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23 set, 2017

Casada até Quarta, Catherine Bybee

Eu não sei vocês, mas nos últimos meses eu tenho tido muito problema com autores que não gostam de se aprofundar nos seus personagens. Catherine Bybee, apesar de ter uma escrita deliciosa, comete esse mesmo erro em seu romance Casada até Quarta, o primeiro livro da série Noivas da Semana. Apesar de ter um enredo divertido e diálogos interessantes, o livro não se aprofunda nos personagens, não entrega uma trama elaborada e acaba entrando para o time de livros que a gente costuma ler quando não tem outra coisa melhor para fazer – o que eu considero uma pena porque, volto a repetir, a escrita da autora é realmente muito boa.

Lançado no Brasil sob o selo Verus, Casada até Quarta vai contar a história de Blake Harrison, um nobre britânico, muito charmoso e convenientemente muito rico que precisa se casar urgentemente para atender as exigências do testamente do seu pai. Para conseguir garantir a sua fortuna, Blake resolve apelar para a agência de casamentos de Sam Elliot, a quem ele acredita ser um homem. Quando Blake conhece Sam, ele não fica apenas surpreendido com o fato de ser uma mulher, mas também pelo fato de a mesma ser inteligente, sagaz e extremamente bonita. Sam não estava no menu de opções de Blake até o magnata britânico lhe fazer uma proposta irrecusável. Com uma aliança no dedo e um marido altamente sexy ao seu lado, o maior problema de Sam não será convencer as pessoas do seu casamento de fachada, mas sim resistir a atração que sente por Blake.

Eu gostei muito da proposta desse enredo. Um dos motivos para eu ter escolhido Catherine Bybee foi por ter achado esse enredo criativo e com todos os elementos que conseguiriam me prender em um romance desse estilo. Mas apesar da leitura ter sido muito agradável, o fato do livro ter menos de duzentas páginas me incomodou bastante. Logo que eu comecei a leitura, eu já percebi que teria o problema dos capítulos corridos. Diálogos curtos, informações jogadas a torto e a direito e as narrativas pouco exploradas sobre o background dos personagens. Acredito que hoje, esse seja o meu maior problema com romances que fazem parte de séries descontinuadas: eu sou o tipo de leitura que precisa imergir na história e romances curtos nunca conseguem me satisfazer neste ponto.

“[…] havia trabalhado arduamente para conquistar sua reputação de canalha sem sentimentos, e não precisava estragar tudo fingindo estar apaixonado para que uma mulher subisse ao altar com ele.”

A narrativa em terceira pessoa, apesar de muito bem trabalhada pela autora, não contribui muito para que o leitor consiga se aprofundar nos personagens. As informações são jogadas ao longo do enredo, mas não permite que a gente, enquanto leitor, sinta o que o personagem está sentindo. Com o background de Sam e Blake, eu realmente queria ter tido a oportunidade de ter acompanhado o romance dos dois do ponto de vista deles mesmos, talvez em uma narrativa alternada ou pelo menos do ponto de vista de um dos dois, porque não? Eu senti bastante falta de conseguir identificar – ou mesmo sentir – no enredo o sentimento dos personagens. Confesso que apesar de ter “engolido” o romance, eu não acreditei que eles estavam realmente apaixonados.

Casada até Quarta tem uma trama bastante interessante, se ignorarmos o fato de ser um enredo rápido. Eu gostei da forma como a autora trabalhou elementos simples para prender a minha atenção até o final da leitura, que no final, eu tenho que admitir que funcionaram muito bem.  Sam e Blake não vivem um romance que é construído apenas em cima da conveniência do casamento. Eu gostei da forma como eles encararam certos obstáculos juntos e a forma como construíram o relacionamento a base de confiança. Esse tipo de relacionamento deveria ser muito mais explorado em livros do gênero, ao invés do clássico homem-rico-gostoso-controlador-de-tudo.

“Isso é perigoso. O desejo deles era real, pelo menos para ela.”

O que eu posso dizer? Casada até Quarta é um ótimo livro para você ler quando está com aquela boa e velha ressaca literária. É um livro com bons diálogos, com uma escrita deliciosa e com personagens que certamente vão te arrancar boas risadas – ou pelo menos te deixar com aquela sensação gostosa dentro do peito depois de uma leitura agradável. Para a minha primeira experiência lendo Catherine Bybee, eu devo dizer que gostei muito mais de Casada até Quarta do que eu estava esperando e quero muito acompanhar os próximos lançamentos dessa série.

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31 ago, 2017

Nossas Noites, por Kent Haruf

Nossas Noites não é nem de longe um livro que eu leria sem uma indicação, escolhendo por conta própria em uma livraria. Acredito que, assim como você, a zona de conforto literária é suficiente com todos esses livros de romance adolescente e fantasia a nossa disposição. Por isso, quando fiz a leitura de Nossas Noites, um livro completamente fora da minha zona de conforto, eu fiquei completamente surpresa com o enredo criado por Kent Haruf. Nossas Noites não apenas um romance, mas uma carta de amor para todos aqueles que já envelheceram e todos aqueles que ainda vão envelhecer. Um enredo simples, poético, capaz de envolver o leitor da primeira até a última linha.

