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Resenhas 17jun • 2017

O Livro de Sangue e Sombra, por Robin Wasserman

Tudo começou com O Livro. E depois disso acabou se tornando um dos melhores thrillers YA que eu poderia ter escolhido para ler. A verdade é que eu escolhi O Livro de Sangue e Sombra sem muitas expectativas de encontrar uma leitura que fosse me conquistar, afinal, eu não sou a maior fã de suspense policial que vocês vão encontrar na internet. Mas acho que esse é o grande “Q” de você dar uma chance a leituras que são fora da sua zona de conforto: você sempre pode se surpreender. E foi exatamente o que aconteceu comigo lendo esse livro. Os personagens eram maravilhosos, a escrita da autora fluía de uma forma incrível e o enredo eletrizante só fechava o pacote de uma ótima leitura.

Tudo começa com O Livro, quando Nora e seu amigo Chris, começam a trabalhar na tradução do mesmo. Não parecia ser algo muito complicado. Algumas horas depois da aula, créditos extras para a faculdade e ainda trabalhar com Latim, que era algo que ambos tinham facilidade. Porém, quando Chris simplesmente aparece morto, Nora começa a perceber que tudo aquilo não é mais uma brincadeira e que as cartas que ela vinha traduzindo escondiam muito mais segredos do que ela mesma poderia imaginar. Desesperada para descobrir o porquê da morte do amigo, ela parte em uma aventura onde as revelações possam ser ainda mais assustadoras do que ela estava esperando.

Eu nem sei como que eu começo a falar da escrita da Robin Wasserman. Me lembrou bastante de Dan Brown, ao mesmo tempo que me pareceu uma leitura muito mais agradável do que eu tive nos livros dele. Apesar de uma narrativa muito detalhada, carregada de palavras em latim e significados nas entrelinhas, O Livro de Sangue e Sombra tem um enredo que consegue fluir muito bem, e envolve no meio do mistério que gira em torno da personagem principal. Eu normalmente não me sinto presa a enredos desse tipo, mas este livro em particular conseguiu prender a minha atenção do início ao fim – eu simplesmente não conseguia mais largar essa leitura.

O primeiro ponto positivo é que a autora deixou o romance totalmente em segundo plano nessa história. Apesar da Nora ser uma adolescente, ter um namorado e estar envolvida em um triângulo amoroso com ele e a melhor amiga, o enredo de O Livro de Sangue e Sombra vai muito além dos dramas românticos da vida adolescente. A autora realmente foca no que está acontecendo a volta da personagem. Todo o instinto dela está voltado para entender as cartas, porque seu melhor amigo foi morto e o que há de tão importante para ser descoberto por ela e pelos amigos. Só isso já fez com que Robin ganhasse vários pontos comigo.

O enredo do livro é simplesmente fantástico. Totalmente Dan Brown para aqueles que simplesmente não tem saco para ler os livros do Dan Brown. Os personagens são inteligentes, muito bem construídos. A história tem suas reviravoltas nos momentos certos e toda a base história que precisamos para entender o contexto do universo do livro nos é dada ao longo do enredo, sem fazer com que a narrativa se arraste ou fique cansativa. Eu gostei muito de como a autora soube distribuir bem o suspense ao longo do livro, não focando a história apenas no plot principal, mas também apresentando pequenas tramas secundárias que contribuíam para que o enredo fluísse.

Nora foi uma personagem principal que eu consegui me apegar bastante. Como o livro é todo narrado do ponto de vista dela, é fácil de você se conectar com a personagem e entender como as coisas realmente aconteceram. A narrativa do livro em primeira pessoa foi muito importante para que a leitura de O Livro de Sangue e Sombra fosse tão boa como foi. Nora tem uma voz suave, é gostoso estar na cabeça dela porque, apesar de ela estar envolvida em coisas muito complicadas, ela continua sendo apenas Nora, e você consegue se colocar no lugar dela com facilidade.

