Posts arquivados em Tag: Romances

04 nov, 2018

Como explicar porque mulheres gostam de ler romances

Se você é leitor de romances – e isso inclui qualquer subgênero – provavelmente, pelo menos uma vez, alguém já te perguntou “porque você lê esse tipo de livro?” ou, às vezes, “como é que você consegue ler esse tipo de livro?”, ou melhor, “você não prefere ler livros de verdade?”. Às vezes a pessoa te pergunta por curiosidade mesmo. Às vezes você é abordada por um estranho no metrô de Botafogo que, por algum motivo, se acha no direito de criticar sua escolha de leitura, mesmo que ele nunca tenha te visto na vida.

São 17h (talvez 16h se você não for afetado pelo horário de verão), você está voltando de um dia de trabalho cansativo e é obrigada a decidir se agredir aquela pessoa fisicamente vale a pena o risco de amassar o seu livro e ser presa por agressão. Dependendo de quem for, essa decisão pode ser ainda mais difícil.

É claro, você sempre pode tentar explicar para às pessoas que o mundo é um lugar frio e vazio e que às vezes tudo o que você precisa é se transportar para um universo onde as pessoas boas são recompensadas com vidas maravilhosas e começar a chorar de forma escandalosa (de verdade ou não, a escolha é de vocês) até a pessoa sair correndo para o outro lado do metrô. Continue lendo

01 mar, 2017

O que está faltando na heroína romântica moderna.

O “macho alfa” está atualmente em ascensão na ficção romântica – tudo o que você precisa fazer é olhar para a proliferação de abdomens cuidadosamente definidos na lista de Best Contemporary Romance da Amazon para ter provas concretas. De Christian Gray, de E. L. James, ao Rei cego de J. R. Ward e Jesse Ward de Jodi Ellen Malpas, o mundo romance moderno está cheio de heróis dominantes que iniciam as heroínas em suas vidas complicadas.

Bem-vinda ao meu mundo.

E eu entendo, como leitora. Romances são todos sobre a realização do desejo, e eu amo um comandante, torturado, obcecado, mestre do universo, tanto quanto a próxima mulher. O risco que os escritores correm ao seguir pela rota do “macho alpha”, é de escalar sua heroína para o papel de um vaso vazio esperando desesperadamente para ser preenchido.

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Nem sempre foi assim.

Pense em Jane Eyre, a primogênita de todos os romances, a qual, eu diria, todo romancista de sucesso escrevendo hoje deve uma dívida impagável. Contada na primeira pessoa, é claramente a história de Jane. Nós temos mais de cem páginas antes de Edward Rochester fazer a sua primeira aparição dentro do enredo. Quando Edward cai do cavalo na estreita faixa perto de Thornfield, estamos completamente envolvidos com Jane porque a conhecemos.

Nós a conhecemos porque a vimos desde a infância … desencadeando um golpe épico em sua tia Reed … subindo na cama para confortar sua amiga moribunda Helen na Lowood School. Venha, diga-me que você não amava a menina desafiadora e zangada que disse: “Quando somos atacados sem uma razão, devemos retribuir o ataque com toda a força… tanto a ponto de ensina a pessoa que nos atacou a não fazer isso novamente”.

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Quando eu leio um romance, eu quero uma raiz para a heroína da mesma maneira que eu fui enraizada por “mocking changeling” de Charlotte Brontë. Este foi o meu objetivo quando eu sentei para criar Luna Gregory, a heroína da minha trilogia Lord and Master. Como eu poderia ajudar os leitores a conhecer Luna? Como eu poderia criar uma heroína moderna e atraente?

No final, eu resolvi focar meus esforços em cinco áreas:

Origem.
Como sua antecedente Jane Eyre, Luna é uma órfã, uma mulher tocada pela tragédia, e que ainda carrega feridas profundas. Uma das vantagens de contar a história de Luna na terceira pessoa e começar com ela quando ela tem vinte e seis anos, onde eu posso esperar o meu tempo para revelar as circunstâncias completas das mortes de seus pais e o impacto contínuo que essa experiência tem em sua vida. Quero que a história de Luna recompense o leitor paciente, que anseia por uma história completa e satisfatória, então, ao longo da trilogia, aprenderemos que ela é muito mais do que uma heroína inglesa “Keep Calm and Carry On” que ela aparenta ser inicialmente.

