a narrativa ainda mais intensa.

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A primeira coisa que eu pensei quando comecei a ler este livro foi: eu vou chorar. E isso aconteceu em diversas passagens do livro. Os personagens são tão únicos em suas histórias, em seus medos, que eu não conseguia não amar cada um deles em seu momento de foco na narrativa. Craig e Harry é um casal que, de certa forma, não são mais um casal e ainda assim possuem uma confiança enorme um no outro, e quando decidem fazer o beijo juntos, eu realmente não conseguiria imaginá-los fazendo isso com outra pessoa.

Avery e Ryan estão se conhecendo aos poucos. Simplesmente encontraram um no outro um porto seguro que não tinham encontrado em outra pessoa. Eu conseguia vê-los se entendendo pelos olhos um do outro, compartilhando os seus medos e sendo abertos sobre o que estava por vir. Tariq foi um personagem que me emocionou, principalmente pela sua força de vontade de estar ali para ver o beijo acontecer e por não ter deixado que o incidente abalasse quem ele era.

“Se você se livrar de toda a merda idiota e arbitrária com a qual a sociedade controla a gente, vai se sentir mais livre e, se você se sentir mais livre, vai se sentir mais feliz.”

Mas de todos, o que me emocionou mesmo foi Cooper. Eu não sei. De certa forma eu conseguia me conectar mais com a necessidade que ele tinha de entender o que estava acontecendo com ele, e conforme a narrativa avançava com foco nele, eu tinha um desejo muito grande de poder fazer alguma coisa, mesmo sabendo que não podia.

Dois Garotos Se Beijando foi um dos livros mais intensos que li durante esse ano. Com certeza, o melhor até agora. A maneira como David Levithan escolheu contar essa história, mexeu comigo de formas que eu acho que não conseguiria simplesmente colocar em palavras. Eu me emocionei com esse livro de maneiras diferentes. Eu me senti feliz por Craig e Harry, eu me apaixonei por Neil e Peter, eu entendi os sentimentos de Tariq.

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É uma leitura que tem um combo de sentimentos que a gente simplesmente não consegue ignorar. Você se entrega na leitura nas primeiras páginas e sente seu coração apertar até o desfecho do livro. Foi umas das experiências literárias mais incríveis e emocionantes que eu tive nos últimos tempos e certamente um livro que todo mundo deveria ler, gostando ou não dá temática.

Por fim, acho que vocês deveriam saber que eu demorei dias para escrever essa resenha porque eu não conseguia fazê-la sem me emocionar. Acho que se alguém viesse me pedir um livro que fosse causar a maior ressaca literária da sua vida, com certeza eu indicaria este.

15 mar, 2015

O Último Homem do Mundo, por Tais Cortez

O Último Homem do Mundo é romance juvenil, escrito pela autora brasileira Tais Cortez e publicado pela Ler Editora. Este é o segundo livro publicado pela autora, sendo o primeiro – Golfinhos e Tubarões – um romance sobrenatural, publicado em 2013.

Amanda é uma adolescente rebelde. Filha de uma famosa atriz, ela guarda um ressentimento muito grande em relação à mãe e expressa sua tristeza através de atitudes grosseiras e revoltadas. Depois de ser expulsa de todos os colégios possíveis, Amanda é matriculada em um colégio interno considerado o melhor ensino do país. Mas, por essa decisão ter sido tomada contra a sua vontade, a garota está empenhada a fazer de sua estadia a mais desagradável possível.

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Ao chegar no Educação de Elite, Amanda conhece Ricardo, um dos garotos mais populares da escola e também um dos mais “galinhas”. Apesar da inegável atração que sentem um pelo outro, ambos não medem esforços para transformar a vida um do outro num verdadeiro inferno. Porém, quando já existe um possível sentimento, é quase impossível negar por muito tempo.