O universo criado por Robin Wasserman não deixa nada a desejar. Apesar de eu ter achado que a autora poderia ter economizado um pouco na tradução das cartas, que ocuparam, às vezes, cinco páginas de um capítulo, o contexto histórico do livro estava muito bem trabalhado, e fazia com que todo o mistério do enredo soasse ainda mais interessante para o leitor. É simplesmente impossível você ler O Livro de Sangue e Sombra e não ficar curioso para entender o que é o Livro, o que está por trás das cartas e como é que a Nora se encaixa nisso tudo. Eu nem ao menos tinha percebido quando foi que eu comecei a devorar a história, sério. Um dia inteiro grudada nas páginas desse livro até concluir a leitura.

Eu nunca pensei que fosse realmente gostar de um thriller, sendo bem sincera. E se você é como eu e tem um certo tipo de resistência ao gênero, eu acho que O Livro de Sangue e Sombra pode ser um bom começo para que você saia da sua zona de conforto literária. Realmente funcionou para mim, eu estou completamente apaixonada pelo livro. Agora, se você já é fã do gênero e tem o plus de gostar de YA também, com certeza essa vai ser a leitura perfeita pra você.

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Resenhas 13jan • 2017

O Advogado Rebelde, por John Grisham

Primeiro, vocês precisam saber que eu não sou uma leitora assídua de thriller. Foi apenas recentemente que eu comecei a explorar alguns livros do gênero e, por isso, quando O Advogado Rebelde caiu nas minhas mãos, eu acho que não poderia deixar a oportunidade passar. Até então, eu não conhecia o autor, John Grisham, mas por ele ser recomendado por Ken Follet eu pensei “porque não?”. E acreditem, não acho que esse livro tenha sido a minha melhor escolha.

O Advogado Rebelde gira em torno de um único personagem, Sebastian Rudd, um advogado que tem como especialidade pegar aqueles casos que nenhum outro advogado quer. Por consequência disso, ele praticamente tem um alvo pintado nas costas e, por isso, ele anda armado e seu escritório acaba sendo uma van blindada. O enredo do livro não foca em uma história específica. Basicamente acompanhamos o personagem principal em seus diversos casos, como por exemplo o de Gardy, um garoto acusado de ter matado duas crianças na pequena cidade de Milo.

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Quando um autor me promete um thriller, eu tenho na minha cabeça que eu vou no mínimo ficar arrepiada ou ao menos me envolver com o mistério do enredo. Mas O Advogado Rebelde não chegou nem perto de atingir essas minhas expectativas. John Grisham criou um enredo que não tem profundidade. O livro é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista de Sebastian, onde o leitor é levado a acompanhar a solução dos seus casos sem nenhuma emoção.

Sim, nenhuma emoção.

A escrita de Grisham não chega a ser ruim, mas não possui nenhuma carga emocional como outros livros de thriller que eu já tive a oportunidade de ler. Em O Advogado Rebelde não ficou muito claro o que o autor queria fazer com a história. Nos primeiros capítulos eu acreditei que ele estava construindo o personagem e que mais pela metade tudo se encaixaria em um grande mistério que eu não havia percebido. Porém, isso não aconteceu. Os casos continuaram sendo narrados de forma desleixada, pulando de um para o outro com explicações razoavelmente inteligentes, mas nada que realmente me deixasse impressionada.

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Sebastian não é um advogado que se envolve muito nos seus casos. Ele não é extremamente dedicado no seu trabalho, sendo aquele tipo de pessoa que gosta de ver o circo pegar fogo, brincar com algumas peças de um tabuleiro de xadrez e depois simplesmente ir para casa tomar uma cerveja. Não existe nada que faça com que você se conecte com o personagem, e isso acontece porque o autor escolheu simplesmente focar na habilidade de resolução dos casos, do que no personagem em si.

É como se o livro não fosse sobre Sebastian Rudd, mas sim sobre como ele ganhou todos os casos narrados no livro.