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Relacionamentos com outras mulheres.
Uma protagonista feminina apresenta desafios, particularmente quando se trata de encontrar maneiras de contar sua história. Ela não vai dizer isso, isso é certo! Então eu trabalhei duro para realçar os relacionamentos de Luna com seus três melhores amigos da universidade, bem como sua chefe, Lady Wellstone, puramente para que o leitor pudesse vê-la refletida neles. Em uma nota pessoal, eu suponho que este livro é o anti-Lean In, em que Luna realmente depende das outras mulheres em sua vida. A relação entre ela e Lady Wellstone, em particular, é sem dúvida o outro grande amor de sua vida, depois de Stefan.

Carreira.
Tendo lido mais do que alguns romances onde a vida de trabalho da heroína era… modestamente retratado, eu sabia que queria que a carreira de Luna fosse parte integrante do seu senso de si mesma. Diz algo sobre o complexo de inferioridade assistentes pessoais têm, no entanto, que eu inicialmente hesitei em “escrever o que eu sabia” e torná-la um PA. Fico feliz por não ter feito isso, o trabalho de Luna também é um veículo para demonstrar sua obstinação, sua feroz lealdade e suas ligeiras tendências ao TOC.

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Sexualidade.
O maior problema que tenho com o fenômeno masculino alfa em romances é que quase invariavelmente leva a um campo de jogo irregular no quarto. A Heroína como discípula, ali para ser ensinada; Ou pior, bens móveis, para ser subjugada. E, novamente, eu entendo que o romance é sobre fantasia e voyeurismo, não necessariamente o que você experimenta, ou até mesmo quer experimentar na vida real. Mas era um não-negociável para mim, escrevendo uma heroína que é abertamente, descaradamente sexual, tão capaz de dominar quanto de se submeter, e tão expressiva na cama como ela é reservada fora dela.

O Herói.
Gosto de descrever o meu herói, o empresário sueco Stefan Lundgren, como um alfa quieto. Ele é obstinado, sabe o que quer e faz o que é preciso para obtê-lo, mas – muito parecido com Luna – ele não grita sobre ele ou ele mesmo. Eu o escrevi dessa maneira principalmente porque eu mesmo acho estas características atraentes, mas também porque marcar essa intensidade alfa por um entalhe deixa espaço para minha heroína silenciosa brilhar.

Eu aceito que eu e outros romancistas tenhamos em nossas mãos o trabalho de persuadir os leitores que são ligados (eles querem!) aos seus super-alfas .

Para esses leitores eu diria isso: mesmo se você é uma garota alfa até a morte, o que isso diz sobre o seu protagonista se a mulher por quem ele se apaixona não é tão convincente e complexa quanto ele? Se ele realmente é aquilo tudo, o amor da vida dele deveria ser uma mulher merecedora da atenção dele. E da sua.

Esta publicação foi escrita por Kait Jagger e originalmente publicada no site Writers Digest. Ela é a autora de dois romances: Lord and Master e Master’s Servant.

11 fev, 2016

Conheça algumas adaptações das obras de Jane Austen

Fazer um especial sobre romances de época e não falar pelo menos um pouco sobre Jane Austen é quase um crime. Autora de um dos romances mais conhecidos do mundo, os personagens de Jane Austen encantam pessoas de todas as idades e, por isso, eu não poderia deixar de fazer uma publicação especial para essa mulher que, além de me fazer ficar completamente apaixonada pela literatura, criou o meu maior amor literário de todos os tempos: Mr. Darcy.

Apesar de eu recomendar a leitura dos livros, muitas pessoas sentem dificuldade em fazer a leitura, já que a linguagem utilizada é muito diferente das de hoje em dia. Pensando nisso, eu resolvi que esse post seria dedicado as minhas adaptações favoritas das obras de Jane Austen, sejam elas série ou filme, afinal, se tem uma coisa que temos em abundância são adaptações dos romances da Jane, não é mesmo? Então vamos começar!

Orgulho e Preconceito, filme 2005
Jane Austen

As cinco irmãs Bennet foram criadas por uma mãe que tinha fixação em lhes encontrar maridos que garantissem seu futuro. Porém Elizabeth deseja ter uma vida mais ampla do que apenas se dedicar ao marido, sendo apoiada pelo pai. Quando o sr. Bingley, um solteiro rico, passa a morar em uma mansão vizinha, as irmãs logo ficam agitadas. Jane logo parece que conquistará o coração do novo vizinho, enquanto que Elizabeth conhece o bonito e esnobe sr. Darcy. Os encontros entre Elizabeth e Darcy passam a ser cada vez mais constantes, apesar deles sempre discutirem.