O Último Homem do Mundo é narrado do ponto de vista da Amanda, onde a autora nos convida a conhecer mais do universo onde a personagem vive através dos olhos dela. O enredo se desenvolve em um ritmo aceitável, não sendo muito lendo em relação ao desenvolvimento dos personagens, mas também não sendo tão rápido em relação a passagem de tempo da história.

“Pessoas comuns falam sobre pessoas. Pessoas extraordinárias discutem ideias. Pessoas comuns pensam em si mesmas. Pessoas Extraordinárias querem mudar o mundo. Pessoas comuns se cansam quando os obstáculos aparecem. Pessoas Extraordinárias encontram forças quando todos já desistiram.”

Um ponto que me incomodou também, foi a escolha do ponto de vista para contar a história. Como a narrativa é feita pela a Amanda, passei muito tempo dentro da cabeça da personagem e em alguns pontos a leitura foi se tornando um tanto cansativa.

Os personagens do livro me deram a sensação de que eu estava lendo uma fanfic, basicamente. Eu gostei muito da proposta do enredo e do universo onde eles estavam inseridos, mas em alguns pontos eu sentia que tudo na história era um pouco superficial, e que os personagens não tinham características profundas. Por exemplo, era muito claro que a Amanda agia da forma que agia por problemas de relacionamento com a família, mas a autora não ia muito além disso.

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O Ricardo foi um personagem que foi escrito para ser amado, mas eu – particularmente – o detestei do inicio ao fim do livro. Durante boa parte da história ele defende a namorada dele com unhas e dentes o tempo inteiro, mas ele a traí, e a personagem principal – Amanda – sabe muito bem disso. O comportamento dele no livro é completamente absurdo, em várias cenas eu me perguntava “como ela pode se apaixonar por um cara desses, meu Deus”, não fez sentido pra mim.

As amigas da Amanda são as personagens mais perfeitas de toda a história e a Tais acertou muito quando as escreveu. Elas são a clássica dupla de amigas que estão ali pra te apoiar mesmo quando você está fazendo uma coisa completamente idiota, mas também vão te alertar quando o seu plano é o pior possível e com certeza não vai dar certo. Gostei muito de como a relação das três se desenvolve durante o livro, ficando mais sincera e verdadeira ao longo dos capítulos.

“Eu não me lembrava de quando havia começado a ser movida pelo desejo de perturbar minha mãe, mas sabia que fazia muito tempo.” 

O Último Homem do Mundo é um livro que pecou na história foi a construção da narrativa e dos personagens, mais do que na narrativa em si. Nós tínhamos dois personagens principais com um grande potencial, mas que não foram muito além daquilo que já era esperado deles. Eu senti muita falta de “algo a mais” na história. Um enredo que não fosse só sobre duas pessoas que se odeiam – sem nenhum motivo aparente – boa parte do livro e que no final acabam gostando uma da outra.

A Amanda era uma personagem que me deixou incomodada boa parte do livro, porque as coisas que ela fazia e a maneira como ela agia não faziam sentido pra mim. As atitudes que ela tinha era muito infantis para uma pessoa que tentava passar a imagem de “maturidade”. E o Ricardo era bem similar. Ele tentava passar a imagem de “homem mais gostoso do mundo”, mas ele é um babaca – de um ponto de vista geral – e as atitudes de ambos os personagens principais, de vingança e briguinha me deixaram muito cansada.

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A autora tem uma escrita de potencial e, principalmente, uma proposta de enredo que tinha tudo pra ser muito mais do que realmente foi, mas que ficou presa no “mais do mesmo” dos livros de romance, que não foi muito além daquilo que eu já estava acostumada a ler em fanfics e romances publicados no Wattpad.

Acredito que O Último Homem do Mundo seja um livro para quem esteja com saudade de ler um romance, e não pra quem está procurando uma história de amor que vai te deixar de ressaca literária. É um livro com uma escrita muito boa, mas com um enredo que vai deixar um pouco a desejar se você estiver à procura desse “algo a mais”.