O único ponto forte do enredo de O Advogado Rebelde são os diálogos, o humor sarcástico do personagem principal e seu temperamento forte. Sebastian não é um personagem com muito controle emocional, precisando de muito pouco para conseguir tirá-lo do sério. Os pontos do livro em que ele está discutindo com alguém, ou criando uma confusão desnecessária, apenas para provar que ele é “esperto” e o sistema está corrompido, são os melhores pontos do livro – e o que me fez suportar a leitura do livro até o final.

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Foi uma leitura bastante decepcionante, principalmente porque eu estava realmente curiosa para conhecer os personagens e me envolver com o enredo.

Eu esperava um enredo eletrizante, com um personagem principal que me envolvesse e me fizesse arrepiar. Porém, eu me deparei com um enredo que mais parece um diário do que uma história a ser contada realmente. Eu não consegui me conectar com o personagem principal, eu não consegui me conectar com os personagens secundários, ficando apenas como uma espectadora de tudo o que acontecia com o enredo.

Acredito que, por eu não estar acostumada com esse tipo de gênero, esse livro provavelmente seja uma ótima leitura para aqueles que gostam de séries policiais ou livros que giram em torno de julgamentos. Porém, se você está procurando uma primeira leitura do gênero, com certeza O Advogado Rebelde não vai ser uma boa escolha para você.

Resenhas 01dez • 2016

Em Um Bosque Muito Escuro, por Ruth Ware

Em um Bosque Muito Escuro me chegou meio que por acaso e por um auto convite descarado. Um belo dia, a  Débora Costa recebe uma caixa da Rocco e eu logo exclamo: é Harry Potter! Não, não era. O que havia dentro da caixa, pasmem, parecia ser até mais interessante do que a saga de J.K.Rowling. Do interior daquela arca de papelão, saíram 3 objetos bem diferentes: Um véu, marcado de vermelho, uma taça de champanhe e um convite para uma despedida de solteira. A união dos 3 artigos, mais a capa do livro, contavam um pouco da história que estava por vir. Como não ficar curiosa quando sua coleguinha recebe a encomenda mais macabra de uma segunda-feira? Como quem não quer nada, perguntei: Dé, quer que eu leia, e quem sabe, resenhe esse livro? E ela topou! Então, após devorar a história em 3 dias, chegou o momento de pagar pelo empréstimo.

O livro Em um Bosque Muito Escuro chama a atenção já na primeira página. Narrado em primeira pessoa, a história se inicia com frases curtas e muita ação. A primeira página apresenta a personagem principal em meio a uma perseguição angustiante, repetindo um nome ainda desconhecido para nós. Um prefácio, se assim posso chamar, que prende a atenção e te convida a virar a página e devorar tudo que vem depois.

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Quem nos conta a história é Leonora (Lee ou Nora), uma escritora de romances policiais que mora na cidade de Londres. Nora vive uma rotina pacata e prática, sem muitas aventuras e com poucos amigos. Sua vida ganha movimento após um convite para a despedida de solteira de Clare Cavendish, uma velha amiga do colegial com quem cortou relações há 10 anos. Clare é dona de uma personalidade forte e imperativa e Lee, fraca e sensível, cresceu em volta da aura carismática que a amiga emanava.

Após um acontecimento traumático, Lee resolve trocar de escola e, posteriormente, abandonar Northumberland, sua cidade natal. Nora, fez questão de esquecer (ou tentar esquecer) seu passado e todos que estavam nele. Manteve contato apenas com uma pessoa do seu antigo círculo de amizades, Nina. Médica, calejada dos tempos que trabalhou com os “Médicos sem fronteiras” e apaixonada por sua namorada Jess, Nina é dona de um humor extremamente sarcástico e negro. Junto com Nora, Nina viaja de volta a sua cidade natal, para um fim de semana na casa da tia de Flo, na isolada Kielder Forest.