Confesso que eu ainda prefiro a adaptação com o Colin Firth, mas Keira Knightley e Matthew MacFadyen fizeram muito bem o seu papel de Elizabeth Bennet e Mr. Darcy, e eu não posso tirar os créditos deles por isso. Particularmente, eu gosto muito da fotografia desta adaptação, mas eu também sinto falta de um pouco de profundidade dos personagens e acho que até mesmo no enredo. O elenco em si, é maravilhoso. Eu acho que a Lydia ficou a melhor de todas, e passou muito bem a personalidade da personagem. Parabéns pra Jena Malone, por isso! Acho que essa é uma adaptação que, pelo menos para mim, é mais voltada para aqueles que não leram o livro, como os personagens não são apresentados em sua essência, o roteiro fica mais focado no desenvolvimento do romance entre os personagens principais, mas isso não tira, de forma nenhuma, a beleza do filme.

Emma, minissérie 2009
Jane Austen

Emma conta a história de Emma Woodhouse que, aos 20 anos, é uma bela e privilegiada mulher inglesa, que vive na propriedade fictícia de Hartfield, em Surrey, na vila de Highbury, com seu pai, um hipocondríaco. O amigo e único critico de Emma, o gentil George Knightley, é seu vizinho no condado de Donwell, e irmão do marido de sua irmã mais velha, Isabella. A despeito das advertências de Mr. Knightley, Emma exerce indiscriminadamente sua função de “casamenteira”, e tenta aproximar sua nova amiga Harriet Smith, uma doce, mas não muito brilhante adolescente de 17 anos, de Mr. Elton, o pároco local.

Originalmente, Emma era para ser uma personagem odiada por todos, mas a jovem tem uma personalidade exótica que faz com que você se apaixone por ela sem pensar duas vezes. Assim, em um tom muito mais divertido que o dos outros romances, acompanhamos uma personagem casamenteira, que acredita fielmente saber o que é melhor para todo mundo, e de todas as adaptações desse romance, a minissérie de 2004, com Romola Garai no papel da heroína sempre foi, e sempre vai ser a minha versão favorita desse clássico. A vantagem da minissérie é que ela permite que a gente conheça melhor os personagens. Os diálogos são bem construídos e o enredo se desenvolve de uma forma muito divertida, passando muito bem a essência do livro, e ainda tem o Jonny Lee Miller (Elementary) no papel do lindo e maravilho Mr. Knightley.

Persuasão, filme 2007
Jane Austen

O enredo gira em torno de Anne Elliot, filha de Walter Elliot, baronete de Kellynch Hall, a qual sete anos antes dos eventos narrados no romance, apaixona-se por Frederick Wentworth, inteligente, ambicioso, mas pobre, e é impedida pela família de contrair matrimônio com o mesmo. Aos vinte e sete anos, Anne reencontra o ex-noivo, agora um oficial da marinha, interessado em sua vizinha, Louisa Musgrove, que é também concunhada de Anne, pois é irmã de Charles, casado com Mary. Anne percebe que ainda ama Wentworth e tem de lidar com a convivência num ambiente em que ele se torna frequente e com a possibilidade de ser deixada de lado em favor de Louisa. É apenas quando Anne reconhece seus sentimentos íntimos como verdadeiros, que a persuasão se completa.

Atualmente a minha adaptação favorita de todas as adaptações já feita das obras de Jane Austen. Eu sou apaixonada por Orgulho e Preconceito, mas Persuasão é um livro que fala sobre perdão e essa adaptação em particular consegue passar exatamente o que eu senti quando estava lendo o livro. Anne Elliot é interpretada por Sally Hawkins e eu não poderia concordar com atriz melhor para esse papel. Sally consegue passar muito bem os conflitos da personagem, assim como Rupert Penry-Jones consegue dar vida ao capitão Wentworth como nenhum outro ator. Claro, eu acho que a fotografia do filme poderia ser um pouco melhor do que foi, mas todo o resto se encaixa tão bem que é muito fácil de se ignorar isso.

Eu posso numerar para vocês diversas outras adaptações dos livros de Jane Austen que conquistaram fãs por todo mundo, mas isso faria esse post ficar muito maior que o esperado, por isso citei apenas as três que eu mais gosto, além da série de Orgulho e Preconceito (1995). Cada um desses livros tem uma história encantadora, e personagens que vão fazer você se apaixonar. É muito difícil assistir qualquer uma destas adaptações e depois não sentir vontade de conhecer mais sobre Jane Austen ou ler os seus livros.

Agora eu quero saber de vocês. Conhecem algumas dessas adaptações? Tem alguma favorita que eu deveria ter mencionado no post? Deixe aqui nos comentários que eu quero saber o que vocês amam sobre essa autora maravilhosa!

romances de época