Nossas Noites conta a história de dois idosos, Addie e Louis que, há muito, não tem a companhia de outra pessoa que não sejam seus próprios filhos. A vida dos dois é solitária, pacata, limitada a cidade onde vivem e as pessoas que conhecem. Tudo muda quando Addie resolve ir à casa de Louis fazer a proposta de que eles passem as noites juntos. Não de uma forma sexual, apenas pela companhia, pelo trazer de ter alguém com quem dividir as noites solitárias. No começo, Louis acha a proposta estranha, mas acaba aceitando e conforme os dias passam, a amizade e o companheirismo entre ele e Addie cresce, mas não demora muito até eles precisarem lidar com as más línguas da cidade.

Eu não esperava que Nossas Noites fosse me encantar e me surpreender da forma que aconteceu. Quando eu recebi o livro tinha todo o tipo de expectativa em cima da história, mas a escrita de Kent Haruf é completamente diferente de tudo o que eu li até hoje e me pegou de surpresa, uma surpresa boa da qual eu nunca vou me arrepender. Nossas Noites foi uma leitura completamente fora de tudo o que eu estou acostumada, o enredo tem uma estrutura de escrita completamente diferente, os personagens são construídos de uma forma diferente e a escrita de Haruf é a benção literária que eu tanto estive esperando.

“Estou adorando, disse ela. Está sendo melhor do que eu esperava. É uma espécie de mistério. Eu gosto da amizade que estamos criando. Gosto do tempo que passamos juntos. De ficar aqui no escuro da noite. Das conversas. De ouvir você respirar ao meu lado quando eu acordo.”

Sabe quando dizem que você precisa encontrar o livro certo para fazer você gostar de um gênero ou de um tipo de leitura? Nossas Noites foi exatamente isso na minha vida literária. A narrativa de Kent Haruf é livre de longas descrições e travessões ou pontuações extremas. A leitura flui através de diálogos entre os personagens principais onde, por mais incrível que pareça, você consegue identificar quem está falando o que sem que o autor precise te dizer isso. Aliás, o autor não te diz nada, mas os personagens sim. O enredo nada mais é do que navegar no que os personagens têm a dizer, sem se aprofundar em informações desnecessárias, apenas o necessário para que você se envolva e se emocione com a história que está sendo contada.

Essa foi a primeira vez que eu me deparei com uma leitura com uma estrutura completamente diferente. Eu não tinha travessões, eu não tinha aquelas longas descrições do ambiente, da cidade e de todas aquelas coisas que normalmente só estão ali para ocupar espaço no enredo. Em Nossas Noites eu não precisei de nada disso. Eu estava na companhia de Addie e Louis e o que eles me contavam, o que eles conversavam eram suficientes para que eu me emocionasse, para que eu conseguisse entende-los e sentir junto com eles. Nossas Noites não é uma história cheia de altos e baixos irreais, aqueles que te provocam emoções pesadas. O livro é uma narrativa simples sobre o que é viver, errar e mesmo depois de anos ainda desejar o amor como se fosse a primeira vez.

“Quem imaginaria que, a essa altura da vida, nós ainda poderíamos ter algo desse tipo? Que afinal ainda existe, sim, espaço para mudanças e entusiasmos na nossa vida. E que nós ainda não estamos acabados nem física nem espiritualmente.”

Addie e Louis são personagens que representam todos nós. Eu, você e as pessoas que você conhece. A história deles nada mais é do que uma mensagem deixada pelo autor sobre como o amor não se perde com o tempo. Eu me envolvi no sentimento deles, na forma como eles ainda conseguiam descobrir coisas mesmo depois de já terem visto muita coisa. Haruf escreveu um livro que mostra a vida muito além do que nós exploramos até hoje, uma vida onde você não precisa se limitar ao que dizem a você, onde você pode continuar buscando e desejando algo novo até o seu último suspiro. E se isso não é a coisa mais linda que um autor pode fazer por nós, eu realmente não sei o que seria.

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15 mar, 2017

Só por uma Noite, por Monique e Mônica Sperandio

Só por uma Noite é um livro nacional, escrito por 4 mãos, que foi lançado no ano passado. O livro traz a história da adolescente Samanta Caliari e de suas 4 amigas Natália, Daphne, Marina e Vicky. Tudo começa quando Vicky morre (não é spoiler) e deixa uma lista de desafios para as amigas cumprirem em uma noite.