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Flo é a atual melhor amiga de Clare, e ficou encarregada de organizar a despedida de solteira e todos os seus pormenores. Irritadiça, Flo, na minha opinião, é a personagem com melhor construção (ou desconstrução) psicológica na trama. Estudou com Clare na faculdade e fez da amiga seu espelho de pessoa, literalmente. Como convidados ainda temos Melanie e Tom. Melanie morou com Flo e Clare, mas seguiu caminho diferente das amigas. Formada em direito, Melanie é casada, tem um filho de 6 meses e resolveu tirar o fim de semana só para ela. Já Tom é um dramaturgo boêmio, casado com um famoso diretor de teatro e que está ali para curtir. Conheceu Clare no trabalho e, para Nora, entre todos os convidados, sua personalidade luxuosa e extravagante era o única que realmente combinava com a noiva.

Escrito por Ruth Ware, Em um Bosque Muito Escuro é um livro de suspense com boas tramas. Dividido em dois cenários principais, o conto me trouxe a sensação de brincar de “vítima, assassino e detetive”. Como se mantém sempre na perspectiva de Leonora, a história alterna entre os acontecimentos na casa da escura Kielder Forest e os acontecimentos no hospital, onde Nora está internada após o fim de semana. Logo no início já percebemos que há uma morte. A casa, muito bem retratada pela autora, já é um bom local para um assassinato ou acontecimento paranormal. Claro que pode parecer clichê, mas o jeito como é descrita, de forma detalhista porém curta e objetiva, fez com que eu me sentisse naquele ambiente e óbvio, alguém ia morrer ali.

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Apesar de ser um bom livro, Em um Bosque Muito Escuro deixa algumas partes fantasiosas demais, o que compromete a leitura dos mais céticos. Além disso, a personagem principal por vezes se mostra extremamente sensível, como uma donzela de romances de época, o que me fez sentir raiva dela. Ainda rolaram umas pontas soltas que podiam ter um desfecho diferente, no entanto simplesmente morreram no meio do livro.

Para que os que gostaram de Garota no Trem e Garota Exemplar, as comparações serão inevitáveis. Em um Bosque Muito Escuro é o primeiro livro de Ware, que foi comparada a Gillian Flynn e Paula Hawkin e, apesar de ser lançado no ano passado,  já foi vendido para o cinema. Recomendo a todos que gostam de suspenses, sem romances e sem finais felizes (meu caso!!). Prestem atenção em todos os detalhes, eles serão importantes para descobrir o assassino. Curtam bastante e leiam sem medo!

Resenhas 04dez • 2015

A Garota no Trem, por Paula Hawkins

A Garota no Trem é o primeiro romance escrito por Paula Hawkins, que entrou pra lista de mais vendidos do New York Times e, aqui no Brasil, foi publicado pela Editora Record. O livro tem 377 páginas e traz a história de Rachel, uma mulher que faz diariamente o trajeto de ida e volta entre Ashbury e Londres. A rotina é tão normal para ela, que Rachel acabou ficando obcecada pelos habitantes de uma das casas situadas perto da linha do trem, onde vive o casal que ela nomeou de Jess e Jason. Essa é sua rota e visão por dias a fio, até ela tertemunhar uma cena chocante e, dias depois, se ver envolvida no mistério do desaparecimento de Jess, já que ela simplesmente não consegue se manter alheia.

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Conhecemos Rachel, assim como a seus problemas sérios com bebidas, principalmente após o término de seu casamento e da descoberta de que seu ex-marido finalmente se tornou pai, enquanto ela nunca conseguiu ser mãe. Entre todos os seus problemas, sua vida despedaçada, ela parece se agarrar ao sucesso do casamento de Jess e Jason, o casal verdadeiro, porém com informações fictícias criadas por ela, e tudo corre bem até ela descobrir que Jess não é bem quem ela pensou e pode estar colocando toda a sua vida perfeita em jogo. Tudo corre bem até Jess desaparecer e Rachel descobrir que sua Jess é, na verdade, Megan, e decidir se enfiar no meio da investigação a fim de ajudar a encontrá-la, ou provar que “Jason”, ou Scott, não é o culpado.

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A história de Rachel, o entrelace entre sua vida e as de Scott e Megan, com todo o mistério e reviravoltas, são bons ingredientes para um thriller de muito boa qualidade. Principalmente se a narrativa for bem feita, como é o caso de A Garota no Trem. Paula Hawkins sabe conduzir as histórias, os passos de seus personagens, e em seu livro a autora o faz sempre em primeira pessoa, alternando entre Rachel, Megan e até mesmo Anna – a atual do ex de Rachel! A única coisa que me incomodou foi a quantidade de detalhes, de descrições de cada cena, de cada personagem, mas isso foi no início, quando eu ainda estava pegando o ritmo da leitura.

Embarquei no trem das 8hO4, mas não estou indo para Londres. Em vez disso, ressolvi saltar em Witney. Espero que o ato de passar por lá avive minha memória, que eu chegue à estação e veja tudo claramente, e lembre de tudo. Não alimento grandes esperanças, mas não há nada mais que eu possa fazer. Não tenho como ligar para Tom. Estou com muita vergonha, e, de qualquer maneira, ele deixou bem claro: não quer mais saber de mim.

Megan continua desaparecida; ela sumiu faz mais de sessenta horas, e o caso já está sendo noticiado em rede nacional. Estava no site da BBC e no MailOnline hoje de manhã; havia notas mencionando a história em outros sites também.    (p.79)

Quanto aos personagens, achei a construção interessante. As informações e o momento em que elas surgiam foram bem dosados, então, enquanto lia, sempre tinha informações de fundo sobre as personagens, de modo que não fiquei perdida sem saber o que levou àquela cena. A não ser que tivesse sido proposital, obviamente. Rachel foi uma personagem que, de início, não me prendeu a atenção, porque eu simplesmente não a compreendia. Acho que só fui ficar envolvida de verdade lá pela página 80, que foi quando o mistério realmente começou. Outra coisa sobre Rachel, é que ela pode ser bem surpreendente, e a evolução dela durante a leitura é boa: pra quem torcer por ela, seus problemas com álcool às vezes nem surgem enquanto ela se vê envolvida com a resolução do sumiço de Megan.

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Megan e Scott, popularmente conhecidos como Jess e Jason – e eu espero que não esteja te confundindo com essa quantidade de nomes para as mesmas pessoas, afinal, culpa da autora-, são um casal que, olha, sinceramente só me pareceram bonitinhos de longe, vistos do trem e pelos olhos idealizadores da Rachel. Scott é um cara abusivo e controlador, na minha opinião, e Megan tem sérios problemas de ansiedade e depressão – além de ter seus segredinhos sujos. Além disso, lidamos ainda com Tom e Anna, ex de Rachel e sua atual esposa, que possuem uma família e moram na mesma rua em que Megan e Scott vivem. Você fica se perguntando o motivo de eles aparecerem tanto na história, e aí, quando se dá conta, boom, tarde demais.

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De verdade, sinceramente, do fundo do meu coração: esse livro foi um tapa na minha cara – da forma mais positiva possível, porque minha sensação ao descobrir o que aconteceu de nada foi: Sabe de nada, Jon Snow. Na capa está escrito “Se você gostou de Garota exemplar, vai devorar este thriller psicológico.” e eu devia ter dado ouvidos. Só pra contextualizar, Garota Exemplar e outros livros da mesma autora são livros que me deixam de cabelo em pé, vidrada nas histórias, e A Garota no Trem, apesar de ser escrito por outra pessoa, não me deu sensações diferentes. Amei, me surpreendi e a única coisa que comprometeu minha experiência foi o fim do período letivo, a quantidade de textos e trabalhos: não é o tipo de livro que dê pra ficar pausando a leitura, ou você acaba quebrando o clima. No mais, recomendo bastante pra quem gosta de bancar o Sherlock Holmes, de sentir um frio na espinha e de ter alguém mexendo com a sua cabeça.

 

Resenhas 22jul • 2015

Ela Não É Invisível, por Marcus Sedgwick

Ela Não É Invisível é um thriller escrito pelo autor Marcus Sedgwick e publicado no Brasil pela Galera Record. Este é o primeiro livro do autor publicado no Brasil e também a minha primeira experiencia de leitura com ele.