Narrada do ponto de vista de Sam, Só por uma Noite é um romance adolescente bem leve, com uma boa estrutura de escrita. Sam, Daph, Nat e Marina, viveram momentos decisivos em suas vidas e os compartilharam apenas com Vicky, que era o elo entre as 4 amigas. Ao saber que ia morrer, Vicky entrega uma lista com os segredos para Nat, que fica com a missão de fazer com que cada uma das amigas revele o seu.

“Estou feliz. Estou confiante. Estou com elas. E sei que qualquer coisa que aconteça essa noite, nos unirá ainda mais.”

A intenção da lista é desafiar as amigas e fazer com que elas tomem coragem e se abram, não só umas para as outras, mas também para o mundo. O prólogo já mostra o desafio de Sam sendo cumprido. Ela deve se declarar para o melhor amigo, Gustavo, por quem é apaixonada há 3 anos.

Com uma narrativa envolvente e objetiva, Só por uma Noite consegue prender o leitor do início ao fim. Durante toda a noite as meninas mudam o visual, bebem (um ponto a ser revisto), invadem cemitério, choram loucamente, etc. Apesar de não ser parte do público alvo do livro, Só por uma Noite me fez relembrar minha adolescência. O jeito que a personagem principal pensa, os sonhos e o mundo onde tudo é ruim mas sempre tudo termina bem, traz um pouco da esperança e fé dessa fase.

No entanto, apesar de todos os pontos positivos, Só por uma Noite comete alguns deslizes grosseiros, que precisavam ser evitados. Durante a trama, vemos pensamentos bem primitivos em relação a sexualidade de algumas personagens. Em uma passagem bem marcante, logo no início da narrativa, uma foto nua de uma ex namorada do Gustavo é exibida no telão do aniversário de 15 anos da Vicky. A culpa acaba sendo jogada para cima da garota. A partir dali a menina é xingada, desrespeitada, acusada de roubar o namorado das outras, etc. Foi um choque ver isso em momento onde estamos tentando caminhar contra esses pensamentos.

“— Essa garota, que se chama Yasmin, estudava com a gente na outra escola e ela era uma total promíscua, sabe.”

Em outras passagens as personagens também ofendem outras meninas, e ninguém as corrige. No meu ver, acaba tornando coisas que já sabemos ser fatais, em coisas banais do “dia a dia”. Escrito pelas gêmeas curitibanas Monique e Mônica Sperandio, Só por uma Noite tinha tudo para ser um ótimo livro adolescente, se passasse por uma revisão e edição mais rigorosa.

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16 fev, 2017

30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo, Por Mo Daviau

30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo, o título foi o motivo de ter escolhido o livro. Já imaginava uma versão masculina de O Diário de Bridget Jones, com uma máquina do tempo no meio. Só que não foi exatamente assim…

O livro conta a história de Karl Bender, um ex guitarrista famoso (ou ex famoso guitarrista?), dono de um bar na cidade de Chicago. Solitário e decadente, Karl passa a maior parte dos seus dias cuidando do bar até a chegada de Wayne DeMint. Wayne, um homem bem sucedido que também é infeliz com a vida que leva, encontra no bar, e em Karl, um motivo para ser feliz (ou pelo menos tentar).

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Tudo muda na rotina de Karl e Wayne quando, misteriosamente, Karl é sugado para passado. Ao contar para Wayne o que aconteceu, eles descobrem que dentro do armário de Karl existia um buraco de minhoca capaz de dobrar o tempo. Logo surge uma ideia de negócio: vender shows de Rock que aconteceram no passado.

“Se você pudesse voltar no tempo e ver qualquer banda tocar, qual escolheria?”

Apesar da diversão e dos altos ganhos, Wayne ainda não está satisfeito. Burlando a principal regra do uso do buraco, ele resolve voltar ao ano de 1980 e salvar John Lennon (quem nunca?). O único problema é que Karl programa o ano errado, e Wayne fica perdido no passado. Aí sim a história começa…

30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo exigiu da minha pessoa muita atenção. Por se passar em três realidades diferentes (passado, presente e futuro), o livro pode parecer um pouco confuso, mas não é (juro!). O início da história é muito vaga e fica difícil de entender a linha dos fatos. A partir do segundo capítulo, tudo fica mais leve, clean e super divertido.

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30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo me lembrou Guia do Mochileiro das Galáxias, pois mistura comédia, romance e coisas improváveis em um mesmo pacote. O livro também fala de assuntos sérios como feminismo, bullying e depressão. Aborda também filosofia, nos levando a refletir o tempo todo sobre nosso estilo de vida.

Escrito pela norte americana Mo Daviau,  30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo dispensa qualquer explicação técnica dos fatos. As coisa acontecem e ponto. Ótima leitura para quem gosta de rock e fantasia uma viagem no tempo (eu super!). Recomendo também para o pessoal do romance e para quem está procurando uma leitura mais leve e divertida. Eu adorei o livro e só não ganhou nota máxima devido à confusão do primeiro capítulo. Divirtam-se e comentem!