O pai de Laureth é um escritor muito famoso. Depois de lançar vários livros de sucesso, ele resolve se concentrar em outro tipo de escrita, mas esta acaba não agradando muito ao público. Obcecado por escrever um livro sobre coincidências, ele parte de uma viagem para a Suíça e deixa Laureth responsável por seus e-mails – como sempre.

Ela Não É Invisível

Um dia Laureth recebe um e-mail de um cara chamado Michael dizendo que ele havia encontrado o caderno de rascunhos do seu pai em Nova York. Imediatamente ela tenta entrar em contato com seu pai, mas não consegue nenhum retorno. Preocupada, e sem o apoio da mãe, ela toma uma decisão muito importante: ir procurar pelo seu pai em Nova York.

O único problema é que Laureth é cega desde que nasceu e, para ter sucesso nessa aventura, ela precisa levar consigo o seu irmão Benjamin, de 7 anos que, apesar de ser bem novo, é bastante esperto. Tentando se convencer de que não está sequestrando seu irmão, ambos partem em sua busca para recuperar o caderno do pai e tentar descobrir onde ele realmente está.

Ela Não É Invisível

Quando fiquei sabendo do lançamento desse livro, eu realmente não sabia o que esperar da leitura. Não sou acostumada a ler thrillers, mas achei o enredo tão diferente e interessante que não consegui resistir. Narrado em primeira pessoa, do ponto de vista de Laureth, o livro nos faz acompanhar toda a aventura dos dois irmãos, não deixando de mostrar um pouco como era a relação com os pais e a vida deles em si.

Fiquei completamente apaixonada pela escrita de Marcus Sedgwick. Quando me decidi por ler este livro, fiquei horas me preparando para uma escrita pesada e complexa, mas foi exatamente o contrário. Sedgwick escolheu uma narrativa simples, fluida, que faz com que o leitor mergulhe de cabeça no universo que ele criou e não deseje sair de lá nem mesmo quando o livro termina.

Ela Não É Invisível

O enredo é maravilhoso, criativo. Apesar de Laureth ser cega, o autor buscou não utilizar isso como ponto chave para a história se desenvolver. É apenas uma informação a mais sobre a personagem, mas não algo que a defina dentro da história. Alias, acho que o fato de uma história ser contada por uma personagem cega deixou tudo muito mais interessante, porque durante a leitura eu conseguia ver as coisas pelos olhos dela, mesmo sabendo que – tecnicamente – eu não estava vendo nada.

Os personagens são peculiares, diferentes, interessantes. Mesmo tendo apenas 16 anos, Laureth tem uma compreensão fascinante sobre o mundo em que vive, sempre se mostrando completamente capaz de andar por aí sem precisar colocar uma placa dizendo que é cega para que todo mundo entenda. Na verdade, durante toda a história ela tenta transformar a sua cegueira em algo completamente irrelevante, não só para ela, mas também para as outras pessoas.

Ela Não É Invisível

E Benjamin? Nunca pensei que um personagem de 7 anos fosse me deixar tão encantada. Mesmo sendo quieto, Benjamin tem uma personalidade incrível e um jeito de lidar com as situações que eu não esperava de uma criança. É um personagem calmo, observador, que sabe o momento certo de falar ou de contar alguma coisa. Mesmo estando ali apenas para ser os olhos da irmã, Benjamin se revela um personagem que vai muito além de um garotinho.

Ela Não É Invisível faz com que você veja o mundo através dos olhos de uma menina de 16 anos que não enxerga. É um universo completamente novo, onde você precisa tatear a leitura para entender onde está indo durante todos os capítulos. Uma experiência de leitura que te deixa arrepiada a cada minuto e te faz desejar, constantemente, ser parte daquele universo tanto quanto seus personagens.

Quando este livro entrou na minha estante, eu estava buscando me arriscar em um gênero literário novo. Pra mim, essa era minha aventura e posso dizer que não me decepcionei nem um pouco. Além de uma história fascinante e personagens incríveis, Marcus Sedgwick criou um universo que te obriga a refletir não apenas sobre si mesmo, mas também sobre o mundo lá fora.

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